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Os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos. O alerta é da Organização das nações unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Há no solo excesso de nitrogênio e metais pesados, como arsênico, cadmio, chumbo e mercúrio, segundo a FAO. “Quando esses compostos entram na cadeia alimentar representam riscos para a segurança alimentar, para os recursos hídricos, para a subsistência das populações rurais e para a saúde das pessoas”, assinalou um relatório da FAO divulgado dia 23 de junho. E destaca ainda que o combate à contaminação dos solos e a busca por uma gestão sustentável dos recursos agrícolas é essencial para fazer frente às mudanças climáticas e à insegurança alimentar que se acerca.

A poluição dos solos é um problema cada vez mais importante e que acontece de muitas maneiras. A única forma da combate-la é aumentar a disponibilidade de informações a respeito e promover a gestão sustentável da terra. “É preciso intensificar a colaboração global na busca de provas científicas confiáveis para que se mude a forma de plantar e o uso dos agrotóxicos”, disse Ronald Vargas, secretário geral da Aliança Mundial pelo Solo.


Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO

A assembleia da Aliança Mundial pelo Solo é uma plataforma neutra e multipartite para discutir os temas globais em relação aos solos e busca agrupar conhecimentos sobre boas práticas de manejo, “além de estimular medidas para manter os solos saudáveis para que sigam garantindo os serviços ambientais que garantem alimentos para todos”, disse Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO.

A Assembleia realizada no final de junho aprovou novas iniciativas para facilitar a troca de informações sobre solo, a criação da Rede Global de Laboratórios de Solos, que deverá coordenar e criar modelos de medição para uso entre todos os países, a Rede Internacional e Solos Negros, que pretende melhorar o conhecimento sobre os solos agrícolas mais férteis, que também são conhecidos por seu alto conteúdo de carbono.

Cerca de um terço dos solos do mundo estão contaminados, devido principalmente a práticas insustentáveis de gestão. Além disso bilhões de toneladas de terra se perdem a cada ano na agricultura e uma das causas principais é a poluição por agrotóxicos e pelo manejo ineficiente do solo. Em alguns países cerca de um quito de todas as terras cultiváveis estão comprometidas com contaminações diversas.

Contaminação do solo significa a presença na terra de substâncias químicas que estão fora de lugar ou em concentrações superiores às normais, por ação de mineração, atividades industriais ou má gestão das águas.

A FAO alerta que em alguns casos as contaminações se estendem por grandes áreas por conta das chuvas e dos ventos. Os insumos agrícolas, como os fertilizantes, os herbicidas e os pesticidas, incluindo os antibióticos que são encontrados nos estercos dos animais, são importantes contaminantes que provocam problemas também por conta de suas fórmulas que são constantemente alteradas.

“A contaminação dos solos é um risco traiçoeiro porque é mais difícil de ser observada do que outros processos de degradação, como a erosão. Os perigos estão, também, em como os contaminantes reagem com os elementos já presentes no solo e a velocidade com que esses contaminantes penetram nos ecossistemas”, alerta o documento da FAO. Segundo a organização, a diversidade de contaminantes e tipos de solos, assim como as formas que agem, fazem com que os estudos para determinar os riscos sejam especialmente difíceis e caros.

Solos Negros

A nova rede internacional de solos negros define como negros aqueles que contém ao menos 25 centímetros de húmus e com uma taxa de carbono orgânico superior a dois por cento. Segundo essa definição estão em um território de 916 milhões de hectares e cobrem 7% da superfície do planeta.

Cerca de 25% dos solos negros são do tipo clássico, co um metro de húmus, e se encontram em regiões de plantios de cereais da Europa Oriental e Ásia Central, além de antigas pradarias da América do Norte, disse o informe da FAO. São considerados solos de extrema importância para a segurança alimentar da humanidade. A Rede Internacional de Solos Negros tem como missão a conservação da produtividade a longo prazo desses solos através da colaboração técnica e intercâmbio de conhecimentos.

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Investimento da Alemanha destinará 10 milhões de euros para projetos de adaptação à mudança do clima e conservação da biodiversidade no Brasil. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e o diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, Karsten Sach, anunciaram, nesta terça-feira (27), o complemento à parceria já existente.

Além dos recursos, há também ações em andamento voltadas para temas como gestão da biodiversidade marinha e costeira. O ministro Sarney Filho destacou a importância da cooperação entre os governos brasileiro e alemão, que ocorre há mais de 45 anos. “A Alemanha é o país que tem a maior parceria histórica na área socioambiental com o Brasil e vamos intensificá-la”, declarou.

Para o diretor-geral do Ministério de Meio Ambiente alemão, a parceria trouxe avanços importantes para a conservação ambiental e deve ser continuada. “Temos bastante orgulho desta exitosa cooperação com o Brasil”, afirmou Karsten Sach, que ainda ressaltou a intenção de fortalecer a parceria: “Reconhecemos que os impactos da mudança do clima estão aumentando e, por isso, é necessário agir”.

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) registra a assinatura recente de um total de 26 ajustes complementares vinculados ao acordo básico de cooperação entre Brasil e Alemanha. “Isso demonstra o enorme esforço conjunto dos dois países no sentido de aprimorar as nossas relações bilaterais, que já são excelentes”, afirmou o diretor da ABC, embaixador João Almino.

Apoio

O projeto de Apoio ao Brasil na Implementação da Agenda Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que receberá 5 milhões de euros, contribuirá para aumentar a resiliência no Brasil em um prazo de cinco anos a partir de 2017.

O valor destinado ao projeto de Consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC LifeWeb) também será de 5 milhões de euros, com execução prevista até 2020. A ação tem o objetivo de administrar as áreas protegidas brasileiras em prol da preservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

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Pessoas do mundo inteiro já podem responder, na plataforma Sua Voz, perguntas sobre temas abordados na oitava edição do Fórum Mundial da Água. O evento, considerado o maior do mundo que trata sobre recursos hídricos, está previsto para ocorrer em Brasília (DF), de 18 a 23 de março de 2018.

As questões ficam disponíveis na plataforma até 7 de agosto e abordam três temas transversais (Capacidades, Compartilhamento e Governança) e sustentabilidade, que serão discutidos nas seis salas temáticas (Clima, Desenvolvimento, Ecossistemas, Financiamento, Pessoas e Urbano) do fórum.

De acordo com informações da Agência Nacional de Águas (ANA), cada grupo de questões ficará disponível por duas semanas. As discussões na plataforma serão utilizadas como subsídios para a organização dos debates e definição das sessões temáticas do evento.

Participação social

Esta é a segunda rodada de discussões promovida para subsidiar o 8º Fórum Mundial da Água. A primeira ocorreu entre 13 de fevereiro e 23 de abril deste ano. Neswe período, a plataforma Sua Voz recebeu sugestões de temas a serem debatidos. Cerca de 20 mil visitantes contribuíram. Em sua maioria, eles acessaram a plataforma do Brasil, Estados Unidos, França, México e Índia.

Assim, foram identificados os dez tópicos mais comentados sobre os seguintes temas: Capacidades, Clima, Compartilhamento, Desenvolvimento, Ecossistemas, Financiamento, Pessoas, Sustentabilidade e Urbano. Esses tópicos receberam 36,2 mil votos de aproximadamente 1,2 mil pessoas.

8º Fórum Mundial da Água

O tema da oitava edição do Fórum Mundial da Água, em 2018, será Compartilhando Água. A organização do 8º Fórum é realizada pelo governo federal, pelo Governo de Brasília e pelo Conselho Mundial da Água.

O fórum ocorre a cada três anos desde 1997. O objetivo é aumentar a importância da água na agenda política dos governos, aprofundar discussões, trocar experiências para os atuais desafios e formular propostas concretas para o setor.

As edições anteriores aconteceram em Marraquexe, Marrocos (1997); Haia, Holanda (2000); Quioto, Shiga e Osaka, Japão (2003); Cidade do México, México (2006); Istambul, Turquia (2009); Marselha, França (2012); e Daegu e Gyeongbuk, Coreia do Sul (2015).

Fonte: Portal Brasil, com informações da ANA

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Você mora em um apartamento, quer cultivar temperos e acredita que não pode por conta do espaço limitado? Na verdade, não é tão complicado quanto parece.

Tudo é uma questão de disposição e de levar em conta alguns pontos básicos para transformar esse projeto em realidade.

1. Busque pelos raios de sol

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Para começar, avalie onde as plantas terão melhor condições de crescer na hora de escolher o lugar de sua horta.

“Fique parado no ponto exato (onde quer posicionar a horta). Olhe para o céu e se pergunte: posso ver o sol daqui?”, recomenda Carol Hartsell, colunista do site The Huffington Post.

A maioria dos vegetais pede umas boas seis horas de luz do sol. Mas a especialista destaca que, se o lugar recebe menos do que seis horas por dias, é possível tentar, mas levando em conta que não será o ideal para que tomates, berinjelas, pimentões e outros vegetais que precisam de muita luz produzam frutos.

E atenção: se o local recebe muito sol, também não é bom, pois há o risco das folhas ficarem queimadas.

2. Vasos e altura

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Uma vez escolhido o local “perfeito”, vá em busca dos recipientes para plantar.

Evite os vasos sem furos, pois as plantas precisam que a água escorra. Também é preciso que tenham uma boa profundidade para que as raízes possam crescer.

O blogueiro Raúl Mannise, do site Ecocosas, lembra que “uma planta é como um iceberg: tem uma parte que vemos e outra que não” e destaca que o recipiente deve ser adequado para cada tipo de planta, porque nem todas as raízes crescem da mesma forma.

Segundo o site Facilísimo.com, com vasos de 7 a 15 centímetros de profundidade, é possível plantar quase tudo, pois “as raízes não precisam de mais espaço que isso se têm água, nutrientes e terra suficientes”.

3. Pense na terra

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Escolher a terra não deve ser uma decisão tomada de qualquer maneira. “Sem pensar nisso, você não terá uma colheita excelente”, diz Hartsell.

Isso porque as plantas precisam de uma base rica em nutrientes. O blog Vidanaturalia aconselha combinar vários tipos de fertilizantes e substratos, pois cada um tem características particulares e aplicações específicas.

“Escolher mal um substrato é uma das principais causas para o surgimento de diversos problemas na hora de cultivar sua própria horta urbana”, diz o site, segundo o qual se deve recriar com a terra as condições do ecossistema original da planta.

A terra também deve ser esponjosa para permitir a entrada de oxigênio e conservar uma boa umidade.

4. Sementes ou brotos?

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Se você não é um especialista em jardinagem e quer ver resultados mais rápidos, o melhor é começar com brotos.

Isso não é possível com alguns legumes, como a cenoura e o nabo, mas sim com alfaces, tomates e cebolas.

Na hora de plantá-los, o site Facilísimo.com alerta para o cuidado para não danificar as raízes. Por isso, abra buracos suficientemente grandes.

“Depois, pressione ligeiramente o substrato ao redor da planta e regue”, aconselha.

5. Água…


Nem todas as plantas pedem a mesma quantidade de água ou o mesmo tipo de rega. Algumas exigem que se pulverizem as folhas. Outras, apenas as raízes devem ser molhadas.

“Os tomates necessitam de muita água, por exemplo, mas gostam de ficar um pouco secos entre uma rega e outra”, esclarece Hartsell.

O site Facilisimo.com recomenda instalar um sistema de rega por gotejamento, pois “assim saberá quando começa e termina a irrigação”.

Outro ponto é levar em conta as épocas do ano, porque, de acordo com os níveis de umidade e temperatura do ambiente, as plantas precisam de mais ou menos água.

6. …e comida

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As plantas também precisam de fertilizantes. Os mais recomendados são os balanceados, bons tanto para flores quanto para vegetais, conhecidos como NPK. Eles contêm nitrogênio, fósforo e potássio.

Estes três compostos devem estar presentes na terra para que as plantas se alimentem e construam seus tecidos. Outro indispensável é o carbono, mas, hoje em dia, ele existe de sobra no ar das cidades.

7. Conheça seus amigos e inimigos

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Suas plantas receberão visitas, e é uma questão de detectar a tempo se são inimigos ou amigos.

Os pulgões são um mau sinal, porque são parasitas que podem acabar com a horta. Já as joaninhas e abelhas podem ser grandes aliadas.

Um dos alimentos preferidos das joaninhas são justamente os pulgões, por isso elas são ótimos inseticidas naturais.

Por fim, pense nas plantas que mais gosta e comece por elas. Isso aumenta as chances de persistir em seu cultivo caseiro.

 

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Cerca de R$ 2 milhões em recursos, não-reembolsáveis, serão destinados para a recuperação de nascentes em bacias, responsáveis pelo abastecimento de água em regiões metropolitanas de cinco estados: Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. A decisão, divulgada na quarta-feira (13),  é do Fundo Clima.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os recursos serão liberados em três parcelas num prazo de 4 anos. Ainda não há definição de data.

A aplicação deste investimento deve contemplar três projetos, que estão em fase de análise. Ambos foram selecionados em edital elaborado por meio de parceria entre o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, o Fundo Nacional do Meio Ambiente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a Agência Nacional de Águas (MMA), Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (Ministério da Justiça) e Fundo Socioambiental (CEF).

O comitê gestor do Fundo Clima garantiu, ainda, para 2017, recursos de R$ 1,5 milhão a serem aplicados em projetos já compromissados no ano passado, relacionados a manejo florestal, práticas adaptativas para desenvolvimento sustentável de semiárido e energia solar.

Para ações na modalidade reembolsável, coordenada pelo BNDES, foi aprovado o orçamento de mais de R$ 23 milhões para financiamento de Projetos para Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

Plano

Os projetos foram aprovados pelo Comitê no âmbito do Plano Anual de Aplicação de Recursos (PAAR) para 2017. O secretário de Mudança do Clima e Florestas, Everton Lucero, que dirigiu a reunião do comitê, destacou a importância do plano.

Segundo ele, “o estabelecimento de prioridades é fundamental para a correta aplicação dos recursos”, ressaltou. O Plano aprovado consolida as diretrizes e as linhas de ação do Fundo Clima para este ano, adequando-as à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no contexto do Acordo de Paris.

 

Fonte: Portal Brasil, com informações do MMA

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O Brasil detém pouco mais de um décimo das reservas de água potável do mundo. No entanto, o País já registra um conflito por água a cada quatro dias, segundo o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra, órgão ligado à Igreja Católica, obtido com exclusividade pela BBC Brasil. Em 2016, foram registradas 123 disputas locais em 19 Estados, 17% a mais do que no ano anterior. Mas esses conflitos não estão se tornando apenas mais frequentes. Também vêm assumindo dimensões inéditas.

Há pouco mais de uma semana, os governos de São Paulo e Rio de Janeiro vivem um embate. A razão é o projeto de São Paulo de captar água do Rio Paraíba do Sul e levá-la ao sistema Cantareira, grupo de reservatórios que abastece 15 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e no interior do Estado. O problema é que este rio já abastece outras 15 milhões de pessoas no Grande Rio e no interior paulista. O governo fluminense é contra a proposta. Desde então, Rio e São Paulo trocam farpas e ameaças de processo publicamente.

Não se tinha notícia – até agora – de um conflito desta proporção, envolvendo os dois Estados mais ricos da federação e que coloca em jogo o abastecimento de 15% da população do País. “É o conflito mais sério que já tivemos”, diz Sandra Kishi, procuradora regional da República e coordenadora do grupo de trabalho de águas do Ministério Público Federal (MPF).

Prejuízos
O Rio alega que será prejudicado porque hoje não tem outra fonte de abastecimento. São Paulo retruca que a ligação não trará prejuízos ao Rio, porque só captaria 5% do volume fornecido atualmente ao Estado fluminense e que a medida será vantajosa para ambos os Estados porque, quando chover demais no reservatório que atende São Paulo, será possível guardar o excesso de água no reservatório que atende o Rio (e vice-versa), criando um sistema de estoque para quando chover pouco.

São Paulo ainda alerta que o Rio não pode interferir na questão porque a ligação estaria dentro dos limites paulistas. “Providenciaremos os documentos necessários para a permissão”, diz o secretário estadual de saneamento e recursos hídricos de São Paulo, Edson Giriboni, à BBC Brasil. “Sempre podemos recorrer à Justiça se necessário. Se vamos ou não fazer isso, depende deles”.

Se a permissão for concedida a São Paulo, ela poderá ser questionada no Supremo Tribunal Federal, instância onde são resolvidas as contendas entre Estados. “Não se pode dizer que vai fazer o quiser porque o rio é fluminense ou paulista. O curso da água não respeita fronteiras”, afirma Kishi, do MPF. “Essa decisão caberá ao comitê que administra a bacia do Paraíba do Sul”.

Fim da ilusão
Haver disputas por água no Brasil é uma situação que, a princípio, parece contraditória. O País detém 12% da água potável do mundo e sempre foi apontado como uma das regiões do planeta onde haverá menos riscos de falta de água neste século.

Mas a estiagem entre dezembro e fevereiro passados, a pior em oito décadas, mostrou que essa abundância é uma ilusão. Há muita água, mas ela está mal distribuída. Cerca de 80% fica na região amazônica, onde vive 5% da população. Os outros 95% dos brasileiros precisam dividir os 20% que restam.

sse problema se agrava porque grande parte das fontes de água nas regiões mais populosas do País está poluída demais. Um levantamento da ONG SOS Mata Atlântica mostra que 40% de 96 rios, córregos ou lagos das regiões Sul e Sudeste apresentam qualidade ruim ou péssima. Quanto mais próximo dos centros urbanos, pior sua situação.

“A ideia de abundância nos mimou”, diz Rômulo Sampaio, do centro de meio ambiente da escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio. “Os políticos não investiram o suficiente porque pensaram que não seria necessário e ainda maltratamos os recursos que temos.”

Conflito de interesses
Isso obriga cidades a ir buscar água cada vez mais longe. Em algum momento, seus interesses entram em conflito. É o que ocorre entre Rio e São Paulo e entre outros Estados brasileiros.

Com a estiagem, o nível do sistema Cantareira chegou a 14%, o menor nível desde sua criação. A fragilidade do sistema que abastece metade da população da Grande São Paulo ficou evidente e fez o governo paulista querer por em prática o projeto do Paraíba do Sul, que estava em estudo havia seis anos.

“Solucionar a questão hídrica é o maior desafio do Direito ambiental hoje”, afirma Sampaio. “Temos boas regras para lidar com isso, criadas nos anos 1990. Agora elas serão testadas”.

De quem é a água?
A Política Nacional de Recursos Hídricos foi criada em 1997 e, desde então, é o principal norte da gestão da água no País. Nela, foram estabelecidos princípios importantes, como a prioridade do abastecimento humano e de animais e o incentivo ao uso eficiente da água. Mas a lei não diz quem tem mais direitos sobre determinada fonte hídrica.

O advogado Paulo Affonso Leme Machado, ex-consultor da ONU e um dos mais respeitados especialistas em Direito Ambiental no País, defende uma interpretação conjunta de três artigos da política que daria prioridade ao uso das águas de uma bacia aos habitantes dos municípios que existem nela.

“Isso não está expresso na lei, mas pode ser inferida porque ela estabelece a bacia hidrográfica como unidade mais importante do sistema hídrico, cria o controle do uso e afirma que tudo que é arrecadado com suas águas deve ser reinvestido, em primeiro lugar, na própria bacia”, diz Machado.

A partir dessa interpretação, defendida também por outros juristas consultados pela BBC Brasil, São Paulo não teria o direito de usar recursos de uma bacia fora de seus limites geográficos em prejuízo de outras cidades que estão nesta bacia. “Fazer isso é mais que injustiça, é anarquia”, diz Machado.

Teste nos tribunais
Esta interpretação ainda não foi testada nos tribunais, o que pode ocorrer em breve não só por causa da disputa entre Rio e São Paulo, mas também por outro conflito envolvendo a Grande São Paulo. A permissão de uso do Cantareira expirará em agosto e está sendo rediscutida. Além da região metropolitana da capital paulista, este sistema abastece 76 cidades no interior do Estado, que pedem mais água além do limite atual para a região, de 3 mil litros por segundo.

No entanto, o Cantareira já opera no limite estabelecido por regras ambientais. Para o interior ter mais água, seria preciso reduzir o volume de 24,8 mil litros por segundo fornecido à Grande São Paulo, que por sua vez também pleiteia um limite maior. Não será possível atender às duas regiões sem causar danos ao sistema.

As cidades do interior alegam que, na nova permissão de uso do Cantareira, é preciso haver uma distribuição mais equilibrada da água, princípio previsto em convenções internacionais sobre o tema. As cidades do interior afirmam que, se isso não for feito, sua economia não poderá mais crescer, porque novas indústrias que dependem de água não conseguirão licenças ambientais.

Estas cidades ainda questionam por que não foi cumprida a condição prevista na permissão de uso do Cantareira concedida há dez anos de fazer investimentos para reduzir a dependência da Grande São Paulo em relação a este sistema. “Pedimos explicações ao governo estadual para resolver isso na esfera administrativa, mas iremos à Justiça se as respostas não forem satisfatórias”, diz a promotora Alexandra Faccioli, do Ministério Público Estadual.

Novos conflitos à vista
O debate sobre o uso da água é mais relevante diante da previsão de que os conflitos hídricos serão mais comuns daqui em diante. Segundo o Pacific Institute (IP), um dos principais institutos de pesquisa sobre o tema do mundo, o número de disputas hídricas violentas no mundo quadruplicou na última década e o risco de novos conflitos só crescerá com a maior competição pelo recurso, o atual gerenciamento ruim das fontes hídricas e os impactos das mudanças climáticas.

Antônio Carlos Zuffo, especialista em planejamento hídrico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda alerta que a oscilação histórica do clima acentuará a falta d’água. O pesquisador explica que entre 1970 e 2012 houve chuvas até 30% acima da média histórica. “Agora estamos entrando num período de algumas décadas de chuvas abaixo da média”, afirma Zuffo. “A disputa por água se intensificará”.

Os órgãos federais se dizem preocupados com esse acirramento dos conflitos e trabalham para mediá-los antes que se agravem a ponto de a única solução ser a via judicial. No caso específico entre Rio e São Paulo, isso significa fazer com que os dois Estados cheguem a um entendimento baseado em estudos sobre o aproveitamento das águas do Paraíba do Sul.

“Nosso papel é estimular um debate técnico e evitar a politização dessa questão, para que esse tipo de problema não caia na Justiça”, afirma Rodrigo Flecha, superintendente de regulação da Agência Nacional de Águas (ANA).

Para o secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, os dois Estados precisam chegar a um consenso quanto a uma gestão compartilhada destes recursos hídricos. “Rio e São Paulo precisam sentar à mesa e elaborar um sistema que seja confortável para os dois lados”, afirma Maranhão. “Uma discussão dessa natureza não pode ser discuta emocionalmente”.

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Troncos de eucaliptos estão ajudando a trazer mais vida para um rio importante do Espírito Santo. A técnica usada no Brasil pela primeira vez já aumentou em mais de 80% a quantidade de peixes. É a natureza se recuperando através da própria natureza, no Rio Mangaraí, que fica em Santa Leopoldina, na região Serrana do estado.

Os resultados começaram a aparecer quase um ano após o início do projeto Renaturalize, em um trecho de 200 metros do Rio Mangaraí, que é um dos principais afluentes do Rio Santa Maria da Vitória, que abastece a Grande Vitória.

O projeto é pioneiro em todo o país e na América latina. A tecnologia foi trazida da Inglaterra, após uma aplicação bem sucedida nos afluentes do Rio Tâmisa.

A técnica, basicamente, consiste na colocação dos troncos em pontos do rio. Os troncos amarrados com cabos de aço formam redutos. A estrutura conseguiu reduzir a velocidade da água, o que permite uma infiltração maior no lençol freático.

Técnica usa troncos de eucalipto para reduzir a velocidade do rio (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Técnica usa troncos de eucalipto para reduzir a velocidade do rio

Outra vantagem, além de oxigenar a água, é que os troncos também ajudam a reter os sedimentos que descem o rio e que assoreiam não só o afluente, mas também o rio principal. Os troncos conseguem segurar este material. Em um ponto do Rio Mangaraí, em dez meses foram retiradas 67 toneladas de sedimentos.

O projeto também permitiu um aumento da biodiversidade no rio. Nos remansos formados pelos troncos ficam acumuladas folhas e, com o tempo, um lodo se forma no local. Tudo isso se transforma em alimentos para a fauna, que aproveita o local para se recuperar da correnteza.

Antes da técnica, o fundo do rio era todo homogêneo, o que é nocivo, é como se fosse uma floresta de uma espécie só, então poucos animais sobreviviam nesse ambiente. Com a madeira, formam-se lugares com ramas, cascalho, o que cria maior heterogeneidade, e logo, maior biodiversidade.

A comunidade foi envolvida no processo, aprenderam a instalar a madeira. Crianças da escola da região fizeram visitas para aprender os benefícios da madeira dento do rio, tiveram aula prática e desenho, concurso de redação, a intenção é que eles cuidem do espaço no futuro.

A cientista ambiental Carolina Pinto explica a importância dos troncos. “Quando você tem o desmatamento, quando você tem a perda dessas características naturais, essas curvas naturas do rio também se perdem. Então quando você coloca esses elementos naturais de volta no canal, você está trazendo de volta essas curvas, que são os meandros do rio”, disse.

Rio Mangaraí em Santa Leopoldina, na região Serrana do Espírito Santo (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Rio Mangaraí em Santa Leopoldina, na região Serrana do Espírito Santo 

Meio Ambiente
Devido aos bons resultados, o projeto Renaturalize pode vir a ser adotado em outros rios capixabas, como explica o secretário de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira. Por enquanto já se sabe, segundo ele, que a técnica é aplicável em outros rios, principalmente nos afluentes. O que foi feito em 200 metros do rio trouxe resultados muito bons, em um projeto de baixo custo.

Em paralelo, segundo Aladim, começam a ser implantados no início do próximo ano outros projetos, com recursos do estado e do banco mundial. dentre eles a construção de 200 quilômetros de estradas pavimentadas com um tipo de pavimentação que não lança sedimentos nos rios.

Também serão construídas 12 mil caixas secas e reflorestados mil hectares. Haverá a construção de fossas para evitar o lançamento de esgoto no rio e o treinamento dos produtores em manejo sustentável do solo. Haverá ainda uma gestão do cadastro ambiental rural. Outros projetos financiados pelo governo do estado vão iniciar em 2017.

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Uma delegação do Ministério dos Recursos Hídricos da China (MWR) esteve na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, para discutir os principais aspectos da gestão de recursos hídricos no Brasil e na China. O encontro, buscou promover um intercâmbio de informações sobre temas relevantes na agenda de recursos hídricos dos dois países. O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, e o chefe da missão do MWR, Wang Hong, abriram a reunião.

Durante o encontro duas apresentações foram feitas pelos chineses. A primeira abordou o uso sustentável dos recursos hídricos na República Popular da China e segunda tratou dos impactos das mudanças climáticas na água. Pela ANA, o coordenador de Outorga, Luciano Meneses, falou sobre o cenário dos recursos hídricos no Brasil. Assim como os representantes do MWR, a superintendente adjunta de Operações e Eventos Críticos, Ana Paula Fioreze, abordou a influência das mudanças climáticas sobre a água.

Outro representante da ANA a fazer apresentação foi o superintendente de Implementação de Programas e Projetos, Ricardo Medeiros.  Medeiros abordou a importância da participação chinesa no evento, que é o maior evento do mundo sobre recursos hídricos e que acontecerá pela primeira vez no Hemisfério Sul.

A ANA tem participado de ações de cooperação técnica em recursos hídricos com a China no contexto do Memorando de Entendimento vigente entre o Ministério do Meio Ambiente do Brasil e o Ministério de Recursos Hídricos da República Popular da China. As questões gerais da gestão de recursos hídricos e os principais desafios para articulação de outorgantes e setores relacionados à gestão, tanto no Brasil quanto na China, são similares e isso têm contribuído para o interesse mútuo em ações de cooperação entre os dois países.

Somente em 2017 a Agência Nacional de Águas já recebeu duas missões chinesas. Na primeira missão, os representantes das Províncias e Regiões do Pan-Delta do Rio das Pérolas conheceram o sistema de informação hidrometeorológica, uma estação de monitoramento pluviométrico (de chuvas) e a Sala de Situação da ANA, que é utilizada para monitoramento de rios, reservatórios e chuvas em todo o Brasil. A visita fez parte de uma missão coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) com objetivo de informar aos chineses sobre o monitoramento hidrológico e sobre eventos hidrológicos críticos (cheias e secas) no Brasil.

Texto:Raylton Alves – ASCOM/ANA

Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA

 

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O Ministério do Meio Ambiente (MMA) informa que o Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão) deve ser renovado por mais cinco anos. Para isso, serão destinados R$ 135 milhões em recursos no período.

A iniciativa possibilitará que o investimento anual destinado ao segmento hídrico, por estado, seja ampliado para R$ 1 milhão. O anúncio foi feito pelo secretário executivo do MMA, Marcelo Cruz, na terça-feira (28), durante a abertura da 2ª Reunião para o Fortalecimento da Gestão dos Recursos Hídricos, realizada em Brasília.

Na ocasião, o secretário executivo destacou a importância da extensão da iniciativa. “Estaremos investindo, assim, para a gestão de recursos hídricos no País, de forma democrática e descentralizada, como determina a Lei 9.433 [Lei das Águas]”, declarou. A legislação completou, neste ano, 20 anos.

Outras políticas ambientais, com foco na gestão dos recursos hídricos, também foram apontadas no evento. O secretário executivo ressaltou o programa de Recuperação de Áreas de Preservação Permanente para Produção de Água, que promove a recuperação de vegetação nativa em nascentes. Serão R$ 48 milhões para recuperar uma área de 5,6 mil hectares. “Ações de recomposição da cobertura vegetal merecem destaque no combate à crise hídrica”, afirmou.

Mês da água

A reunião faz parte da programação do Mês das Águas, celebrado com diversas atividades desde o início de março. O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Jair Tannús, afirmou que a integração entre o governo federal, estados, municípios e sociedade é fundamental. “Os desafios reafirmam a importância de uma articulação planejada”, explicou.

Os trabalhos focaram ainda o planejamento do 8º Fórum Mundial da Água, que será realizado em março de 2018, em Brasília. Será a primeira vez que a maior reunião sobre o tema será realizada no Brasil.

“Nossa ambição é transformar o Fórum num momento de discussão global para o fortalecimento técnico, institucional e político do Sistema Nacional de Recursos Hídricos”, declarou o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu.

 

Fonte: Portal Brasil, com informações do MMA

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É comum após o período de seca e a volta das chuvas, as pessoas pensarem que o estresse hídrico passou e que não mais é preciso planejar. Entretanto, quando os níveis dos reservatórios aumentam, já nos esquecemos e deixamos de nos preocupar. Valorizamos as ações de gestão de recursos hídricos apenas quando falta água, sendo que deveria ser ao longo de todo ano.

O semiárido nordestino vive essa crise hídrica há mais de 100 anos, e luta por políticas públicas que viabilizem o acesso à água de qualidade. Infelizmente, a temática da crise da água só teve destaque quando a necessidade de racionamento ou medidas técnicas, como a diminuição da pressão foram adotas em São Paulo, em função da representatividade econômica e populacional no cenário nacional. Minas Gerais, por exemplo, também já vinha e vem sendo castigada pela falta de água. Atualmente, temos a Capital federal também com necessidade de racionamento.

A outra preocupação é com os aquíferos do grupo Serra Geral, que são bastante utilizados e estudos mostram teores de ferro acima do permitido para consumo, além de outras práticas que deterioram essa qualidade, como aplicação de vinhaça no solo e herbicidas. Em Mato Grosso do Sul, nossa condição se torna favorável com o Aquífero Guarani, entretanto estudos apontam uma redução no volume disponível.

Vale ressaltar que nosso consumo proveniente de águas superficiais tem sido afetado em função do uso e ocupação do solo inadequado, com a falta de práticas conservacionistas, deteriorando a qualidade da água, tornando mais cara, pois embora haja volume disponível, o tratamento vem se tornando mais oneroso em função das dificuldades operacionais e de manutenção que aumentam.

Por isso, neste mês em que se comemora o Dia Mundial da Água, precisamos sim falar do uso consciente dessa riqueza natural chamada água e retomar a sua importância e relevância para nosso Estado. Afinal, quando pensamos em nossa matriz econômica, baseada em agronegócio, devemos refletir: qual o volume de água necessário para se produzir uma cabeça de gado ou uma saca de soja? O preço dessa água é embutido nesse valor? Qual o volume de água estamos exportando todos os anos?

O que está ao nosso alcance efetivo é se preocupar com desperdício desse bem natural em casa, no banheiro, como um banho mais demorado, enquanto nos ensaboamos a água cai sem uso efetivo, quando deixamos a torneira aberta no lavatório para escovar os dentes e fazer a barba, além do grande volume nas descargas dos sanitários.

Há desperdício também ao lavar a louça com a torneira aberta, a água do tanque ou da máquina de lavar roupa que jogamos no esgoto, ao invés de lavar pisos e janelas, ou irrigar o jardim. Gastamos muito quando lavamos o carro com a mangueira aberta, entre outras situações cotidianas. Entretanto, a pior é quando compactuamos de alguma forma com as fraudes e com irregularidades.

Além de fazermos a nossa parte no dia a dia, também precisamos de políticas públicas com redução de impostos para incentivar a população a tomar medidas de reuso da água utilizada. Como exemplo, temos ações simples, como a opção de captar e aproveitar a água de chuva e o que chamamos de água cinza, aquela do chuveiro, do banho, da máquina de lavar roupa que ao invés da instalação hidráulica estar conectada com o esgoto, permita que sistemas naturais de tratamento e reuso domiciliares possibilitem o uso.

Além dos incentivos fiscais é fundamental que as prefeituras e órgão responsáveis estejam atentos e tenham capacidade de fiscalizar, monitorar e garantir o incentivo a população que demonstra interesse, preocupação e toma a decisão acertada de fazer a gestão da água domiciliar garantindo a sustentabilidade. Usar água de forma consciente não sai da moda!

(*) Fernando Jorge Correa Magalhães Filho é coordenador dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária e Ambiental da UCDB