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A humanidade terá consumido nesta quarta-feira, dia 2 de agosto, o total dos recursos que o planeta pode renovar em um ano, e viverá de crédito até 31 de dezembro, calcula a Global Footprint Network.

A ONG destaca que esse momento chega cada vez mais cedo todos os anos.

Esta quarta-feira é o “Dia de Sobrecarga da Terra” (“overshoot day”, em inglês): “A partir dessa data, a humanidade terá consumido o conjunto dos recursos que o planeta pode renovar em um ano”, escreveram a Global Footprint e o WWF (World Wildlife Fund) em um comunicado conjunto.

Para seus cálculos, a Global Footprint leva em conta em particular a pegada de carbono, os recursos consumidos pela pesca, a pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água.

Em 2016, o “Dia de Sobrecarga da Terra” ocorreu em 3 de agosto. Embora o ritmo de progressão tenha reduzido um pouco nos últimos seis anos, esta data simbólica “continua avançando de maneira inexorável: este dia passou do final de setembro em 1997 a 2 de agosto neste ano”, destacam as ONGs.

“Para satisfazer nossas necessidades, hoje deveríamos contar com o equivalente a 1,7 planeta”, detalham.

“O custo deste consumo excessivo já é visível: escassez de água, desertificação, erosão dos solos, queda da produtividade agrícola e das reservas de peixes, desmatamento, desaparecimento de espécies. Viver de crédito só pode ser algo provisório porque a natureza não conta com uma jazida para nos prover indefinidamente”, ressaltam o WWF e a Global Footprint.

As emissões de gases de efeito estufa “representam apenas 60% da nossa pegada ecológica mundial”, lembram.

Segundo as duas organizações, “sinais animadores” indicam, no entanto, que “é possível inverter esta tendência”.

Apesar do crescimento da economia mundial, “as emissões de CO2 vinculadas à energia não aumentaram em 2016, pelo terceiro ano consecutivo”, ressaltam. “Isto pode ser explicado pelo grande desenvolvimento das energias renováveis para produzir eletricidade”.

A comunidade internacional se comprometeu na Conferência de Paris sobre o clima (COP21), em dezembro de 2015, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de limitar o aquecimento global.

Levando em conta os dados científicos mais recentes, a Global Footprint recalcula a cada ano a data do “Dia de Sobrecarga” para os anos passados, desde que este “déficit ecológico” começou a se aprofundar, no início dos anos 1970.

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As empresas interessadas em se candidatar para participar do “Mecanismo de Apoio ao Desenvolvimento, Melhoria e Demonstração de Tecnologias Sustentáveis de Produção e Uso de Carvão Vegetal na Indústria Siderúrgica”, podem se inscrever até 24 de agosto na chamada pública. O objetivo do processo é garantir a sustentabilidade na siderurgia do País.

edital vai selecionar instituições, públicas ou privadas, que prestem serviços para os setores de ferro-gusa, aço, ferroligas, de produção de carvão vegetal, ou que trabalhem com inovações produtivas e sustentabilidade e que, por meio de arranjos tecnológicos, possibilitem a produção sustentável do carvão vegetal e de seus coprodutos, bem como o estímulo ao uso desse termorredutor na indústria.

A inciativa é do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Projeto Siderurgia Sustentável. Os trabalhos buscam reduzir a emissão de gases de efeito estufa e ampliar a capacidade produtiva do carvão vegetal  com o uso de tecnologias e/ou processos sustentáveis.

No dia 31 de julho, às 14h30, será realizada uma audiência pública, em Belo Horizonte, para esclarecimentos.

Clique aqui para ter acesso ao edital.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente.

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Empresas devem desenvolver boas práticas ambientais. Mas cabe ao consumidor cobrar isso delas. Não é simples. O peso da vigilância ecológica não é o mesmo para consumidores mais ricos e mais pobres. A preocupação ambiental também varia de acordo com a situação econômica do país e o desafio de cada um para ajustar as finanças da família. É o que explica Claudio Felisoni, coordenador-geral do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

ÉPOCA – Com as mudanças climáticas é necessária a adoção de padrões de produção e consumo sustentável. O que isso significa no cenário mundial para países desenvolvidos e subdesenvolvidos?
Claudio Felisoni – Cobrar dos menos favorecidos um comportamento semelhante àquele que os mais abastados têm condições de ter é incoerente. As coisas não são assim. Infelizmente, não só a economia brasileira, como a mundial têm uma distribuição muito desigual com relação aos benefícios do desenvolvimento econômico. Para que se possa colocar essas questões ambientais em patamar de importância em que efetivamente merecem estar, presentes no cenário global, é preciso ter uma sociedade com distribuição mais justa de riquezas. Até porque nós todos habitamos o mesmo planeta. Isso significa que países mais desenvolvidos e regiões do Brasil mais ricas precisam suportar o ônus, custo gerado nesse processo de ajuste, maior. Desse modo, é possível integrar os menos favorecidos num esforço conjunto de preservação.

ÉPOCA – O senhor acredita que a crise econômica deve acentuar a crise ecológica?
Felisoni – Embora a preocupação com sustentabilidade seja algo plural, ela tem uma incidência expressivamente maior em regiões com renda familiar mais alta do que nas regiões menos abastadas. Acredito que tenha uma razão justificada, porque, onde falta o pão, todos se preocupam em saciar as necessidades básicas da humanidade, como comer, morar, e pouco se evolui além disso. Como nós estamos numa sociedade com um padrão de renda altamente desigual, desigual é também a preocupação com o meio ambiente. Ela é evidentemente algo essencial e importante. Mas essas preocupações são preteridas relativamente a outras associadas à sobrevivência.

ÉPOCA – Em sua opinião, já existe no Brasil uma consciência de sustentabilidade na hora de comprar, consumir e descartar produtos?
Felisoni – Não, acho que não. Aqui no Programa de Administração de Varejo [Provar] da Fundação Instituto de Administração [FIA], nós fizemos um trabalho que não é exclusivamente relacionado à questão de consumo verde, mas tem a ver com comportamento de compra dos indivíduos, particularmente no que diz respeito às opções de compra de produtos piratas. Embora tenha uma dimensão específica, nos remete a um pensamento mais global no que diz respeito às escolhas de compra dos indivíduos. No levantamento, 44% dos que responderam à pesquisa costumam comprar em comércios alternativos, camelôs, pirataria, entre outros. Além disso, 91,7% dos entrevistados responderam que o motivo que os levava à escolha por comprar nesse tipo de comércio era o preço mais baixo. Claro que existem também questões culturais, mas há aspectos relacionados às condições de vida dos consumidores. Em países com renda baixa, obviamente a questão de preço tem um peso maior.

ÉPOCA – Podemos constatar que o consumidor prefere marcas e empresas que investem em responsabilidade socioambiental?
Felisoni – O papa João XXIII costumava dizer que para evangelizar era preciso que primeiro a necessidade básica de alimentação tivesse sido atendida. É preciso que se tenha pão. Sem pão não adianta falar de outras coisas mais elevadas, porque não vai ser relevante para os indivíduos. Então, à medida que se vai evoluindo na pirâmide social, os objetivos e as preocupações vão se tornando um pouco mais transcendentes, mais amplos. Nos níveis mais básicos dessa pirâmide, a sociedade também é mais básica na forma de pensar.

ÉPOCA – O senhor acha que a consciência socioambiental dos consumidores tem algum impacto no comportamento das empresas?
Felisoni – Sem dúvida. Existe um trabalho de Michael Porter que discute o desenvolvimento dos países e a vantagem competitiva das nações. Um dos fatores que influenciam essa vantagem é o nível de qualificação da população. Quanto mais qualificada for a demanda, mais atentas estarão as empresas em dar respostas. O nível de qualificação da demanda impõe para as empresas um padrão de exigência maior. Por exemplo, no Brasil nós não ligamos em comprar bananas com manchinhas pretas. Em outros lugares, a mesma banana pode ser rejeitada. E o que é preciso para produzir uma banana que não tenha pintinhas pretas na casca? É preciso certos cuidados e procedimentos que não são tomados onde a banana com pintinhas é aceita. Então, à medida que se tem uma demanda menos exigente, com preocupações menos intempestivas, as respostas também serão menos orientadas para questões importantes. Além disso, o ranking das prioridades dos indivíduos também é diferente em países mais ou menos desenvolvidos.

ÉPOCA – Quais são os temas de maior preocupação dos consumidores ao escolher os produtos que serão comprados?
Felisoni – De modo geral, eu diria que hoje há uma preocupação muito maior com relação às questões ambientais do que 15 anos atrás. Mas, ao relacionar essas inquietações num ranking, certamente a maior relevância para o consumidor é o custo-benefício dos produtos, principalmente o preço.

ÊPOCA – O engajamento socioambiental das empresas gera valor ao olhar do consumidor?
Felisoni – Sem dúvida. Mas, em contrapartida, empresas que investem pesado em imagem verde já constataram que o emprego dos recursos não era proporcional aos resultados na receita. Isso não significa que devam parar de fazer, pois as empresas são construídas para o futuro. Investimentos são feitos a longo prazo e a curto prazo. Acredito que hoje consumidores que estão economicamente confortáveis observam sim a procedência dos produtos, como a responsabilidade socioambiental, mas de uma forma geral isso não acontece. Ainda mais em tempos de crise.

ÉPOCA – Em sua opinião, qual a importância do Prêmio ÉPOCA Empresa Verde?
Felisoni – Podemos dizer que existem dois mundos, o empírico, da nossa experiência direta, e o dos símbolos. Uma coisa é aquilo que se pensa, e para transmitir aquilo que se pensa são necessários os símbolos, o português que falo para responder a esta entrevista, por exemplo. Os símbolos são agentes motores de comportamento, são bastante significativos para o indivíduo que vive em comunidade, são como os mitos para sociedades antigas. Então prêmios, cursos, programas de televisão são absolutamente fundamentais para que a consciência ambiental não só esteja presente, mas também se amplie.

ÉPOCA – Como os consumidores podem avaliar quais empresas são mais atuantes nas questões de responsabilidade socioambiental?
Felisoni – A empresa precisa dizer isso. Algumas delas são mais competentes nesse aspecto. Outras, por sua vez, não são tão bem-sucedidas nessas ações. O marketing tem um papel absolutamente essencial. Por outro lado, vejo que também existe muita coisa falsa, empresas que vendem uma imagem que não corresponde àquilo que acontece de verdade. Acredito que esses investimentos são importantes, que valorizam a marca, mas não entregam resultados imediatos. Acho muito bonito falar que a empresa tem programas ambientais, que precisa se preocupar com o hábitat comum, mas é fundamental que nós tenhamos uma consciência pragmática daquilo que é possível ser feito.

ÉPOCA – As empresas estão realmente preocupadas em desenvolver boas ações ambientais ou só as desenvolvem para melhorar a imagem junto aos consumidores?
Felisoni – Empresas existem para gerar lucro, e para isso desenvolvem um conjunto de ações para produzir resultados. Quando um empresário abre uma padaria, o objetivo dele é ganhar dinheiro. Para isso ele precisa oferecer um pão quentinho, uma manteiga deliciosa, oferecer leite fresquinho entre outros itens na prateleira. Não podemos confundir os meios com os fins. Quando uma instituição faz uma ação de benevolência, no fundo ela quer valorizar a própria imagem. Isso é positivo, não é ruim. Não se pode esperar da empresa a ação da benemerência pela benemerência. A empresa é feita e age na busca por resultados. Precisamos entender que essa é a função fundamental das empresas e criar incentivos e controle para que a direção de suas ações estratégicas sigam ao encontro dos objetivos da sociedade.

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Muito já foi falado sobre a afinidade entre as brasileiras e os produtos de beleza. O terceiro maior mercado de cosméticos do mundo é também o lar das mulheres mais vaidosas e um importante centro de tendências para a indústria global. No entanto, o alto grau de consciência ecológica do consumidor brasileiro e a forma como ele avalia iniciativas em prol da sustentabilidade ainda não foram devidamente promovidos ou explorados por fabricantes de cosméticos nacionais e internacionais.
Uma pesquisa realizada pela GfK revelou que mais da metade dos brasileiros considera o impacto ambiental dos cosméticos em suas cestas de compras – o maior percentual registrado entre os países analisados. Ao promover um consumo mais sustentável, os consumidores também se tornaram mais exigentes e rigorosos em seu processo de compra. Um estudo do Instituto Akatu destaca os cinco principais aspectos que os consumidores brasileiros consideram ao escolher um produto: “não testado em animais” (52%), “socialmente responsável” (46%), “comprometido com a preservação do meio ambiente” (46%), “fabricado com baixo consumo de energia” (44%) e “certificado para condições dignas de trabalho” (43%).

A beleza tem uma forte associação com o conceito “verde” no Brasil, mas será que a indústria dá conta do recado? Se depender das gigantes Natura e O Boticário, não há dúvida. Líder em cosméticos na América Latina, a Natura é a única empresa de grande porte a neutralizar suas emissões de carbono. Em 2013, a companhia foi eleita a segunda mais sustentável do planeta pelo grupo de pesquisas canadense Corporate Knights, que analisou suas diversas iniciativas sustentáveis. O compromisso com ações de responsabilidade social empresarial e desenvolvimento sustentável também é prioridade para O Boticário. Nos últimos 24 anos, a Fundação Grupo Boticário apoiou mais de 1.400 iniciativas de 480 instituições, além de proteger 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, dois dos biomas mais ameaçados do país.

Mas o “fator verde” não é privilégio exclusivo das gigantes. Fundada em 1995, a Surya Brasil ganhou vários prêmios por suas práticas, produtos e embalagens sustentáveis. Desde o lançamento de sua primeira linha de coloração capilar com ingredientes orgânicos até sua mais recente coleção de protetores labiais veganos, fabricados a partir de cera de candelila, a Surya Brasil vem garantindo seu lugar entre as empresas de cosméticos mais éticas do país. Seu programa de responsabilidade social, o Surya Solidária, desenvolve e apoia projetos de preservação ambiental, direitos dos animais e assistência social.

Os principais desafios e oportunidades envolvidos na adoção de estratégias verdes para crescer no mercado brasileiro foram abordados na terceira edição latino-americana do Sustainable Cosmetics Summit, realizado em São Paulo. Organizado pelo Organic Monitor, o evento reuniu as principais empresas e organizações do setor para compartilhar suas experiências e discutir os últimos avanços em ingredientes verdes, marketing e distribuição de produtos. A conferência avaliou a importância da adoção de métricas de sustentabilidade para indústria de cosméticos, ofereceu insights sobre como os varejistas estão selecionando e comercializando seus produtos verdes e explorou alternativas utilizadas pelos fabricantes de cosméticos para reduzir sua pegada ambiental através da utilização de matérias-primas sustentáveis.

A sustentabilidade vai muito além de ingredientes naturais e orgânicos em formulações cosméticas. Ela engloba a transparência nas cadeias de fornecimento, produção e distribuição, além dos aspectos sociais“, afirma Tina Gill, gerente de marketing do Organic Monitor. “As embalagens também são um componente importante, com as empresas focando no eco-design, no uso de materiais sustentáveis e no controle do fluxo de resíduos”.

Segundo Gill, a indústria de matérias-primas verdes está em constante evolução, com o lançamento de ingredientes com desempenho semelhante aos sintéticos. “Estamos observando o surgimento de novos conservantes, emulsionantes, emolientes e surfactantes nos últimos anos, o que facilita o desenvolvimento de formulações verdes que possam substituir os materiais sintéticos”. Ela acredita que o principal desafio para a comercialização de cosméticos naturais e orgânicos é diferenciar esses produtos de propagandas enganosas. “São tantas marcas promovendo seus cosméticos com base no uso de ingredientes naturais que os consumidores têm dificuldade em diferenciar os produtos verdadeiramente naturais dos convencionais, que possuem apenas uma porcentagem de ingredientes naturais em suas formulações”, afirma Gill.

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Nos próximos 15 dias, o presidente Michel Temer terá que decidir se as Medidas Provisórias 756/2016 e 758/2016, ambas aprovadas pelo Congresso, viram lei. Elas alteram os limites da Floresta Nacional de Jamanxim e do Parque Nacional de Jamanxim, no oeste do Pará.

Organizações como o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) pedem o veto do presidente. Para a entidade, as propostas ameaçam a integridade da floresta e o cumprimento de metas de controle de desmatamento assumidas perante a comunidade internacional.

Segundo o Ipam, a Floresta Nacional do Jamaxim, principal unidade de conservação afetada pela decisão do Congresso, perderá 486 mil hectares. A desafetação dessa área seria uma vitória da grilagem: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade calcula que 67,7% dos ocupantes entraram pouco antes ou logo após a unidade de conservação ser criada.

“Cortar esse pedaço da reserva para comportá-los é legitimar a ilegalidade ou, melhor dizendo, a grilagem”, critica Paulo Moutinho, pesquisador do Ipam, em entrevista à DW.

DW: Qual a mensagem o governo brasileiro transmite com essas medidas?

Paulo Moutinho: Falta de seriedade quanto aos compromissos assumidos perante aos brasileiros e a comunidade internacional. Um país que, de forma corajosa, assumiu reduções expressivas de emissões nacionais de gases de efeito estufa e, em especial, prometendo acabar com o desmatamento ilegal até 2030, passa agora duas MPs que legalizam a grilagem e que podem resultar em um aumento expressivo do desmatamento nos próximos anos. O Ipam estima que cerca de 160 milhões de toneladas de CO2 serão emitidos por estas MPs até 2030. Algo próximo ao que o país emite em um ano inteiro pelo seu setor industrial.

Áreas protegidas são criadas para cumprirem uma função – conservação da biodiversidade, conter avanço do desmatamento, etc. Na visão do Ipam, o que leva o governo a abolir essas áreas nesse momento?

Podemos adicionar às listas de funções das áreas protegidas aquela de manter o regime de chuvas funcionando. Algo que é fundamental inclusive para o agronegócio. Sem florestas, sem chuvas regulares, não há produtividade no campo. Mas o governo não parece atentar para este e outros benefícios de se manter florestas de pé. Parece ceder ao argumento, falacioso, de que o país precisa de mais áreas de produção agrícola no futuro e que manter florestas conservadas não resulta em crescimento econômico. Eles se esquecem que a região já tem mais de 15 milhões de hectares de áreas abertas e subutilizadas. Áreas que serviriam para expandir a agricultura.

Além disso, florestas protegidas são barreiras ao avanço da infraestrutura e à especulação com terras. Enquanto não houver uma visão mais ampla do que representa para o país e os brasileiros manter um clima saudável e um meio ambiente minimamente integro, continuaremos a ver vida sendo objeto de barganha político e interesses setoriais e não nacionais.

As taxas de desmatamento aumentaram, inclusive na Floresta Atlântica. Vocês acreditam que esse fato se deve a falhas nas políticas de combate ou a uma ação coordenada de quem tenta lucrar com o enfraquecimento da proteção ambiental?

Proteção ambiental, infelizmente é visto ainda como custo para o país e para os chamados setores privados – e não como investimento ou, pelo menos, controle de risco. É o que explica o movimento que quer flexibilizar os procedimentos do licenciamento ambiental. Parte-se do principio de que quanto mais “burocracia” ambiental puder ser removida, melhor. Certamente há muita burocracia, mas há muitas salvaguardas importantes e procedimentos de proteção que precisam ser seguidos. No final do dia, o que se quer é desmantelar o licenciamento ambiental em prol do “progresso”. E de um modo totalmente esquizofrênico.

O próprio Ministério de Meio Ambiente foi, aparentemente, traído em sua proposição de um novo licenciamento, quando os ditos aliados do governo no Congresso mutilaram, sem aviso prévio, a proposta que o ministério vinha construindo com a participação de vários entes.

É temerário, num momento de fragilidade do governo, que várias conquistas da sociedade na proteção ambiental estejam sendo objeto de negociação.

Como as medidas provisórias votadas ameaçam os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris e outros acordos internacionais?

Não fizemos o cálculo ainda. Mas, os prejuízos serão expressivos. Especialmente porque essas MPs representam um caminho para a legalização futura de desmatamento ilegal. Elas dão o sinal governamental de que a invasão de áreas protegidas pode ser realizada que o poder publico depois vai dar um jeito na situação. É a receita para uma nova onda de grilagem.

Com esse cenário, o Brasil deve perder a relevância nas negociações climáticas que ganhou nos últimos anos?

Está em risco de perder não apenas a relevância, mas a legitimidade conseguida a duras penas nos últimos dez anos. O país demonstrou, por exemplo, que é capaz de ter governança sobre o desmatamento na Amazônia.

A destruição da floresta caiu 80% de 2005 para cá. Foi o país que mais contribuiu com reduções efetivas de emissões. Algo equivalente a todo o ETS europeu, o qual envolveu vários países.

O desmatamento agora aumentou em 30%. As MPs devem dar uma força nesta tendência. Qual a explicação para os brasileiros e para o mundo que o Brasil dará eu ainda não sei, mas será algo bem difícil de engolir.

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A beleza também segue a tendência da sustentabilidade. E não é de hoje. Mas, às vezes, por falta de informação, quem utiliza as ferramentas da beleza corre o risco de adotar práticas não sustentáveis, como por exemplo, jogar cosméticos vencidos no lixo comum. Todos os dias usamos diversos tipos de cosméticos, seja para deixar a pele mais macia ou o cabelo limpo e perfumado. Mas assim como os alimentos, os produtos de beleza também têm data de validade, e quando ela está fora do prazo, a eficiência diminui e aumentam os riscos de alergias e irritações na pele.

Em função dos vários produtos químicos adotados para a produção desses produtos, o descarte inadequado pode causar sérios danos à natureza. E, em tempos de sustentabilidade, as empresas começam a se preocupar com a chamada logística reversa, ou seja, não basta produzir e vender, tem de orientar corretamente o consumidor sobre o descarte e, na medida do possível, oferecer pontos para o descarte.

Segundo o portal Eco Desenvolvimento, há algum tempo, algumas empresas começaram a investir na criação de pontos de coleta de embalagens vazias de cosméticos. Entre as citadas estão a Avon a Risqué e a M.A.C. Em parceria com a TerraCycle, a Avon criou um programa para coletar embalagens e resíduos de maquiagem e esmaltes de qualquer marca. A participação é gratuita e aberta a todo território nacional.

Basta se cadastrar no site, imprimir uma etiqueta pré-paga pela organização e levar o pacote a uma agência dos Correios. A quantidade mínima para envio são 30 unidades. Podem ser enviados: embalagens de maquiagem de plástico ou papel, tubos e frascos de maquiagem, vidros de esmaltes, pincéis e esponjas de maquiagem e estojos de maquiagem em geral.

A grife de maquiagem M.A.C. tem um programa de incentivo à reciclagem em que os clientes podem trocar seis embalagens de plástico de produtos da marca, sem resíduos, por um batom. Basta levar as embalagens até uma das lojas da marca.

Os esmaltes estão entre os itens mais prejudiciais à natureza. É um dos cosméticos que mais possui componentes químicos que degradam o meio ambiente. Cada frasco de tinta é composto por 85% de solventes e 15% de resinas, plastificantes e corantes. Essa combinação pode ser inofensiva ao organismo humano se usado em seu exterior, porém é bastante prejudicial à natureza quando descartados da maneira incorreta.

Segundo consultores ambientais quando o frasco é descartado no lixo comum pode ir para o aterro, quebrar e seus componentes entrarem em contato com o solo e atingir o lençol freático, assim contaminando a água. Por isso, os esmaltes não podem ser descartados no lixo comum.

Quando ainda restar um resto de esmalte no frasco, o conteúdo deve ser derramado sobre uma folha de papel. O conselho é para esperar a tinta secar e, deste modo, deixar evapor parte dos produtos químicos. O papel usado poderá ser descartado no lixo comum.

Quando o esmalte está vencido, muitas vezes ele endurece. A orientação é para usar um pouco de removedor para dissolver o produto, depois o conteúdo poderá, também, ser despejado em uma folha de papel. O vidro limpo poderá então ser descartado junto aos demais vidros para reciclagem.

Se o produto não é mais próprio para o uso, é preciso se desfazer dele, mas sem agredir o meio ambiente. Segundo o portal eCycle, o que pode ser feito em casa é separar as peças antes de jogá-las fora.

Por exemplo, a embalagem de papel e as partes plásticas e metálicas devem ser devidamente limpas e dispensadas nas respectivas lixeiras para recicláveis. No caso do conteúdo em si, especialistas recomendam colocar no lixo orgânico.


VEJA COMO DESCARTAR OS COSMÉTICOS VAZIOS

PRODUTOS LÍQUIDOS
“Produtos líquidos, como xampu e condicionadores, podem ser descartados normalmente nas redes de tratamento de esgoto — ou seja, nos ralos e privadas. Como a quantidade normalmente é pequena, as substâncias presentes nesses produtos não alteram a qualidade dos esgotos, que são tratados antes de chegar ao ambiente. Ainda assim, é importante ressaltar que isso não vale para o descarte direto no meio ambiente.

ESMALTES
Pela grande quantidade de produtos químicos, esmaltes e removedores merecem atenção especial. O correto nesses casos é verificar com os fabricantes onde descartar o produto. Por se tratar de tintas e solventes podem ser considerados como resíduos perigosos e com alto potencial de contaminação do ambiente. Existem pontos de coleta, que recebem esmaltes vencidos ou no fim – busque opções em sua cidade, junto aos pontos de venda destes produtos.

SÓLIDOS PASTOSOS
Produtos sólidos ou pastosos, como maquiagens e cremes, podem ser descartados junto com o resíduo doméstico, no lixo orgânico. Esse resíduo será destinado a aterros sanitários, que possuem toda estrutura para evitar a contaminação dos solos, águas subterrâneas e superficiais.

EMBALAGENS
Já as embalagens dos produtos devem ser destinadas à reciclagem. Não é necessário fazer a lavagem dos recipientes, uma vez que estes produtos não são perecíveis e não oferecem riscos à saúde. No próprio processo de reciclagem essas embalagens passam por lavagem e limpeza.

Biodiversidade

Com o objetivo de conscientizar as pessoas a respeito da importância da diversidade biológica, e a necessidade da proteção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia internacional da Biodiversidade, comemorado em 22 de maio.

A data é ideal para refletirmos a respeito dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que tem como foco mobilizar esforços para que, até 2030, todas as ações sejam aplicadas universalmente, de modo que contribuam para o fim de todas as formas de pobreza, promovam a luta contra as desigualdades e combatam as alterações climáticas, assegurando que ninguém seja deixado para trás.

Para cumprir isso, é necessária uma parceria global entre governos, sociedade civil, setor privado, instituições de ensino, mídia e Nações Unidas. Além disso, em junho de 2016, a ONU reconheceu os Local SDG Pioneers, dez líderes empresariais e agentes de transformação de todo o mundo, que têm a missão de defender a sustentabilidade por meio de seus modelos de negócios, promover a mudança e mobilizar a comunidade empresarial em geral para que sejam tomadas medidas de apoio aos ODS.

Entre os selecionados, está Ulisses Sabará, presidente da Beraca, uma das unidades de negócios do Grupo Sabará. Ele foi escolhido devido aos seus esforços alinhados ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre (Life on Land) -, dedicado a proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade.

Em seu trabalho, entre outras ações, está o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade®, criado no ano 2000 e que está baseado nos alicerces: “Rentabilidade Adequada”, “Preservação da Água e Biodiversidade” e “Desenvolvimento Humano de Forma Equilibrada”. Trata-se de um projeto que atua como uma ponte entre mais de 100 comunidades agroextrativistas espalhadas pelo Brasil, com mais de 2.500 famílias, e os principais fabricantes mundiais de cosméticos. Isso faz com que a empresa conecte a biodiversidade brasileira a milhares de consumidores por meio de uma relação de transparência, rastreabilidade e inovação.

O objetivo é que iniciativas como essas e dos demais “Local SDG Pioneers“ inspirem as organizações a reproduzir modelos de negócios mais transparentes, invistam na conduta empresarial e na criação de cadeias de produção comprometidas com o bem-estar das gerações atuais e futuras.

O primeiro passo para uma mudança sustentável é investir na criação de sistemas, processos e políticas. Essa é uma estratégia que ajudará a transformar a sociedade e a fortalecer o setor privado, pois o investimento no capital humano, a valorização das cadeias produtivas e a preservação dos recursos naturais são elementos essenciais para que possamos trilhar o caminho do crescimento em harmonia com a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico e social.

* Thiago Terada é Gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais.

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Um desmonte de quase 80 mil quilômetros quadrados – equivalente ao território de Portugal – em áreas protegidas federais no Pará, Amazonas e Santa Catarina é o que está prestes a acontecer no Brasil.

São parques nacionais, reservas biológicas e florestas nacionais que deveriam estar sob o mais rigoroso cuidado devido à sua importância mundial, mas que sofrem neste momento um ataque sem precedentes promovido com o apoio de setores do governo e do Congresso Nacional e de interesses contrários ao meio ambiente.

O conflito não é novo. A novidade é a abrangência e a estratégia de desmanche da investida.

De um lado estão produtores rurais que ocupam irregularmente ou gostariam de ocupar essas áreas protegidas, empresas de mineração ou grileiros de terras públicas.

De outro, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que colocou o Brasil ao final da década passada na posição de líder mundial em extensão de áreas protegidas.

Na medida em que um dos lados ganha mais força, o impacto nas áreas protegidas pode resultar em mais desmatamento da Amazônia, com prejuízo às metas brasileiras para a redução das emissões de gases de efeito estufa na Convenção do Clima das Nações Unidas, além de implicar o desmonte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e ameaçar os compromissos assumidos pelo país na Convenção da Diversidade Biológica (CDB).

O alerta está em um dossiê lançado hoje pelo WWF-Brasil: Acesse o documento.

Segundo o documento, o potencial do estrago é enorme. Basta dizer que um dos projetos em tramitação no Congresso Nacional, o PL 3751, torna caducos todos os atos de criação de unidades de conservação cujos proprietários privados não foram indenizados no período de cinco anos.

Para se ter uma ideia do impacto dessa proposta, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) calculou em 56 mil quilômetros quadrados a extensão de terras privadas ainda não indenizadas no interior de UCs federais, mas o número poderia chegar a 100 mil quilômetros quadrados, segundo o próprio instituto.

Caso aprovada, a proposta representaria o desaparecimento de aproximadamente dez por cento das áreas protegidas em UCs federais no país, que somavam, em agosto passado, 788 mil quilômetros quadrados.  Isto é dez por cento do total do território protegido das UCs federais.

A proposta apresentada pelo deputado Toninho Pinheiro (PP-MG) em 2015 também impede a criação de novas UCs sem “prévia e justa” indenização em dinheiro e é apenas um dos projetos que tramitam no Congresso, exemplares do fenômeno que a literatura acadêmica trata como PADDD, do inglês Protected Area Downgrading, Downsizing and Degazettement (redução, recategorização e desafetação de áreas protegidas).

Alto impacto

A ofensiva contra as UCs vem ganhando fôlego desde dezembro do ano passado, a partir da publicação de medidas provisórias pelo presidente Temer, destaca o dossiê do WWF-Brasil. O alvo principal era a Floresta Nacional do Jamanxin, criada para conter o desmatamento na região da BR-163, no Pará.

A exposição de motivos assinada pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney, chamava a atenção para a alta taxa de desmatamento ilegal na Flona Jamanxim, problema atribuído aos conflitos fundiários remanescentes e à atividade garimpeira ilegal na região de grande potencial aurífero na Bacia do Tapajós.

Outra medida provisória editada no mesmo dia tinha como justificativa a passagem de uma ferrovia para transporte de grãos. A Flona Jamanxim perdia ali 57% de seu território, que deixavam de ser protegidos ou passavam a ser menos protegidos, com a liberação de atividade econômica. Mas o estrago ficaria bem maior no Congresso.

O texto do dossiê lembra que, antes, no início de fevereiro, um grupo de parlamentares da bancada do Amazonas recebeu aceno favorável do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) de que o Planalto encamparia proposta de mudança em UCs no Estado, que compromete mais um milhão de hectares atualmente protegidos.

O lobby tem como alvo a extinção ou redução de cinco unidades de conservação criadas em 2016, em áreas previamente regularizadas do ponto de vista fundiário: a Reserva Biológica Manicoré, o Parque Nacional de Acari, a Floresta Nacional de Aripuanã, a Floresta Nacional de Urupadi e a Área de Proteção Ambiental Campos de Manicoré.

Em abril, comissões especiais do Congresso Nacional alteraram as medidas provisórias editadas por Temer em dezembro, ampliando o tamanho do dano ambiental, para mais de um milhão de hectares que deixam de ser protegidos. O avanço contra as UCs no Pará foi comemorado no plenário pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), uma espécie de ícone da luta contra as UCs no Congresso. Segundo o senador, o resultado das votações, a ser confirmado pelo plenário antes de ir à sanção presidencial, “oferece oportunidade aos produtores rurais de regularizarem suas áreas e atividades produtivas”.

Documentos a que o WWF-Brasil teve acesso mostram que o ataque às áreas protegidas já havia ganho aliados dentro do próprio governo. Em nota técnica, o Ministério de Minas e Energia endossa interesses dos mineradores de ouro que atuam na região do Tapajós e sobretudo da empresa Brazauro Recursos Minerais, subsidiária da Eldorado Gold, com sede no Canadá.

A nota alega que a empresa havia investido US$ 76 milhões no projeto “Tocantizinho”, no qual planeja investir mais de meio bilhão de dólares. O MME contabilizou ainda dezenas de autorizações de pesquisa e permissões de lavra garimpeira, que teriam de ser ressarcidos por conta da alteração de limites das UCs proposta pelo governo, além de mais de 250 requerimentos de lavra garimpeira na região.

Santa Catarina

Além de a ampliação do Parque Nacional do Rio Novo (uma medida compensatória as reduções propostas) ter sido barrada pelo Congresso, o ICMBio calcula que a Floresta Nacional do Jamanxim perca quase 815 mil hectares de seu território com base nas propostas aprovadas nas comissões. A perda para a biodiversidade também é grande na alteração dos limites da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, que protegem nascentes de rios que formam as bacias do Xingu e do Tapajós.

“Temos de lembrar dos compromissos assumidos no Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), que apoia a gestão de UCs na Amazônia, com aportes de recursos externos. Os financiadores deverão cobrar explicações sobre o que está ocorrendo no Brasil”, adverte Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

O avanço contra as UCs nas votações de abril extrapolou os limites da Amazônia e alcançou até o Parque Nacional de São Joaquim em Santa Catarina, que teve seus limites alterados, por pressão de produtores rurais instalados na região. Trata-se de uma área de remanescentes de mata de araucária, importante na recarga de aquíferos, segundo o ICMBio. Na votação da Medida Provisória 756, o Parque perdeu 20% de seu território.

Mato Grosso

Também em abril, em outro expediente apressado, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso aprovou em primeira votação projeto que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, uma área de proteção integral de mais de 158 mil hectares, criado há 20 anos.

O pretexto apresentado pelos deputados foi o fato de a região estar bastante desmatada, não justificando a manutenção do status de área protegida. O Parque abriga fazendas do chefe da Casa Civil de Temer, Eliseu Padilha, que teve os bens bloqueados no final do ano passado pela Justiça do Mato Grosso por degradação ambiental. Sinal que de que a ofensiva às UCs não se limita às áreas federais.

 

petroleo

Londres – Em um depósito de lixo a cerca de 130 quilômetros a oeste de Londres, Adrian Griffiths está testando uma invenção que, acredita ele, salvará os oceanos do mundo, sufocados pelos resíduos plásticos. E também renderá alguns milhões a ele.

A máquina, que tem aproximadamente o tamanho de uma quadra de tênis, processa todos os tipos de produtos à base de petróleo — plástico filme, roupas de poliéster, carpetes, eletrônicos –, transformando-os novamente em petróleo.

O processo leva menos de um segundo e o combustível resultante, chamado Plaxx, pode ser usado para produzir plástico novamente ou para alimentar motores de navios.

“Queremos mudar a história do plástico no mundo”, disse Griffiths, CEO da Recycling Technologies em Swindon, cidade na região sudoeste da Inglaterra onde 2,4 toneladas de resíduos plásticos podem ser transformados dessa forma diariamente como parte de um projeto piloto.

Para os apoiadores financeiros, entre eles o governo do Reino Unido e mais de 100 investidores privados, a tecnologia marcaria uma inovação em relação à forma como o plástico é gerenciado globalmente.

A máquina utiliza uma técnica de reciclagem de matéria-prima desenvolvida na Universidade de Warwick para processar resíduos plásticos sem a necessidade de classificação, um grande obstáculo que tem impedido uma reciclagem economicamente viável em grande escala.

O projeto de Griffiths é único porque não está voltado a um tipo específico de plástico e, em vez disso, busca encontrar uma solução para a chamada “sopa plástica” que inunda os oceanos do mundo. Em 2050, haverá mais plástico que peixes nos oceanos, segundo um estudo apresentado no Fórum Econômico Mundial neste ano pela Ellen MacArthur Foundation.

“Esta tecnologia pode ser um verdadeiro divisor de águas”, disse Patricia Vangheluwe, diretora de relações com o consumidor e o meio ambiente da PlasticsEurope, associação que representa mais de 100 produtoras de polímero, incluindo BASF e Dow Chemical.

“Esta é uma excelente maneira de levar plásticos que você não conseguiria reciclar com a tecnologia atual, nem fazê-lo de forma econômica, de volta à economia circular.”

No momento, apenas 10 por cento do plástico é reprocessado porque é mais barato extrair mais petróleo para conseguir matéria-prima petroquímica, especialmente após o colapso dos preços do petróleo bruto nos últimos anos.

O restante é incinerado, disposto em aterros ou descartado nos oceanos, liberando elementos químicos tóxicos que afetam os recifes de corais e sendo engolido pela vida marinha que alimenta os seres humanos.

Muitos projetos fracassam porque não oferecem uma margem grande o bastante para que sejam viáveis, segundo Nick Cliffe, diretor de inovação encarregado do setor de eficiência de recursos da Innovate U.K., uma das duas agências do governo que forneceram 2,6 milhões de libras (US$ 3,4 milhões) em subvenções à Recycling Technologies.

Embora sejam movidos pelo desejo de proteger os oceanos, Griffiths e sua equipe de 22 pessoas reconhecem que, com a projeção de que o consumo de plástico vá duplicar nos próximos 20 anos, a reciclagem precisa ser lucrativa para fazer a diferença. A próxima meta de Griffiths é construir uma unidade de fabricação.

“Não sou de abraçar árvores”, disse ele. “Não acho que seja possível mudar realmente a situação, do ponto de vista ambiental, sem gerar lucro.”

cpfl

Em comunicado, a CPFL anunciou a criação de uma nova empresa, a Envo, para atuar na venda e instalação de pequenos sistemas de geração de energia solar para residências e comércios de pequeno porte, como placas fotovoltaicas em telhados.

“A gente tem um plano bem ambicioso para essa empresa”, disse o presidente da CPFL, Andre Dorf. O executivo destacou que há uma expectativa de crescimento acelerado da nova empresa, dado o interesse que consumidores têm demonstrado pelas soluções de geração distribuída.

No primeiro momento, os esforços de venda e o foco de atuação da Envo serão as cidades da região de Campinas, Sorocaba, Jundiaí e arredores. Com isso, o serviço estará disponível para os municípios do interior paulista, como Jundiaí, Sorocaba, Vinhedo, Hortolândia, Indaiatuba, Valinhos, Paulínia, Americana, Itatiba, Jaguariúna, Piracicaba, Sumaré e Pedreira, além de Campinas e outras regiões. A companhia tem planos para se expandir em outras localidades do Estado.

A Envo atuará desde a concepção técnica, avaliando itens como consumo de energia, condições estruturais do imóvel, níveis de irradiação solar e de sombreamento no local, passando pela revenda e instalação da solução completa, até a homologação do consumidor junto à distribuidora, intermediando, ainda, o processo de instalação do medidor digital.