Colheita-Agrofotovoltaico

Até agora, a área cultivada era designada para fotovoltaica ou fotossíntese, ou seja, para gerar eletricidade ou cultivar. Um projeto piloto agrofotovoltaico (APV) perto do Lago de Constança, no entanto, demonstrou que ambos os usos são compatíveis. O uso duplo da terra é eficiente em termos de recursos, reduz a concorrência pela terra e, adicionalmente, abre uma nova fonte de renda para os agricultores. Por um ano, o maior sistema APV na Alemanha está sendo testado na cooperativa agrícola Demeter Heggelbach.

No projeto de demonstração “Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos” (APV-Resola) “liderado pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE, os módulos solares para produção de eletricidade estão instalados diretamente acima de culturas que cobrem uma área de um terceiro hectare. Agora, a primeira colheita solar de energia e produção foi coletada em ambos os níveis.

O trigo de inverno, as batatas, o celeríaco e o trevo foram as primeiras culturas a serem testadas. A orientação sudoeste e a distância extra entre as linhas de cinco metros de altura dos módulos fotovoltaicos de vidro vidro bifacial garantiram que as culturas estavam expostas à radiação solar uniforme.

O sombreamento do módulo solar reduz o rendimento das culturas, mas o saldo total é positivo

Os resultados da primeira colheita foram, na sua maioria, promissores. “O rendimento de capim do capim do trevo na plataforma fotovoltaica foi apenas 5,3 % menos do que o plano de referência”, informa o Prof. Petera Högy, especialista em agricultura da Universidade de Hohenheim. As perdas de rendimento para batatas, trigo e celíacos são entre 18 a 19% e, portanto, um pouco maior “.

“Do ponto de vista da ciência agrícola, a agrofotovoltaica é uma solução promissora para aumentar a eficiência do uso da terra e a parcela de energia renovável fornecida pelo setor agrícola”, ressalta a Prof. Iris Lewandowski, Chefe do Departamento de Produtos Biobased e Culturas Energéticas, Universidade de Hohenheim.

Os especialistas concordam que, no entanto, é importante reunir mais experiência nos próximos anos e analisar outras culturas antes de chegar a conclusões finais.

 

Arranjo solar tem produção acima da média

 

Os módulos solares bifaciais 720 produzem eletricidade solar não apenas na parte da frente, mas também na parte de trás dos módulos fotovoltaicos com radiação solar refletida pelos arredores. Sob condições ambientais favoráveis, por exemplo, cobertura de neve, um rendimento de eletricidade adicional de vinte e cinco por cento pode ser alcançado. Do ponto de vista energético, o princípio da dupla utilização da agrofotovoltaica é muito mais eficiente do que apenas plantar culturas energéticas, contabilizando, afinal, 18 por cento do uso da terra agrícola na Alemanha.

Veja também:   Tesla anuncia primeiro projeto de armazenamento de energia solar e eólica do mundo

Com uma potência instalada de 194 quilowatts, a matriz fotovoltaica pode fornecer 62 casas de quatro pessoas com eletricidade. Nos primeiros doze meses, a matriz produziu eletricidade de 1266 quilowatts-hora por quilowatt instalado, um terço do que o valor médio de 950 kWh / kW na Alemanha.

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A produção de energia do campo experimental corresponde bem à carga de fazenda diária. Cerca de 40% da eletricidade produzida na fazenda foi usada diretamente para carregar os veículos elétricos e processar as colheitas colhidas.

No verão, a demanda de carga poderia ser quase completamente atendida pelo sistema fotovoltaico. Thomas Schmid e os outros agricultores de Demeter pretendem aumentar o seu autoconsumo até 70 por cento, otimizando o comportamento de consumo e instalando um sistema de armazenamento de eletricidade.

A eletricidade PV excedente é alimentada na Elektrizitätswerke Schönau, uma empresa de serviços elétricos com base em energia 100% renovável e parceira no projeto.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

Projeto Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos (APV Resola)

Uma vez que a ideia da agrofotovoltaica foi iniciada pela primeira vez pelo Prof. Adolf Goetzberger, que fundou o Fraunhofer ISE em 1981, várias grandes instalações APV foram instaladas em todo o mundo. Por outro lado, apenas algumas dessas plantas APV são designadas como sites de pesquisa.

No projeto “APV Resola”, os pesquisadores estão investigando os aspectos econômicos, técnicos, societários e ecológicos da tecnologia em uma planta piloto em condições reais pela primeira vez. O projeto de pesquisa é apoiado por fundos do Ministério Federal Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF) e da Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (FONA).

O objetivo do projeto é desenvolver a tecnologia do sistema APV em um produto pronto para o mercado. “Para fornecer a prova de conceito necessária antes da entrada no mercado, precisamos comparar outras aplicações técnico-econômicas da APV, demonstrar a transferibilidade para outras áreas regionais e também realizar sistemas maiores”, explica Stephan Schindele.

Por exemplo, diferentes aplicações possíveis devem ser exploradas em combinação com frutas, frutos do mar, lúpulo e lavouras e com as várias tecnologias, tais como armazenamento de energia, filmes especiais com células solares orgânicas e sistemas de tratamento de água solar fotovoltaica.

“Além do investimento da indústria e da política de pesquisa, as medidas políticas apropriadas que apoiam a tecnologia são de vital importância para uma entrada bem sucedida no mercado”, acrescenta Stephan Schindele. Já em 2014, Fraunhofer ISE e Wuppertal Institute.

 

*Com informações do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar

desenvolvimento-sustentavel

Pensar no Desenvolvimento Sustentável como estratégia – e não mera Responsabilidade Social – exige mais do que intenção ou compromisso com selos verdes, certificados e marcos legais. “É preciso ter ambição para os romper os paradigmas e perceber que vamos acertar, mas vamos errar bastante também”, afirma Cristiana Brito, diretora de relações institucionais e sustentabilidade da BASF na América do Sul. “Não adianta ter técnicos comprometidos com o desenvolvimento sustentável e um CEO alienado ou uma empresa com um CEO engajado, mas com um operador de máquina que não evita desperdícios”. A executiva participou de evento realizado na Câmara Brasil-Alemanha, que discutiu a implementação dos objetivos de desenvolvimento sustentáveis (ODS) definidos pela ONU para empresas.

Os objetivos surgiram em 2015 a partir de uma percepção da Organização das Nações Unidas de que os objetivos do milênio (ODM) já eram insuficientes para dar conta de demandas pontuais que surgiam naquele momento. Foi também um modo da ONU convocar as empresas a participar ativamente de mudanças globais, em diferentes áreas. Com as ODS, definem-se 169 metas para 17 temáticas, entre elas clima, energia, água, representação feminina e até direitos humanos. “Percebeu-se que não ia dar para o governo ou a sociedade resolverem sozinhos os problemas. E ficou claro o peso que as empresas têm – de forma positiva ou negativa – nessas questões”, disse Carlo Pereira, secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.  Por meio do Pacto Global, as empresas privadas discutem o cumprimento dos ODS em suas operações. Atualmente, 13 mil instituições e 9 mil empresas fazem parte dele – sendo 740 organizações com atuação no Brasil.

A BASF é uma das signatárias dos ODS e, portanto, conecta sua estratégia empresarial a alguns dos 17 ODS. A companhia definiu os objetivos com maior afinidade com sua atuação na indústria química para então definir metas que “conversavam” com os ODS – e inserindo seus stakeholders nessa estratégia – para finalmente medir resultados. Um dos projetos desenvolvidos inclui um “sistema de produção que é capaz de aproveitar todos os recursos energéticos, naturais e de matéria-prima”. Outro, através de sua fundação, tem como foco auxiliar a cooperativa de café Cooxupé a agregar maior valor à cadeia produtiva, melhorar a sustentabilidade e, assim, oferecer um produto que seja mais aceito – a um preço maior – no mercado europeu.

Mirar o desenvolvimento sustentável sob a perspectiva de criação de valor – e lucro – no negócio é um discurso defendido por Cristiana Brito, assim como por vários executivos de empresas ao redor do mundo. O mais famoso deles talvez seja Paul Polman, CEO da Unilever, um dos mais citados quando se fala em capitalismo consciente. Em sua palestra, Cristiana citou a Business & Sustainable Development Commission (BSDC), comitê do qual Polman faz parte, e que trabalha pelo desenvolvimento global de objetivos sustentáveis como oportunidade de negócio. Estimativa da BSDC aponta que o desenvolvimento sustentável pode gerar US$ 12 trilhões em negócios e oferecer 380 milhões de novas posições de trabalho até 2030. Só na América Latina, esse potencial seria de US$ 1 trilhão e criação de 24 milhões de vagas de trabalho.

Pequenas e Médias Empresas 
A opinião de especialistas é de que as grandes empresas já têm consciência, de forma geral, sobre a necessidade de se desenvolverem de forma sustentável. Muitas delas já integram índices sustentáveis da Bolsa de Valores – como a ISE na B3 (ex-BMF&Bovespa) –, bem como medem e reportam indicadores específicos.

O maior gargalo para o país avançar nesses objetivos está nas pequenas e médias empresas, segundo Grácia Fragalá, diretora do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp. “É preciso fazer um esforço para que as PMEs relatem esses indicadores [sociais e ambientais]”, defende Grácia. Segundo ela, a resistência ocorre por dois motivos. O primeiro tem a ver com a recessão, que coloca as empresas “em um momento de sobrevivência” à crise. “Quando vamos conversar sobre sustentabilidade, eles me dizem: calma, antes eu preciso é salvar o negócio”, diz Grácia. O segundo é um possível temor com relação à divulgação de novas informações. “Eles se assustam com questões de legislação e me dizem: se eu começar a relatar novos indicadores, não vai chamar atenção da Receita para outros fatores da minha empresa?”.

brasil-na-cop

O objetivo desta COP era iniciar o “livro de regras” para combinar o jogo da implementação do Acordo de Paris, que deverá ser finalizado na próxima conferência, na Polônia. Dada a característica técnica da reunião, era esperado que ela terminasse, sexta-feira 17 de novembro, com um texto pronto para a negociação a partir de 2018. No entanto, essa não é a realidade. Até a maneira como o diálogo entre os países será feito não foi consensuada ainda.

Durante toda a COP, o Governo brasileiro enfrentou fortes críticas sobre sua contradição entre os retrocessos socioambientais domésticos e sua posição nas negociações, especialmente, sobre a proposta de incentivar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2040, o que claramente vai na contramão dos esforços para descarbonizar nossa economia e valorizar as energias renováveis, como os biocombustíveis e a biomassa.

Por outro lado, o Brasil mandou um recado forte, ao lado de outros países em desenvolvimento, sobre a necessidade de aumentar a ambição do Acordo de Paris e buscar compromissos pré 2020. Além disso, o ministro Sarney também anunciou duas importantes notícias para a agenda de clima floresta e agricultura, durante a conferência, como o RenovaBio e o Planaveg.

COP25 no Brasil

O Brasil se candidatou para ser o anfitrião da COP 25, em 2019. Essa é uma oportunidade de reafirmar a liderança do Brasil na agenda climática e, para isso, precisamos estar preparados para esse momento, já com a lição feita, mostrando que já estamos alinhados com a economia de baixo carbono e em estágio avançado da implementação da NDC brasileira.

Doações

A COP foi um momento de anúncios importantes para o Brasil. As doações dos governos da Alemanha e do Reino Unido de cerca de 100 milhões de euros para projetos de preservação ambiental a Estados da região amazônica representam os maiores repasses internacionais já recebidos por estados brasileiros para esta finalidade. Essa é uma indicação de que existe interesse e apetite internacional para investir em um Brasil sustentável e de baixo carbono.

RenovaBio

O Programa RenovaBio, encaminha ao Congresso durante a COP 23, é uma oportunidade única para que o Brasil possa reafirmar sua liderança global na produção e uso de energias renováveis, como os biocombustíveis. A partir do controle de emissões, o programa dará ao setor energético previsibilidade, estabilidade de regras e a clareza do que representam o etanol e o biodiesel na matriz energética brasileira. Mas, além disso, é preciso também que o Programa promova a inclusão de novas tecnologias e o estímulo à produção e consumo de novos biocombustíveis.

Planaveg

A assinatura do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) abre caminho para que o Brasil se torne um líder global em restauração tropical, beneficiando sua biodiversidade, economia, população e todo o planeta. A execução de um plano eficiente será fundamental para reduzirmos o custo de adequação ao Código Florestal, bem como darmos acesso aos produtores rurais a investidores e mercados relacionados com a nova economia do carbono. Os oito eixos estratégicos de ação (Sensibilização; Sementes e Mudas; Mercados; Instituições; Mecanismos Financeiros; Extensão Rural; Planejamento Espacial e Monitoramento; e Pesquisa e Desenvolvimento) irão motivar, possibilitar e impulsionar a recuperação da vegetação nativa no país.

Itaipu2

Podemos chegar a 2030 com uma matriz energética 100% renovável. Esta é a opinião de 71% dos especialistas ouvidos em uma pesquisa realizada pela organização REN 21. Os dados são parte do Renewables Global Futures Report e foram assunto do debate do dia 10 na Conferência do Clima da ONU (COP 23), em Bonn, na Alemanha, em uma conversa promovida pela Itaipu Binacional.

A empresa reuniu diferentes atores do setor de geração energética para discutir ações implementadas rumos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) 6 e 7. As metas tratam de água e energia e são parte da lista de 17 objetivos ratificados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na lista de tarefas estão missões ambiciosas de eficiência energética, cooperação internacional e universalização do acesso a ambos os recursos.

O diretor executivo da Itaipu, Helio Amaral, destacou que, ocupando o posto de maior hidrelétrica do mundo, é natural que a organização coloque no cerne de seus negócios a manutenção de sua principal matéria-prima: a água. O diretor explicou que a empresa desenvolve ações customizadas no Cultivando Água Boa, um amplo programa de cuidados com as microbacias da região. “Fazemos tudo com a participação da comunidade local e promovendo o desenvolvimento regional. Consideramos a segurança da água como parte dos nossos negócios”, disse.

As ações envolvem recuperação de nascentes, capacitação de agricultores, reflorestamento e também a diversificação da matriz energética. A empresa investe em geração de biogás a partir de dejetos dos animais e em breve deve colocar em funcionamento placas de geração de energia solar, porém, ainda em sistema piloto e sem objetivos de comercialização.

Para Cristine Lins, secretária-executiva da REN 21, o caminho é correto. “A energia hidroelétrica tem sido uma pilastra no avanço das renováveis, mas é preciso desenvolver as demais energias para chegarmos em uma matriz equilibrada e 100% renovável”, comentou. Ela destacou que os investidores tem apostado mais em outras fontes, como a solar. “A China, em 2016 ampliou em 34,5 GW capacidade instalada de geração de energia solar, aumentando em 45% seu potencial”, ressaltou.

Este equilíbrio entre as fontes é também o caminho para que investidores abracem de vez o setor. James Close, diretor de mudanças climáticas do World Bank Group, explica que a diversificação pode trazer mais segurança em um cenário de imprevisibilidade da disponibilidade de água. “Os padrões erráticos das chuvas e as secas e enchentes mais frequentes tem impactos severos quando falamos da falta de água. Para financiar projetos precisamos garantir todos estes aspectos. Assim os investidores podem entender os problemas e os riscos também”, comentou.

Richard Taylor, diretor executivo da International Hydropower Association, corroborou com a abordagem. “Não existe uma tecnologia única que seja a solução para a energia limpa. Precisamos de uma sinfonia de renováveis para o futuro”, enfatizou.

Ele destacou ainda o exemplo da Costa Rica, que tem em seu território a maior hidrelétrica da América Central e comercializa seu excedente energético com outros seis países, por meio do Central American Electricity Interconnection System (SIEPAC). “A eletricidade lá é cotidianamente comercializada. Quando existe mais energia o mercado se beneficia disso. Esse sistema fez o custo da energia descer e diminui a necessidade do uso de fontes não renováveis”, explica.

Lembrando os ODS’s, Taylor destaca o valor de parcerias deste tipo. “Não chegaremos a esses objetivos sem uma abordagem sistêmica, sem parcerias. Se você tiver uma interconexão ou uma rede mais ampla que combina várias fontes, você compartilha e compensa reservas Precisamos acelerar e pensar em um futuro com as energias renováveis”.

Para Cristine Lins, este é o futuro que precisa ser desenhado, mas para o processo é ainda lento. “Temos progresso, mas até agora não o suficiente para atingir as metas de Paris (estabelecidas na COP 21). Para chegar ao cenário de 100% de renováveis precisamos de políticas adequadas e não se pode negligenciar o tempo. 2050 parece estar muito longe, mas são só 33 anos e as decisões tomadas hoje é que vão influir neste resultado”, enfatizou, concluindo ainda que “16% da população global vive sem eletricidade. São 1.9 bilhão de pessoas. Isso é inaceitável no século 21. Somos a primeira geração que tem nas mãos a tecnologia para mudar isso e precisamos fazê-lo”.

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Pescar, admirar, fotografar e devolver o peixe à água em perfeitas condições. Esses são princípios básicos na pesca esportiva, prática discutida há pelo menos 25 anos no Brasil como alternativa de sustentabilidade.

No País, há cerca de nove milhões de pescadores regularizados, a grande maioria praticante de pesque e solte.

O turismo associado à pesca esportiva contribui principalmente para a criação de postos de trabalho e demanda, entre outros serviços, estruturas de hospedagem e alimentação.

Pesca esportiva é tema de reportagens do Terra da Gente (Foto: Arquivo TG)

A primeira reserva de pesca esportiva do Brasil foi regulamentada em 2001, no município de Jacareacanga, no Pará, nas margens do rio São Benedito. “A iniciativa nasceu da necessidade de garantir a conservação ambiental da ictiofauna, de manter a fauna e a flora em equilíbrio e promover o desenvolvimento do turismo sustentável”.

O trabalho de preservação na reserva envolve, a fiscalização do local e a proteção da região contra infratores que praticam pesca predatória, caça de animais selvagens e derrubada de árvores de lei.

Devolver o peixe à água é um exemplo de respeito à natureza e uma forma saudável de diversão para os praticantes. “Os turistas sempre se mostram felizes e satisfeitos com a quantidade de peixes encontrados na região. Além de ser uma questão ética e ambiental, trata-se de sobrevivência desse ramo turístico”.

A pesca esportiva ou pesca recreativa está hoje entre as atividades de integração social e lazer mais difundidas no mundo. É uma das vertentes do turismo nacional com maior potencial econômico, pois gera emprego e renda a comunidade envolvida e movimenta todas as camadas sociais onde chega, tais como: rede hoteleira, farmácias, bares, transporte e comunidade ribeirinha.

Diante disso, é preciso criar condições para o desenvolvimento sustentável desta atividade no território nacional, uma vez que, o Brasil, é banhado por uma costa marítima de 8,5 mil quilômetros, possui 12% de toda a água doce do planeta, e ainda 8,2 bilhões de metros cúbicos de água distribuídos em rios, lagos, açudes e represas. Tudo isso faz do nosso país uma das principais plataformas de negócios da pesca esportiva e vitrine mundial para o turismo, lazer e atividades náuticas, visto que este é um negócio que já movimenta bilhões de dólares nos países desenvolvidos e atualmente faz parte da vida de milhões de brasileiros.

Nesse contexto, devemos incentivar e divulgar a pesca esportiva como oportunidade sustentável de negócios para finalmente repensar a fiscalização ambiental pesqueira e com isso montar um plano adequado e efetivo de combate a pesca ilegal no nosso país.

Dessa maneira, se torna imprescindível mostrar os caminhos do desenvolvimento sustentável da pesca, em especial da pesca esportiva, que faz jus ao seu nome e transforma a pesca num esporte que gera emprego, renda e uma condição melhor de vida a inúmeros brasileiros seja por meio do turismo, do lazer ou das inúmeras atividades náuticas e de camping.

sustentabilidade-digital

São as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

SUSTENTABILIDADE DIGITAL

 

O que acham que é: Aplicativos para smartphones e tablets sobre Sustentabilidade em geral.

O que realmente é: Sustentabilidade Digital é um conceito que define estudos, planejamentos  e práticas que visam a substituição, por empresas de tecnologia, de energias poluentes (principalmente as que emitem dióxido de carbono) por fontes renováveis como a eólica e a solar.

Não é muito comum pensarmos nisso mas todo tipo de navegação online (redes sociais, Netflix, e-mail etc.), tem algo físico por trás: milhares e milhares de servidores de computadores, responsáveis por armazenar os dados que compõem a internet. O que os alimenta, em sua grande maioria, é a eletricidade proveniente de fontes de combustíveis fósseis como o carvão e o gás natural. Por todo lugar, mesmo na nuvem, deixamos (sujas) pegadas digitais. Mas esta é uma explicação resumida. O jornal inglês The Guardian publicou um texto em 2015 detalhando esse processo, inclusive com gráficos (link em Para saber mais).

O estudo Clicking Clean: Who is Winning the Race to Build a Green Internet, do Greenpeace, publicado este ano, estima que o setor de TI (Tecnologia da Informação) consuma, aproximadamente, 7% da eletricidade global. Na versão de 2014 desse estudo, esse número era 2% que, para se ter uma ideia, é a mesma porcentagem do gasto de eletricidade da indústria aeronáutica (pense na gigantesca quantidade de aviões do tipo Boeing que voam todo dia).

De acordo com Guilherme Pereira, coordenador do curso de MBA em Business Innovation e Head of Corporate Innovation da FIAP, a questão da Sustentabilidade Digital tem dois focos: a parte física, como produtos e logística, por exemplo, e a parte digital, relativa a datacenters, infraestrutura e outros. “Nos últimos anos, com o aumento exponencial da necessidade de infraestrutura para a operação de serviços tecnológicos, as atenções se voltaram aos enormes datacenters com gigantescas demandas por energia.”

Quem inventou: Não existe um inventor mas o Greenpeace é uma das organizações mais empenhadas na questão e tem desafiado grandes empresas de TI a renovarem suas fontes.

Quando foi inventado: Não há uma data específica. O conceito está diretamente relacionado à Exponencialidade (exponential growth, em inglês), termo utilizado para definir a velocidade ultra acelerada com que as tecnologias têm evoluído nas últimas décadas e o efeito que causam na sociedade.

O Greenpeace começou a comparar o desempenho energético do setor de TI em 2009.

Para que serve: Para preservar as energias não renováveis do planeta e minimizar (ou até evitar) o impacto das mudanças climáticas como o aumento da temperatura global.

Fábio Henrique Zanella Moura, professor de Informática da Escola Técnica Estadual (Etec) Antonio Devisate, de Marília, e coordenador do projeto ReciclaEtec, diz que dentre algumas vantagens do uso de energias renováveis estão o fato de causarem menos impacto ambiental, serem inesgotáveis em relação à escala humana e oferecerem menos riscos à saúde dos trabalhadores.”

Quem usa: Facebook, Apple e Google foram os que primeiro assumiram compromissos de transformar 100% de sua fonte de energia em renovável.

Pereira conta que a Apple inseriu no design de seu novo campus uma diretriz de autossuficiência energética. “Todo o telhado do complexo é feito de placas solares e a água da chuva é captada, tornando o complexo 100% movido à energia solar. Isto ajuda na criação de processos de negócio com baixo índice de carbono, um dos indicadores importantes quando falamos de Sustentabilidade Digital.”

O estudo já citado do Greenpeace revela que quase 20 empresas, dentre elas Adobe, Amazon Web Services (AWS), Etsy, Hewlett Packard Enterprise e Microsoft, estão engajadas na substituição de suas fontes energéticas.

Efeitos colaterais: A curto prazo, necessidade de investimento na transformação da infraestrutura. “Mas os custos das energias renováveis têm sido drasticamente reduzidos nos últimos anos, alcançando grau de competitividade frente a outras fontes”, diz Pereira.

Quem é contra: De acordo com Moura, são contra a Sustentabilidade Digital empresas que lucram com o desperdício. “Isso por não se preocuparem com o meio ambiente e estarem focadas somente em vantagens para si mesmas.”

 

Para saber mais

1) Leia, no The Guardian, Can the digital revolution be environmentally sustainable? O texto conta sobre o comprometimento do jornal com a Sustentabilidade Digital, explicando todo o processo em que (e como) isso acontece.

2) Leia, no New York Times, Power, Pollution and the Internet. Escrito em 2012, o texto vai ainda mais para trás e conta as primeiras mudanças feitas por algumas grandes empresas mundiais de TI rumo à Sustentabilidade Digital

3) Leia, no Futurism, It’s Time to Start Thinking About Our Digital Carbon Footprint. O texto explica o tema dentro de um contexto bastante amplo e fala sobre preocupações e soluções para o problema.

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Ainda é muito comum empresas de grande, médio e pequeno porte a falta de compreensão d a importância do trabalho em Sustentabilidade. Para auxiliar neste entendimento, costumo indicar 7 benefícios estratégicos essenciais para organizações de todos os tamanhos. Abaixo detalho com mais profundidade cada um deles:

1 – Gerar economia e reduzir custos: Considerando não apenas o cenário atual, mas prospectando o futuro, infelizmente os recursos naturais tendem a escassear e tornarem-se cada vez mais caros. Temos visto isso acontecendo nos últimos anos com a água e com a energia, por exemplo, que vêm aumentando de preço gradativamente e causando um grande impacto nos negócios. Para muitas empresas, como a indústria de alimentos e bebidas – para citar apenas uma delas, que depende grandemente destes recursos no seu processo produtivo – desenvolver projetos de ecoeficiência torna-se essencial para a sua sobrevivência. No entanto, o foco aqui é mais amplo, e quando menciono a possibilidade de reduzir custos considero a importância de tornar mais eficiente o uso de matérias primas, otimizar o transporte e a logística dos produtos, fazer a gestão inteligente do uso dos espaços, entre diversas outras ações que geram economia efetivas para organizações de todos os tamanhos.

2 – Fortalecer a reputação e reduzir riscos: A reputação é um dos ativos mais importantes de qualquer empresa e vários casos ao longo da história demonstram como um ferimento reputacional pode ser fatal para entidades de qualquer natureza. Para citar apenas alguns exemplos, crises corporativas causaram impactos significativos e a redução do valor de mercado de empresas como a Enron, Parmalat, Camargo Correa, Odebrecht, Petrobrás, Daslu e tantas outras. O trabalho com Sustentabilidade, além de fortalecer a reputação da empresa – que é uma necessidade urgente principalmente considerando o item que será detalhado à seguir – quando bem realizado, contribui para mapear, gerir e reduzir riscos da organização. Para tanto, ferramentas como o processo de Materialidade e o diálogo com stakeholders são essenciais.

3 – Alinhar-se com Geração Y, Millennials e próximas gerações de consumidores: Observa-se uma tendência das novas gerações se preocuparem cada vez mais com a reputação das empresas e sua atuação perante a sociedade e o meio ambiente preferindo as marcas que promovem valores alinhados à sustentabilidade. Neste sentido, a pesquisa “Dossiê Universo Jovem 4” realizada com jovens brasileiros divulgada em 2008 pela MTV aponta algumas das ações que este público espera das empresas, são elas: Investimentos em projetos que façam a diferença para a comunidade; que convidem a comunidade para participar de suas ações, ensinando a população a agir; investimento em processos de produção e produtos com responsabilidade socioambiental; que primeiro façam as ações e só depois as divulguem, utilizando uma linguagem mais simples na sua comunicação (fonte: Instituto Akatu). Assim, uma atuação neste sentido é crucial tanto para atender os interesses dos novos públicos consumidores, como para não perder posição em um mercado cada vez mais competitivo.

4 – Atrair e reter talentos: E por falar em próximas gerações, esta mesma garotada que está aí (ou não tão “garotada” assim, já que eu mesma pertenço à chamada Geração Y, rs), deseja trabalhar em empresas alinhadas com os seus valores de contribuição para a sociedade, sustentabilidade e compromisso com a ética. Desta forma, um programa sólido de Sustentabilidade, que traga benefícios reais tanto para a organização quanto para a sociedade em que ela está inserida, traz como efeito colateral a retenção de talentos destas gerações. Além disso, mesmo para as gerações mais velhas, qual colaborador não prefere trabalhar em uma empresa na qual se orgulha, independente do seu porte?

5 – Gerar diferencial competitivo: É um fato. Marcas de referência na área de Sustentabilidade como Natura, Ben&Jerrys, Patagonia, Tesla, North Face e tantas outras são destaque em suas respectivas áreas porque inovaram, ousaram, fizeram diferente. Fazer muito bem o básico não vai destacar a sua organização, também não a tornará mais sustentável. Aqui, quando falamos de vantagem competitiva estamos tratando tanto do recurso tangível, como no exemplo da redução de custos, mas também de recursos intangíveis relacionados principalmente à reputação da empresa, sendo estes mais dificilmente imitados pelos concorrentes, o que permite diferenciar a sua organização do restante do mercado e agregar mais valor ao seu produto ou serviço.

6 – Desenvolver novos negócios: Ao longo da minha carreira tive a oportunidade de vivenciar diversas iniciativas de lançamento de novos produtos ou serviços mais sustentáveis que trouxeram um grande impacto positivo para os resultados dos negócios. Desde produtos concentrados – como amaciantes – que utilizam menos água no seu processo produtivo e reduzem os custos com embalagens, armazenamento e transporte, passando por tintas à base água, que trouxeram um benefício real de conforto olfativo para o consumidor e redução do impacto ambiental e hoje compõe a maior parte do mercado de tintas, até o desenvolvimento de setores inteiros como a indústria de carros elétricos e de energias renováveis. Isso sem falar nos inúmeros novos serviços desenvolvidos nos últimos anos como consultorias que auxiliam as empresas a detectarem e atuarem na redução do consumo e custos com água e energia, instituições certificadoras de edificações sustentáveis, empresas que prestam serviço de engenharia e logística reversa, recicladores de resíduos da construção civil e de produtos eletrônicos, organizações que oferecem serviços de neutralização de carbono, entre muitas outras iniciativas que a cada dia ganham mais mercado. Não importa o ramo de atuação da sua empresa, sempre é possível desenvolver um produto ou serviço mais sustentável que traga um retorno positivo para a sua organização, seja na forma de redução de custos, no fortalecimento reputacional, seja por meio da abertura de novos mercados consumidores.

7 – Gerar valor compartilhado: O conceito de Valor Compartilhado pressupõe a geração de valor econômico de forma a garantir também a geração de valor para a sociedade, por meio do desenvolvimento de negócios que propiciem o enfrentamento de suas necessidades e desafios. É uma nova forma de obter sucesso econômico que reconecta o sucesso da empresa ao progresso social. Neste sentido, no conhecido artigo de Michael Porter e Mark Kramer para a Harvard Business Review Valor Compartilhado “não é algo na periferia daquilo que a empresa faz, mas no centro”, ou seja, deve estar no seu core business. Este universo está mais próximo do que imaginamos quando vemos os esforços das “Empresas B”, organizações que, para dizer sucintamente, recebem uma certificação por, entre outros quesitos, resolverem “problemas sociais e ambientais a partir dos produtos e serviços oferecidos pelas próprias empresas”. São entidades como Natura, Ben & Jerrys e tantas outras organizações menores que, como eu costumo dizer, estão no chamado “setor 2 e meio”, ou seja, um híbrido entre uma empresa do segundo e do terceiro setores, organização privada com fins lucrativos, mas também com fins sociais. Neste sentido, as megatendências mundiais descritas brilhantemente por John Naisbitt, especialista na previsão de tendências globais, nos ajudam a apontar caminhos de novos mercados que estão ou muito em breve estarão em grande processo de expansão para o atendimento das questões da humanidade mais urgentes. Vale lembrar que as megatendências mais recentes que moldarão comportamentos, estilos de vida e consumo, são: Eficiência Energética, Mudanças Climáticas, Mobilidade Urbana, Mobilidade, Conectividade, Ascensão Social, Construções verdes, Inclusão Tecnológica, Mudanças demográficas, Economias interligadas, Escassez de recursos e Urbanização. As organizações que estiverem atentas à estes movimentos largarão na frente e terão mais tempo para se adaptar e prosperar neste novo cenário.

Em resumo, compreendendo que o trabalho de Sustentabilidade Corporativa é o alinhamento entre as necessidades do negócio, com as necessidades ambientais e da sociedade, fica mais claro o valor que ele traz justamente por atender e estar alinhado com estas demandas. Trata-se de um olhar mais amplo, sistêmico, inovador, que vai além do ambiente interno da organização, mas identifica e atua nos seus riscos, potenciais e oportunidades de gerar valor.

*Juliana Zellauy Feres é executiva da área de sustentabilidade, com passagens por diversas organizações e empresas 

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Morador do Rio de Janeiro, o consultor de empresas e economista Simon Salama sofre bastante com as altas temperaturas, que chegam a superar os 40ºC no verão. Até pouco tempo atrás, ele chegava a gastar entre R$ 800 e R$ 1 mil por mês na conta de luz, principalmente em razão do uso dos aparelhos de ar-condicionado.

Essa realidade começou a mudar quando ele decidiu investir em um sistema de energia solar fotovoltaica em sua casa. “Hoje estou pagando a metade da conta. A outra metade o sistema fotovoltaico está proporcionando. Precisamos aprender a pensar em longo prazo”, afirma.

Desde abril de 2012, quando entrou a vigor a Resolução Normativa Aneel nº 482/2012, os brasileiros têm a possibilidade de deixar de ser apenas consumidores de energia, passando também ao status de produtores. A chamada geração distribuída viabiliza, por exemplo, a instalação de placas solares em residências, o que gera economia na conta de luz e benefícios ambientais, pois o sol é uma fonte inesgotável e não poluente.

Em entrevista ao CORREIO Sustentabilidade, Colaferro listou um passo-a-passo sobre o que é preciso para instalar um sistema solar fotovoltaico em casa:

1) Fornecer os dados básicos descritos na conta de luz (endereço, consumo médio, etc) à empresa que vai instalar o sistema. “É na conta de luz que estão as principais informações, como o volume de energia consumido nos últimos meses; o tipo de cliente que ele é; o endereço, que nos ajuda a saber a disponibilidade de sol na região e a análise do telhado via Google Maps”, explica o especialista.

2) Visita técnica da empresa que vai instalar o sistema (quando necessário).

3) Investimento a partir de R$ 12 mil. O sistema mais completo e potente custa cerca de R$ 25 mil (valor estimado para um casal que consome cerca de 5 mil watts por ano, cerca de R$ 430 mensais). “O consumidor decidirá o tipo de financiamento que vai adotar, a forma de pagamento, etc”.

4) Uma vez comprado o sistema, o consumidor procura a concessionária de energia local e preenche um formulário com alguns dados. Algumas empresas instaladoras realizam esse serviço para o cliente.

5) Depois de instalado o sistema é preciso trocar o relógio de consumo. O novo aparelho, instalado pela Coelba (no caso da Bahia) não traz custo adicional para consumidores residenciais e será bidirecional – ele registrará a energia que entra e a que sai. “Você passa a receber créditos energéticos pela energia que gera a mais e paga apenas a diferença em relação ao que consumiu. Caso consiga produzir 100% da energia consumida, pagará somente um custo de disponibilidade, uma taxa em torno de R$ 40”, esclarece o especialista.

Investimento

Segundo Colaferro, embora o consumidor médio de energia no Brasil gaste bem menos, o cliente que costuma aderir à energia solar costuma ter um consumo mais alto, a partir de R$ 400 mensais.

“O sistema que custa cerca de R$ 25 mil atende melhor a esse público, porque é composto por mais placas e gera, proporcionalmente, o dobro de energia em relação ao de R$ 12 mil, o que possibilita uma economia de até 95% na conta”, ressalta Colaferro. A vida útil da tecnologia é de 30 anos.

O especialista defende mais financiamento para que a energia solar possa se popularizar no Brasil. “As instituições financeiras ainda não entenderam que este é um produto que deveria ser financiado a taxas muito mais baixas porque a inadimplência é pequena e ele realmente entrega o que promete, o que confere segurança”, argumenta.

O retorno do investimento em um estado como a Bahia, com alta incidência de sol e tarifa relativamente alta, vem entre quatro e seis anos, estima ele.

Entre os bancos que oferecem financiamento voltado à energia solar estão Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Santander. Todavia, a maioria das linhas são destinadas a empresas, e não a pessoas físicas.

Portaria

Uma medida que pode ajudar a tornar a energia solar mais acessível foi anunciada em agosto deste ano pelo Ministério das Cidades. A pasta prevê a criação de uma portaria que prevê a instalação dessa fonte alternativa nos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o ministro Bruno Araújo, o projeto vai “impulsionar a indústria nacional, reduzir custos, viabilizar a redução da conta de energia das famílias de baixa renda e ajudar a tirar uma carga dos demais sistemas tradicionais de geração de energia”.

Bahia

A energia solar registra crescimento em solo baiano. Em junho deste ano, o CORREIO informou a entrada em operação do parque solar Lapa, considerado o maior do Brasil, localizado em Bom Jesus da Lapa, no Oeste baiano. O empreendimento é composto por duas usinas, com capacidade instalada total de 158 megawatts. A operação do parque é da Enel Green Power, subsidiária brasileira do grupo italiano Enel.

O Brasil deve chegar até o final de 2017 com cerca de 14 mil consumidores com micro ou minigeração distribuída, segundo a Aneel. A geração de energia solar fotovoltaica responde por 80,7% do total de instalações. O restante é dividido por sistemas de energia eólica, biogás, biomassa, hídrica e cogeração qualificada.

“É pouco, levando-se em conta que o País tem mais de 80 milhões de consumidores. A Alemanha conta com milhões de conexões já instaladas”, compara Colaferro.

A Bahia tem atualmente cerca de 230 sistemas em operação e ocupa a décima colocação no ranking nacional, que é liderado por Minas Gerais (2.263 instalações).

agrosmart

Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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Caso nada seja feito para melhorar as políticas de gestão da água, algumas regiões do mundo poderão ver as suas taxas de crescimento cair até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas por um país – até 2050.

Esse alerta está em um relatório do Banco Mundial, intitulado High and Dry: Climate Change, Water and the Economy. Nele, o banco escreve que as alterações climáticas terão impacto, em primeiro lugar, no ciclo da água, com consequências na alimentação, energia, sistemas urbanos e ambientais.

O crescimento das populações, com maiores rendimentos e em cidades cada vez maiores, irá resultar num aumento exponencial das necessidades de água, mas a água disponível será mais errática e incerta, antecipa o relatório.

A redução da água doce disponível e a competição por parte de setores como a energia ou a agricultura poderão deixar as cidades em 2050 com até menos dois terços da água que tinham em 2015.

Segundo o Banco Mundial, se as políticas de gestão da água se mantiverem como estão e se os modelos climáticos se confirmarem, a escassez de água irá se estender a regiões onde atualmente não existe, como a África central e a Ásia oriental – e piorar gravemente onde já é uma realidade, como o Oriente Médio e o Sahel, na África.

Crescimento ameaçado

Estas regiões, prevê o relatório agora divulgado, poderão ver as suas taxas de crescimento econômico cairem em até 6% do Produto Interno Bruto até 2050, devido aos efeitos da escassez de água na agricultura, na saúde e nos rendimentos.

A boa notícia, revela o Banco Mundial, é que embora as más políticas possam exacerbar o impacto econômico negativo das alterações climáticas, as boas políticas podem ajudar a neutralizá-lo.

Algumas regiões poderão ver as suas taxas de crescimento aumentar até 6% com melhores práticas de gestão dos recursos aquáticos. Os autores do relatório recordam que os impactos da má gestão da água são particularmente sentidos pelos mais pobres, que têm maior probabilidade de depender da agricultura alimentada pela chuva e de viver em zonas mais suscetíveis a inundações, estando também mais vulneráveis ao risco de águas contaminadas e saneamento desadequado.

As mudanças na disponibilidade da água podem também induzir as migrações e incendiar conflitos civis, devido ao impacto que têm nos preços dos alimentos e no crescimento econômico, diz o estudo.

“É por isso que a gestão da água será crucial para o mundo alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as aspirações a uma redução da pobreza e a uma maior prosperidade partilhada”, ressalta o relatório.

“A água é a moeda comum que liga quase todos os ODS”, acrescenta o documento, numa referência aos objetivos definidos em 2015 pela comunidade internacional.

Otimizar a utilização da água através de melhor planejamento e incentivos, expandir a quantidade e disponibilidade de água, sempre que possível e reduzir o impacto dos extremos, da variabilidade e incerteza são as propostas do Banco Mundial para melhor gerir a água no futuro.

fonte: Agência Brasil