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Compostos químicos altamente poluentes ou com microplásticos, excesso de embalagens, matéria-prima extraída de maneira irresponsável ou através de trabalho escravo. Esse é o lado ‘feio’ da indústria cosmética, contraditório ao seu propósito de oferecer beleza e bem-estar aos consumidores. Uma das indústrias mais poderosas do mundo, que cresceu cerca de 5% em 2016, segundo o Euromonitor International, enfrenta desafios grandes na migração para um modo de ser e produzir de maneira mais sustentável.

A boa notícia é que o crescimento de marcas verdes nesse segmento mostra a tendência forte de mudança. Além do menor impacto ambiental, consumidores buscam produtos mais saudáveis para a pele e cabelos. A preferência por ingredientes naturais, vegetais e embalagens de refil são algumas oportunidades na indústria, segundo Keyvan Macedo, gerente de Sustentabilidade da Natura. Internacionalmente reconhecida por seu modelo de negócios, inclusive no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, a empresa enxerga nichos de soluções que se complementam e ajudam nessa construção.

Os fatores chave, segundo Macedo, são os esforços em tornar processos mais verdes, com menos emissão de gases do efeito estufa, geração de resíduo, redução e reutilização de água. Alguns exemplos são, por exemplo, trabalhar a reformulação de produtos pós-banho. Um creme de pentear que tem uma ação mais rápida, com menor tempo de aplicação, pode ajudar a reduzir o consumo de água no chuveiro. Trocar máquinas e caldeiras por modelos mais eficientes, a fabricação de processos a frio, fórmulas com menos ingredientes e uso de plástico, plástico verde e vidro reciclado para embalagens. Diversas linhas também trabalham com o refil, o que diminui a necessidade de fabricação de novas embalagens.

Há também o desafio de engajar a parcela de consumidores que ainda não tem tanto contato com o universo verde. “Sabemos que ele anda é muito focado em preço, mas quando você entrega um pacote de soluções de produtos eficientes e com diferencial de sustentabilidade, a proposta de valor acaba sendo bem aceita”, pontua.

Coloração para cabelo à base de plantas

Nesse mercado, não há espaço apenas para grandes marcas. Um exemplo disso é Laces and Hair, salão de beleza de São Paulo. Após cinco anos de investimento, o empreendimento lançou o primeiro produto de coloração de cabelo 100% natural no país. O produto é fruto de uma combinação de ervas, caules, raízes e flores da Índia, que são processados na França e chegam ao salão para colorir, preservar e regenerar os fios danificados. A inspiração foi a própria natureza, como relata Cris Dios, proprietária da empresa. Observando a coloração natural das flores, ela perguntou-se se era possível usar parte dessas propriedades no cabelo.

“A coloração tradicional pode até ter um componente natural, mas em uma porcentagem bem pequena, geralmente é feita com pigmentos sintéticos, amônia ou algum outro dilatador químico que faz a reação de oxidação do cabelo para transformá-lo. Na coloração vegetal, apesar do resultado que a cliente busca também ser a cor, o principal foco também é devolver saúde [aos fios]”, detalha Dios. Por sua composição, o produto é biodegradável e, portanto, não polui a água – ao contrário das tintas tradicionais, que tem uma grande variedade de produtos químicos sintéticos nocivos.

O processo de coloração também é diferente. Não é necessário usar água oxigenada, o que o torna mais lento. Após a aplicação da tinta, misturada com água, o cabelo é lavado e pelas próximas 48h não é permitido lavar os cabelos. É nesse período que a pigmentação vai aparecendo e se fixando. “A reação do cabelo com o oxigênio do ar que vai revelar o pigmento escolhido: uma reação como acontece na natureza, relacionada ao tempo e ao ar. Esse tempo é a pausa necessária para o oxigênio interagir”, relata Dios. A tinta foi reconhecida como um case de sucesso e recebeu o Prêmio Eco de sustentabilidade em 2017.

Itamar Cechetto, CEO da Laces, enxerga que o produto tem relação com a filosofia do salão de beleza gradual e com conexão. E o momento é propício para isso: ele lembra que a oferta de fornecedores com matérias-primas orgânicas e mais naturais é muito maior do que há alguns anos. Ele lembra ainda que a concessão de hábito do consumidor é essencial para a transição da beleza mais verde. “Existem alternativas e soluções. O grande aliado é que recentemente virou tendência apresentar o consumo consciente no seu estilo de vida. E é o papel da marca investir nisso, aumentar recursos que trazem esse pacote de sustentabilidade”, relata. Processos alternativos, como a reutilização de aplicadores de tinta ou mesmo do reuso de água de chuva nas lavagens são outras ações que o salão busca implementar.

Atenção ao green washing

Um último alerta de Cechetto é o cuidado com o green washing – ou seja, marcas que propagam ideais de sustentabilidade, mas que vendem um produto que não cumpre o que é anunciado. “O risco em cosmético é que pode ter um rótulo que vende uma ideia e a composição não ser bem aquilo. Por mais que a Anvisa busque trabalhar arduamente para que isso não aconteça, isso ainda existe. Se alguém fala que tem uma composição verde e está oferendo a um preço extremamente baixo, desconfie”, alerta. Dios aposta que, quando mais consciência no momento de compra, a tendência é que os preços caiam e haja ainda mais acesso a esse mercado: “No futuro, temos uma propensão a cosméticos mais sérios e funcionais, alimentos para a pele e cabelo e nutrição de verdade. A pessoa vai realmente consumir algo que ela vai usar para solucionar um problema. Isso será uma mudança de paradigma de uma beleza que vai de vazia para mais conteúdo”.

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Nos últimos anos, a sustentabilidade se transformou em um dos temas mais discutidos no setor empresarial. Isso é fruto, principalmente, da conscientização social. O ser humano está cada vez mais certo de que os recursos naturais que estamos utilizando são finitos. Dessa maneira, se não nos preocuparmos com o planeta, as próximas gerações estarão ameaçadas. O tripé reduzir, reutilizar e reciclar é uma tendência cada vez mais presente em nossa sociedade.

Seguindo essa forte tendência, o conceito de Logística Reversa também passou a ser muito difundindo no universo corporativo, se transformando em uma ferramenta fundamental para a sustentabilidade no setor empresarial. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Logística Reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Com leis relacionadas às questões ambientais muito mais rígidas, as empresas e indústrias se viram na obrigação de desenvolver projetos voltados a logística reversa. A Lei 12.305/2010, obriga os fabricantes e distribuidores a recolherem as embalagens usadas. Hoje em dia já não basta reaproveitar e remover os refugos do processo de produção. O fabricante é responsável por todas as etapas até o final da vida útil do produto. Por isso, a Logística Reversa está cada vez mais presente nas operações das empresas, desta forma, o investimento para desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis, retornáveis ou descartáveis, vem promovendo não só a redução do peso dos recipientes, que já colaboram para redução do impacto ambiental, mas também a diminuição dos custos de industrialização por serem mais leves. Além disso, outro ponto favorável fica por conta do crédito perante a opinião pública, já que as empresas demonstram que estão preocupadas, também, com o meio ambiente.

Há muito desperdício tanto nos processos industriais como nos processos de coleta seletiva e a Logística Reversa possibilita a reutilização desse material ou, se não for possível o reuso, ela promove o descarte correto do mesmo. Dessa maneira, as empresas têm se esforçado para reintegrar os resíduos nos processos produtivos originais, minimizando as substâncias descartadas na natureza e reduzindo o uso de recursos naturais. Fabricantes de bebidas, por exemplo, têm gerenciado o retorno das garrafas desde os pontos de venda até os centros de distribuição.

Em uma pesquisa feita com a cadeia de suprimentos de cervejas e refrigerantes, onde os integrantes terceirizaram o processo de coleta e retorno de embalagens usadas para reciclagem, foi obtida uma economia anual de mais de U$ 11 milhões. Ambos lados se beneficiam com a logística reversa. O consumidor acaba cumprindo com sua consciência ecológica, recuperando parte do valor do produto, enquanto a empresa produzirá novos produtos com menos custos e insumos. Quem está no meio dessa cadeia também se beneficia, já que novas oportunidades de negócio são geradas e há uma maior inserção no mercado de trabalho para a parcela marginalizada da sociedade.

Para completar, fica evidente que a Logística Reversa é uma maneira eficiente de recuperar os produtos e materiais das empresas que foram descartados, tornando-se peça fundamental para as empresas que querem ser sustentáveis. Atualmente, as empresas modernas já entenderam que além de lucratividade, é necessário atender aos interesses sociais, ambientais e governamentais, para assim atingir a sustentabilidade. É preciso satisfazer os stakeholders, que inclui governo, comunidade, acionista, clientes, funcionários e fornecedores, que avaliam a empresa de diferentes ângulos. A logística reversa ainda está em difusão no Brasil, já que é aplicada somente por empresas de grande e médio porte. Porém o potencial de crescimento nos próximos anos é muito promissor.

Nilo Cini Junior — Empresário e presidente do Instituto de Logística Reversa (ILOG)

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Copenhagen, Dinamarca – Uma empresa de biotecnologia dinamarquesa está tentando combater as mudanças climáticas a cada lavagem de roupas. Sua arma secreta: cogumelos de uma floresta adormecida perto de Copenhagen.

Na busca por um sabão mais ecológico, dois cientistas da empresa Novozymes atravessam regulamente a lama, buscando cogumelos-ostras que aparecem em troncos caídos e fungos que se alimentam das fibras resistentes de plantas. Eles estão estudando as enzimas desses cogumelos, que aceleram reações químicas ou processos naturais como o apodrecimento.

“Aqui acontece muita coisa, se você souber o que procurar”, explica Mikako Sasa, um dos cientistas da Novozymes.

Seu trabalho está ajudando a companhia a desenvolver enzimas para lavar roupas e detergentes de máquinas de lavar-louças que usam menos água ou que sejam efetivos também em temperaturas mais baixas. A economia de energia pode ser significativa. As máquinas de lavar, por exemplo, representam mais de seis por cento do uso de eletricidade doméstica na União Europeia.

Encontrar enzimas que combatam a sujeira não é uma estratégia nova. Por milhares de anos, os cogumelos e seus primos fungos se desenvolveram como mestres da nutrição em árvores moribundas, galhos caídos e outros. Eles digerem esses materiais difíceis secretando enzimas em seus hospedeiros. Mesmo antes que qualquer um soubesse o que eram as enzimas, elas foram usadas na fabricação de cervejas e de queijos, entre outras atividades.

Em 1833, cientistas franceses isolaram uma enzima pela primeira vez. Conhecida como diástase, transformava amido em açúcares. No início do século XX, um químico alemão comercializou a tecnologia, vendendo um sabão que incluía enzimas extraídas de tripas de vacas.

Ao longo dos anos, a Novozymes e seus rivais desenvolveram um catálogo de enzimas, fornecendo-as a produtores gigantes de bens de consumo, como a Unilever e a Procter & Gamble.

Na pequena sede estilo anos 1960 da empresa, cientistas em aventais de laboratório brancos usam máquinas de lavar em miniatura para testar novas combinações de enzimas em roupas de bonecas. Para avaliar o poder de combater as manchas de um produto, eles importam amostras de sujeira de todo o mundo, como colarinhos engordurados e escurecidos e manchas amareladas na região das axilas.

Detergentes modernos contêm até oito enzimas diferentes. Em 2016, a Novozymes gerou cerca de US$2,2 bilhões de receita e forneceu enzimas para sabões como Tide, Ariel e Seventh Generation.

A quantidade de enzimas necessárias em um sabão é relativamente pequena se comparada com as alternativas químicas, uma qualidade que atrai clientes que procuram ingredientes mais naturais. Um décimo de colher de chá de enzimas em uma carga de máquina típica na Europa corta pela metade a quantidade de sabão feito com substâncias químicas do petróleo ou de óleo de palma.

As enzimas também ajudam a diminuir o consumo de energia. Como são encontradas com frequência em ambientes relativamente frios, como florestas e oceanos, não precisam do calor e da pressão usados em geral em máquinas e outros processos para lavar roupas.

Desse modo, os consumidores podem reduzir a temperatura de suas máquinas de lavar e, ao mesmo tempo, garantir que suas camisas ficarão bem brancas. Diminuir a temperatura do ciclo de lavagem da máquina de 40 graus Celsius para água fria corta o consumo de energia pelo menos pela metade, segundo a Associação Internacional de Sabões, Detergentes e Produtos de Manutenção, um grupo da indústria.

“Acreditamos que existe uma grande variedade de processos naturais que são extremamente eficientes em recursos. Na natureza, praticamente não há desperdício. Todos os materiais são reutilizados”, afirma Gerard Bos, diretor de negócios globais e do programa de biodiversidade da União Internacional para a Conservação da Natureza da Suíça.

Em 2009, cientistas da Novozymes se juntaram aos da Procter & Gamble para desenvolver uma enzima que poderia ser usada em sabões líquidos para lavagens em água fria. Os pesquisadores começaram com uma enzima de bactérias do solo da Turquia e a modificaram por meio de engenharia genética para fazer com que se parecesse mais com uma substância encontrada em algas de mares frios. Quando descobriram a fórmula certa, deram o nome de enzima Everest, uma referência à escala da tarefa realizada.

“Sabíamos que isso seria algo que os consumidores iriam querer. Acho que é uma maneira muito tangível e prática de as pessoas fazerem a diferença em suas vidas diárias”, afirma Phil Souter, diretor associado da unidade de pesquisa e desenvolvimento da Procter & Gamble em Newcastle, na Inglaterra.

Em seguida, eles descobriram uma maneira de produzir a enzima em massa. A Novozymes implantou o DNA do novo produto desenvolvido em um lote de hospedeiros microbianos usados para cultivar volumes grandes de enzimas rapidamente e com custos baixos. As enzimas foram produzidas em grandes tanques controlados.

O resultado: um ingrediente crucial em sabões como o Tide Cold Water.

“Isso é biotecnologia em uma escala muito grande”, explica Jes Bo Tobiassen, gerente de uma fábrica da Novozymes em Kalundborg, pequena cidade na costa da Dinamarca.

Ao pesquisar novas enzimas, a Novozymes está tentando alcançar consumidores em economias que estão crescendo rapidamente, como a China.

Em boa parte do mundo desenvolvido, os hábitos de lavanderia estão bastante enraizados. Os europeus tendem a usar máquinas de carregamento frontal, muito mais eficientes no uso de água e energia do que as de carregamento superior preferidas nos Estados Unidos.

Mas na China, membros da crescente classe média, como Shen Hang, estão comprando máquinas novas e sabões mais caros e de maior qualidade. Os consumidores chineses estão entre os mais frequentes e exigentes do mundo, segundo os pesquisadores da Novozymes, mas ainda estão ajustando seus caminhos na hora de lavar roupas.

Recentemente, Shen comprou uma lavadora-secadora de carregamento frontal. Mas tem encontrado dificuldades para descobrir um sabão que possa limpar suas camisas manchadas de suor.

“Estou cansado”, diz ele sobre as afirmações exageradas dos fabricantes.

Shen usa dois tipos de alvejantes, um para roupas brancas e outro para as coloridas. Se não funcionam, esfrega as manchas com as mãos. Ele repete esse ciclo três vezes por semana.

Percebendo a oportunidade, as equipes comerciais da Novozymes pediram aos cientistas da empresa que criassem enzimas que apresentassem um desempenho melhor nas lavagens cheias de alvejantes dos chineses.

A companhia fez alguns progressos. Uma enzima recém-desenvolvida, chamada Progress Uno, está sendo adicionada aos sabões produzidos pela fabricante chinesa Liby.

Hoje, a maioria dos clientes chineses lava roupas em baixas temperaturas. Mas Peder Holk Nielsen, executivo-chefe da Novozymes, preocupa-se com o fato de que isso possa mudar à medida que a riqueza aumenta na China. Os consumidores fizeram a mesma coisa no Ocidente nas décadas posteriores à Segunda Guerra, diz ele.

Se, no entanto, graças ao desenvolvimento das enzimas, essa transição puder ser evitada, ele afirma que isso seria uma história fenomenal de sustentabilidade. “Vai economizar muita água e energia.”

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Começar e terminar uma obra pode parecer simples, mas além de pensar em todos os produtos a serem utilizados, a preocupação com a sustentabilidade do processo não deve ser deixada de lado. Um dos problemas enfrentados nas construções é o descarte dos materiais, em especial do concreto, que deve ser dispensado de forma consciente, para não causar impacto ambiental.

Em média, entre 2% e 3% de tudo que uma concreteira produz acaba retornando para as plantas e é descartado como resíduo. Essa devolução do material não utilizado no canteiro ocorre de duas formas distintas. A primeira é o lastro, material que fica impregnado no interior da betoneira após o descarregamento total do concreto. Já a sobra envolve qualquer volume residual não descarregado na obra e devolvido à concreteira.

Segundo Luiz de Brito Prada Vieira, consultor e especialista em Pesquisa e Desenvolvimento da Votorantim Cimentos, praticamente todos os tipos de concreto podem ser reciclados, como o endurecido e o fresco. As exceções são os especiais, como o pigmentando, que ao ser aproveitado resultará no concreto colorido. O mesmo vale para o que recebe adições de fibras.

Concreto endurecido

Para reciclagem do concreto endurecido é utilizado um britador especialmente desenvolvido para essa finalidade. O agregado que é produzido na britagem das sobras de concreto endurecido é conhecido como agregado reciclado.

Concreto fresco

Há duas maneiras de se reciclar o concreto fresco. A primeira é por meio de um aditivo estabilizador que reduz a velocidade de hidratação do concreto, prolongando o tempo o material em estado fresco. A segunda envolve o uso de equipamentos mecânicos – os recicladores – e a lavagem forçada do material, com água sob pressão, que separa o cimento dos agregados. O agregado obtido deste processo de reciclagem é conhecido como agregado recuperado.

Benefícios da reciclagem

“O principal ganho na reciclagem é o ambiental. Porém, é importante avaliar o balanço ambiental caso a caso, considerando quesitos como método de reciclagem, equipamentos, demanda de energia do processo e qualidade do produto resultante”, observa o especialista da Votorantim Cimentos.

Além dos ganhos ambientais, há também o benefício econômico para as concreteiras e construtoras. Vale destacar as reduções nos custos de produção decorrentes da economia de matéria-prima de retirada e disposição de resíduos.

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O Smart City Business America Congress & Expo reunirá gestores públicos, empresário e especialistas em soluções tecnológicas para ampliar os debates sobre o desenvolvimento de metrópoles inteligentes e com qualidade de vida

A cidade de São Paulo é um dos municípios mais inteligentes do Brasil, em mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança.

Esse destaque por si só credenciam São Paulo a sediar o Smart City Business America Congress & Expo (SCBAC&E), o único evento oficial sobre cidades inteligentes da América Latina, que será realizado entre os dias 16 e 18 de abril. O evento reunirá os principais líderes dos setores público e privado, além de especialistas em soluções tecnológicas, planejamento, gestão pública, segurança, mobilidade, conectividade e sustentabilidade, criando um ambiente propositivo de negócios e de diálogo sobre o desenvolvimento das metrópoles.

O SCBAC&E 2018 terá um espaço de 6000m2 para exposição e 200m2 na praça da tecnologia, além das áreas dos eventos paralelos. Mais de 70 empresas vão apresentar soluções tecnológicas para atender às demandas das smart cities com qualidade e segurança.

Também contará com um congresso com mais de 50 painéis, nos quais profissionais, pesquisadores, empresários e representantes do poder público, nacionais e internacionais, vão apresentar suas ideias e discutir os principais pontos em torno das cidades inteligentes, de modo a criar o mercado de Smart Cities.

A evolução digital, a conectividade, inteligência artificial e a segurança da informação serão abordados nos painéis. O planejamento e a gestão das cidades inteligentes, a partir do Marco Regulatório para Smart Cities é outro ponto essencial. O tema abrange a eficiência logística com a integração dos modais de transporte e a conectividade da informação entre a população, o prestador de serviços de transporte e o poder público; também engloba a sustentabilidade, em discussões sobre uso racional de recursos, destinação de resíduos, eficiência energética, alternativas ao transporte à combustão, arquitetura inteligente e construção sustentável, entre ouros. Porém, tudo do ponto de vista da proposição, com uma visão centrada na realização de negócios.

As possibilidades de desenvolvimento econômico e social das cidades inteligentes e modelos como o Cooperativismo, a Economia Circular, a Economia Criativa, entre outros, estarão em pauta, assim como o desenvolvimento das pessoas, que será analisado do ponto de vista da educação e da capacitação tecnológica da população.

Por fim, a longevidade será outro destaque. O evento vai abordar a qualidade de vida e a saúde (os avanços da tecnologia para o setor e a gestão da saúde pública) e, mais do que isso, vai mostrar cases de cidades que são exemplos na melhoria da vida das pessoas, sejam elas mais jovens ou da melhor idade.

O SCBAC&E 2018 contará, também com fóruns temáticos e ilhas de reuniões estratégicas, além da 6ª edição do Prêmio InovaCidade, no qual serão reconhecidos os projetos e iniciativas que tenham causado impactos positivos, mensuráveis e reconhecidos pela sociedade, realizados pela administração pública, iniciativa privada ou pela sociedade.

O Smart City Business America Congress & Expo é um evento do Instituto Smart City Business America (SCBA), entidade sem fins lucrativos que promove o avanço das discussões relacionadas às cidades inteligentes no continente americano. Segundo Leopoldo Albuquerque, presidente do Instituto, o evento é um catalisador de novas tecnologias e discussões sobre os avanços que já são vistos em cases de sucesso de smart cities. “Atuamos para reunir os principais players de gestão de cidades, fornecedores de soluções, pesquisadores e especialistas, no intuito de apontar caminhos para o desenvolvimento integrado das metrópoles”, afirma o executivo.

O evento é realizado pela Informa Group, empresa que há 35 anos atua em 188 países nos cinco continentes, na difusão de informações ao mercado empresarial, disseminadas por meio de publicações especializadas, newsletters, relatórios setoriais, conferências, congressos, seminários e feiras. Em sua última edição, o SCBAC&E reuniu mais de 3 mil visitantes, 250 congressistas e 60 expositores e patrocinadores. “Para a edição de 2018, a expectativa é de ampliar em 50% a visitação qualificada do que nas edições anteriores”, afirma Hermano Júnior, diretor da SCBAC&E na Informa Group.

Serviço: Smart City Business America Congress & Expo

Data: 16 a 18 de abril de 2018

Local: Expo Center Norte – Pavilhão Amarelo

(Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – 02055-000 – São Paulo – SP)

Informações e credenciamento pelo site:

www.smartcitybusiness.com.br/2018

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Apesar da pequena extensão territorial, a Holanda está se tornando uma gigante da agricultura e mostrando ao mundo o que pode ser uma nova tendência. Há quase duas décadas, o país assumiu um compromisso nacional para a agricultura sustentável, com o objetivo de “produzir o dobro da comida usando metade dos recursos”. Desde então, os agricultores holandeses conseguiram reduzir a dependência de água em até 90%. Também conseguiram eliminar praticamente o uso de pesticidas químicos nas plantas cultivadas em estufas. Desde 2009, os produtores de aves e fazendeiros de gado reduziram em 60% o uso de antibióticos nos animais.

Há uma razão clara para isso. A Holanda é um país pequeno e populoso. Além disso, não conta com os recursos naturais necessários para a agricultura em larga escala. Ainda assim, conseguiu se tornar o segundo maior exportador, em valor, de alimentos – atrás apenas dos Estados Unidos, que tem 270 vezes o tamanho do território da Holanda.

Vista do ar, a Holanda não se assemelha a nenhum outro grande produtor de alimentos. Um mosaico fragmentado de campos cultivados, sendo que a maioria é de pequenos produtores, permeia as cidades. Na principal região produtora do país, não há um campo de batatas, estufa ou criação de porcos de onde não se veja um arranha-céu, fábrica ou subúrbio. Mais da metade da área do país é usada para agricultura. O complexo de estufas cobre uma área de 70 hectares. Essas “fazendas climatizadas” permitem que o país produza um fruto cultivado em regiões com clima muito diferente: o tomate. A Holanda também é o maior exportador de batatas e cebolas, e o segundo maior exportador de vegetais, em valor. Mais de um terço do comércio global de sementes tem origem em terras holandesas.

O cérebro por trás desses números, como contou a National Geographic, é a Wageningen University & Research (WUR). Conhecida como uma das melhores instituições de pesquisa em agricultura, a WUR é o ponto mais importante do Vale dos Alimentos, um amplo conjunto de startups de tecnologia agrícola e fazendas de testes. O nome é uma alusão ao Vale do Silício, na Califórnia, sendo que a Wageningen tem o mesmo papel da Universidade de Stanford em unir a academia ao empreendedorismo.

Plantão de tomates em estufas na Holanda: país está na ponta da corrida tecnológica na produção de alimentos (Foto: Reprodução/YouTube)

Ernst van den Ende, diretor do Grupo de Ciências das Plantas da WUR, abraça essa abordagem do Vale dos Alimentos. Autoridade mundial em patologia das plantas, ele diz não ser “somente um reitor”. “Metade do tempo eu gerencio a escola, mas na outra metade olho para nove unidades de negócios separadas envolvidas em contratos comerciais de pesquisa”, afirma o pesquisador. Somente com essa mistura entre ciência ce negócios, diz ele, o país “consegue enfrentar os desafios que tem a seguir”.

E quais são esses desafios? Em uma imagem quase apocalíptica, Ernst van den Ende diz que o planeta precisará produzir “mais comida nas próximas quatro décadas do que todos os agricultores colheram nos últimos 8 mil anos”. A razão é que em 2050, a Terra terá 10 bilhões de habitantes, muito mais do que os 7,5 bilhões que vivem hoje no planeta. “Se não conseguirmos um aumento significativo na produtividade das lavouras, com a redução massiva do uso de água e combustíveis fósseis, um bilhão de pessoas podem passar fome”, avisa o especialista.

A fome, inclusive, pode ser o problema mais urgente do século 21, e os visionários que trabalham no Vale dos Alimentos acreditam que encontraram uma solução inovadora para essa questão. O otimismo vem do resultado de centenas de projetos da WUR em mais de 140 países, e de pactos formais com governos e universidades nos seis continentes para implementar os avanços.

Van den Ende tem muitas ideias sobre a produção de alimentos. Seca na África? “O problema fundamental não é a água, é a má qualidade do solo”, afirma. “A ausência de nutrientes pode ser compensada cultivando plantas que agem em simbiose com certas bactérias para produzir o fertilizante”. E o que fazer com os elevados custos de grãos para alimentar o gado? “Alimente os animais com gafanhotos”, sugere o holandês. Um hectare de terra produz uma tonelada de proteína de soja por ano. A mesma quantidade de terra pode produzir 150 toneladas de proteína de insetos.

Na Holanda, o futuro da agricultura sustentável está sendo moldado não nas grandes corporações, mas em milhares de famílias modestas de fazendeiros. Um exemplo é o da fazenda dos irmãos Ted, Peter, Ronald e Remco Duijvestijn. Em um complexo de estufas de 15 hectares, há pés de tomate com seis metros de altura – plantados não na terra, mas em fibras de basalto e giz. Em 2015, eles foram escolhidos por um júri internacional como os produtores de tomate mais inovadores do mundo.

Desde que reestruturaram a fazenda da família, de 70 anos, em 2004, os irmãos Duijvestijns buscam a independência de recursos. A fazenda produz quase toda a energia que consome, os fertilizantes e até mesmo alguns dos materiais usados na embalagem dos produtos. O ambiente em que as plantas são cultivadas é mantido a uma temperatura ideal para seu crescimento, com o calor gerado a partir de aquíferos geotérmicos.

A irrigação é feita com água coletada da chuva. Cada quilo de tomate precisa de 15 litros de água, comparado a 60 litros necessários para cultivar a mesma quantidade de tomate em campos abertos. As poucas pragas que conseguem se instalar nas estufas são tratadas com Phytoseiulus persimilis, um ácaro que não ataca os tomates, mas acaba com os insetos.

A ponta da frente de inovação na Holanda, porém, está nas sementes. É nesse quesito também que está a maior parte das polêmicas sobre o futuro da agricultura. O mais controverso é o desenvolvimento de organismos geneticamente modificados (OGMs) para aumentar a produção e criar lavouras resistentes a pragas. Os críticos dão uma pecha de Frankenstein aos OGMs, rodeados de incertezas sobre as consequências dos experimentos em organismos vivos.

As empresas holandesas estão entre as líderes no segmento de sementes, com exportações perto de US$ 1,7 bilhão em 2016. Mas elas não vendem sementes OGM. Para lançar uma nova variedade de semente no ambiente altamente regulado para os transgênicos como a Europa pode custar milhões de dólares e 12 a 14 anos de pesquisa, de acordo com Arjen van Tunen, da empresa KeyGene. Entretanto, as mais recentes descobertas na ciência do melhoramento molecular – que não introduz genes de outras empresas – podem entregar ganhos expressivos em cinco a dez anos, com custo de desenvolvimento de US$ 100 mil e receita de mais de um US$ 1 milhão. A técnica é descendente direta de métodos empregados há 10 mil anos pelos agricultores da Mesopotâmia.

O catálogo de produtos da Rijk Zwaan, outra empresa holandesa do setor, oferece sementes de alta produtividade de mais de 25 tipos de vegetais, muitos deles com proteção natural contra as principais pragas. Heleen Bos, responsável pelos orgânicos e projetos internacionais da empresa, já trabalhou no campo em algumas das nações mais pobres do mundo nos últimos 30 anos – incluindo longas passagens por Moçambique, Nicarágua e Bangladesh. “Claro que não podemos implementar imediatamente a agricultura ultra-high-tech que temos na Holanda, mas podemos introduzir soluções que podem fazer uma grande diferença”. Heleen cita as estufas de plástico, que chegam a triplicar o rendimento das lavouras.

 

 

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O objetivo desta COP era iniciar o “livro de regras” para combinar o jogo da implementação do Acordo de Paris, que deverá ser finalizado na próxima conferência, na Polônia. Dada a característica técnica da reunião, era esperado que ela terminasse, sexta-feira 17 de novembro, com um texto pronto para a negociação a partir de 2018. No entanto, essa não é a realidade. Até a maneira como o diálogo entre os países será feito não foi consensuada ainda.

Durante toda a COP, o Governo brasileiro enfrentou fortes críticas sobre sua contradição entre os retrocessos socioambientais domésticos e sua posição nas negociações, especialmente, sobre a proposta de incentivar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2040, o que claramente vai na contramão dos esforços para descarbonizar nossa economia e valorizar as energias renováveis, como os biocombustíveis e a biomassa.

Por outro lado, o Brasil mandou um recado forte, ao lado de outros países em desenvolvimento, sobre a necessidade de aumentar a ambição do Acordo de Paris e buscar compromissos pré 2020. Além disso, o ministro Sarney também anunciou duas importantes notícias para a agenda de clima floresta e agricultura, durante a conferência, como o RenovaBio e o Planaveg.

COP25 no Brasil

O Brasil se candidatou para ser o anfitrião da COP 25, em 2019. Essa é uma oportunidade de reafirmar a liderança do Brasil na agenda climática e, para isso, precisamos estar preparados para esse momento, já com a lição feita, mostrando que já estamos alinhados com a economia de baixo carbono e em estágio avançado da implementação da NDC brasileira.

Doações

A COP foi um momento de anúncios importantes para o Brasil. As doações dos governos da Alemanha e do Reino Unido de cerca de 100 milhões de euros para projetos de preservação ambiental a Estados da região amazônica representam os maiores repasses internacionais já recebidos por estados brasileiros para esta finalidade. Essa é uma indicação de que existe interesse e apetite internacional para investir em um Brasil sustentável e de baixo carbono.

RenovaBio

O Programa RenovaBio, encaminha ao Congresso durante a COP 23, é uma oportunidade única para que o Brasil possa reafirmar sua liderança global na produção e uso de energias renováveis, como os biocombustíveis. A partir do controle de emissões, o programa dará ao setor energético previsibilidade, estabilidade de regras e a clareza do que representam o etanol e o biodiesel na matriz energética brasileira. Mas, além disso, é preciso também que o Programa promova a inclusão de novas tecnologias e o estímulo à produção e consumo de novos biocombustíveis.

Planaveg

A assinatura do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) abre caminho para que o Brasil se torne um líder global em restauração tropical, beneficiando sua biodiversidade, economia, população e todo o planeta. A execução de um plano eficiente será fundamental para reduzirmos o custo de adequação ao Código Florestal, bem como darmos acesso aos produtores rurais a investidores e mercados relacionados com a nova economia do carbono. Os oito eixos estratégicos de ação (Sensibilização; Sementes e Mudas; Mercados; Instituições; Mecanismos Financeiros; Extensão Rural; Planejamento Espacial e Monitoramento; e Pesquisa e Desenvolvimento) irão motivar, possibilitar e impulsionar a recuperação da vegetação nativa no país.

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Sabemos que nosso planeta está em risco pelo mau uso dos recursos naturais. Diante desse quadro, é papel de todos adotar ações de sustentabilidade e orientar nossas crianças e jovens.

“Esse é um meio para que possamos ter, no médio e no longo prazo, um planeta em condições adequadas para o desenvolvimento das diversas formas de vida, inclusive a humana”, afirma Simone do Rocio Mocelin, assessora pedagógica do Colégio Bom Jesus Internacional Aldeia, formada em Ciências Biológicas e pós-graduada em Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Para ela, pensar e agir de forma sustentável contribui para que os recursos naturais necessários para as próximas gerações se mantenham.

“Temos de nos perguntar todos os dias: como podemos incutir nas crianças o apreço e o cuidado com o planeta que habitam?”, completa.

A consciência sobre a sustentabilidade precisa ser iniciada na mais tenra idade, tanto na família quanto na escola. E é do adulto o papel de se tornar exemplo de condutas sustentáveis no dia a dia para que a criança internalize a importância dessas atitudes para a conservação do meio ambiente. Veja 5 dicas sustentáveis e práticas para pais e filhos adotarem em casa.

1.Evite o desperdício de energia elétrica. Alerte as crianças sobre a necessidade de desligar os aparelhos que não estão em uso. É comum ver crianças deixando jogos eletrônicos, computadores e carregadores de celulares ligados desnecessariamente. Explique também a elas que deixar as luzes acesas traz um gasto alto de energia elétrica, sendo prejudicial ao planeta.

2.Ensine as crianças a não desperdiçar água. As crianças geralmente apreciam brincar com ela, não tendo a dimensão dos problemas de desperdício desse recurso natural precioso. Ensine que as torneiras devem estar completamente fechadas, mesmo durante a escovação dos dentes, abrindo somente para o enxágue da boca e da escova dental.

3.Habitue a criança a reciclar. Incentive-a a descartar corretamente os resíduos sólidos, a reaproveitar sacos plásticos, papéis e brinquedos. No momento de ir às compras, questione a criança sobre a real necessidade de ter mais um brinquedo, por exemplo. Além de poupar o meio ambiente, a criança aprenderá a consumir produtos com consciência. Lembre-se de que o termo “jogar fora” não existe.

4.Leia com as crianças informações sobre o meio ambiente e sobre como o estilo de vida da família pode impactar negativa ou positivamente na manutenção de nosso planeta. Ensine a elas o conceito da Terra como Casa Comum, termo utilizado pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Laudato Si’, que nos convoca a cuidar de nosso planeta.

5.No website http://www.suapegadaecologica.com.br/ , é possível realizar um teste da Pegada Ecológica, que é o impacto, rastros ou as consequências deixadas pelas atividades humanas (comércio, indústria, agricultura, transportes, consumo) no meio ambiente. Quanto maior a pegada ecológica de uma atividade, mais danos causados ao meio ambiente. Após responder a algumas perguntas, é calculado se o estilo de vida do respondente está abaixo, dentro ou acima da capacidade natural de regeneração de recursos pelo planeta.

Sustentabilidade na escola

Na escola, a sustentabilidade tem um viés interdisciplinar e possibilita ao aluno refletir sobre práticas do seu dia a dia que possam contribuir para a conservação dos recursos naturais que diminuam o impacto dos seres humanos sobre o meio ambiente. As diversas áreas de conhecimento podem apresentar temas específicos por meio de debates, palestras e atividades externas que abordem o problema do consumismo e do desperdício, a poluição e a contaminação da água, o descarte adequado dos resíduos sólidos, a poluição do ar, o aquecimento global, entre outros. Cabe à escola conscientizar os alunos sobre práticas sustentáveis de modo que eles possam levar esses conhecimentos consigo e aplicá-los em vários âmbitos de sua vida.

agrosmart

Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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Uma empresa do interior gaúcho está crescendo a partir de uma ação nacional sustentável e reconhecida. A Biotechnos, de Santa Rosa, ganhou o Prêmio Nacional da Inovação na Categoria Inovação e Marketing e se prepara para continuar evoluindo, de forma sustentada e com o desenvolvimento de novas soluções. A empresária Marcia Werle fundou a Biotechnos – Projetos Autossustentáveis em 2007. A ideia surgiu a partir da proposta de conscientizar as comunidades e as escolas sobre como armazenar corretamente o óleo de cozinha. Naquele momento, o principal produto da empresa eram as usinas de biodiesel voltadas para a agricultura familiar e cooperativas.

Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente, um litro residual do produto é suficiente para contaminar 12 mil litros de água. Todos os anos, 50 milhões de residências e estabelecimentos comerciais descartam inadequadamente, no Brasil, 1,5 bilhão de litros de óleo. “A parceria com a comunidade é essencial para manter a sustentabilidade dos projetos da nossa empresa. Isso porque desde sempre trabalhamos com o foco na transformação de produtos e criamos um sistema para vender aos clientes que beneficie o meio ambiente”, comenta Marcia.

Hoje, são mais de 20 usinas montadas no Brasil que compraram da Biotechnos o jeito de transformar óleo e gordura em biodiesel. Em breve, os equipamentos serão exportados para Argentina, Chile e Nova Zelândia. Apesar de fundamental, a tecnologia não é a única ferramenta necessária para desencadear uma transformação. A partir da assessoria da Biotechnos, foram realizadas parcerias com escolas para que as crianças conhecessem todo o processo de produção do biodiesel. “Nosso lema é produzir biocombustíveis gerando o mínimo de emissões de poluentes e com produtos locais”, revela a empresária.

O coco que quebra a máquina

Contudo, a grande novidade da Biotechnos está no novo maquinário, produzido a partir da incubação no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), instituição mantida pela Universidade de São Paulo (USP) e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Em 2008, Marcia estava em curso em São Paulo e conheceu o babaçu, um coco com enorme potencial econômico, mas mal aproveitado por conta das dificuldades de extração.

“Dizem que o coco do babaçu é capaz de quebrar uma máquina, mas não existe máquina que quebre o coco. Se não existe a gente inventa, certo?”, questionou a empresária. Foram necessárias três versões até que fosse possível entrar na fase de testes. O equipamento será utilizado em Arranjos Produtivos Locais (APLs) com a participação das mulheres que extraem o coco, as quebradeiras, viabilizando seu uso na produção de energia e em indústrias de alimentos e cosméticos, entre outras.

“Em geral, apenas as amêndoas (que representam cerca de 8,7% do peso do fruto) são aproveitadas. Cada fruto pode ter de uma a oito amêndoas, mas a média é de três ou quatro por fruto. Uma quebradeira de babaçu consegue, em média, de oito a dez quilos de amêndoas por dia”, revela. Nas associações ou cooperativas as amêndoas são comercializadas ou esmagadas para extração do óleo, que depois é vendido para as indústrias dos setores de higiene e limpeza. As quebradeiras utilizam, também, uma parte do óleo para a produção artesanal de sabão em barra. “Com esse maquinário, queremos melhorar o processo de extração e diminuir os acidentes. Já conseguimos uma eficiência de 94% e pretendemos melhorar ainda mais”, comemora Marcia.

Parceria com o SEBRAE/RS

A empresária conta que a entidade faz parte da história da Biotechnos. “Sempre buscamos conhecimento na área de gestão para não deixar de crescer. Participamos de feiras e consultorias e, em 2016, nos aproximamos ainda mais com a inscrição em prêmios como o Prêmio Nacional de Inovação, que ganhamos na categoria Inovação em Marketing”, destaca Marcia.

O gerente da regional Noroeste do SEBRAE/RS, Armando Pettinelli, define a empresa como um negócio voltado para empreender com sustentabilidade. “A empresa que surgiu com o propósito de trazer soluções inovadoras e sustentáveis para a região e logo ganhou o mundo, pautada não só pela competência na geração e concepção das soluções, mas também pela capacidade de gerenciamento de seus projetos”, conclui.