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São Paulo – A Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, divulgou neste mês sua tradicional lista The Global 100, que contempla as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.

O levantamento foi criado em 2005 e é anunciado, anualmente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A publicação seleciona empresas de todos os setores com base indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos, capacidade de inovação, pagamentos de impostos, a relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO, planos de previdência corporativos e o percentual de mulheres na gestão.

Nesta nova edição, pesos diferentes foram dados para os indicadores dependendo da área de atuação da empresa. Por exemplo, o indicador energia teve um peso maior na avaliação de uma empresa do setor energético, de forma a mensurar o impacto da companhia na sua área de atuação.

Outro ponto novo que passou a ser considerado na análise é o percentual de novos investimentos que as empresas estão alocando em projetos sustentáveis, como investimento em fontes menos poluentes e o desenvolvimento de produtos mais verdes.

Cinco companhias brasileiras integram a nova edição do ranking, um aumento em relação ao ano passado quando apenas duas figuravam no levantamento: a Natura, que ocupa a 14ª posição, a Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (em 18º); Banco do Brasil (49º); Engie Brasil Energia (52º) e Banco Santander Brasil (76º).

A publicação observa com entusiasmo o progresso das empresas na seara ambiental. “O ritmo das mudanças está acelerando a favor de um futuro com baixo teor de carbono”, avalia.

Líderes de  2018

A Dassault Systèmes, empresa francesa de software é a líder do ranking, vindo da 11ª posição no ano passado. Segundo a publicação, suas tecnologias digitais têm ajudado as empresas e os governos na adoção de energias renováveis, novas formas de mobilidade sustentável e na criação de cidades mais inteligentes.

Seguindo de perto, a empresa Neste Oil da Finlândia, especializada em refinação e comercialização de petróleo, começou a direcionar mais de 90% de seus novos investimentos em materiais renováveis e biocombustíveis. A publicação destaca que quase um quarto das receitas da empresa atualmente é derivado da “receita verde”.

Em terceiro lugar, outra francesa, a fabricante de peças automotivas Valeo está determinada em ajudar as montadoras a reduzir as emissões de carbono. Confira abaixo o ranking completo das 100 empresas mais sustentáveis segundo a Corporate Knights.

Ranking Empresa País Área/Indústria Desempenho
1 Dassault Systemes França Software 86,10%
2 Neste Finlândia Petróleo, Gás e Combustíveis 85,20%
3 Valeo França Componentes e sistemas automotivos 83,60%
4 Ucb Bélgica Farmacêutica 79,50%
5 Oututec Finlândia Construção e Engenharia 78,30%
6 Amundi França Mercado de Capitais 77,80%
7 Cisco Systems Estados Unidos Equipamentos de comunicação 77,00%
8 Autodesk Estados Unidos Software 76,90%
9 Siemens Alemanha Conglomerados industriais 76,70%
10 Samsung SDI Coreia do Sul Equipamentos eletrônicos 75,80%
11 Aereal Bank Alemanha Hipotecas e poupança 75,40%
12 Enbridge Canada Petróleo, Gás e Combustíveis 74,90%
13 Merck Estados Unidos Farmacêutica 74,30%
14 Natura Brasil Produtos de uso pessoal 74,10%
15 Pearson Reino Unido Mídia 73,90%
16 Amadeus IT Group Espanha Serviços de TI 73,20%
17 Bayerische Motoren Werke Alemanha Automóveis 73,20%
18 Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG Brasil Utilidades Elétricas 73,00%
19 Koninklijke Philips Holanda Conglomerados industriais 72,50%
20 Allergan Estados Unidos Farmacêutica 72,20%
21 Honda Motor CO Japão Automóveis 71,90%
22 Sanofi AS França Farmacêutica 71,90%
23 McCormick Estados Unidos Produtos alimentícios 71,50%
24 Commonwealth Bank of Australia Austrália Bancos 71,50%
25 Vivendi França Mídia 71,10%
26 Intel Estados Unidos Equipamentos e semicondutores 71,10%
27 Itron Estados Unidos Equipamentos elétricos e componentes 71,10%
28 Telefonaktiebolaget LM Ericsson Suécia Equipamentos de comunicação 70,80%
29 Halma Reino Unido Equipamentos, instrumentos e componentes 70,70%
30 Deutsche Borse Alemanha Mercado de Capitais 70,60%
31 Kesko Finlândia Varejo de alimento 70,20%
32 Television Francaise 1 França Mídia 69,90%
33 bioMerieux França Equipamentos de saúde 69,80%
34 AstraZeneca Reino Unido Farmacêutica 69,70%
35 Nokia Finlândia Equipamentos de comunicação 69,60%
36 BNP Paribas França Bancos 69,40%
37 Eli Lily Estados Unidos Farmacêutica 69,30%
38 Storebrand Noruega Seguros 68,80%
39 ABB Suíça Equipamentos elétricos 68,10%
40 Svenska Cellulosa Aktiebolaget * Suécia Produtos de uso doméstico 68,00%
41 Intesa Sanpaolo Itália Bancos 68,00%
42 Analog Devices Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,60%
43 Applied Materials Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,40%
44 Takeda Farmacêutica Japão Farmacêutica 67,40%
45 Schneider Electric França Equipamentos elétricos 67,00%
46 Shinhan Financial Group Coreia do Sul Bancos 67%
47 Kering França Têxtil e luxo 66,80%
48 Ingersoll-Rand Estados Unidos Maquinaria 66,70%
49 Banco do Brasil Brasil Bancos 66,60%
50 Nestle Suíça Produtos alimentícios 66,60%
51 Legrand França Equipamentos elétricos 66,50%
52 Engie Brasil Energia Brasil Produção de energia 66,40%
53 GlaxoSmithKline Reino Unido Farmacêutica 66,30%
54 ING Groep Holanda Bancos 65,90%
55 Sekisui Chemical Japão Bens de consumo domésticos 65,60%
56 Acciona Espanha Utilidades Elétricas 65,60%
57 H & M Hennes & Mauritz Suécia Varejo especial 65,10%
58 Aberdeen Asset Management Reino Unido Mercado de Capitais 64,50%
59 NVIDIA Estados Unidos Equipamentos semicondutores 64,40%
60 Daimler Alemanha Automóveis 64,20%
61 Diageo Reino Unido Bebidas 64,20%
62 BT Group Reino Unido Serviços de Telecomunicações 64,00%
63 Singapore Telecommunications Limited Singapura Serviços de Telecomunicações 61,70%
64 Novartis Suíça Farmacêutica 63,70%
65 Sandvik Suécia Maquinaria 63,40%
66 Chr. Hansen Dinamarca Química 63,30%
67 Coca-Cola European Partners Reino Unido Bebidas 63,20%
68 Nissan Motor Co Japão Automóveis 63,10%
69 Texas Instruments Estados Unidos Equipamentos semicondutores 63,00%
70 Orsted Dinamarca Utilidades Elétricas 63,00%
71 Allianz Alemanha Seguros 62,70%
72 Lenovo Group China Tecnologia 62,60%
73 Telus Canadá Serviços de Telecomunicações 62,50%
74 Taiwan Semiconductor Manufacturing Taiwan Equipamentos semicondutores 62,30%
75 MetLife Estados Unidos Seguros 62,00%
76 Banco Santander Brasil Brasil Bancos 61,90%
77 HP Estados Unidos Tecnologia 61,80%
78 Sun Life Financial Canadá Seguros 61,50%
79 Hewlett Packard Enterprise Estados Unidos Tecnologia 61,50%
80 National Australia Bank Australia Bancos 61,30%
81 General Electric Estados Unidos Conglomerados industriais 60,90%
82 Verbund Austria Utilidades Elétricas 60,90%
83 Akzo Nobel Holanda Química 60,70%
84 L´Óreal França Produtos de uso pessoal 60,70%
85 AXA França Seguros 60,60%
86 Nordea Bank Suécia Bancos 60,50%
87 Orkla Noruega Produtos alimentícios 60,40%
88 Wartsila Finlândia Maquinaria 60,10%
89 Canadian Imperial Bank of Commerce Canadá Bancos 60,00%
90 Renault França Automóveis 59,70%
91 Syngenta Suíça Química 59,70%
92 Johnson & Johnson Estados Unidos Farmacêutica 59,60%
93 Posco Coreia do Sul Metais e Mineração 59,50%
94 Suez França Multiutilidades 59,30%
95 Umicore Bélgica Química 59,20%
96 Vestas Wind Systems Bélgica Equipamentos elétricos 58,30%
97 SSE Reino Unido Utilidades Elétricas 56,80%
98 Capital Land Singapura Gestão Imobiliária e Incorporação 55,10%
99 Derwent London Reino Unido Sociedades de Investimento Imobiliário 54,30%
100 City Developments Singapura

* A Svenska Cellulosa Aktiebolaget foi dividida em duas novas empresas em 15 de junho de 2017, denominadas SCA e Essity.

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Nos últimos anos, a sustentabilidade se transformou em um dos temas mais discutidos no setor empresarial. Isso é fruto, principalmente, da conscientização social. O ser humano está cada vez mais certo de que os recursos naturais que estamos utilizando são finitos. Dessa maneira, se não nos preocuparmos com o planeta, as próximas gerações estarão ameaçadas. O tripé reduzir, reutilizar e reciclar é uma tendência cada vez mais presente em nossa sociedade.

Seguindo essa forte tendência, o conceito de Logística Reversa também passou a ser muito difundindo no universo corporativo, se transformando em uma ferramenta fundamental para a sustentabilidade no setor empresarial. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Logística Reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Com leis relacionadas às questões ambientais muito mais rígidas, as empresas e indústrias se viram na obrigação de desenvolver projetos voltados a logística reversa. A Lei 12.305/2010, obriga os fabricantes e distribuidores a recolherem as embalagens usadas. Hoje em dia já não basta reaproveitar e remover os refugos do processo de produção. O fabricante é responsável por todas as etapas até o final da vida útil do produto. Por isso, a Logística Reversa está cada vez mais presente nas operações das empresas, desta forma, o investimento para desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis, retornáveis ou descartáveis, vem promovendo não só a redução do peso dos recipientes, que já colaboram para redução do impacto ambiental, mas também a diminuição dos custos de industrialização por serem mais leves. Além disso, outro ponto favorável fica por conta do crédito perante a opinião pública, já que as empresas demonstram que estão preocupadas, também, com o meio ambiente.

Há muito desperdício tanto nos processos industriais como nos processos de coleta seletiva e a Logística Reversa possibilita a reutilização desse material ou, se não for possível o reuso, ela promove o descarte correto do mesmo. Dessa maneira, as empresas têm se esforçado para reintegrar os resíduos nos processos produtivos originais, minimizando as substâncias descartadas na natureza e reduzindo o uso de recursos naturais. Fabricantes de bebidas, por exemplo, têm gerenciado o retorno das garrafas desde os pontos de venda até os centros de distribuição.

Em uma pesquisa feita com a cadeia de suprimentos de cervejas e refrigerantes, onde os integrantes terceirizaram o processo de coleta e retorno de embalagens usadas para reciclagem, foi obtida uma economia anual de mais de U$ 11 milhões. Ambos lados se beneficiam com a logística reversa. O consumidor acaba cumprindo com sua consciência ecológica, recuperando parte do valor do produto, enquanto a empresa produzirá novos produtos com menos custos e insumos. Quem está no meio dessa cadeia também se beneficia, já que novas oportunidades de negócio são geradas e há uma maior inserção no mercado de trabalho para a parcela marginalizada da sociedade.

Para completar, fica evidente que a Logística Reversa é uma maneira eficiente de recuperar os produtos e materiais das empresas que foram descartados, tornando-se peça fundamental para as empresas que querem ser sustentáveis. Atualmente, as empresas modernas já entenderam que além de lucratividade, é necessário atender aos interesses sociais, ambientais e governamentais, para assim atingir a sustentabilidade. É preciso satisfazer os stakeholders, que inclui governo, comunidade, acionista, clientes, funcionários e fornecedores, que avaliam a empresa de diferentes ângulos. A logística reversa ainda está em difusão no Brasil, já que é aplicada somente por empresas de grande e médio porte. Porém o potencial de crescimento nos próximos anos é muito promissor.

Nilo Cini Junior — Empresário e presidente do Instituto de Logística Reversa (ILOG)

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O Smart City Business America Congress & Expo reunirá gestores públicos, empresário e especialistas em soluções tecnológicas para ampliar os debates sobre o desenvolvimento de metrópoles inteligentes e com qualidade de vida

A cidade de São Paulo é um dos municípios mais inteligentes do Brasil, em mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança.

Esse destaque por si só credenciam São Paulo a sediar o Smart City Business America Congress & Expo (SCBAC&E), o único evento oficial sobre cidades inteligentes da América Latina, que será realizado entre os dias 16 e 18 de abril. O evento reunirá os principais líderes dos setores público e privado, além de especialistas em soluções tecnológicas, planejamento, gestão pública, segurança, mobilidade, conectividade e sustentabilidade, criando um ambiente propositivo de negócios e de diálogo sobre o desenvolvimento das metrópoles.

O SCBAC&E 2018 terá um espaço de 6000m2 para exposição e 200m2 na praça da tecnologia, além das áreas dos eventos paralelos. Mais de 70 empresas vão apresentar soluções tecnológicas para atender às demandas das smart cities com qualidade e segurança.

Também contará com um congresso com mais de 50 painéis, nos quais profissionais, pesquisadores, empresários e representantes do poder público, nacionais e internacionais, vão apresentar suas ideias e discutir os principais pontos em torno das cidades inteligentes, de modo a criar o mercado de Smart Cities.

A evolução digital, a conectividade, inteligência artificial e a segurança da informação serão abordados nos painéis. O planejamento e a gestão das cidades inteligentes, a partir do Marco Regulatório para Smart Cities é outro ponto essencial. O tema abrange a eficiência logística com a integração dos modais de transporte e a conectividade da informação entre a população, o prestador de serviços de transporte e o poder público; também engloba a sustentabilidade, em discussões sobre uso racional de recursos, destinação de resíduos, eficiência energética, alternativas ao transporte à combustão, arquitetura inteligente e construção sustentável, entre ouros. Porém, tudo do ponto de vista da proposição, com uma visão centrada na realização de negócios.

As possibilidades de desenvolvimento econômico e social das cidades inteligentes e modelos como o Cooperativismo, a Economia Circular, a Economia Criativa, entre outros, estarão em pauta, assim como o desenvolvimento das pessoas, que será analisado do ponto de vista da educação e da capacitação tecnológica da população.

Por fim, a longevidade será outro destaque. O evento vai abordar a qualidade de vida e a saúde (os avanços da tecnologia para o setor e a gestão da saúde pública) e, mais do que isso, vai mostrar cases de cidades que são exemplos na melhoria da vida das pessoas, sejam elas mais jovens ou da melhor idade.

O SCBAC&E 2018 contará, também com fóruns temáticos e ilhas de reuniões estratégicas, além da 6ª edição do Prêmio InovaCidade, no qual serão reconhecidos os projetos e iniciativas que tenham causado impactos positivos, mensuráveis e reconhecidos pela sociedade, realizados pela administração pública, iniciativa privada ou pela sociedade.

O Smart City Business America Congress & Expo é um evento do Instituto Smart City Business America (SCBA), entidade sem fins lucrativos que promove o avanço das discussões relacionadas às cidades inteligentes no continente americano. Segundo Leopoldo Albuquerque, presidente do Instituto, o evento é um catalisador de novas tecnologias e discussões sobre os avanços que já são vistos em cases de sucesso de smart cities. “Atuamos para reunir os principais players de gestão de cidades, fornecedores de soluções, pesquisadores e especialistas, no intuito de apontar caminhos para o desenvolvimento integrado das metrópoles”, afirma o executivo.

O evento é realizado pela Informa Group, empresa que há 35 anos atua em 188 países nos cinco continentes, na difusão de informações ao mercado empresarial, disseminadas por meio de publicações especializadas, newsletters, relatórios setoriais, conferências, congressos, seminários e feiras. Em sua última edição, o SCBAC&E reuniu mais de 3 mil visitantes, 250 congressistas e 60 expositores e patrocinadores. “Para a edição de 2018, a expectativa é de ampliar em 50% a visitação qualificada do que nas edições anteriores”, afirma Hermano Júnior, diretor da SCBAC&E na Informa Group.

Serviço: Smart City Business America Congress & Expo

Data: 16 a 18 de abril de 2018

Local: Expo Center Norte – Pavilhão Amarelo

(Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – 02055-000 – São Paulo – SP)

Informações e credenciamento pelo site:

www.smartcitybusiness.com.br/2018

agrosmart

Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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Ônibus como este fazem parte de um movimento maior para tentar salvar o Planeta. Diminuir a poluição atmosférica mundial é um dos principais focos dos veículos elétricos. Preocupada com aquela nuvem cinza no horizonte, desde 2008 a embaixada americana na China monitora a qualidade do ar de Pequim. Em uma escala que vai de zero (muito bom) a 500 (péssimo), dois anos depois do início da medição, o nível chegou a 552 – o ar da capital chinesa foi classificado como “maluco de ruim”.

Ônibus como este fazem parte de um movimento maior para tentar salvar o Planeta. Diminuir a poluição atmosférica mundial é um dos principais focos dos veículos elétricos. Preocupada com aquela nuvem cinza no horizonte, desde 2008 a embaixada americana na China monitora a qualidade do ar de Pequim. Em uma escala que vai de zero (muito bom) a 500 (péssimo), dois anos depois do início da medição, o nível chegou a 552 – o ar da capital chinesa foi classificado como “maluco de ruim”.

Com uma carga completa do conjunto de baterias – que leva entre quatro e cinco horas para ser carregado – a autonomia é de 300 quilômetros rodados antes de voltar para a tomada. O ônibus usa baterias de íons de lítio e fosfato de ferro – uma opção ainda cara no mercado, mas bastante robusta e segura para alimentar veículos de grande porte.

Assim como outros veículos elétricos, o ônibus também consegue aproveitar a energia da frenagem para recarregar parte das baterias ainda em movimento. Estacionado, para alimentar o veículo, é preciso um carregador como este ligado a uma tomada especial com 380 volts de tensão elétrica. Para carregar uma frota completa – por menor que ela seja – é preciso pensar na construção e manutenção de uma mini-estação elétrica.

Quando o assunto é economia, apesar de o investimento inicial ser alto – um ônibus como este custa mais de um milhão de reais – na comparação entre a energia elétrica e o diesel, a vantagem econômica é esmagadora nos elétricos. Usando ônibus elétricos, é possível reduzir em até 60% o custo operacional de uma frota. Enquanto um motor a diesel tem eficiência energética de, no máximo, 40%, o motor elétrico atinge níveis de eficiência energética na faixa dos 90%.

Lá em Shenzhen, lembra – a metrópole com ar mais puro da China – a meta é chegar a uma frota de ônibus 100% elétrica já em 2018 – ano que vem. São Paulo tem cerca de 15 mil ônibus – um elétrico. A prefeitura diz que até o final do ano serão 60 ônibus elétricos em circulação. Ainda é pouco, mas já é um primeiro passo. Definitivamente, temos um exemplo a seguir se quisermos respirar melhor.

Na semana que vem, vamos trazer um raio-x sobre a principal peça dos veículos elétricos: as baterias. Elas são, sem dúvida, o item que mais evoluiu nos últimos anos, mas ainda são muitos os desafios e, apesar dos avanços, a indústria está longe da bateria perfeita.

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A evolução da clientela tem feito muitos empreendedores repensar e mudar o modo de oferecer os serviços. Um dos mais importantes princípios buscados atualmente pelo consumidor consciente é a sustentabilidade: além da análise custo-benefício de um produto ou serviço, é cada vez mais relevante a preocupação com o processo produtivo, a responsabilidade social e ambiental da empresa, entre muitos outros fatores.

Seguindo a tendência da sustentabilidade aplicada aos negócios, uma nova modalidade de salões de beleza começa a tomar forma e ganhar espaço no mercado: são os salões sustentáveis ou “salões verdes”. É o que destaca o relatório de Sustentabilidade do Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae, que aborda esse novo conceito, assim como outros pontos que envolvem o cuidado estético e a sustentabilidade, orientando o micro e pequeno empreendedor para as oportunidades no setor.

Sete mil salões de beleza são abertos por mês no Brasil – a maioria está enquadrada em microempreendedores individuais (MEI). Para buscar uma diferenciação em meio à grande concorrência, confira algumas práticas adotadas pelos “salões verdes” e verifique a viabilidade de aplicá-las em seu empreendimento:

· Trabalhe apenas com produtos ecológicos, que permitam ser reciclados ao final e opte por marcas que ofereçam a opção de refil, para não descartar a embalagem quando acabar;
· Utilize produtos que não são testados em animais;
· Procure aproveitar a iluminação natural e lâmpadas de baixo consumo energético; outra possibilidade é a utilização de painéis solares para captação de energia.
· Utilize tintas de cabelo orgânicas, sem presença de amônia e outros aditivos químicos em sua composição;
· Incentive os clientes a devolver/trazer frascos usados de cosméticos para o salão, e implemente a coleta seletiva desses rejeitos, agregando valor ambiental e renda a associação de catadores locais;

Um exemplo de sustentabilidade vem de Natal (RN): Fabiana Gondim é proprietária do salão de beleza Chic Coiffeur e criou um método inovador, chamado HairSIZE, que mede a quantidade de produto a ser utilizado nos cabelos de clientes, analisando o comprimentos dos fios. O método evita excessos de produto no cabelo e diminui o desperdício. Em um mês já é possível reduzir de 60% a 70% o consumo de produtos e água – uma medida econômica e ecologicamente correta.

Se você se interessou por esta tendência e quer implementá-la em seu negócio, confira as dicas do Sebrae:

· Para alcançar o status de sustentável é necessário conscientizar todos os colaboradores para a adoção das práticas propostas, portanto, invista em treinamentos para conscientização
· Acompanhe informações e tendências de sustentabilidade no Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), referência nacional no Sistema Sebrae. O CSS possui uma cartilha com dicas sustentáveis para salões de beleza, confira e pratique!
· O Sebrae pode ajudar a implementar essas iniciativas. Agende seu atendimento pelo telefone 0800 570 0800 ou procure a unidade mais próxima clicando aqui.

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que antes era verde, ou natural, hoje é tratado como sustentável. Esse termo expressa de forma mais ampla todas as iniciativas comprometidas com o futuro do planeta, das pessoas, e dos negócios. Enquanto o mundo todo hoje, em diferentes áreas de produtos e serviços, discute essa questão com cada vez mais seriedade e menos publicidade, a indústria de cosméticos se insere como protagonista, constantemente apresentando soluções nessa direção, tanto como resposta ao consumidor mais exigente, como estratégia de sobrevivência de seu próprio negócio. E na perfumaria, como está esse movimento?

Do verde ao sustentável

Durante muito tempo, o conceito de uma “perfumaria mais natural” foi estabelecido e como a perfumaria feita com fragrâncias compostas exclusivamente ou principalmente por ingredientes de origem natural. Essa contraposição às fragrâncias sintéticas, reforçada por adeptos de uma cosmética mais natural, acelerou nos últimos anos uma certa polarização na percepção de valor dos ingredientes da indústria, posicionando ingredientes sintéticos como vilões e ingredientes naturais como um verdadeiro alento e salvação no mar de substâncias às quais estamos expostos diariamente.

Se por um lado a escassez tornou os naturais heróis, por outro a crucificou. Em um mercado em crescimento puxado pelos emergentes, fatalmente veio a consciência da finitude dos recursos naturais. Os fabricantes então se organizaram na última década, na busca de garantir a sustentabilidade de suas fontes naturais, implementando estratégias de suprimentos fundamentadas na capacitação e desenvolvimento de comunidades especializadas, habilitadas a fornecer ingredientes em escalas mais reais e dentro dos padrões ideais, sem esgotar suas fontes.

Mesmo assim, a polarização naturais x sintéticos sempre colocou este último como vilão. Embora, do ponto de vista da criação de fragrâncias, a arte esteja em saber usar o que cada um tem de melhor a oferecer dentro de uma composição.

Mais alternativas para a perfumaria

Queremos falar sobre o verdadeiro desafio da indústria de perfumaria que, não podendo ser submetida à uma ruptura tão grande que inviabilize o próprio mercado, tem buscado alternativas economicamente, socialmente e ambientalmente mais sustentáveis do que simplesmente perfumes “mais naturais”. Além da já bem estruturada estratégia de obtenção sustentável de naturais a partir de comunidades especializadas situadas na origem dos ingredientes, como citado anteriormente, temos observado duas estratégias germinando e começando a se estabelecer em escala global.

Adoção crescente de ingredientes de origem renovável e redução na utilização de ingredientes de origem não renovável

Mas o que seria renovável, em primeiro lugar? Em nosso cotidiano, entramos em contato ou consumimos vários recursos de origem natural: madeira, água, gás. Alguns desses recursos são renováveis e outros não. De forma mais simples, isso tem a ver com a velocidade com que os recursos se renovam. Os renováveis são aqueles que se recompõem na natureza em um período relativamente curto de tempo, ou do ponto de vista econômico, se recompõem antes de haver necessidade de serem utilizados novamente. O álcool usado em perfumes é portanto de origem renovável.

Já os recursos não renováveis são aqueles consumidos com mais rapidez do que são gerados, como petróleo e seus derivados – principalmente alguns tipos de solventes e especialidades químicas, usados na perfumaria.

Essa estratégia passa então por evitar e até proibir o uso desse tipo de ingredientes na composição da fragrância. A Natural Products Association traz uma abordagem interessante, pois considera como “natural”, produtos com ingredientes provenientes ou produzidos usando fontes renováveis encontradas na natureza, isento de derivados de petróleo. Nessa linha, um absoluto de rosa, por exemplo, que é extraído usando solventes como hexano, éter ou outro derivados de petróleo, já não seria uma opção. No entanto, diminuir o uso destes componentes, coloca-se como uma alternativa de perfumaria mais ambientalmente responsável.

Adoção de tecnologias mais limpas, como a biotecnologia ou também chamada biotecnologia branca

Nessa rota, especialidades são obtidas ou usando organismos vivos como bactérias, leveduras ou fungos “programados” através de bioengenharia para produzir a molécula de interesse olfativo, ou usando enzimas específicas produzidas por esses organismos, com a finalidade de se obter alguma vantagem em relação ao original produzido sinteticamente ou extraído diretamente da natureza. Essas vantagens podem ser: aumentar sua degradação na natureza, consumir menos energia na sua produção, gerar menos resíduos durante o processo produtivo, apresentar melhor performance ou simplesmente uma alternativa a um recurso escasso, caro e finito – como é o caso de muitos naturais valiosos utilizados pelos perfumistas.

Em muitos desses casos, encontrar o seu “genérico biotecnológico” se transforma em uma estratégia de suprimento mais sustentável. Por isso, os grandes fabricantes tem desenvolvido seus próprios métodos biotecnológicos ou se associado a empresas especializadas em desenvolvê-los – e assim obter com exclusividade um ingrediente valioso, sem esgotar sua fonte, e sem contaminar o planeta ao produzi-lo.

A opinião dos especialistas

Lucia Lisboa, Vice Presidente de Perfumaria Fina para América Latina, Givaudan
A Givaudan se dedica à sustentabilidade de seus ingredientes naturais há mais de 10 anos. Temos um programa chamado GIN (Givaudan Innovative Naturals) que mapeia os ingredientes de maior risco de extinção e os fatores que levam a isso, seja por manejo, por negociação, por interesse, ou mesmo por necessidade. Iniciamos nosso trabalho e em 2006 lançamos nosso primeiro ingrediente sustentável, o Sândalo Australiano, trabalhado com comunidades aborígenes da Austrália. Depois vieram o Benjoim do Laos, a Tonka da Venezuela, e não paramos mais. Sempre em parcerias locais com ONGs, representantes do governo e da comunidade envolvida. Hoje vemos um cuidado maior para a origem, o cultivo e a rastreabilidade dos ingredientes naturais. E falamos cada vez mais de um futuro verde para a perfumaria, principalmente no que se refere aos ingredientes naturais, sustentáveis e obtidos através de biotecnologias.

André Tabanez, Gerente de Ingredientes Naturais, Firmenich e Doutor em biodiversidade vegetal e meio ambiente pelo Instituto de Botânica de São Paulo
É importante desmistificar o binômio natural x sintético. Não existe uma correlação direta entre ingrediente natural e sustentabilidade assim como não existe uma correlação direta entre ingrediente sintético e não-sustentabilidade. Em relação aos sintéticos, existe hoje na Firmenich uma busca em grande escala pelo menor impacto ambiental possível para que um novo ingrediente seja incluído em nossa paleta e disponibilizado para os perfumistas trabalharem em suas criações. Só incluímos agora ingredientes biodegradáveis. É o caso do Josenol©, nosso ingrediente floral lançado recentemente.

Maurice Roucel, Mestre Perfumista, Symrise
Dar foco a um processo mais sustentável, como a adoção de ingredientes de fonte renovável e a redução de ingredientes não renováveis, derivados do petróleo, é uma estratégia totalmente viável rumo a uma perfumaria mais verde. Hoje temos clientes de diferentes partes do mundo que já nos demandam criações com 75 a 100% de ingredientes de fonte renovável em suas composições. São escolhas, pois sem dúvida isso limita a sua criatividade, já que você passa a acessar uma paleta mais restrita, com menos opções olfativas, e você acaba entregando uma criação que, em algum ponto, lembra as mais tradicionais. Explico melhor: a modernidade vem da novidade; sem ela, o comum envelhece. Vamos comparar com a música ou a gastronomia: é a introdução de novos ritmos ou de novos aromas que transformam um prato ou uma música já conhecidos em uma peça de arte contemporânea. É o mesmo com a criação de fragrâncias.

Sim, o futuro é verde

São iniciativas de longo prazo, que chegam ao mercado após percorrerem um longo caminho. Mas mostram que, enquanto em uma ponta os consumidores mais conscientes e informados estão em busca de novas alternativas sustentáveis, na outra, as Casas de Fragrâncias que são responsáveis pela inovação em ingredientes para a perfumaria estão investindo no futuro de um caminho cada vez mais verde.

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Em comunicado, a CPFL anunciou a criação de uma nova empresa, a Envo, para atuar na venda e instalação de pequenos sistemas de geração de energia solar para residências e comércios de pequeno porte, como placas fotovoltaicas em telhados.

“A gente tem um plano bem ambicioso para essa empresa”, disse o presidente da CPFL, Andre Dorf. O executivo destacou que há uma expectativa de crescimento acelerado da nova empresa, dado o interesse que consumidores têm demonstrado pelas soluções de geração distribuída.

No primeiro momento, os esforços de venda e o foco de atuação da Envo serão as cidades da região de Campinas, Sorocaba, Jundiaí e arredores. Com isso, o serviço estará disponível para os municípios do interior paulista, como Jundiaí, Sorocaba, Vinhedo, Hortolândia, Indaiatuba, Valinhos, Paulínia, Americana, Itatiba, Jaguariúna, Piracicaba, Sumaré e Pedreira, além de Campinas e outras regiões. A companhia tem planos para se expandir em outras localidades do Estado.

A Envo atuará desde a concepção técnica, avaliando itens como consumo de energia, condições estruturais do imóvel, níveis de irradiação solar e de sombreamento no local, passando pela revenda e instalação da solução completa, até a homologação do consumidor junto à distribuidora, intermediando, ainda, o processo de instalação do medidor digital.

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“As mulheres querem as coisas em lugares diferentes dos homens”, afirmou Sissy Larrea, para enfatizar que gênero também é uma questão importante em matéria de energia na América Latina. As mulheres são as mais afetadas por carências energéticas no trabalho doméstico, majoritariamente sob sua responsabilidade, e atividades como comércio e produção alimentar, mas são marginalizadas nas decisões do setor.

Por se tratar – como se pensa – de “uma área técnica, não social, os homens assumem a direção e cabem às mulheres serviços de administração”, destacou Larrea, assessora para Igualdade de Gênero da Organização Latino-Americana de Energia (Olade), com sede na capital do Equador. Com a sua contratação dessa antropóloga com duas décadas de experiência em temas de gênero, a Olade intensificou, desde 2012, a capacitação e a sensibilização de governos e instituições para adoção de políticas e ferramentas para a igualdade entre homens e mulheres nos órgãos de decisão.

Unidades ou comissões de gênero foram criadas ou fortalecidas em ministérios e empresas de muitos países como Haiti, México e Uruguai, com mecanismos para superar iniquidades. A capacitação, por meio de cursos variados e assistência técnica, é o principal instrumento da Olade para cumprir a missão para a qual foi criada em 1973, de contribuir para a integração e segurança energética regional, para o desenvolvimento sustentável e a cooperação entre seus 27 países membros da América Latina e do Caribe.

“A matéria-prima da Olade é o conhecimento”, definiu para a IPS o brasileiro Fernando Ferreira, secretário executivo da organização entre 2014 e 2016. Somando os chamados diplomados, cursos presenciais intensivos de seis semanas, à capacitação virtual de dez horas, um total de 7.200 especialistas ampliaram seus conhecimentos em temas como planejamento, energias renováveis, inclusão social e eficiência energética. A quantidade cresceu muito desde 2006, quando houve 263 participantes.

O salto ocorreu com as novas ferramentas adotadas nos cursos virtuais a partir de 2012, explicou Paola Carrera, coordenadora de Gestão da Informação e Capacitação. Em 2016, o curso sobre Perdas Elétricas, por exemplo, teve mais de 800 participantes. Além da sede em Quito, sub-sedes em Honduras e Jamaica contribuem para a expansão, atendendo interessados do Caribe e da América Central.

Com a vista de Quito ao fundo, Sissy Larrea, assessora para Igualdade de Gênero da Olade, autora do manual Estratégia de Igualdade de Gênero da Olade, em 2013, dissemina a questão de gênero nas decisões e atividades energéticas da região. Foto: Mario Osava/IPS

 

“Os cursos, interdisciplinares e plurinacionais, são enriquecedores. Vi que a situação energética da América Central é muito diferente da existente na América do Sul”, contou Gloriana Alvarado, do estatal Instituto Costa-Riquenho de Eletricidade, recordando sua participação no diplomado de 2013, em Quito. Ela se interessou pela gestão energética sul-americana, com os conflitos devidos ao uso de hidrocarbonos na geração elétrica, em contraste com a Costa Rica, onde “são gerados mais de 95% com fontes renováveis”, principalmente hídrica, eólica e geotérmica, destacou.

“A média é de 20 cursos por ano, mas promovemos outras formas de compartilhar conhecimento, como o Programa de Cooperação Sul-Sul”, explicou Ferreira, economista e doutor em engenharia que trabalhou em uma estatal e em vários órgãos de regulação e planejamento energético do Brasil. Um exemplo “é o intercâmbio entre países com grande potencial em geotermia mas sem experiência”, como os andinos, e os que já desenvolveram essa fonte, como México e centro-americanos.

Sistemas de informação energética e publicações especializadas da organização também ajudam a melhorar a gestão do setor nos diferentes países. A Olade nasceu em 2 de novembro de 1973 como organização intergovernamental, em resposta à chamada primeira crise internacional do petróleo, pela explosão de seus preços, que desnudou a necessidade de se impulsionar políticas energéticas e a cooperação na América Latina, onde a maioria dos países é importadora de hidrocarbonos.

Fernando Ferreira, economista brasileiro que foi secretário executivo da Olade no último triênio, pouco antes de deixar o cargo. “A matéria-prima da Olade é o conhecimento”, afirma. Foto: Mario Osava/IPS

 

A integração energética regional, um objetivo original, se revelou complexa e não avançou no ritmo do desejo declarado pelos ministros de Energia que se reúnem anualmente na organização. “Para a Olade, a integração não acaba, está sempre em construção”, pontuou Ferreira, citando, como “bom exemplo regional”, o Sistema de Interligação Elétrica dos Países da América Central, que já conta com linhas de transmissão nos seis países centro-americanos desde 2014.

Na América do Sul, há acordos bilaterais que resultaram em hidrelétricas binacionais, como Itaipu e Yaciretá, na fronteira do Paraguai com o Brasil e a Argentina, respectivamente. Mas a “Olade perdeu espaço para outras instituições políticas”, reconheceu Ferreira.

Nas últimas décadas surgiram vários organismos de integração e concertação regional ou sub-regional, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que concentram as decisões políticas, limitando a Olade a funções técnicas. E é como “assessoria técnica” que desenhou para a Celac, em 2015, um “mapa do caminho” de integração e sustentabilidade energética regional.

Também fez para a Unasul um estudo de prioridade nos projetos energéticos da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana, aprovada em uma cúpula presidencial da sub-região em 2000, com 531 projetos. “Necessitamos de um segundo Convênio de Lima”, opinou Ferreira, se referindo ao acordo que criou a Olade em 1973, e que precisa de atualização.

No contexto atual, o desafio da integração tem que contemplar a mudança climática e a sustentabilidade ambiental como um eixo adicional, observou o ex-secretário da Olade. Por isso ganham importância as novas fontes renováveis de energia. A Olade decidiu estimular a energia solar. Em outubro, instalou uma pequena planta de três quilowatts em sua sede, para ensinar estudantes e interessados em sua operação, medindo a geração, seu valor e o volume evitado de gases-estufa.

A unidade de demonstração também é um laboratório da eficácia solar nas condições de Quito, a poucos quilômetros da linha equatorial. “A Olade é um local privilegiado, com o sol forte e quase perpendicular”, mas a altitude superior a 2.800 metros impede o calor excessivo que reduziria a produtividade fotovoltaica, detalhou Ferreira. “Os países pequenos são mais receptivos” a energias renováveis e eficiência energética, comprovou Jorge Asturias, diretor de Estudos e Projetos da Olade. “Os grandes, com capacidade de financiar seus próprios estudos, cooperam mais com agências internacionais”, não regionais, lamentou.

O futuro da Olade está ligado a novos mercados energéticos, acrescentou Ferreira. A partir de 2023, o Paraguai terá total liberdade para usar a eletricidade produzida por Itaipu à qual tem direito, metade dos 14 mil megawatts gerados pela central, atualmente utilizadas quase totalmente pelo Brasil. Assim, haverá novos negócios no Cone Sul.

Uma dificuldade que a Olade enfrenta são os atrasos na contribuição dos países membros, segundo Helena Cantizano, chefe da Assessoria de Relações Internacionais do Ministério de Minas e Energia do Brasil, que desde 2005 participa das ações da organização.

“O Brasil esteve insolvente por um longo período, sendo um dos países que mais contribuem, junto com Argentina, México e Venezuela”, recordou Cantizano, destacando que Brasília aporta pouco mais de US$ 240 mil ao ano, bem menos do que destina a outras organizações multilaterais. Mesmo assim, a Olade “aperfeiçoou seu processo de seleção de pessoal, na contratação de bens e serviços, e elevou a qualidade de seus produtos”, ressaltou. Envolverde/IPS

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Londres (16 de janeiro de 2017) — Mais de 35 CEOs e líderes da sociedade civil da Business & Sustainable Development Commission (Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Empresarial) revelaram hoje que os modelos de negócios sustentáveis poderiam abrir oportunidades econômicas no valor de pelo menos US$ 12 trilhões e gerar até 380 milhões de empregos por ano até 2030. Colocar as Metas de Desenvolvimento Sustentável, ou Metas Globais, no centro da estratégia econômica mundial, poderia desencadear uma mudança radical no crescimento e na produtividade, com um boom de investimento em infraestrutura sustentável como um fator crítico. No entanto, isso não acontecerá sem uma mudança significativa na comunidade empresarial e de investimento. É necessária uma verdadeira liderança para que o setor privado se torne um parceiro confiável no trabalho com governos e com a sociedade civil para consertar a economia.

Em seu principal relatório, Better Business, Better World, a comissão reconhece que, embora nas últimas décadas centenas de milhões de pessoas tenham sido retiradas da pobreza, houve também um crescimento desigual, mais insegurança no campo do emprego e um endividamento cada vez maior. Esses fatores alimentaram uma reação antiglobalização em muitos países, com interesses empresariais e financeiros considerados centrais para o problema, minando o crescimento econômico de longo prazo que o mundo precisa. A Comissão passou o último ano analisando uma questão central: “O que será necessário para que as empresas sejam fundamentais para criar uma economia de mercado sustentável, que possa ajudar a atingir os Objetivos Globais?”. O Better Business, Better World, programado para ser lançado junto o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e a posse presidencial nos Estados Unidos, mostra como.

“Este relatório é um apelo à ação para líderes empresariais. Nós estamos no limite e não mudar resultará em mais oposição política e em uma economia que simplesmente não funciona para um número suficiente de pessoas. Temos que mudar para um modelo de negócio que funcione para um novo tipo de crescimento inclusivo”, afirma Mark Malloch-Brown, presidente da Business & Sustainable Development Commission. “O Better Business, Better World mostra que existe um incentivo convincente para que o mundo não seja apenas bom para o meio ambiente e para a sociedade, mas que ele faça sentido em termos de negócios também”, complementa.

No centro da discussão da Comissão estão os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ou Objetivos Globais) – 17 objetivos para eliminar a pobreza, melhorar educação e saúde, criar melhores empregos e enfrentar os principais desafios ambientais até 2030. A Comissão acredita que os Objetivos Globais oferecem ao setor privado uma nova estratégia de crescimento que abre oportunidades de mercado valiosas ao criar um mundo que seja sustentável e inclusivo. E as possíveis recompensas para fazer isso são significativas.

O relatório revela que 60 grandes oportunidades em mercados sustentáveis e inclusivos em apenas quatro áreas econômicas importantes poderiam gerar pelo menos US$ 12 trilhões, valor acima de 10% do PIB atual. A discriminação das quatro áreas e seus valores potenciais são: energia, com US$ 4,3 trilhões; cidades: com US$ 3,7 trilhões; alimentos e agricultura, com US$ 2,3 trilhões; e saúde e bem-estar, com US$ 1,8 trilhão.

Essas grandes oportunidades dos Objetivos Globais identificadas no relatório têm o potencial de crescer 2 a 3 vezes mais rapidamente do que o PIB médio nos próximos 10 a 15 anos. Além dos US$ 12 trilhões estimados diretamente, a análise conservadora mostra potencial para mais US$ 8 trilhões de criação de valor em toda a economia se as empresas incorporarem os Objetivos Globais a suas estratégias. O relatório também mostra que, se o custo das externalidades (impactos negativos das atividades de negócios, como emissões de carbono ou poluição) for levado em conta, o valor global das oportunidades aumenta em quase 40%.

“Em um momento em que nosso modelo econômico está desafiando os limites de nossas fronteiras planetárias e condenando muitos a um futuro sem esperança, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos oferecem uma saída”, diz Paul Polman, CEO da Unilever, e membro da comissão. “Muitos estão agora percebendo as enormes oportunidades que existem para empresas esclarecidas e dispostas a enfrentar estes desafios urgentes. Mas cada dia que passa é mais uma oportunidade perdida para a ação. Devemos reagir de forma rápida, decisiva e coletiva para garantir um mundo mais justo e próspero para todos”, afirma Polman.

Embora as oportunidades sejam convincentes, a Business & Sustainable Development Commission deixa claro que duas condições críticas devem ser atendidas para criar esses novos mercados. Primeiro, será necessário um financiamento inovador de fontes públicas e privadas para liberar os US$ 2,4 trilhões necessários anualmente para alcançar os Objetivos Globais.

“Como gestores de capital de longo prazo, a indústria de investimentos e seus clientes podem apoiar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criando métricas de sustentabilidade simples e padronizadas, integrantes do processo de investimento”, explica Hendrik du Toit, CEO da Investec Asset Management e membro da Comissão. “Também precisamos de novas parcerias otimizadas com governos e comunidades que possam reduzir os riscos para todos e trazer mais investimento privado a um custo mais baixo para o desenvolvimento de infraestrutura sustentável”, complementa o CEO.

Ao mesmo tempo, a Comissão acredita que um “novo contrato social” entre empresas, governo e sociedade é essencial para definir o papel das empresas em uma nova economia mais justa. O Edelman Trust Barometer 2017, recentemente lançado, reforça esta ideia. Ele mostra que, embora a credibilidade do CEO esteja em forte queda, 75% dos entrevistados da população em geral concordam que “uma empresa pode adotar ações específicas que aumentam os lucros e melhoram as condições econômicas e sociais na comunidade onde ela opera”. Elas podem fazer isso de formas que se alinham com as recomendações e ações descritas no Better Business, Better World: reconquistar a confiança criando empregos dignos, recompensando os trabalhadores de forma justa, investindo na comunidade local e pagando uma parcela justa de impostos.

“A promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo Climático de Paris é um mundo livre de carbono e com pobreza zero. Para alcançar esses Objetivos Globais, precisamos recuperar confiança. Um novo contrato social para as empresas onde as pessoas, seu meio ambiente e desenvolvimento econômico sejam reequilibrados pode garantir que todos os filhos e filhas sejam respeitados com liberdade, salário mínimo adequado, acordos coletivos e trabalho seguro garantido. Somente um novo modelo de negócios baseado em antigos princípios de direitos humanos e justiça social irá apoiar um futuro sustentável”, explica Sharan Burrow, Secretária-Geral da International Trade Union Confederation e também integrante da Comissão.

Ao longo de 2017, a Comissão focará seus esforços em trabalhar com as empresas para reforçar o alinhamento delas com os Objetivos Globais, incluindo: orientar a próxima geração de líderes de desenvolvimento sustentável; criar roteiros setoriais e tabelas que classifiquem o desempenho corporativo em relação aos Objetivos Globais; e apoiar medidas para a liberação de financiamentos que viabilizem investimentos em infraestruturas sustentáveis. “Precisamos mostrar que essas ideias funcionam não apenas em um relatório, mas na linha de frente dos negócios”, ressalta a Dra. Amy Jadesimi, CEO da LADOL, uma empresa nigeriana de desenvolvimento de infraestrutura e logística, e membra da Comissão.

“Os Objetivos Globais fornecem um modelo de crescimento sustentável e lucrativo para as empresas e têm o potencial de desencadear uma nova ‘corrida competitiva para o topo’. Quanto mais rápido os CEOs e conselhos fizerem dos Objetivos Globais seus objetivos de negócios, melhor será para o mundo e suas empresas”, finaliza Jeremy Oppenheim, diretor de Programa da Comissão. (#Envolverde)

Sobre a Business & Sustainable Development Commission

A Business & Sustainable Development Commission (Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Empresarial) foi lançada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro de 2016. A iniciativa reúne líderes de empresas, finanças, sociedade civil, organizações trabalhistas e internacionais com o duplo objetivo de identificar o retorno econômico que poderia estar disponível para as empresas se os Objetivos Globais forem atingidos, e descrever como elas podem contribuir para alcançá-los. Para acessar o relatório, visite report.businesscommission.org. Os eventos de lançamento do Better Business, Better World serão realizados durante a semana de 16 de janeiro, primeiro no Philanthropreneurship Forum em Viena, depois no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Eventos regionais também estão programados. Para saber mais, visite www.businesscommission.org.

Para ler o relatório completo visite report.businesscommission.org. Twitter: twitter.com/BizCommission

* Com informações da Business & Sustainable Development Commission.