catastrofe

“A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holoceno garantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável”, escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 19-07-2017.

Eis o artigo.

“Para cada mil pessoas dedicadas a cortar as folhas do mal, 
há apenas uma atacando as raízes.” Henry Thoreau

A revista New York Magazine (NYMag) publicou, no dia 09-07-2017, uma matéria denominada “The Uninhabitable Earth” – pintando no pior cenário, um Armagedon climático – que se tornou viral e foi comentada amplamente em diversos países e passou a ser o artigo mais lido da revista. Infelizmente, pouco se falou sobre o assunto no Brasil. A matéria, com chamada de capa, feita a partir de entrevistas com cientistas renomados, traz uma visão catastrófica do efeito do crescimento das atividades antrópicas sobre os ecossistemas e as mudanças climáticas. A repercussão foi enorme. Houve muita comoção pelo tom apocalíptico, reproduzido por uma grande revista que tem respeitabilidade e repercussão imediata.
O texto começa assim: “It is, I promise, worse than you think” (Prometo, é pior do que você pensa). O subtítulo diz do que se trata: “Fome, colapso econômico e um sol que nos cozinha: o que as mudanças climáticas podem causar – mais cedo do que você pensa”. Evidentemente, o autor está tratando de um cenário extremo e de baixa probabilidade, mas que pode ocorrer se nada for feito para mudar os rumos da insustentabilidade do crescimento econômico e suas externalidades ambientais.
Desta forma, o jornalista David Wallace-Wells realmente conseguiu assustar. A seguir segue uma tentativa de resumir alguns dos principais pontos da matéria.

Primeira parte

Na primeira parte, denominada “Apocalipse, espiando além da reticência científica” o autor explica que a ansiedade sobre os efeitos do aquecimento global em relação à elevação do nível do mar, é justificável, mas apenas arranha a superfície dos horrores que podem acontecer no espaço de tempo da vida de um adolescente de hoje. A elevação do nível dos oceanos é ruim, muito ruim, mas fugir do litoral é um problema menor. Na ausência de um ajuste significativo de como bilhões de seres humanos produzem e consomem, partes da Terra provavelmente se tornarão inabitáveis e outras partes ficarão terrivelmente inóspitas, antes do final deste século.
David Wallace-Wells diz que até mesmo pessoas que reconhecem as mudanças climáticas são incapazes de compreender seu alcance. No inverno passado, em diversos dias, a temperatura do Polo Norte ficou 60 a 70 graus mais quentes do que o normal, derretendo o PERMAFROST. Até recentemente, o permafrost não era uma grande preocupação dos cientistas, porque, como o nome sugere, era um solo permanentemente congelado. Mas o permafrost do Ártico contém 1,8 trilhão de toneladas de carbono, mais do dobro do que atualmente está suspenso na atmosfera terrestre. Quando se descongela e é liberado, esse carbono pode evaporar-se como o metano, que é 34 vezes mais poderoso do que o CO2. Ou seja, mesmo que a humanidade pare de emitir gases de efeito estufa nas atividades industriais e nos automóveis, o efeito feedback do metano do permafrost pode elevar a temperatura a níveis infernais. Na Antártica não é diferente. O “parto” da Plataforma Larsen C é mais um dos sinais de alarme.
A ocupação, dominação e exploração humana sobre os ecossistemas, juntamente com efeito estufa e a acidificação dos solos e das águas está provocando a 6ª extinção em massa das espécies. O Antropoceno é como uma “máquina de guerra”, todos os dias, o ser humano coloca mais munição. Atualmente, estamos adicionando carbono na atmosfera a uma taxa extremamente elevada. Isto é o que Stephen Hawking tinha em mente quando disse que a nossa espécie precisa colonizar outros planetas no próximo século para sobreviver e o que levou Elon Musk a anunciar seus planos para a colonização do planeta Marte.

Segunda parte

Na segunda parte da matéria da NYMag, “O calor mortal, transformando Nova Iorque em Bahrain”, David Wallace-Wells mostra que os seres humanos, como todos os mamíferos, são motores de calor. Sobreviver significa ter que esfriar continuamente, como cães ofegantes. Para isso, a temperatura precisa ser suficientemente baixa para que o ar atue como uma espécie de refrigerador, extraindo calor da pele para que o motor possa continuar bombeando. Mas as ondas mortais de calor estão tornando a vida impossível em algumas regiões, pois em temperaturas muito altas, dentro de horas, um corpo humano seria cozido até a morte por dentro e por fora.
O autor reporta que na região açucareira de El Salvador, cerca de um quinto da população tem doença renal crônica, o resultado presumido da desidratação de trabalhar nos campos. Desde 1980, o planeta experimentou um aumento de 50 vezes no número de locais com calor perigoso ou extremo. Um aumento maior virá em breve. Os cinco verões mais quentes da Europa desde 1500 ocorreram desde 2002 e, em breve, simplesmente estar ao ar livre, nessa época do ano será insalubre para grande parte do globo. A quatro graus, a onda mortal de calor europeia de 2003, matou 2.000 pessoas por dia. Mesmo que atingindo os objetivos de Paris de dois graus de aquecimento, cidades como Karachi e Calcutá se tornarão próximas a inabitáveis. A crise será mais dramática no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, onde, em 2015, o índice de calor registrou temperaturas tão altas que a sensação térmica chegou a 163 graus Fahrenheit (72º C). Assim, num futuro próximo, o Hajj se tornará fisicamente impossível para os 2 milhões de muçulmanos que fazem a peregrinação a cada ano a Meca.

Terceira parte

Na terceira parte da matéria da NYMag, “O fim da comida, rezando por campos de milho na tundra”, David Wallace-Wells diz que nas culturas de cereais os rendimentos da colheita diminuem 10% para cada grau de aquecimento. O que significa que, para uma população de 11 bilhões de habitantes, poderemos ter 50% menos de grãos para oferecer. E o efeito do aquecimento globalsobre as proteínas animais serão pior. A perda de solos será dramática, especialmente nos trópicos. A seca pode ser um problema ainda maior do que o calor, com algumas das terras mais aráveis do mundo passando rapidamente para o deserto. O quadro já é preocupante hoje, com a ONU alertando de que 20 milhões de pessoas podem morrer de fome na Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Nigéria.

Quarta parte

Na quarta parte da matéria da NYMag, “Pragas climáticas, o que acontece quando o gelo bubônico derrete”, David Wallace-Wells relata que o gelo funciona como um livro do clima, mas também é uma história congelada, com pragas armazenadas que podem ser reanimados quando descongelados. Atualmente, estão presos no gelo do Ártico, doenças que não circularam no ar há milhões de anos. O que significa que nosso sistema imunológico não teria ideia de como lutar quando essas pragas pré-históricas emergem do gelo. O Ártico também armazena insetos aterrorizantes nos tempos mais recentes. Já no Alasca, pesquisadores descobriram os restos da gripe de 1918 que infectaram até 500 milhões e mataram cerca de 100 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial e quase seis vezes mais do que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Quinta parte

Na quinta parte da matéria da NYMag, “Ar irrespirável, uma poluição (smog) mortal que atinge milhões de pessoas”, David Wallace-Wells considera que até o final do século, os meses mais legais da América do Sul tropical, da África e do Pacíficoprovavelmente serão mais quentes do que os meses mais quentes no final do século XX. Nossos pulmões precisam de oxigênio, mas isso é apenas uma fração do que respiramos. Com o aumento da concentração de CO2, em comparação com o ar que respiramos agora, a capacidade cognitiva humana diminui em 21%. Em 2090, cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão respirando um ar poluído, acima do nível “seguro” definido pela OMS. Documentos mostram que, entre outros efeitos, a exposição da mãe grávida ao ozônio aumenta o risco de autismo da criança. Já morrem cada dia mais de 10 mil pessoas das pequenas partículas emitidas pela queima de combustível fóssil. A cada ano, 339 mil pessoas morrem de fumaça de incêndios, em parte porque a mudança climática prolongou a temporada de fogo florestal. O que preocupa ainda mais as pessoas é o efeito que teria sobre as emissões, especialmente quando os incêndios provocam uma queda nas florestas decorrentes da turfa. Os incêndios são especialmente ruins na Amazônia que sozinha fornece 20% do nosso oxigênio. O “airpocalypse” chinês de 2013 tem afetado as atividades econômicas do país e foi responsável por um terço de todas as mortes na China.

Sexta parte

Na sexta parte da matéria da NYMag, “Guerra perpétua, a violência cozida no calor”, David Wallace-Wells relata que os climatologistas são muito cuidadosos ao falar sobre a Síria e querem crer que, embora a mudança climática tenha produzido uma seca que contribuiu para a guerra civil, não é justo dizer que o conflito é o resultado do aquecimento. Mas há pesquisadores que conseguiram quantificar algumas das relações não óbvias entre temperatura e violência: para cada meio grau de aquecimento, eles dizem, as sociedades verão entre um aumento de 10 e 20% na probabilidade de conflitos armados.

Sétima parte

Na sétima parte da matéria da NYMag, “Colapso Econômico Permanente, tenebroso capitalismo em um mundo meio pobre”, David Wallace-Wells ridiculariza o mantra do neoliberalismo de que “o crescimento econômico nos salvaria de todos e de tudo”. Mas no rescaldo da crise financeira de 2008, um crescente número de historiadores que estudam o que chamam de “capitalismo fóssil” começaram a sugerir que toda a história do rápido crescimento econômico, que começou um pouco antes do século 18, não é o resultado da inovação, mas simplesmente da descoberta dos combustíveis fósseis e todo o seu poder energético. Com o pico do petróleo, voltaremos a uma economia do “estado estacionário”. Além do mais, cada grau Celsius de aquecimento custa, em média, 1,2% do PIB. Os limites ambientais devem levar a economia global à estagnação secular.

Oitava parte

Na oitava parte da matéria da NYMag, “Oceanos Envenenados, Sulfeto de hidrogênio e o esqueleto”, David Wallace-Wellsdeclara que o mar se tornará um assassino. O nível do mar vai subir no mínimo um metro. Um terço das principais cidades do mundo estão na costa, para não mencionar suas usinas de energia, portos, bases da marinha, terras agrícolas, pescas, deltas de rios, pântanos e plantações de arroz.
O naufrágio das benfeitorias é apenas o começo. No momento, mais de um terço do carbono do mundo é absorvido pelos oceanos – ainda bem, ou então teríamos muito mais aquecimento. Mas o resultado é o que se denomina “acidificação do oceano”, que, por si só, pode aumentar meio grau de aquecimento neste século.
Há também o “branqueamento de corais” – isto é, morte de corais – que é uma notícia muito ruim, porque os recifes suportam tanto quanto um quarto de toda a vida marinha e fornecem alimentos para meio bilhão de pessoas. Acidificação dos oceanos frita as populações de peixes. Nas águas ácidas, as ostras e os mexilhões terão dificuldade em cultivar suas conchas. Quando o pH do sangue humano cai tanto quanto o pH dos oceanos, induz convulsões, comas e morte súbita.
absorção de carbono pode iniciar um ciclo de feedback em que as águas sub-oxigenadas produzem diferentes tipos de micróbios que tornam a água ainda mais “anóxica”, primeiro em “zonas mortas” do oceano profundo, depois gradualmente em direção à superfície.

Nona parte

Na nona parte da matéria da NYMag, “O Grande Filtro, nossa curiosidade atual não pode durar”, David Wallace-Wells pondera que não existe uma vontade de esclarecer os efeitos da mudança climática. Certamente essa cegueira não durará, pois, o mundo que estamos prestes a habitar não o permitirá. Em um mundo de seis graus mais quente, o ecossistema terrestre vai ferver com tantos desastres naturais. Os furacões mais fortes virão com mais frequência, e teremos de inventar novas categorias para descrevê-los.
Em síntese, o autor considera que é preciso avaliar melhor os danos já causados ao planeta. A Terra pode ficar inabitável, pois são muitos os processos que estão afetando a capacidade de sobrevivência da humanidade. Provavelmente, a Terra não ficará desabitada, mas a qualidade de vida da população mundial poderá reduzir bastante em um Planeta degradado. O Holocenogarantiu 10 mil anos de estabilidade climática. O Antropoceno e a grande aceleração das atividades antrópicas estão desequilibrando o clima e transformando a biosfera em um habitat inóspito e inabitável.
Indubitavelmente, David Wallace-Wells conseguiu assustar muita gente. Mas, principalmente, conseguiu fazer as pessoas discutirem os cenários negativos para os quais o mundo está caminhando na medida que mantém o atual modelo de produção e consumo, sem respeitar o fluxo metabólico entrópico e os limites do meio ambiente.
Creio que vale a pena ler o artigo “The Uninhabitable Earth” e as centenas de respostas que foram publicadas logo a seguir. Para contribuir com a discussão indico abaixo algumas referências das pessoas que concordaram, aquelas que discordaram do tom, mas concordam com os perigos potenciais do aquecimento global e aquelas que discordam:

Artigos que defendem o uso de uma linguagem catastrófica como forma de alerta:

JOE ROMM. We aren’t doomed by climate change. Right now we are choosing to be doomed, 11/07/2017
KEVIN DRUM. Our Approach to Climate Change Isn’t Working. Let’s Try Something Else. 10/07/2017
Steve Rousseau. Did New York Magazine Make Its Climate Change Story Too Scary? 10/07/2017
SUSAN MATTHEWS. Alarmism Is the Argument We Need to Fight Climate Change. New York magazine’s global-warming horror story isn’t too scary. It’s not scary enough, 10/07/2017
ROBERT HUNZIKER. Uninhabitable Earth? 14/07/2017
Ian Johnston. Earth could become ‘practically ungovernable’ if sea levels keep rising, says former Nasa climate chief, 14/07/2017

Artigos que consideram sérias as ameaças, mas não defendem o uso de uma linguagem catastrófica:

ROBINSON MEYER. Are We as Doomed as That New York Magazine Article Says? Why it’s so hard to talk about the worst problem in the world, JUL 10, 2017 
Eric Holthaus. Stop scaring people about climate change. It doesn’t work. Jul 10, 2017
Michael E. Mann, Susan Joy Hassol and Tom Toles. Doomsday scenarios are as harmful as climate change denial, 12/07/2017
Michael Le Page. Uninhabitable Earth? In fact, it’s really hard to fry the planet. A controversial article says we’re heading for the worst-case warming scenarios. But while we can’t rule out extreme warming, it’s not our most likely future, 12 July 2017
JOHN TIMMER Climate scientists push back against catastrophic scenarios. In both the popular and academic press, scientists argue against worst cases. 12/07/2017
Ian Johnston. Climate change doomsday warning of ‘rolling death smog’ and ‘perpetual war’ criticised by scientists, Independent, 13/07/2017
David Roberts. magazine climate story freak you out? Good. It’s okay to talk about how scary climate change is. Really, 11/07/2017
Judith Curry. Alarm about alarmism, July 15, 2017

Artigos contra o tom catastrófico e que acreditam que ainda há esperança:

EMILY ATKIN. The Power and Peril of “Climate Disaster Porn”. Climate scientists say New York magazine’s cover story about global warming is unnecessarily apocalyptic. But can fear help the planet? July 10, 2017
Warner Todd Huston. NY Magazine Claims Planet Earth Will Soon Become Uninhabitable, Turns Into Giant Mess, 11/07/2017
Rachel Becker. Why scare tactics won’t stop climate change. Doomsday scenarios don’t inspire action, 11/07/2017
Oren Cass. Truth Is Just a Detail. Pundits invested in climate-change alarmism praise even shoddy work—as long as it comes to the right conclusions. July 11, 2017
ANDREW FREEDMAN. No, New York Mag: Climate change won’t make the Earth uninhabitable by 2100, 11/07/2017
Climatefeedback. Scientists explain what New York Magazine article on “The Uninhabitable Earth” gets wrong, 12/07/2017
Mark Tercek. Don’t Panic, Do Act: A Climate Resource With Real Solutions, 14/07/2017

Entrevista com David Wallace-Wells sobre o artigo “The Uninhabitable Earth”

REBECCA FISHBEIN Are Humans Doomed? A Q&A With The Author Of NY Mag’s Terrifying Climate Change Story`, 10/07/2017
Wikipedia. The Uninhabitable Earth, 11/07/2017

Referências:

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth. Famine, economic collapse, a sun that cooks us: What climate change could wreak — sooner than you think. NYMag, 09/07/2017
Versão revisada e comentada do artigo pelo próprio autor: David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth, Annotated Edition. The facts, research, and science behind the climate-change article that explored our planet’s worst-case scenarios, 14/07/2017

(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/569801-catastrofe-climatica-a-terra-inospita-e-inabitavel)

incendio

O governo federal vem alertando para o alto risco de queimadas e incêndios florestais neste período do ano, com pico neste mês de setembro. Devido a uma estiagem prolongada provocada pelo El Niño nos últimos dois anos, as áreas ficaram mais suscetíveis aos incêndios, que causam prejuízos à fauna e à flora brasileiras, além de danos à saúde do homem.

Entretanto, “mais de 90% dos incêndios têm ação humana”, destaca o chefe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Gabriel Zacharias. “Temos o caso do produtor que vai fazer uma queimada no fundo o quintal e perde o controle do fogo, provocando um incêndio gigantesco. E existem os incêndios dolosos, em áreas de conflito ou em florestas sendo transformadas em pasto.”

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2016 houve um aumento de 65% nos focos de queimadas e incêndios florestais em relação ao mesmo período do ano passado. Até o dia 5 de agosto, foram registrados mais de 53 mil focos.

Fiscalização

O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), está fiscalizando as queimadas criminosas e orientando os produtores rurais nas melhores práticas de preparo da terra.

“Contratamos brigadas e estamos mantendo a situação sob controle. O nível de queimadas não aumentou como previsto para este mês”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

“Para o ano que vem, faremos com mais calma a prevenção. Já sabemos os meses e as áreas mais propícias a queimadas. Então, tenho certeza que com essas ações vamos diminuir bastante o número de queimadas”, ressaltou o ministro, que no início de agosto lançou em cadeia nacional a campanha Fogo no mato, prejuízo de fato.

Segundo o Prevfogo, neste ano foram contratados 834 brigadistas, que estão atuando em 50 brigadas distribuídas por 18 Estados, sobretudo na região Noroeste do Brasil, fronteira do Cerrado com a Amazônia, no chamado arco do desmatamento. Os brigadistas recebem capacitação, assistência técnica, equipamentos de combate e proteção individual e veículos 4×4.

Em 2016, houve um aumento de 65% nos focos de queimadas e incêndios florestais em relação ao mesmo período do ano passado

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente

pm_autua_infratores_por_danos_ambientais_em_santa_rita_do_ibitipoca

A Polícia Militar de Meio Ambiente suspendeu ações predatórias em Santa Rita do Ibitipoca e fez autuações por devastação e queimada em área de preservação. A Operação “Mata Atlântica” foi realizada de quinta-feira (11) a sábado (13).
No povoado do Azeite, uma pessoa foi autuada em R$ 18.111,59 por intervir em área de preservação permanente.
Na localidade de Casa Branca, foi feita uma autuação de R$ 996,88 por queimada em área de preservação próximo a um curso d’água.
Em Paraíso Garcia, a polícia flagrou uma área de aproximadamente três campos de futebol onde foi suprimida toda a vegetação nativa com uso de um trator agrícola. Foi lavrada multa de R$ 1.495,32.
No município de Santa Rita do Ibitipoca, uma área de 280 metros quadrados também foi devastada, conforme informou a polícia. Os infratores foram notificados.

meio

Um projeto de lei que o governo promete enviar ao Congresso até o fim deste mês vai definir prazos para a emissão, ou rejeição, de licenças ambientais pelo Ibama. Segundo minuta debatida entre o Ministério do Meio Ambiente e a Casa Civil, haverá um prazo de até dez meses para o órgão ambiental avaliar um pedido de licença prévia em obras de grande magnitude — a primeira e, portanto, a mais crítica. Também haverá prazo de oito meses para a licença de instalação — que permite o início das obras —, e de seis meses para a licença de operação — que autoriza o funcionamento do empreendimento. Hoje, como não existem períodos estabelecidos para a conclusão de cada fase, isso pode levar vários anos. A ideia é dar mais segurança jurídica aos investidores, sem prejuízo à proteção ambiental, disse à Agência O Globo o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

“Vamos desburocratizar o licenciamento para deixar claro que não é a questão ambiental que trava os projetos. Queremos uma lei moderna, que não abra mão dos cuidados ambientais, mas que, ao mesmo tempo, possa contornar determinadas inconsistências na atual legislação”, disse ele, lembrando que, muitas vezes, as análises atrasam por deficiências dos empreendedores.
Segundo a presidente do Ibama, Suely Araújo, com uma nova forma de lidar com os órgãos envolvidos em uma licença — como Funai, quando há impacto em reservas indígenas, ou Iphan, quando afeta patrimônio histórico —, é possível acelerar as licenças, mantendo o rigor da avaliação. Esse rigor tem sido mais forte por parte do Ibama, que, nos últimos dias, rejeitou a licença prévia para instalação de uma megausina hidrelétrica no rio Tapajós, no Pará.

“Vai ter prazo para todo mundo nos empreendimentos de significativo impacto, que também ficarão melhor caracterizados” , explicou Suely.
Historicamente, o Ibama tem apresentado longos prazos para definir licenças de grandes obras. O pedido de licença da hidrelétrica de Tijuco Alto, entre São Paulo e Paraná, foi apresentado em 2006, sem nenhuma definição até hoje. A licença da hidrelétrica de Teles Pires (MT) foi pedida em 2008, e a operação só começou em 2014.
O projeto de mineração S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás, no Pará, teve seu pedido inicial feito em 2006 e ganhou a licença de instalação em 2013. A licença de operação foi pedida pela Vale em março, mas ainda não saiu — prazo que venceria em setembro pela nova regra. Para o engenheiro florestal Tasso Azevedo, do Observatório do Clima, é positivo que haja um tempo determinado para ser cobrado, mas não uma data limite para a concessão da licença.
“Com obras grandes, é preciso tomar cuidado. Não tem problema ter prazo, desde que não vire decurso de prazo. Não dá para ter decurso de prazo em licenciamento. Seria a mesma coisa de a Justiça inocentar um criminoso depois de certo tempo, mesmo que ele não fosse julgado. Mas é importante ter prazos, para você poder cobrar”, avaliou.

Projeto vai unificar normas hoje dispersas
Além de dar prazos, o novo projeto vai trazer importantes inovações. Uma delas é a diferenciação das licenças por região. Uma obra na Amazônia terá um cuidado diferente de uma obra na grande São Paulo, exemplificou o ministro. Hoje, se idênticas, as duas obras seguem exatamente o mesmo rito, com idênticas burocracias e exigências. A lei também vai criar a “avaliação ambiental estratégica”, em que será considerado o conjunto de obras em um mesmo ecossistema no licenciamento.
Outra novidade do texto será incorporar, numa só lei, normas e resoluções com menos força normativa e que hoje estão dispersas. Essa é uma das críticas recorrentes da iniciativa privada. Segundo documento oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib) apresentado ao governo Temer, “atualmente, o licenciamento ambiental é regido por normas dispersas, muitas infralegais, expedidas, na sua maioria, pelos diversos órgãos ambientais, o que dificulta uma visão sistêmica do processo de licenciamento ambiental, pois o mesmo varia de região para região”. Entre outras propostas, a Abdib sugere a consolidação dessas normas.

Na visão de Suely, o fortalecimento da lei e a sua consolidação vão enfraquecer o número de ações judiciais que questionam os empreendimentos e, esporadicamente, interrompem as obras. Projetos gigantes como as usinas hidrelétricas da Amazônia têm tido as licenças do Ibama contestadas pelo Ministério Público Federal com frequência. Os empreendimentos licenciados pelo governo federal — e que, portanto, são potencialmente causadores de “substantivo impacto ambiental” — continuarão tendo de apresentar o Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Mas o texto que está sendo elaborado pelo governo pretende esclarecer o que o Ibama entende como sendo um substantivo impacto ambiental.
“Há inúmeras obras paradas por causa da legislação atual. O que se quer não é suprimir obrigações, mas que as licenças sejam mais rápidas”, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que esteve com Sarney nos últimos dias para discutir o tema.
O governo vem sinalizando também com um critério mais rígido de concessão de contrapartidas sociais. No governo do PT, a tônica foi de que grandes obras financiariam o desenvolvimento de áreas menos favorecidas. Em Belo Monte, as compensações chegaram a 12,3% do valor total da obra, o que não livrou a usina de críticas e discussões judiciais.

Fonte http://www.portaldoagronegocio.com.br/noticia/governo-quer-fixar-prazo-de-ate-dez-meses-para-orgaos-aprovarem-licenciamentos-148528

Chief Arnaldo Kaba Munduruku and Ademir Kaba Munduruku, Indigenous People from the Tapajos Basin in the Amazon rainforest, have come to Siemens UK’s headquarters in Surrey to demand a meeting with their senior management. 
Siemens has been a key player in the last four megadams built in the Brazilian Amazon, and is one of just a handful of companies that can supply turbines for large-scale hydroelectric projects.
The Munduruku delegation, General Chief Arnaldo Kaba Munduruku and his senior advisor Ademir Kaba Munduruku, have travelled all the way from the Tapajos Valley deep in the heart of the Amazon Rainforest to ask Siemens to publically state that they will not participate in plans to build new dams on their ancestral lands.

Duas lideranças do povo indígena Munduruku participaram, junto com ativistas do Greenpeace, de um protesto na frente do escritório da Siemens no Reino Unido, nesta quinta-feira, 11 de agosto. O cacique-geral Arnaldo Kaba Munduruku viajou, acompanhado de Ademir Kaba Munduruku, desde o rio Tapajós até a Inglaterra para pedir que a empresa não se envolva na construção de hidrelétricas que ameaçam a maior floresta tropical do mundo.

A Siemens já cometeu esse erro antes. Esteve envolvida com a construção das últimas quatro grandes hidrelétricas na Amazônia brasileira. Após o protesto, os Munduruku foram recebidos por executivos do grupo e mostraram imagens da devastação causada por Belo Monte, no rio Xingu, que teve a participação da empresa. Os Munduruku também convidaram os executivos a visitar sua terra ancestral, às margens do Rio Tapajós, com o objetivo de verem com os próprios olhos o que está sendo posto em risco por esses grandes projetos.

“O Tapajós é o nosso supermercado, nossa igreja, nosso escritório, nossa escola, nossa casa, nossa vida. Há muitos anos estamos lutando para protegê-lo e não vamos desistir. Mas não é apenas a nossa casa que está sob ameaça. Muitas árvores, animais e peixes serão exterminados se o rio for barrado e a floresta inundada”, disse Arnaldo Kaba Munduruku, cacique-geral do povo.

Na semana passada, o projeto de São Luiz do Tapajós, a maior de um complexo formado por cinco hidrelétricas, foi cancelado devido aos impactos ambientais e sociais. A barragem alagaria parte das terras Munduruku e devastaria mais de 2 mil quilômetros de floresta Amazônica, colocando em risco a cultura e o modo de vida desse povo. Outras usinas, no entanto, estão sendo planejadas. Só na bacia do Tapajós, um dos grandes focos de biodiversidade da Amazônia, onde novas espécies estão sendo descobertas até hoje, seriam 42 barragens.

Na reunião, executivos da Siemens concordaram em marcar uma reunião entre os Munduruku, o Greenpeace e o CEO da empresa para o Reino Unido, Juergen Maier. “As lideranças Munduruku viajaram por cinco dias para vir a Londres. É uma vergonha que o CEO da Siemens tenha enviado executivos em seu lugar para recebê-los. A empresa ouviu em primeira mão sobre a destruição causada pelas barragens na Amazônia. Agora, tem de tomar uma decisão sobre se quer continuar a fazer parte do problema ou tornar-se parte da solução. A Siemens é líder em energia renovável e tem capacidade de ajudar o Brasil a aumentar sua matriz energética sem destruir a floresta amazônica. Ela deve estar pronta para um compromisso claro na próxima reunião”, disse Sara Ayech, do Greenpeace Reino Unido.

Mais de 1 milhão de pessoas ao redor do mundo apoiam a luta contra a construção de barragens no rio Tapajós. Ontem, 48 celebridades europeias, como o cantor Paul McCartney, se somaram a essa luta, divulgando uma carta em solidariedade ao povo Munduruku.