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São Paulo – A Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, divulgou neste mês sua tradicional lista The Global 100, que contempla as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.

O levantamento foi criado em 2005 e é anunciado, anualmente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A publicação seleciona empresas de todos os setores com base indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos, capacidade de inovação, pagamentos de impostos, a relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO, planos de previdência corporativos e o percentual de mulheres na gestão.

Nesta nova edição, pesos diferentes foram dados para os indicadores dependendo da área de atuação da empresa. Por exemplo, o indicador energia teve um peso maior na avaliação de uma empresa do setor energético, de forma a mensurar o impacto da companhia na sua área de atuação.

Outro ponto novo que passou a ser considerado na análise é o percentual de novos investimentos que as empresas estão alocando em projetos sustentáveis, como investimento em fontes menos poluentes e o desenvolvimento de produtos mais verdes.

Cinco companhias brasileiras integram a nova edição do ranking, um aumento em relação ao ano passado quando apenas duas figuravam no levantamento: a Natura, que ocupa a 14ª posição, a Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (em 18º); Banco do Brasil (49º); Engie Brasil Energia (52º) e Banco Santander Brasil (76º).

A publicação observa com entusiasmo o progresso das empresas na seara ambiental. “O ritmo das mudanças está acelerando a favor de um futuro com baixo teor de carbono”, avalia.

Líderes de  2018

A Dassault Systèmes, empresa francesa de software é a líder do ranking, vindo da 11ª posição no ano passado. Segundo a publicação, suas tecnologias digitais têm ajudado as empresas e os governos na adoção de energias renováveis, novas formas de mobilidade sustentável e na criação de cidades mais inteligentes.

Seguindo de perto, a empresa Neste Oil da Finlândia, especializada em refinação e comercialização de petróleo, começou a direcionar mais de 90% de seus novos investimentos em materiais renováveis e biocombustíveis. A publicação destaca que quase um quarto das receitas da empresa atualmente é derivado da “receita verde”.

Em terceiro lugar, outra francesa, a fabricante de peças automotivas Valeo está determinada em ajudar as montadoras a reduzir as emissões de carbono. Confira abaixo o ranking completo das 100 empresas mais sustentáveis segundo a Corporate Knights.

Ranking Empresa País Área/Indústria Desempenho
1 Dassault Systemes França Software 86,10%
2 Neste Finlândia Petróleo, Gás e Combustíveis 85,20%
3 Valeo França Componentes e sistemas automotivos 83,60%
4 Ucb Bélgica Farmacêutica 79,50%
5 Oututec Finlândia Construção e Engenharia 78,30%
6 Amundi França Mercado de Capitais 77,80%
7 Cisco Systems Estados Unidos Equipamentos de comunicação 77,00%
8 Autodesk Estados Unidos Software 76,90%
9 Siemens Alemanha Conglomerados industriais 76,70%
10 Samsung SDI Coreia do Sul Equipamentos eletrônicos 75,80%
11 Aereal Bank Alemanha Hipotecas e poupança 75,40%
12 Enbridge Canada Petróleo, Gás e Combustíveis 74,90%
13 Merck Estados Unidos Farmacêutica 74,30%
14 Natura Brasil Produtos de uso pessoal 74,10%
15 Pearson Reino Unido Mídia 73,90%
16 Amadeus IT Group Espanha Serviços de TI 73,20%
17 Bayerische Motoren Werke Alemanha Automóveis 73,20%
18 Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG Brasil Utilidades Elétricas 73,00%
19 Koninklijke Philips Holanda Conglomerados industriais 72,50%
20 Allergan Estados Unidos Farmacêutica 72,20%
21 Honda Motor CO Japão Automóveis 71,90%
22 Sanofi AS França Farmacêutica 71,90%
23 McCormick Estados Unidos Produtos alimentícios 71,50%
24 Commonwealth Bank of Australia Austrália Bancos 71,50%
25 Vivendi França Mídia 71,10%
26 Intel Estados Unidos Equipamentos e semicondutores 71,10%
27 Itron Estados Unidos Equipamentos elétricos e componentes 71,10%
28 Telefonaktiebolaget LM Ericsson Suécia Equipamentos de comunicação 70,80%
29 Halma Reino Unido Equipamentos, instrumentos e componentes 70,70%
30 Deutsche Borse Alemanha Mercado de Capitais 70,60%
31 Kesko Finlândia Varejo de alimento 70,20%
32 Television Francaise 1 França Mídia 69,90%
33 bioMerieux França Equipamentos de saúde 69,80%
34 AstraZeneca Reino Unido Farmacêutica 69,70%
35 Nokia Finlândia Equipamentos de comunicação 69,60%
36 BNP Paribas França Bancos 69,40%
37 Eli Lily Estados Unidos Farmacêutica 69,30%
38 Storebrand Noruega Seguros 68,80%
39 ABB Suíça Equipamentos elétricos 68,10%
40 Svenska Cellulosa Aktiebolaget * Suécia Produtos de uso doméstico 68,00%
41 Intesa Sanpaolo Itália Bancos 68,00%
42 Analog Devices Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,60%
43 Applied Materials Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,40%
44 Takeda Farmacêutica Japão Farmacêutica 67,40%
45 Schneider Electric França Equipamentos elétricos 67,00%
46 Shinhan Financial Group Coreia do Sul Bancos 67%
47 Kering França Têxtil e luxo 66,80%
48 Ingersoll-Rand Estados Unidos Maquinaria 66,70%
49 Banco do Brasil Brasil Bancos 66,60%
50 Nestle Suíça Produtos alimentícios 66,60%
51 Legrand França Equipamentos elétricos 66,50%
52 Engie Brasil Energia Brasil Produção de energia 66,40%
53 GlaxoSmithKline Reino Unido Farmacêutica 66,30%
54 ING Groep Holanda Bancos 65,90%
55 Sekisui Chemical Japão Bens de consumo domésticos 65,60%
56 Acciona Espanha Utilidades Elétricas 65,60%
57 H & M Hennes & Mauritz Suécia Varejo especial 65,10%
58 Aberdeen Asset Management Reino Unido Mercado de Capitais 64,50%
59 NVIDIA Estados Unidos Equipamentos semicondutores 64,40%
60 Daimler Alemanha Automóveis 64,20%
61 Diageo Reino Unido Bebidas 64,20%
62 BT Group Reino Unido Serviços de Telecomunicações 64,00%
63 Singapore Telecommunications Limited Singapura Serviços de Telecomunicações 61,70%
64 Novartis Suíça Farmacêutica 63,70%
65 Sandvik Suécia Maquinaria 63,40%
66 Chr. Hansen Dinamarca Química 63,30%
67 Coca-Cola European Partners Reino Unido Bebidas 63,20%
68 Nissan Motor Co Japão Automóveis 63,10%
69 Texas Instruments Estados Unidos Equipamentos semicondutores 63,00%
70 Orsted Dinamarca Utilidades Elétricas 63,00%
71 Allianz Alemanha Seguros 62,70%
72 Lenovo Group China Tecnologia 62,60%
73 Telus Canadá Serviços de Telecomunicações 62,50%
74 Taiwan Semiconductor Manufacturing Taiwan Equipamentos semicondutores 62,30%
75 MetLife Estados Unidos Seguros 62,00%
76 Banco Santander Brasil Brasil Bancos 61,90%
77 HP Estados Unidos Tecnologia 61,80%
78 Sun Life Financial Canadá Seguros 61,50%
79 Hewlett Packard Enterprise Estados Unidos Tecnologia 61,50%
80 National Australia Bank Australia Bancos 61,30%
81 General Electric Estados Unidos Conglomerados industriais 60,90%
82 Verbund Austria Utilidades Elétricas 60,90%
83 Akzo Nobel Holanda Química 60,70%
84 L´Óreal França Produtos de uso pessoal 60,70%
85 AXA França Seguros 60,60%
86 Nordea Bank Suécia Bancos 60,50%
87 Orkla Noruega Produtos alimentícios 60,40%
88 Wartsila Finlândia Maquinaria 60,10%
89 Canadian Imperial Bank of Commerce Canadá Bancos 60,00%
90 Renault França Automóveis 59,70%
91 Syngenta Suíça Química 59,70%
92 Johnson & Johnson Estados Unidos Farmacêutica 59,60%
93 Posco Coreia do Sul Metais e Mineração 59,50%
94 Suez França Multiutilidades 59,30%
95 Umicore Bélgica Química 59,20%
96 Vestas Wind Systems Bélgica Equipamentos elétricos 58,30%
97 SSE Reino Unido Utilidades Elétricas 56,80%
98 Capital Land Singapura Gestão Imobiliária e Incorporação 55,10%
99 Derwent London Reino Unido Sociedades de Investimento Imobiliário 54,30%
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* A Svenska Cellulosa Aktiebolaget foi dividida em duas novas empresas em 15 de junho de 2017, denominadas SCA e Essity.

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Sob protesto dos moradores, iniciou-se o processo de construção de novo hospital que será erguido aos pés da Serra do Curral, no Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com ajuda favorável à concessão de licenciamento ambiental do empreendimento, durante sessão do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam). Para quem vive no bairro, a ampliação do imóvel, construído em área de conservação, é, além de agressão à natureza, uma ameaça às características do lugar e à visibilidade de um dos cartões-postais da capital.
“Não somos contra nada, pedimos apenas que se faça o certo, para não se arrepender depois. O projeto é complexo e o empreendimento, de grande porte. Esta não é área adequada”, afirma o presidente da Associação de Moradores do Mangabeiras, Alberto Dávila. “O ideal é que esse empreendimento seja negado, pois se trata de uma região de preservação ambiental, que atinge toda a cidade, não só o Mangabeiras. Vamos seguir a lei. Depende agora de 11 conselheiros”, completou.

O grupo Oncomed, que arrematou o prédio em 2009, pretende ampliar a área construída de 22,9 mil metros quadrados, chegando a 39 mil metros quadrados. Os moradores do bairro estão apreensivos com a possibilidade de uma mudança no aspecto visual do patrimônio, tombado desde 1960, e de sérios impactos à região, a começar pelo trânsito.

PENDÊNCIAS O assessor e consultor jurídico do Movimento das Associações de Moradores de Belo Horizonte (MAMBH), Wilson Campos, questionou como o Comam pode dar parecer favorável a um projeto que tem pendências legais – um dos argumentos de Homero Brasil é que, até o momento, não há qualquer decisão da Justiça que impeça o licenciamento ambiental. “A questão está sub judice. O local é inadequado para um empreendimento desse porte. Os moradores do Mangabeiras não são contra hospitais, desde que instalados em lugar apropriado”, disse.

O advogado se referia à ação movida pela associação de moradores e a outra do Ministério Público Estadual (MPE). Em abril, a promotoria enviou ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente informando sobre a ação civil pública para suspender o processo de licenciamento, por considerar que o empreendedor quebrou as cláusulas previstas para a cessão do terreno ao Hilton Rocha. No parecer do MPE, por ser um local protegido pelo patrimônio e área residencial, não pode ter hospital como destinação, como previsto há décadas. Em 1976, a então Companhia Urbanizadora Serra do Curral, empresa pública e vendedora, fez constar na escritura de venda dos lotes ao oftalmologista Hilton Rocha que no local só poderia funcionar um centro oftalmológico e um centro de pesquisa e assistência oftalmológica, sob pena de devolução ao estado.

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“Desde 1960, quando se começou a falar em sustentabilidade, passamos por dois momentos de transição e agora estamos vivendo o terceiro, que é justamente a passagem de iniciativas pontuais e desarticuladas para uma visão holística e que integra todos os pilares.” A explicação de Mariana Nicolletti, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade, GVCes, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e define o momento atual, em que pequenas e médias empresas integram criatividade, trabalho autoral e a procura pela sustentabilidade em toda a cadeia de produção.
Ao mesmo tempo, é um mercado com espaço para crescer. “O trabalho artesanal e sustentável vem como um resgate cultural em contraponto à globalização. E isso tem ligação direta com o consumo consciente, pois queremos saber a origem do que compramos e como foi feito”, afirma a consultora do Sebrae Dòrli Terezinha Martins. “Hoje nós temos indicadores de que 5% dos consumidores pagam até 15% a mais pelo produto quando percebem a responsabilidade socioambiental da empresa.”
Além do óbvio pilar ambiental, em que é preciso não gerar ou reduzir impacto e ainda manter o equilíbrio dos ecossistemas, mais dois pontos integram o conceito de sustentabilidade: o social e o econômico.
O eixo social abrange desde práticas que não ferem a legislação trabalhista até o fortalecimento da produção local, apoiando comunidades. “É a responsabilidade para com todos os grupos que serão direta ou indiretamente impactados com a atividade empresarial”, diz Mariana.” O aspecto econômico passa pelo conceito de valor compartilhado.”
Joias. A designer de produto Lie Manuela Martuscello atuou na grande indústria desenhando carros, geladeiras e fogões por cinco anos. A inquietação para fazer um trabalho autoral e que também não fosse descartado a encaminhou para o universo das joias personalizadas. “Eu queria trabalhar com algum produto que não virasse lixo. Porque uma geladeira depois de dez anos vira sucata. E a joia é um produto sustentável, você nunca vai descartá-la.”
Especializada em anéis de noivado e alianças, mas também com uma coleção própria de outras peças, Lie demora, em média, 30 dias para fazer uma joia, desde a encomenda até a entrega. Com apenas mais uma pessoa na equipe e um ourives parceiro, a designer faz cerca de 20 peças ao mês.
Lie também preza pela cadeia de fornecedores e conta com a ajuda de seu ourives para encontrar as melhores matérias-primas com boa procedência. “O perfil do meu cliente tem essa consciência e valoriza a produção autoral e local.”
Chocolate. Um casal de agrônomos decidiu aliar o conhecimento a um “ideal de vida”, como define Cesar Frizzo, criador da marca Raros Fazedores de Chocolate. Há três anos, Frizzo e a mulher, Vanessa Rizzi, aliaram o conhecimento adquirido pelo mestrado dele em agricultura orgânica e o doutorado dela em diversidade genética e se dedicam a fazer chocolate artesanal e sustentável, composto apenas por cacau e açúcar orgânico.
“Conhecemos todos os nossos fornecedores pessoalmente. Por sermos agrônomos, temos facilidade de acessar os produtores. E não tem cabimento pensar em um cacau bom, sem agrotóxico, mas que carrega um lado social péssimo. Nosso cliente exige isso. Das perguntas que recebemos no SAC, 20% são relacionadas à questão ambiental e 80% sobre às condições de trabalho do fornecedor de cacau”, conta Frizzo.
A Raros produz cerca de 25 a 30 quilos de chocolate por semana, com aumento significativo em datas especiais como Páscoa, Dia dos Namorados e Natal. Da torra da amêndoa de cacau até a barra de chocolate são em torno de três dias e meio de trabalho. Muitas barras não são vendidas em seguida, passando por um processo de maturação que pode levar dias ou meses.
“Aceitamos a sazonalidade do cacau e as mudanças impostas pela natureza. Ficamos por um ano sem chocolate da Bahia, porque o Estado passou por uma seca muito severa. Entendemos que desastres naturais acontecem”, diz Frizzo.
Os criadores da marca ainda prezam pela cadeia curta de transporte na hora da venda, tendo o e-commerce e as feiras de produtores como as principais formas de vender.

Márcia. ‘Os sabonetes são embalados em celofane biodegradável e papel reciclável’. Foto: Amanda Perobelli / Estadão

Beleza. Em 2016, Marcia Sonohara Tomasini fundou a Manacá Natural, empresa de cosméticos naturais, que utiliza como matéria-prima óleos e extratos de plantas. Antes de fundar a empresa, Marcia trabalhava como designer gráfica no segmento de encadernação e papelaria.
“Existem fornecedores de confiança dentro do universo dos cosméticos naturais. Eu me preocupo com a embalagem também. Os sabonetes são embalados em celofane biodegradável e papel reciclável. Os xampus e condicionadores em barra facilitam a não se usar plástico como embalagem. Como produzo de forma artesanal, não consigo comprar embalagens sustentáveis de determinados fornecedores, que vendem em grande escala.”
As propriedades dos extratos naturais são o que conferem funções hidratantes ou mesmo produtos que combatem a oleosidade de cabelos, por exemplo.

As feiras temáticas que reúnem pequenos empresários são grandes aliadas no fomento e na disseminação do consumo consciente. Em um mesmo espaço, produtores e clientes trocam experiências e tiram dúvidas, explicando e conhecendo todas as etapas do processo, fornecedores e demais envolvidos na cadeia de produção.
Inicialmente como uma iniciativa para reunir atrações culturais gratuitas em espaços abertos na capital paulista, o projeto Jardim Secreto adicionou o “fair” ao nome em 2014 e hoje é uma das feiras mais movimentadas da cidade. Criada pela designer gráfico Claudia Kievel e pela estilista Gladys Tchoport, a Jardim Secreto Fair reúne de seis a oito mil pessoas em um único dia, dependendo do espaço em que é realizada. O mesmo ocorre com o número de expositores, que chega a 200.
“Crescemos muito rápido. Começamos com 15 expositores em um quintal e hoje estamos na praça Dom Orione, no Bexiga. Agora também fazemos a Feira Orgânica junto à Jardim Secreto”, conta Claudia.
O Mercado Manual também faz parte das opções de feiras de São Paulo. Geralmente realizada no Museu da Casa Brasileira, a primeira edição ocorreu no fim de 2015. Mas também já foi realizada em outros espaços, como o Shopping Morumbi.
“Isso foi importante, porque atingimos um público diferente e tiramos a temática de um nicho, expandindo os conceitos de consumo consciente e explicando sobre a cadeia produtiva e sobre o ciclo de vida do produto”, diz Patricia Toledo, uma das organizadoras da feira.
Ricardo Barini, fundou a Barini Design há quatro anos. Formado em design de interiores, cria luminárias, cabideiros e outros tipos de mobiliários a partir da coleta que faz nos arredores do sítio da família, onde fica seu ateliê. “O formato do que eu coleto é o que me diz o que aquilo vai se tornar. É um garimpo.”
A principal plataforma de venda de Ricardo são as feiras. “O trabalho é bem mais visto pessoalmente, porque ele tem um impacto na mão, o toque é essencial quando falamos de madeira”, afirma. O designer ainda ressalta que “é o consumidor que nos diz o que funciona e o que não funciona e aceitação de preço, por exemplo”.

In loco. Ex-modelo visita comunidades que produzem peças, como os índias da etnia wai wai. Crédito: Campos Photografy / Ecoera

Plataforma. O portal ECOERA surgiu do movimento e prêmio de mesmo nome criado pela ex-modelo Chiara Gadaleta. Ele acredita que a moda pode ser um “retrato fiel do tempo”. Com 25 aos de atuação no mercado, a inquietação da modelo teve início em 2008. “Comecei a questionar a mão de obra, o uso de material, o descarte têxtil. Pensei: minha plataforma não me representa mais”, conta.
Para criar uma nova maneira de se conectar com o mercado da moda, Chiara estudou e foi a campo. Passou dois anos visitando pequenas comunidades que produziam peças e artesanato. O resultado é o portal ECOERA, lançado em novembro do ano passado e que reúne marcas de produtos e serviços especificados de acordo com nove selos: orgânico, produção local, projeto social, artesanal, empresa consciente, reúso, vegano, reciclado e verde, relacionado diretamente ao impacto ambiental.
“Somos um hub de consumo consciente e não um market place”, ressalta Chiara. O ECOERA recebe comissão de 20% sobre as vendas e atualmente tem 185 empresas cadastradas.

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Aguarda votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o projeto de lei do Senado (PLS) que obriga as pessoas jurídicas de direito privado a prestarem contas à sociedade sobre planos e medidas concretas em prol do meio ambiente e de adaptação às mudanças climáticas.

De autoria do ex-senador Marcelo Crivella, atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, o PLS 94/2008 dispõe que essa prestação de contas se dará por meio da elaboração e publicação de protocolos de intenções “sobre a adoção de medidas, no respectivo âmbito de atuação, para preservação e recuperação do meio ambiente, mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas”.

De acordo com o Código Civil, as pessoas jurídicas de direito privado são as associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada. Elas terão prazo de 12 meses após a publicação da lei para adaptação e cumprimento efetivo da norma.

O descumprimento dessa obrigação será considerado infração administrativa, conforme a Lei 9.605/1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Essas sanções podem ser advertência e multa simples ou diária, suspensão de venda e fabricação do produto, embargo de obra ou atividade, demolição de obra, suspensão parcial ou total de atividades e restritiva de direitos.

O autor afirma na justificação que o objetivo de seu projeto é que esteja disponível “informação de qualidade a todos os brasileiros sobre o que será feito para preservar nosso meio ambiente, bem como dar ao comando constitucional a respeito maior poder de coerção”.

“A sociedade tem o direito de fiscalizar, a fim de preservar as condições de vida no planeta” afirma Crivella na justificativa.

Ele cita como influência de sua proposta a própria Constituição, que em seu art. 225 diz que um meio ambiente ecologicamente equilibrado é um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Crivella registra ainda como inspiração o Relatório Brundtland, de 1987, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU. Esse documento, segundo o autor do projeto, reafirma “uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento”, além de ressaltar os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade dos ecossistemas.

Ou seja, resume o autor, o relatório mostra a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumo vigentes. Informa também que o Relatório Brundtland foi adotado pela Declaração do Rio de Janeiro, fruto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio92.

O texto que será votado é o do relator do projeto na CCJ, senador Jorge Viana (PT-AC), que apresentou voto favorável, mas com duas emendas. Ele retirou do texto original a obrigação também para órgãos da administração pública, por entender que a Lei de Acesso à Informação já obriga esses órgãos a fornecer qualquer tipo de informação ao cidadão, menos as sigilosas.

O PLS tem como objetivo central, segundo o relator, “assegurar o acesso dos cidadãos a informações qualificadas e atualizadas referentes à preservação, proteção e defesa do meio ambiente que lhes assegure participação efetiva no processo de tomada de decisão relacionado às atividades que possuam impacto ambiental”.

Jorge Viana acrescenta que “a recente tragédia de Mariana – maior desastre ambiental do Brasil – bem demonstra quão nefastas podem ser as consequências da inexistência de controle efetivo do estado e da sociedade sobre as atividades com repercussão no meio ambiente”.

Após passar pela CCJ, o PLS 94/2008 será votado em decisão terminativa pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Copenhagen, Dinamarca – Uma empresa de biotecnologia dinamarquesa está tentando combater as mudanças climáticas a cada lavagem de roupas. Sua arma secreta: cogumelos de uma floresta adormecida perto de Copenhagen.

Na busca por um sabão mais ecológico, dois cientistas da empresa Novozymes atravessam regulamente a lama, buscando cogumelos-ostras que aparecem em troncos caídos e fungos que se alimentam das fibras resistentes de plantas. Eles estão estudando as enzimas desses cogumelos, que aceleram reações químicas ou processos naturais como o apodrecimento.

“Aqui acontece muita coisa, se você souber o que procurar”, explica Mikako Sasa, um dos cientistas da Novozymes.

Seu trabalho está ajudando a companhia a desenvolver enzimas para lavar roupas e detergentes de máquinas de lavar-louças que usam menos água ou que sejam efetivos também em temperaturas mais baixas. A economia de energia pode ser significativa. As máquinas de lavar, por exemplo, representam mais de seis por cento do uso de eletricidade doméstica na União Europeia.

Encontrar enzimas que combatam a sujeira não é uma estratégia nova. Por milhares de anos, os cogumelos e seus primos fungos se desenvolveram como mestres da nutrição em árvores moribundas, galhos caídos e outros. Eles digerem esses materiais difíceis secretando enzimas em seus hospedeiros. Mesmo antes que qualquer um soubesse o que eram as enzimas, elas foram usadas na fabricação de cervejas e de queijos, entre outras atividades.

Em 1833, cientistas franceses isolaram uma enzima pela primeira vez. Conhecida como diástase, transformava amido em açúcares. No início do século XX, um químico alemão comercializou a tecnologia, vendendo um sabão que incluía enzimas extraídas de tripas de vacas.

Ao longo dos anos, a Novozymes e seus rivais desenvolveram um catálogo de enzimas, fornecendo-as a produtores gigantes de bens de consumo, como a Unilever e a Procter & Gamble.

Na pequena sede estilo anos 1960 da empresa, cientistas em aventais de laboratório brancos usam máquinas de lavar em miniatura para testar novas combinações de enzimas em roupas de bonecas. Para avaliar o poder de combater as manchas de um produto, eles importam amostras de sujeira de todo o mundo, como colarinhos engordurados e escurecidos e manchas amareladas na região das axilas.

Detergentes modernos contêm até oito enzimas diferentes. Em 2016, a Novozymes gerou cerca de US$2,2 bilhões de receita e forneceu enzimas para sabões como Tide, Ariel e Seventh Generation.

A quantidade de enzimas necessárias em um sabão é relativamente pequena se comparada com as alternativas químicas, uma qualidade que atrai clientes que procuram ingredientes mais naturais. Um décimo de colher de chá de enzimas em uma carga de máquina típica na Europa corta pela metade a quantidade de sabão feito com substâncias químicas do petróleo ou de óleo de palma.

As enzimas também ajudam a diminuir o consumo de energia. Como são encontradas com frequência em ambientes relativamente frios, como florestas e oceanos, não precisam do calor e da pressão usados em geral em máquinas e outros processos para lavar roupas.

Desse modo, os consumidores podem reduzir a temperatura de suas máquinas de lavar e, ao mesmo tempo, garantir que suas camisas ficarão bem brancas. Diminuir a temperatura do ciclo de lavagem da máquina de 40 graus Celsius para água fria corta o consumo de energia pelo menos pela metade, segundo a Associação Internacional de Sabões, Detergentes e Produtos de Manutenção, um grupo da indústria.

“Acreditamos que existe uma grande variedade de processos naturais que são extremamente eficientes em recursos. Na natureza, praticamente não há desperdício. Todos os materiais são reutilizados”, afirma Gerard Bos, diretor de negócios globais e do programa de biodiversidade da União Internacional para a Conservação da Natureza da Suíça.

Em 2009, cientistas da Novozymes se juntaram aos da Procter & Gamble para desenvolver uma enzima que poderia ser usada em sabões líquidos para lavagens em água fria. Os pesquisadores começaram com uma enzima de bactérias do solo da Turquia e a modificaram por meio de engenharia genética para fazer com que se parecesse mais com uma substância encontrada em algas de mares frios. Quando descobriram a fórmula certa, deram o nome de enzima Everest, uma referência à escala da tarefa realizada.

“Sabíamos que isso seria algo que os consumidores iriam querer. Acho que é uma maneira muito tangível e prática de as pessoas fazerem a diferença em suas vidas diárias”, afirma Phil Souter, diretor associado da unidade de pesquisa e desenvolvimento da Procter & Gamble em Newcastle, na Inglaterra.

Em seguida, eles descobriram uma maneira de produzir a enzima em massa. A Novozymes implantou o DNA do novo produto desenvolvido em um lote de hospedeiros microbianos usados para cultivar volumes grandes de enzimas rapidamente e com custos baixos. As enzimas foram produzidas em grandes tanques controlados.

O resultado: um ingrediente crucial em sabões como o Tide Cold Water.

“Isso é biotecnologia em uma escala muito grande”, explica Jes Bo Tobiassen, gerente de uma fábrica da Novozymes em Kalundborg, pequena cidade na costa da Dinamarca.

Ao pesquisar novas enzimas, a Novozymes está tentando alcançar consumidores em economias que estão crescendo rapidamente, como a China.

Em boa parte do mundo desenvolvido, os hábitos de lavanderia estão bastante enraizados. Os europeus tendem a usar máquinas de carregamento frontal, muito mais eficientes no uso de água e energia do que as de carregamento superior preferidas nos Estados Unidos.

Mas na China, membros da crescente classe média, como Shen Hang, estão comprando máquinas novas e sabões mais caros e de maior qualidade. Os consumidores chineses estão entre os mais frequentes e exigentes do mundo, segundo os pesquisadores da Novozymes, mas ainda estão ajustando seus caminhos na hora de lavar roupas.

Recentemente, Shen comprou uma lavadora-secadora de carregamento frontal. Mas tem encontrado dificuldades para descobrir um sabão que possa limpar suas camisas manchadas de suor.

“Estou cansado”, diz ele sobre as afirmações exageradas dos fabricantes.

Shen usa dois tipos de alvejantes, um para roupas brancas e outro para as coloridas. Se não funcionam, esfrega as manchas com as mãos. Ele repete esse ciclo três vezes por semana.

Percebendo a oportunidade, as equipes comerciais da Novozymes pediram aos cientistas da empresa que criassem enzimas que apresentassem um desempenho melhor nas lavagens cheias de alvejantes dos chineses.

A companhia fez alguns progressos. Uma enzima recém-desenvolvida, chamada Progress Uno, está sendo adicionada aos sabões produzidos pela fabricante chinesa Liby.

Hoje, a maioria dos clientes chineses lava roupas em baixas temperaturas. Mas Peder Holk Nielsen, executivo-chefe da Novozymes, preocupa-se com o fato de que isso possa mudar à medida que a riqueza aumenta na China. Os consumidores fizeram a mesma coisa no Ocidente nas décadas posteriores à Segunda Guerra, diz ele.

Se, no entanto, graças ao desenvolvimento das enzimas, essa transição puder ser evitada, ele afirma que isso seria uma história fenomenal de sustentabilidade. “Vai economizar muita água e energia.”

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R$ 60 por um hectare da Amazônia. Foi o preço acertado pelo Ministro do ½ Ambiente, Sarney Filho, com o Banco Mundial e duas ONGs por 3 milhões de hectares na Amazônia. O acerto foi feito e assinado no dia 19 de dezembro. O Banco Mundial, a ONG brasileira FunBio e a ONG internacional Conservation Internacional (CI) “investirão” no Brasil US$ 60 milhões do Global Environment Facility (GEF) em troca da criação de 3 milhões de hectares de novas Unidades de Conservação na Amazônia nos próximos cinco anos.

O projeto é mesmo conhecido como Triplo A, uma grande armação internacional para criar um corredor de áreas protegidas e soberania relativa na calha norte do Rio Amazonas lingando o Pacífico ao Atlântico. O corredor Triplo A sofreu grande oposição das forças armadas brasileiras e foi rebatizado de “Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia”.

Corredor Triplo A prevê a interligação de áreas protegidas e terras indígenas de desfazendo as fronteiras internacionais

Sarney Filho, o Banco Mundial e as ONGs querem suar os dólares do GEF para melhorar a governança das unidades de conservação na Amazônia brasileira. Segundo o ministério do ½ Ambiente, que coordenará e definirá as ações do projeto, a parceira apoiará o Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e que já transformou mais de 60 milhões de hectares em unidades de conservação na região.

Para quem não sabe, o ARPA é um program antigo os ambientalistas implementado por uma parceria entre o governo brasileiro, o Global Environment Facility (GEF), o Banco Mundial, o KfW (banco de cooperação do governo da Alemanha), a GTZ (agência de cooperação da Alemanha), a ONG internacional WWF, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), e algumas outras ONGs. Desde a criação do programa em 2002 essa turma já despejou US$ 400 milhões na criação, consolidação e manutenção de áreas protegidas na Amazônia.

“Considero o ato de hoje de grande importância. Esses recursos vão ao encontro dessa ideia”, disse o ministro do ½ Ambiente, Sarney Filho, durante a solenidade de assinatura do novo acordo.

O projeto prevê ainda a cooperação internacional entre Brasil, Colômbia e Peru na área de criação de área protegidas. A cooperação entre os ambientalistas dos três países é fundamental para a criação do corredor Triplo A.

“Tenho o prazer de ver como esse projeto foi desenvolvido, no sentido de iniciar a segunda geração de projetos de área protegidas”, disse Martin Raiser, diretor do Banco Mundial para o Brasil. “É o primeiro projeto na região amazônica que tem ligações muito próximas com a Colômbia, o Peru, países que querem se beneficiar das experiências do Brasil e aprender para repetir”, acrescentou Raiser.

A parte operacional do projeto ficará sob responsabilidade do Banco Mundial, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e Conservation Internacional (CI).

Com informações e imagens do MMA e Agência Brasil.

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Apesar da pequena extensão territorial, a Holanda está se tornando uma gigante da agricultura e mostrando ao mundo o que pode ser uma nova tendência. Há quase duas décadas, o país assumiu um compromisso nacional para a agricultura sustentável, com o objetivo de “produzir o dobro da comida usando metade dos recursos”. Desde então, os agricultores holandeses conseguiram reduzir a dependência de água em até 90%. Também conseguiram eliminar praticamente o uso de pesticidas químicos nas plantas cultivadas em estufas. Desde 2009, os produtores de aves e fazendeiros de gado reduziram em 60% o uso de antibióticos nos animais.

Há uma razão clara para isso. A Holanda é um país pequeno e populoso. Além disso, não conta com os recursos naturais necessários para a agricultura em larga escala. Ainda assim, conseguiu se tornar o segundo maior exportador, em valor, de alimentos – atrás apenas dos Estados Unidos, que tem 270 vezes o tamanho do território da Holanda.

Vista do ar, a Holanda não se assemelha a nenhum outro grande produtor de alimentos. Um mosaico fragmentado de campos cultivados, sendo que a maioria é de pequenos produtores, permeia as cidades. Na principal região produtora do país, não há um campo de batatas, estufa ou criação de porcos de onde não se veja um arranha-céu, fábrica ou subúrbio. Mais da metade da área do país é usada para agricultura. O complexo de estufas cobre uma área de 70 hectares. Essas “fazendas climatizadas” permitem que o país produza um fruto cultivado em regiões com clima muito diferente: o tomate. A Holanda também é o maior exportador de batatas e cebolas, e o segundo maior exportador de vegetais, em valor. Mais de um terço do comércio global de sementes tem origem em terras holandesas.

O cérebro por trás desses números, como contou a National Geographic, é a Wageningen University & Research (WUR). Conhecida como uma das melhores instituições de pesquisa em agricultura, a WUR é o ponto mais importante do Vale dos Alimentos, um amplo conjunto de startups de tecnologia agrícola e fazendas de testes. O nome é uma alusão ao Vale do Silício, na Califórnia, sendo que a Wageningen tem o mesmo papel da Universidade de Stanford em unir a academia ao empreendedorismo.

Plantão de tomates em estufas na Holanda: país está na ponta da corrida tecnológica na produção de alimentos (Foto: Reprodução/YouTube)

Ernst van den Ende, diretor do Grupo de Ciências das Plantas da WUR, abraça essa abordagem do Vale dos Alimentos. Autoridade mundial em patologia das plantas, ele diz não ser “somente um reitor”. “Metade do tempo eu gerencio a escola, mas na outra metade olho para nove unidades de negócios separadas envolvidas em contratos comerciais de pesquisa”, afirma o pesquisador. Somente com essa mistura entre ciência ce negócios, diz ele, o país “consegue enfrentar os desafios que tem a seguir”.

E quais são esses desafios? Em uma imagem quase apocalíptica, Ernst van den Ende diz que o planeta precisará produzir “mais comida nas próximas quatro décadas do que todos os agricultores colheram nos últimos 8 mil anos”. A razão é que em 2050, a Terra terá 10 bilhões de habitantes, muito mais do que os 7,5 bilhões que vivem hoje no planeta. “Se não conseguirmos um aumento significativo na produtividade das lavouras, com a redução massiva do uso de água e combustíveis fósseis, um bilhão de pessoas podem passar fome”, avisa o especialista.

A fome, inclusive, pode ser o problema mais urgente do século 21, e os visionários que trabalham no Vale dos Alimentos acreditam que encontraram uma solução inovadora para essa questão. O otimismo vem do resultado de centenas de projetos da WUR em mais de 140 países, e de pactos formais com governos e universidades nos seis continentes para implementar os avanços.

Van den Ende tem muitas ideias sobre a produção de alimentos. Seca na África? “O problema fundamental não é a água, é a má qualidade do solo”, afirma. “A ausência de nutrientes pode ser compensada cultivando plantas que agem em simbiose com certas bactérias para produzir o fertilizante”. E o que fazer com os elevados custos de grãos para alimentar o gado? “Alimente os animais com gafanhotos”, sugere o holandês. Um hectare de terra produz uma tonelada de proteína de soja por ano. A mesma quantidade de terra pode produzir 150 toneladas de proteína de insetos.

Na Holanda, o futuro da agricultura sustentável está sendo moldado não nas grandes corporações, mas em milhares de famílias modestas de fazendeiros. Um exemplo é o da fazenda dos irmãos Ted, Peter, Ronald e Remco Duijvestijn. Em um complexo de estufas de 15 hectares, há pés de tomate com seis metros de altura – plantados não na terra, mas em fibras de basalto e giz. Em 2015, eles foram escolhidos por um júri internacional como os produtores de tomate mais inovadores do mundo.

Desde que reestruturaram a fazenda da família, de 70 anos, em 2004, os irmãos Duijvestijns buscam a independência de recursos. A fazenda produz quase toda a energia que consome, os fertilizantes e até mesmo alguns dos materiais usados na embalagem dos produtos. O ambiente em que as plantas são cultivadas é mantido a uma temperatura ideal para seu crescimento, com o calor gerado a partir de aquíferos geotérmicos.

A irrigação é feita com água coletada da chuva. Cada quilo de tomate precisa de 15 litros de água, comparado a 60 litros necessários para cultivar a mesma quantidade de tomate em campos abertos. As poucas pragas que conseguem se instalar nas estufas são tratadas com Phytoseiulus persimilis, um ácaro que não ataca os tomates, mas acaba com os insetos.

A ponta da frente de inovação na Holanda, porém, está nas sementes. É nesse quesito também que está a maior parte das polêmicas sobre o futuro da agricultura. O mais controverso é o desenvolvimento de organismos geneticamente modificados (OGMs) para aumentar a produção e criar lavouras resistentes a pragas. Os críticos dão uma pecha de Frankenstein aos OGMs, rodeados de incertezas sobre as consequências dos experimentos em organismos vivos.

As empresas holandesas estão entre as líderes no segmento de sementes, com exportações perto de US$ 1,7 bilhão em 2016. Mas elas não vendem sementes OGM. Para lançar uma nova variedade de semente no ambiente altamente regulado para os transgênicos como a Europa pode custar milhões de dólares e 12 a 14 anos de pesquisa, de acordo com Arjen van Tunen, da empresa KeyGene. Entretanto, as mais recentes descobertas na ciência do melhoramento molecular – que não introduz genes de outras empresas – podem entregar ganhos expressivos em cinco a dez anos, com custo de desenvolvimento de US$ 100 mil e receita de mais de um US$ 1 milhão. A técnica é descendente direta de métodos empregados há 10 mil anos pelos agricultores da Mesopotâmia.

O catálogo de produtos da Rijk Zwaan, outra empresa holandesa do setor, oferece sementes de alta produtividade de mais de 25 tipos de vegetais, muitos deles com proteção natural contra as principais pragas. Heleen Bos, responsável pelos orgânicos e projetos internacionais da empresa, já trabalhou no campo em algumas das nações mais pobres do mundo nos últimos 30 anos – incluindo longas passagens por Moçambique, Nicarágua e Bangladesh. “Claro que não podemos implementar imediatamente a agricultura ultra-high-tech que temos na Holanda, mas podemos introduzir soluções que podem fazer uma grande diferença”. Heleen cita as estufas de plástico, que chegam a triplicar o rendimento das lavouras.

 

 

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Sustentabilidade e preservação ambiental são temas cada vez mais discutidos no dia a dia. Mais e mais pessoas estão percebendo que, ainda que individualmente, mudar hábitos e ações com o intuito de reduzir o impacto ambiental e preservar recursos naturais é uma reação necessária. Mas quando a pauta sustentável chega à mesa de líderes de empresas e indústrias, os impactos podem tomar proporções ainda maiores e fazer a diferença tanto local quanto globalmente.

Para garantir que tenhamos acesso a todos os tipos de bens de consumo, as indústrias e empresas precisam usar recursos que são potencialmente poluentes. A instalação de uma fábrica em um espaço que antes era apenas campo, por exemplo, traz resultados contrastantes: ao mesmo tempo em que causa impactos ambientais, também gera empregos e contribui para o desenvolvimento econômico. Esse efeito é necessário para que possamos continuar usufruindo de todos os produtos que fazem parte do nosso dia a dia: dos alimentos, à água até eletrônicos e roupas, praticamente tudo passa por um processo de industrialização.

Mas se por um lado as grandes empresas utilizam recursos naturais em grande escala para garantir o funcionamento de cada etapa da produção, por outro, quando elas decidem ajustar seus processos industriais visando à sustentabilidade o resultado também é em proporções maiores. Medidas tomadas no dia a dia da indústria a tornam mais sustentável. E cada vez mais empresas estão percebendo isso e implementando ações que diminuem seu impacto ambiental.

Consciência ambiental na indústria é possível

Empresas ambientalmente conscientes são as que se preocupam com o efeito que causam no meio em que estão instaladas e que tentam reverter alguns cenários por meio de melhoria de processos industriais. E a sustentabilidade pode, sim, ser empregada em diversos pontos da rotina de qualquer indústria – desde que haja interesse em fazer o bem e devolver à natureza o que se tira dela.

Um exemplo de que esse comportamento é possível está na Döhler, empresa têxtil catarinense instalada em Joinville que encontrou formas de se tornar mais sustentável e diminuir sua pegada ambiental. As medidas, além de compensarem o potencial poluidor da empresa, também ajudam a diminuir custos.

– A nossa atividade necessita intensivamente de capital, mão de obra e energia. É uma atividade potencialmente poluidora, então sem sustentabilidade não é possível mantê-la – afirma o presidente da Dohler, José Mário Gomes Ribeiro.

Reconhecer os impactos ambientais da indústria é o primeiro passo para descobrir formas de revertê-los ou amenizá-los. A Döhler possui sua própria estação de efluentes, o que minimiza os riscos de poluição já que os despejos passam pelo tratamento correto. A água usada nos processos da fábrica passa por um mecanismo moderno de tratamento de efluentes antes de voltar limpa à natureza.

– Eu reutilizo 30% de toda água que capto em procedimentos internos. Depois, trato todo o efluente antes de despejá-lo nas valas de drenagem que passam perto da empresa. Os efluentes, depois de tratados, atendem toda a legislação pertinente – comenta José Mário.

Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )

Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )

Além do tratamento correto da água e dos resíduos, outros procedimentos da fábrica recebem o destino correto. O algodão recebido pela fábrica é inteiramente tratado e as impurezas – restos de fios que a empresa não utiliza nas suas linhas de produção – servem de matéria prima para outras indústrias, para as quais são vendidas.

A matriz energética da Döhler também é sustentável: 75% dela é composta por gás natural que é um insumo considerado limpo. Os outros 25% ficam por conta da energia térmica proveniente da biomassa e de resíduos gerados na empresa, como limpeza da tecelagem e fiação.

A sustentabilidade está no DNA da Döhler e seus esforços se refletem nos diversos prêmios e reconhecimentos que a empresa já recebeu.

– A sustentabilidade é uma prática necessária em nossa atividade, somente assim viabilizamos aquilo que produzimos. Praticamos a sustentabilidade a mais de trinta anos e cada vez mais – finaliza José Mario.

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Até 2030, a estimativa é que 10% da energia produzida no Brasil seja solar, aquela produzida através de placas fotovoltaicas. E a construção civil será fundamental nesse processo. Grande parte da energia limpa virá do alto de edifícios, dos telhados de casas, de prédios comerciais, de indústrias, shoppings e estacionamentos. Essas construções funcionarão como edificações-usinas, uma prática pra lá de sustentável.

De Norte a Sul do país, cada vez mais o compromisso com o meio ambiente ganha espaço na hora de começar uma obra. É o que se costuma chamar de projeto inteligente. Não necessariamente precisa ser algo sofisticado. Pode ser uma janela bem posicionada, que garanta maior entrada de luz e ventilação. É o edifício híbrido, com apartamentos residenciais e salas de coworking, reduzindo deslocamentos dos moradores. Ou até mesmo a reutilização de pneus no recobrimento asfáltico.

São muitas as soluções, ações, atitudes que hoje podem ser classificadas como sustentáveis em um canteiro de obras. A indústria da construção vem investido em tecnologia para oferecer às empreiteiras materiais com longa vida útil, menos poluentes e gerando menos resíduos. Por sua vez, durante a obra, arquitetos e engenheiros põem de pé boas práticas como telhados verdes, inclusão de energias renováveis e uso de isolantes térmicos. Posturas que fazem bem ao meio ambiente e trazem conforto aos clientes, cada vez mais exigentes e comprometidos com um futuro sustentável.

Edificações-geradoras

A expansão da geração fotovoltaica, por exemplo, vai fazer com que as edificações deixem de ser simplesmente consumidoras de energia. A ideia é que elas se transformem em geradoras de eletricidade. O aprimoramento das tecnologias e a queda nos custos nos próximos anos devem fazer com o que o Brasil consiga expandir o uso. A demanda é crescente no país, tem avançado em média 300% ao ano desde 2015, conforme estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

A energia solar térmica, utilizada em sistemas de aquecimento de água, também é perfeitamente viável e tem alta adesão sempre que o balanço de disponibilidade de áreas para captação da energia (local para a instalação das placas) se equilibra com a demanda por água quente e a disponibilidade de insolação.

Na opinião de Clarice Degani, engenheira e consultora de projetos para a área de Sustentabilidade do Secovi-SP e do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, o tema deixou de ser visto como simplesmente a adoção de medidas ecológicas ou de mitigação de impactos ambientais. Hoje, o termo sustentabilidade deve ser visto de uma forma mais ampla, porém associado a desempenho e inovação tecnológica.

Nesse campo, tem muita coisa boa que veio para ficar. Segundo Clarice, o desenvolvimento de projetos pelo processo BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção) e a realização de simulações de desempenho para conforto e eficiência energética já são realidade.

Prédios cada vez mais inteligentes

Mas nem só de novidades e alta tecnologia se alimenta o setor da construção civil. Boas práticas como o uso de brises para trazer conforto térmico aos moradores, como existe no edifício Copan, em São Paulo, projetado na década de 50, continuam atuais. “Os brises são soluções para evitar a incidência solar direta e diminuir o uso de ar-condicionado”, detalha Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP. “A própria iluminação natural, o posicionamento correto da edificação contribui da mesma forma”, complementa.

Países ricos como a Inglaterra, destaca Borges, já estão caminhando para um prédio considerado de energia zero. Toda energia consumida será produzida por ele. Além das opções tradicionais como cobertura de painel solar, os elevadores da edificação também serão geradores. “O atrito do sobe e desce do elevador vai gerar energia para alimentar os próprios elevadores”, revela.

É preciso mudar os hábitos, diminuir o impacto para garantir um futuro melhor para todos, afinal de contas, a população do planeta já ultrapassou os 7,5 bilhões de pessoas. Essa é a opinião de Olavo Kucker Arantes, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) – entidade que se movimenta entre a academia, a indústria e os órgãos de governo como Ministério do Meio Ambiente e o de Minas e Energia.

Através do conselho, Arantes ajudou a desenvolver a ferramenta que desde 2011 auxilia as empresas a selecionar fornecedores seguindo critérios de responsabilidade social e ambiental. É um check list em seis passos que verifica a idoneidade do negócio, desde a licença ambiental até a existência de propaganda enganosa. “Ser sustentável não é só montar um projeto bacana, diminuir os resíduos na obra. Passa também pela escolha dos fornecedores”, destaca Arantes, engenheiro de produção civil.

Bons ventos partem das universidades

Na academia, há um número grande de pessoas que vão para fora, se especializam e depois voltam. Prova disso é que o Brasil está na quarta posição em volume de projetos no ranking mundial de construções sustentáveis, que reúne 165 países.

De acordo com o Green Building Council Brasil, um projeto sustentável médio poderá reduzir em 40% o uso de água, 35% em CO2 e 65% em desperdício. A tecnologia e a sustentabilidade devem caminhar de mãos dadas porque os prédios que estão sendo erguidos hoje terão que ser adaptáveis às novidades no setor daqui a 50 anos. “A sustentabilidade não pode ser só para bonitinho, cada vez mais tem que ter impacto no bolso, no sentido de pagar um valor menor de condomínio porque parte da energia será gerada no local, assim como a água, que pode ser de reuso”, exemplifica José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Ele também chama atenção para a presença de carregadores de carros elétricos nos prédios. “Hoje isso só acontece em construções de alto padrão, mas será uma realidade, uma necessidade daqui a 50 anos”, projeta.

Colheita-Agrofotovoltaico

Até agora, a área cultivada era designada para fotovoltaica ou fotossíntese, ou seja, para gerar eletricidade ou cultivar. Um projeto piloto agrofotovoltaico (APV) perto do Lago de Constança, no entanto, demonstrou que ambos os usos são compatíveis. O uso duplo da terra é eficiente em termos de recursos, reduz a concorrência pela terra e, adicionalmente, abre uma nova fonte de renda para os agricultores. Por um ano, o maior sistema APV na Alemanha está sendo testado na cooperativa agrícola Demeter Heggelbach.

No projeto de demonstração “Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos” (APV-Resola) “liderado pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE, os módulos solares para produção de eletricidade estão instalados diretamente acima de culturas que cobrem uma área de um terceiro hectare. Agora, a primeira colheita solar de energia e produção foi coletada em ambos os níveis.

O trigo de inverno, as batatas, o celeríaco e o trevo foram as primeiras culturas a serem testadas. A orientação sudoeste e a distância extra entre as linhas de cinco metros de altura dos módulos fotovoltaicos de vidro vidro bifacial garantiram que as culturas estavam expostas à radiação solar uniforme.

O sombreamento do módulo solar reduz o rendimento das culturas, mas o saldo total é positivo

Os resultados da primeira colheita foram, na sua maioria, promissores. “O rendimento de capim do capim do trevo na plataforma fotovoltaica foi apenas 5,3 % menos do que o plano de referência”, informa o Prof. Petera Högy, especialista em agricultura da Universidade de Hohenheim. As perdas de rendimento para batatas, trigo e celíacos são entre 18 a 19% e, portanto, um pouco maior “.

“Do ponto de vista da ciência agrícola, a agrofotovoltaica é uma solução promissora para aumentar a eficiência do uso da terra e a parcela de energia renovável fornecida pelo setor agrícola”, ressalta a Prof. Iris Lewandowski, Chefe do Departamento de Produtos Biobased e Culturas Energéticas, Universidade de Hohenheim.

Os especialistas concordam que, no entanto, é importante reunir mais experiência nos próximos anos e analisar outras culturas antes de chegar a conclusões finais.

 

Arranjo solar tem produção acima da média

 

Os módulos solares bifaciais 720 produzem eletricidade solar não apenas na parte da frente, mas também na parte de trás dos módulos fotovoltaicos com radiação solar refletida pelos arredores. Sob condições ambientais favoráveis, por exemplo, cobertura de neve, um rendimento de eletricidade adicional de vinte e cinco por cento pode ser alcançado. Do ponto de vista energético, o princípio da dupla utilização da agrofotovoltaica é muito mais eficiente do que apenas plantar culturas energéticas, contabilizando, afinal, 18 por cento do uso da terra agrícola na Alemanha.

Veja também:   Tesla anuncia primeiro projeto de armazenamento de energia solar e eólica do mundo

Com uma potência instalada de 194 quilowatts, a matriz fotovoltaica pode fornecer 62 casas de quatro pessoas com eletricidade. Nos primeiros doze meses, a matriz produziu eletricidade de 1266 quilowatts-hora por quilowatt instalado, um terço do que o valor médio de 950 kWh / kW na Alemanha.

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A produção de energia do campo experimental corresponde bem à carga de fazenda diária. Cerca de 40% da eletricidade produzida na fazenda foi usada diretamente para carregar os veículos elétricos e processar as colheitas colhidas.

No verão, a demanda de carga poderia ser quase completamente atendida pelo sistema fotovoltaico. Thomas Schmid e os outros agricultores de Demeter pretendem aumentar o seu autoconsumo até 70 por cento, otimizando o comportamento de consumo e instalando um sistema de armazenamento de eletricidade.

A eletricidade PV excedente é alimentada na Elektrizitätswerke Schönau, uma empresa de serviços elétricos com base em energia 100% renovável e parceira no projeto.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

Projeto Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos (APV Resola)

Uma vez que a ideia da agrofotovoltaica foi iniciada pela primeira vez pelo Prof. Adolf Goetzberger, que fundou o Fraunhofer ISE em 1981, várias grandes instalações APV foram instaladas em todo o mundo. Por outro lado, apenas algumas dessas plantas APV são designadas como sites de pesquisa.

No projeto “APV Resola”, os pesquisadores estão investigando os aspectos econômicos, técnicos, societários e ecológicos da tecnologia em uma planta piloto em condições reais pela primeira vez. O projeto de pesquisa é apoiado por fundos do Ministério Federal Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF) e da Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (FONA).

O objetivo do projeto é desenvolver a tecnologia do sistema APV em um produto pronto para o mercado. “Para fornecer a prova de conceito necessária antes da entrada no mercado, precisamos comparar outras aplicações técnico-econômicas da APV, demonstrar a transferibilidade para outras áreas regionais e também realizar sistemas maiores”, explica Stephan Schindele.

Por exemplo, diferentes aplicações possíveis devem ser exploradas em combinação com frutas, frutos do mar, lúpulo e lavouras e com as várias tecnologias, tais como armazenamento de energia, filmes especiais com células solares orgânicas e sistemas de tratamento de água solar fotovoltaica.

“Além do investimento da indústria e da política de pesquisa, as medidas políticas apropriadas que apoiam a tecnologia são de vital importância para uma entrada bem sucedida no mercado”, acrescenta Stephan Schindele. Já em 2014, Fraunhofer ISE e Wuppertal Institute.

 

*Com informações do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar