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Ainda é muito comum empresas de grande, médio e pequeno porte a falta de compreensão d a importância do trabalho em Sustentabilidade. Para auxiliar neste entendimento, costumo indicar 7 benefícios estratégicos essenciais para organizações de todos os tamanhos. Abaixo detalho com mais profundidade cada um deles:

1 – Gerar economia e reduzir custos: Considerando não apenas o cenário atual, mas prospectando o futuro, infelizmente os recursos naturais tendem a escassear e tornarem-se cada vez mais caros. Temos visto isso acontecendo nos últimos anos com a água e com a energia, por exemplo, que vêm aumentando de preço gradativamente e causando um grande impacto nos negócios. Para muitas empresas, como a indústria de alimentos e bebidas – para citar apenas uma delas, que depende grandemente destes recursos no seu processo produtivo – desenvolver projetos de ecoeficiência torna-se essencial para a sua sobrevivência. No entanto, o foco aqui é mais amplo, e quando menciono a possibilidade de reduzir custos considero a importância de tornar mais eficiente o uso de matérias primas, otimizar o transporte e a logística dos produtos, fazer a gestão inteligente do uso dos espaços, entre diversas outras ações que geram economia efetivas para organizações de todos os tamanhos.

2 – Fortalecer a reputação e reduzir riscos: A reputação é um dos ativos mais importantes de qualquer empresa e vários casos ao longo da história demonstram como um ferimento reputacional pode ser fatal para entidades de qualquer natureza. Para citar apenas alguns exemplos, crises corporativas causaram impactos significativos e a redução do valor de mercado de empresas como a Enron, Parmalat, Camargo Correa, Odebrecht, Petrobrás, Daslu e tantas outras. O trabalho com Sustentabilidade, além de fortalecer a reputação da empresa – que é uma necessidade urgente principalmente considerando o item que será detalhado à seguir – quando bem realizado, contribui para mapear, gerir e reduzir riscos da organização. Para tanto, ferramentas como o processo de Materialidade e o diálogo com stakeholders são essenciais.

3 – Alinhar-se com Geração Y, Millennials e próximas gerações de consumidores: Observa-se uma tendência das novas gerações se preocuparem cada vez mais com a reputação das empresas e sua atuação perante a sociedade e o meio ambiente preferindo as marcas que promovem valores alinhados à sustentabilidade. Neste sentido, a pesquisa “Dossiê Universo Jovem 4” realizada com jovens brasileiros divulgada em 2008 pela MTV aponta algumas das ações que este público espera das empresas, são elas: Investimentos em projetos que façam a diferença para a comunidade; que convidem a comunidade para participar de suas ações, ensinando a população a agir; investimento em processos de produção e produtos com responsabilidade socioambiental; que primeiro façam as ações e só depois as divulguem, utilizando uma linguagem mais simples na sua comunicação (fonte: Instituto Akatu). Assim, uma atuação neste sentido é crucial tanto para atender os interesses dos novos públicos consumidores, como para não perder posição em um mercado cada vez mais competitivo.

4 – Atrair e reter talentos: E por falar em próximas gerações, esta mesma garotada que está aí (ou não tão “garotada” assim, já que eu mesma pertenço à chamada Geração Y, rs), deseja trabalhar em empresas alinhadas com os seus valores de contribuição para a sociedade, sustentabilidade e compromisso com a ética. Desta forma, um programa sólido de Sustentabilidade, que traga benefícios reais tanto para a organização quanto para a sociedade em que ela está inserida, traz como efeito colateral a retenção de talentos destas gerações. Além disso, mesmo para as gerações mais velhas, qual colaborador não prefere trabalhar em uma empresa na qual se orgulha, independente do seu porte?

5 – Gerar diferencial competitivo: É um fato. Marcas de referência na área de Sustentabilidade como Natura, Ben&Jerrys, Patagonia, Tesla, North Face e tantas outras são destaque em suas respectivas áreas porque inovaram, ousaram, fizeram diferente. Fazer muito bem o básico não vai destacar a sua organização, também não a tornará mais sustentável. Aqui, quando falamos de vantagem competitiva estamos tratando tanto do recurso tangível, como no exemplo da redução de custos, mas também de recursos intangíveis relacionados principalmente à reputação da empresa, sendo estes mais dificilmente imitados pelos concorrentes, o que permite diferenciar a sua organização do restante do mercado e agregar mais valor ao seu produto ou serviço.

6 – Desenvolver novos negócios: Ao longo da minha carreira tive a oportunidade de vivenciar diversas iniciativas de lançamento de novos produtos ou serviços mais sustentáveis que trouxeram um grande impacto positivo para os resultados dos negócios. Desde produtos concentrados – como amaciantes – que utilizam menos água no seu processo produtivo e reduzem os custos com embalagens, armazenamento e transporte, passando por tintas à base água, que trouxeram um benefício real de conforto olfativo para o consumidor e redução do impacto ambiental e hoje compõe a maior parte do mercado de tintas, até o desenvolvimento de setores inteiros como a indústria de carros elétricos e de energias renováveis. Isso sem falar nos inúmeros novos serviços desenvolvidos nos últimos anos como consultorias que auxiliam as empresas a detectarem e atuarem na redução do consumo e custos com água e energia, instituições certificadoras de edificações sustentáveis, empresas que prestam serviço de engenharia e logística reversa, recicladores de resíduos da construção civil e de produtos eletrônicos, organizações que oferecem serviços de neutralização de carbono, entre muitas outras iniciativas que a cada dia ganham mais mercado. Não importa o ramo de atuação da sua empresa, sempre é possível desenvolver um produto ou serviço mais sustentável que traga um retorno positivo para a sua organização, seja na forma de redução de custos, no fortalecimento reputacional, seja por meio da abertura de novos mercados consumidores.

7 – Gerar valor compartilhado: O conceito de Valor Compartilhado pressupõe a geração de valor econômico de forma a garantir também a geração de valor para a sociedade, por meio do desenvolvimento de negócios que propiciem o enfrentamento de suas necessidades e desafios. É uma nova forma de obter sucesso econômico que reconecta o sucesso da empresa ao progresso social. Neste sentido, no conhecido artigo de Michael Porter e Mark Kramer para a Harvard Business Review Valor Compartilhado “não é algo na periferia daquilo que a empresa faz, mas no centro”, ou seja, deve estar no seu core business. Este universo está mais próximo do que imaginamos quando vemos os esforços das “Empresas B”, organizações que, para dizer sucintamente, recebem uma certificação por, entre outros quesitos, resolverem “problemas sociais e ambientais a partir dos produtos e serviços oferecidos pelas próprias empresas”. São entidades como Natura, Ben & Jerrys e tantas outras organizações menores que, como eu costumo dizer, estão no chamado “setor 2 e meio”, ou seja, um híbrido entre uma empresa do segundo e do terceiro setores, organização privada com fins lucrativos, mas também com fins sociais. Neste sentido, as megatendências mundiais descritas brilhantemente por John Naisbitt, especialista na previsão de tendências globais, nos ajudam a apontar caminhos de novos mercados que estão ou muito em breve estarão em grande processo de expansão para o atendimento das questões da humanidade mais urgentes. Vale lembrar que as megatendências mais recentes que moldarão comportamentos, estilos de vida e consumo, são: Eficiência Energética, Mudanças Climáticas, Mobilidade Urbana, Mobilidade, Conectividade, Ascensão Social, Construções verdes, Inclusão Tecnológica, Mudanças demográficas, Economias interligadas, Escassez de recursos e Urbanização. As organizações que estiverem atentas à estes movimentos largarão na frente e terão mais tempo para se adaptar e prosperar neste novo cenário.

Em resumo, compreendendo que o trabalho de Sustentabilidade Corporativa é o alinhamento entre as necessidades do negócio, com as necessidades ambientais e da sociedade, fica mais claro o valor que ele traz justamente por atender e estar alinhado com estas demandas. Trata-se de um olhar mais amplo, sistêmico, inovador, que vai além do ambiente interno da organização, mas identifica e atua nos seus riscos, potenciais e oportunidades de gerar valor.

*Juliana Zellauy Feres é executiva da área de sustentabilidade, com passagens por diversas organizações e empresas 

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As organizações que demonstram compromisso com a responsabilidade social obtêm vantagens competitivas, ganhando a confiança do mercado, de clientes, investidores, consumidores e da comunidade local. Esse tipo de ação desencadeia uma onda de responsabilidade social corporativa que empresas espalhadas pelo mundo, de todos os tamanhos e setores, estão adotando e promovendo.

Compreender essa mudança é vital, pois o mercado está cada vez mais transparente e competitivo. É uma oportunidade para que as empresas programem práticas sustentáveis de gerenciamento não apenas para atender às exigências legais, mas também para melhor se colocar diante dos consumidores e concorrentes. É um erro entender que a sustentabilidade seja apenas restrita a aspectos de meio ambiente; da mesma forma, não se deve assumir que responsabilidade social se limite a ações em projetos sociais.

O administrador que pretenda que seu negócio seja perene deverá gerar valor nas dimensões econômicas, ambientais e sociais. As empresas são cobradas por uma atitude correspondente ao conceito da “cidadania corporativa global” que envolve sustentabilidade e responsabilidade social, dois conceitos que caminham juntos.

As organizações tornaram-se agentes transformadores que exercem uma grande influência sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente em que estão inseridas. Os empresários tornam-se mais aptos a compreender e a participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social.

Dois exemplos ilustram o assunto: o mercado parou de aceitar o descaso no tratamento dos recursos naturais e os consumidores estão interessados em produtos “limpos”; da mesma forma, a sociedade está muito mais atenta à inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho. O resultado é óbvio: a legislação tornou-se mais rígida, obrigando as empresas a encarar com mais seriedade a questão ambiental e a responsabilidade social em sua estratégia operacional.

Com essa nova postura vem a necessidade de adaptação e consequente direcionamento para novos caminhos. As empresas devem mudar seus paradigmas mudando sua visão empresarial, objetivos, estratégias de investimentos e de marketing, tudo voltado para o aprimoramento de seu produto. Companhias socialmente responsáveis e preocupadas com sustentabilidade conquistam resultados melhores e geram valor aos que estão próximos. A responsabilidade social e sustentabilidade deixaram de ser uma opção politicamente correta: é uma questão de visão estratégica e, muitas vezes, de sobrevivência.

A empresa é socialmente responsável e sustentável quando vai além da obrigação legal de pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para os trabalhadores ou preservar o meio ambiente. É preciso adotar nova postura: a organização que não adequar suas atividades a esses novos conceitos está destinada a perder competitividade em médio prazo.

É cada vez mais relevante para as empresas pensar em processo sucessório, sejam elas familiares ou não, portanto, é fundamental que o atual gestor invista, o quanto antes, em reflexões nesse sentido, para que assim, comece a preparar o caminho para seu sucessor.

 

 

Por Sérgio Lucchesi, sócio da Moore Stephens Auditores e Consultores

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Nos últimos dias, o debate sobre o decreto do Governo Federal que permitia que mineradoras privadas explorassem áreas de reserva na Amazônia aflorou e foi além das fronteiras brasileiras.

Ambientalistas, celebridades e políticos manifestaram-se contra o documento que extinguia os mais de 47.000 quilômetros quadrados da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca).

O governo recuou suspendendo o decreto, mas a mobilização social abriu espaço para reflexões e questionamentos que envolvem os hábitos de consumo da população – que está se conscientizando cada dia mais.

Conscientização: o novo comportamento do consumidor

Desde o manuseio da água até os alimentos que estão disponíveis nas prateleiras dos mercados: todas essas escolhas têm peso no que se refere à proteção ambiental e o futuro do planeta.

Reduzir o consumo de carnes, processados e industrializados são atitudes cada vez mais recorrentes, que proporcionam benefícios para a saúde e para o meio ambiente.

Nesse sentido, os consumidores estão exigindo selos de qualidade e dando preferência para produtos livres de conservantes e empresas que pensem além do lucro e tenham, de fato, responsabilidade social e ambiental.

Devido à crescente demanda por serviços e produtos saudáveis e sustentáveis, o mercado de produtos orgânicos tem se expandido por todo o mundo. Inclusive, essa conscientização dos consumidores tem ido além dos alimentos e alcançado a indústria química – eles querem saber a origem e a composição dos produtos de pele e dos cosméticos, por exemplo.

A indústria de Cosméticos se adapta

Os derivados de matérias-primas orgânicas ganharam impulso na indústria da beleza, com os cosméticos de base natural ou integralmente naturais. No Brasil, por exemplo, empresas do ramo estão investindo nesses nichos incorporando a tendência internacional de uso dos óleos essenciais.

Mas, vale ressaltar que, um produto de base natural é diferente de um natural. No caso dos cosméticos, por exemplo, é diferente um sabonete com óleo essencial de amêndoas de um que tem todo o seu processo de produção – passando pela obtenção de matéria-prima, pelo processamento até a embalagem – dentro das normas de certificação de produtos orgânicos.

A cadeia de produção desse tipo de produto é regida por normas específicas, o que não acontece com os produtos comuns que têm um ou outro ingrediente natural em sua fórmula.

Com isso, os consumidores têm a garantia e a segurança de que os mesmos são confeccionados com plantas isentas de agrotóxicos, corantes, conservantes ou aromas artificiais. Esse cuidado também estende-se as embalagens, com a utilização de materiais recicláveis de rápida decomposição no meio ambiente ou, através dos refis, que estimulam o uso da mesma embalagem.

A tecnologia como aliada

Além de agradar e conquistar cada vez mais consumidores, essa também é a oportunidade de contribuir com a preservação do planeta. Os empresários do segmento já perceberam todas essas mudanças comportamentais e estão se adequando cada vez mais.

A Teknisa oferece diversas soluções adaptadas para atender aos princípios da agência fiscalizadora, integrando vendas, expedição e controle de produção, possibilitando a otimização e a segurança na produção farmacoquímica.

As ferramentas permitem o controle gerencial para a manufatura laboratorial, desde a aquisição da matéria-prima até a liberação do produto final para os clientes, passando pela garantia de qualidade.

Com aplicações tecnológicas sofisticadas é possível obter um modelo operacional moderno e flexível voltado ao planejamento e controle completo do seu sistema produtivo e, ainda, garantir a matéria- prima ideal para a cadeia produtiva, possibilitando preços competitivos, minimizando perdas e maximizando a qualidade dos produtos.

Além dos processos que precedem a produção e as vendas, também é importante proporcionar a melhor experiência ao cliente. Para viabilizar isso, muitas empresas vêm revendo seus processos internos e investindo na automação comercial, com a implantação de sistemas modernos na frente de caixa e aplicativos, por exemplo.

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Árvores são santuários”, escreveu o poeta e filósofo alemão Herman Hesse. “Quando aprendemos a ouvir as árvores… Isso é o lar. Isso é a felicidade.”

Em seu livro Árvores: Reflexões e Poemas , Hesses lança mão de argumentos filosóficos para as árvores e sobre como elas são a chave para noções essenciais de verdade, beleza, lar, pertencimento e felicidade.

A expressão tree hugger (“abraçador de árvores” em tradução literal, no sentido de ativista ambiental) pode ter um tom pejorativo, mas parece que Hesse tinha um ponto.

A ilustradora Clare Curtis está entre os artistas contemporâneos inspirados por árvores e florestas. (Crédito: Clare Curtis)
A ilustradora Clare Curtis está entre os artistas contemporâneos inspirados por árvores e florestas. (Crédito: Clare Curtis)

Foto: BBCBrasil.com

Agora, as árvores estão ganhando popularidade – nas redes sociais, as hashtags #treesofinstagram (#árvoresdoinstagram) e #lovetrees (#amoràsárvores) estão se proliferando rapidamente. E a prática do Shinrin-yoku, a expressão japonesa para “aproveitar a atmosfera da floresta” ou “banho de mato”, está de volta à moda como um tipo de cuidado preventivo de saúde e de medicina japonesa.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo de literatura sobre árvores, com novos livros sobre o assunto surgindo regularmente – entre eles The Hidden Life of Trees A Vida Secreta das Árvores) de Peter Wohlleben, Strange Labyrinth (Estranho Labirinto) de Will Ashon, The Long, Long Life of Trees (A Longa, Longa Vida das Árvores) de Fiona Stafford e o conto alegórico The Man Who Planted Trees (O Homem que Plantava Árvores) de Jean Giono, só para citar alguns.

Então, por que essa recente obsessão com árvores? Por que os escritores e artistas são tão atraídos às árvores como um tema? O que as árvores podem nos ensinar? As árvores realmente podem nos deixar mais felizes e tranquilos?

Não é que as árvores sejam um assunto novo na literatura, é claro. Hesse é apenas um dos muitos escritores, poetas, artistas e filósofos que se inspiraram em árvores e florestas ao longo dos séculos. Outro exemplo é o poeta inglês do século 19 John Clare, que escrevia em dialeto rural e cujo poema The Fallen Elm O Olmo Caído) explora as liberdades ganhas e perdidas com a industrialização, quando vastas porções de florestas antigas foram derrubadas. Já o poema de William Wordsworth It Was an April Morning Era Uma Manhã de Abril ) fala sobre a beleza e a promessa de uma árvore na primavera.

O artista alemão Anselm Kiefer frequentemente pintava florestas proibidas em seus quadros, como esse detalhe de Resurrexit 1973 (Crédito: Peter Horee/Alamy)
O artista alemão Anselm Kiefer frequentemente pintava florestas proibidas em seus quadros, como esse detalhe de Resurrexit 1973 (Crédito: Peter Horee/Alamy)

Foto: BBCBrasil.com

Entre os livros com temática de árvore que surgiram recentemente está uma antologia, Arboreal: A Collection of New Woodland Writing Arbórea: Uma Coleção de Novos Textos Sobre Bosques e Florestas), que explora literatura, história, mitologia e cultura rural das árvores e florestas. No livro, há ensaios de arquitetos, artistas e acadêmicos, assim como escritores com afinidades com árvores e florestas. Entre os contribuidores estão o poeta Zaffar Kunnial e os escritores Tobias Jones, Helen Dunmore, Ali Smith, Germaine Greer e Richard Mabey.

Floresta para as árvores

A escritora “arbórea” Fiona Stafford, também autora do livro The Long, Long Life of Trees (A Longa, Longa Vida das Árvores) , diz que a atual obsessão por árvores na literatura faz parte de uma tendência florescente de busca por uma nova forma de escrever sobre a natureza, o que, ao menos em parte, está relacionada com a preocupação com o meio ambiente.

“Mas a nova literatura sobre árvores é também parte de tradições literárias muito antigas”, diz ela. “O paradoxo é que sempre parece se voltar para um mundo rural perdido, mas ao mesmo tempo está sempre renascendo de novo em novas formas com relevância contemporânea urgente.”

'Hockney faz as árvores brilharem com energia e cores inesperadas', diz a escritora Fiona Stafford, sobre Felled Trees (Árvores Caídas), de 2008 (Crédito: Alamy)
‘Hockney faz as árvores brilharem com energia e cores inesperadas’, diz a escritora Fiona Stafford, sobre Felled Trees (Árvores Caídas), de 2008 (Crédito: Alamy)

Foto: BBCBrasil.com

Desde criança, Stafford ama as árvores. “As árvores parecem criar um mundo diferente dentro de nós, não apenas em termos de vida selvagem, mas em esferas imaginárias onde as coisas parecem possíveis e que não seriam assim no mundo diário do trabalho.”

Ela descobriu algo muito “tranquilizante”, diz ela, a respeito de “um objeto muito familiar que é tão cheio de vida e silenciosamente alimenta todas as coisas que vivem em seu entorno”. Stafford menciona clássicos da literatura infantil, de Robin Hood The Wind in the Willows (O Vento nos Salgueiros). “E o premiado último livro de Frances Hardinge, The Lie Tree (A Árvore da Mentira ) pode muito bem ser um clássico do futuro.”

Stafford também se interessa pela forma como artistas se inspiram e interpretam o tema. Seu preferido? “David Hockney”, diz ela. “Que pinta árvores e florestas com tanta paixão e intensidade que o que parecia ser um cenário comum é profundamente transformado. Ele é capaz de discernir a personalidade de árvores e as faz ferver com energia, brilho e cores inesperadas.”

Obras de John Crome e Gustave Courbet exploraram o tema do carvalho, que tem status mitológico e é um emblema de força e dignidade.

A floresta nativa de David Hockney em Yorkshire (Reino Unido) inspirou sua série de pinturas e desenhos para iPad, incluindo 'Três Árvores perto de Thixendale' de 2008 (Crédito: Alamy)
A floresta nativa de David Hockney em Yorkshire (Reino Unido) inspirou sua série de pinturas e desenhos para iPad, incluindo ‘Três Árvores perto de Thixendale’ de 2008 (Crédito: Alamy)

Foto: BBCBrasil.com

Stafford também explora o lado mais sombrio das florestas, que, segundo ela, está “enraizado nas lendas europeias”. Dos Irmãos Grimm até os contos russos de Baba Yaga. “(O) Medo de quais perigos podem estar escondidos em florestas negras está enraizado em histórias comoChapeuzinho Vermelho ou João e Maria . Mas há sofisticadas versões adultas para árvores sombrias, que Dante entendeu na ‘floresta escura’ de A Divina Comédia . Sylvia Plath e Robert Graves também usaram esse imaginário da floresta escura.”

E é claro que muitos talentos das artes visuais – entre eles Anselm Kiefer – são atraídos por esse lado obscuro e intenso das árvores e florestas como um tema.

Apesar dessas referências, no fim das contas as árvores aparecem como uma força do bem em boa parte dos textos recentes sobre o assunto.

Se Stafford pensa que as árvores podem nos deixar mais felizes? “As árvores são um apelo para todos os sentidos”, diz ela. “Cheiros frescos, o som de folhas se movendo e pássaros cantando, a textura da casca – tudas essas coisas são atraentes, especialmente em cidades modernas… Elas nos conectam a outras pessoas, sejam elas contemporâneas ou do passado ou do futuro. Se você planta uma semente que pode levar 200 anos para chegar ao seu tamanho ideal, você está botando fé no futuro e oferecendo um presente para as gerações que ainda nem nasceram. É um sentimento muito bom.”

'As árvores são poemas que a Terra escreve no céu', escreveu o poeta americano-libanês Kahlil Gibran. (Crédito: Peter Adams Photography Ltd/Alamy)
‘As árvores são poemas que a Terra escreve no céu’, escreveu o poeta americano-libanês Kahlil Gibran. (Crédito: Peter Adams Photography Ltd/Alamy)

Foto: BBCBrasil.com

O Fundo de Florestas no Reino Unido promove a “hora da árvore” como uma maneira de nos sentirmos melhores em termos de corpo, mente e espírito e afirma que a nossa imersão na natureza acalma nossa alma e nos ajuda a lidar com o estresse. O fundo colabora com uma publicação de chamada Leaf! , com arte, poesia e textos sobre árvores.

O fundo também está trabalhando em uma versão moderna da Carta da Floresta , que foi escrita em 1217 na Inglaterra logo depois da Carta Magna. A Carta da Floresta falava sobre os direitos e deveres dos cidadãos britânicos em relação às florestas do país, incluindo assuntos como a criação de porcos e fogueiras. A Carta para Árvores, Florestas e Pessoas é a versão do século 21 desse documento e deve ser publicada em novembro deste ano.

Hora da árvore

“A ‘hora da árvore’ pode ser fundamental para quem sofre de estresse”, diz Tobias Jones, um dos autores que está entre os contribuidores da coletânea Arbóreo que falou em um painel do Festival (Literário) Hay sobre o assunto. “A síndrome de deficit da natureza é real e eu tenho certeza de que a floresta é o ambiente com maior potencial de cura que há”, diz ele.

Jones criou uma comunidade no Reino Unido, chamada Windsor Hill Wood, “um refúgio para pessoas em crise”. Também é o assunto de seu livro mais recente, A Place of Refuge Um Lugar de Refúgio em português).

Quando Jones estava pesquisando para escrever seu livro Utopian Dreams Sonhos Utópicos ), viu como sua saúde mental melhorou ao viver na floresta. Segundo o escritor, árvores são uma cura para angústia e ansiedade.

Isso acontece em parte por causa do conceito de “banho de mato”, mas também porque “florestas podem ser lugares assustadores, misteriosos e assombrados e nelas você pode enfrentar seus medos”. E também, diz ele, o trabalho longo e árduo de ser autossuficiente em uma floresta – cortar madeira para aquecer a acomodação, fazer móveis e outras coisas essenciais a partir da madeira das florestas, é terapêutico e traz paz.

Ele cita o coppicing , um método de podar árvores na altura das canelas para que elas cresçam de novo, como análogo a esse processo de regeneração. “A ideia de derrubar as árvores de forma que elas se regenerem é bom para a saúde mental e o senso de continuidade das pessoas para que elas reconstruam suas vidas”.

As árvores sempre foram emblemáticas, como nessa gravura antiga de espíritos protetores e a árvore sagrada da vida (Crédito: Heritage Image Partnership Ltd/Alamy
As árvores sempre foram emblemáticas, como nessa gravura antiga de espíritos protetores e a árvore sagrada da vida (Crédito: Heritage Image Partnership Ltd/Alamy

Foto: BBCBrasil.com

Em Arbóreo , o poeta Zaffar Kunial descreve como uma árvore laburnumno jardim da casa de sua infância em Birmingham (Reino Unido) se tornou significativa para ele, dando-lhe um sentimento de ter raízes. “Ela ficou conhecida como ‘minha árvore’ na família”, diz. “E veio representar tempo, continuidade e raízes, especialmente para mim, que tenho pais de dois continentes diferentes.”

O poema Fielder , de Kunial, descreve como, ao procurar por uma bola perdida de críquete, ele se viu inesperadamente ao mato rasteiro uma floresta, “a unha sombria de uma floresta”, e tem um momento de clareza, como “um relógio parado”.

Ele gosta, diz ele, da “qualidade de prisma da luz na floresta e em como essa luz parece vir em lâminas, com as árvores cortadas pela luz. Quando você vê jacintos em uma floresta eles parecem turvos, quase um reflexo do céu. Eles me tiram do eixo, bagunçam meu senso de tempo”. O poeta americano-libanês Kahlil Gibran também se inspirou com o tema: “as árvores são poemas que a Terra escreve no céu”, diz ele.

A expressão “tree hugger” (“abraçador de árvore”, em tradução literal) é considerada um insulto, um sinônimo de hippie sonhador, fora da realidade. Só que a expressão deriva de um cenário que foi real demais. A ideia de abraçar árvores surgiu em 1730 na Índia, quando os marajás decidiram construir um palácio novo em um vilarejo próximo à cidade de Jodhpur que também era o lar do povo bishnoi, uma seita de adoradores da natureza.

Os marajás ordenaram a destruição de algumas árvores antigas na vila para dar espaço para o novo palácio, e Amita Devri e outras mulheres da população Bishnoi protestaram corajosamente ao cercar as árvores enrolando suas pernas e seus braços em volta dos troncos para protegê-los em um protesto pacífico.

Tragicamente, elas fizeram um sacrifício derradeiro. Elas foram espancadas pelos encarregados de derrubar as árvores e dizem que 353 manifestantes foram degoladas e mortas antes que os marajás finalmente parassem com a matança.

Há muitas coisas além do termo “tree hugger” e o mesmo pode ser dito sobre as árvores. Ou, como Herman Hesse escreveu:

“Em seus galhos mais altos o mundo sussurra. Suas raízes descansam no infinito. Mas elas não se perdem lá; elas lutam com toda a força que podem para um único propósito: realizar-se de acordo com suas próprias leis, para construir a sua própria forma, para representar a si mesmo. Nada é mais sagrado, nada é mais exemplar do que uma árvore, bela e forte.”

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A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas oferecem uma plataforma de conhecimentos que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas e oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída.

O início dos anos 2000 foram muito ricos em iniciativas de sustentabilidade de empresas e organizações sociais no Brasil. Muitos dos grandes pensadores da área, como Ignacy Sachs e Ray Anderson passaram um bom tempo em reuniões e encontros com executivos e empresários que sonharam com um país líder em Responsabilidade Social e em ações socioeducativas capazes de criar, aqui, os paradigmas de uma nova economia.

Foi um tempo em que as empresas e organizações colocaram como prioridade a adequação aos preceitos da Global Reporting Iniciative (GRI) quando anualmente preparavam seus Relatórios de Sustentabilidade. Organizações que propugnavam o respeito aos objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aos Princípios do Equador tinham como sonho integrar a carteira do Índice de Responsabilidade Social (ISE) da BM&FBovespa.

Essas metas, diretrizes e sonhos sobrevivem em algumas empresas e organizações, certamente não foram completamente sufocadas por conta da crise institucional e econômica, mas refluíram grandemente em sua capacidade de avançar em direção à utopia de uma sociedade estruturada em uma economia sustentável, capaz de servir como paradigma para a economia global, o que é o sonho de economistas como Sachs e Ladislau Dowbor.

Baixas nas estruturas corporativas

As estruturas de sustentabilidade dentro de grandes empresas sofreram baixas e profissionais de primeira linha nos momentos de avanço hoje ou padecem de trabalhos meramente burocráticos, ou simplesmente não fazem mais parte das equipes. O cenário não é alentador se comparado a poucos anos trás, quando o sonho de transformações reunia nos mesmos salões os principais executivos nacionais de organizações como Greenpeace, WWF. Instituto Socioambiental, Repórter Brasil e outros, e gigantes do mundo corporativo, como Walmart Brasil, Unilever, Cargill e Maggi, entre outras organizações do mesmo porte.

As grandes conferências de organizações como Ethos e Cebds deixaram marcas na memória corporativa e dos profissionais que investiram pesadamente em capacitação para fazer frente às demandas de sustentabilidade que emergiam não apenas da sociedade, mas das próprias empresas. O governo também avançou, mas a sensação é de que nunca liderou o processo, veio, na maior parte das vezes a reboque.

Ao chegar à metade desta segunda década do século 21 a impressão que se tem é de que o esforço foi em vão. Ao final de 2015 a Organização das Nações Unidas conseguiu o consenso necessário para lançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que substituíram os ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Com 17 objetivos e 169 metas que devem ser alcançadas por todos os países até 2030. Sob o ponto de vista dos acordos e regulações internacionais houve um grande avanço na última década e meia, com as Conferências das Partes (COP) em diversas áreas, principalmente Clima, que com os estudos realizados pelo IPPC conseguiram derrubar muitas das argumentações apresentadas por céticos sobre o impacto das ações humanas em relação às mudanças no clima global. O problema não está mais no campo das leis e das regulações.

Retrocesso político e institucional

As maiores dificuldades são impostas agora pelos campos político e econômico. O avanço de setores ultraliberais e xenófobos nas principais economias do planeta está assegurando um retrocesso na implantação de políticas de inclusão social mais consistentes. No campo das empresas o retrocesso se dá pela busca ainda exacerbada da rentabilidade financeira em detrimento dos ganhos estruturantes da sustentabilidade. Muitos dos executivos mais comprometidos com os avanços socioambientais em paralelo aos ganhos econômicos foram afastados de seus cargos e substituídos por pessoas focadas em resultados, como se diz no meio corporativo.

Há ainda um esforço honesto de profissionais e organizações em direção à manutenção dos desejos de sustentabilidade demonstrados nos anos passados, no entanto é preciso um esforço adicional. Um reforço da importância dos princípios e objetivos da sustentabilidade em um planeta que caminha para 10 bilhões de habitantes ainda neste século.

Os diagnósticos estão feitos, sabe-se com grande margem de certeza que o atual meio de exploração dos recursos naturais, a produção linear e o descarte de resíduos no ambiente natural não podem continuar como padrão. A alimentação industrializada e o nível de desperdício relacionado ao consumo mostram uma sociedade ainda individualista e desligada dos problemas naturais e humanos, lembrando que essa separação entre natural e humano é artificial, uma vez que a humanidade é parte do ecossistema natural da Terra.

Plataforma para o futuro

A sustentabilidade e suas metas construídas ao longo de décadas de estudos e conferências internacionais oferecem uma plataforma de conhecimentos capazes de dar sustentação a uma economia que tem o potencial de alimentar 10 bilhões de pessoas com qualidade e, ainda, oferecer todos os benefícios de uma civilização tecnologicamente evoluída. Empresas, governos e organizações sociais estão perfeitamente habilitados a estabelecer suas metas e diretrizes em harmonia com o que há de mais avançado em conhecimento, ciência e utopia sustentável.

Mas… o que falta? Basicamente pressão popular, reforço institucional e decisão dentro de todos os nichos de poder, institucionais ou empresariais.

Para garantir que isso pode ser feito há um exército de profissionais qualificados à espera da oportunidade de fazer a diferença. Pessoas que construíram o boom da sustentabilidade nos últimos 20 anos, que estudaram gestão ambiental nas dezenas de cursos que surgiram no país, que atuaram e se capacitaram em centenas de atividades e que construíram seu conhecimento e diálogos e debates estimulados por mídias ambientais, de sustentabilidade e por jornalistas com atuação na mídia tradicional. (#Envolverde)

  • Dal Marcondes é jornalista com especialização em economia e meio ambiente e passagens por grandes redações da imprensa paulista, como Gazeta Mercantil, Agências France Presse, Dinheiro Vivo e Estado e revistas como IstoÉ e Exame. Atualmente é mestrando da ESPM-SP com pesquisa em Modelos de Negócios no Jornalismo Digital e Pós-Industrial.
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O Rock in Rio 2017 se propôs, entre outras coisas, a ser um espaço em defesa da Amazônia.

No domingo (17) a cantora norte-americana Alicia Keys convidou ao palco a líder indígena e representante da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), Sonia Guajajara, para falar dos ataques à Amazônia promovidos pelo governo de Michel Temer.

O ‘Fora Temer’ também foi entoado por diversas vezes, notadamente quando a modelo internacional Gisele Bündchen lançou a campanha global Believe, uma proposta com soluções para questões sociais e ambientais.

O drástico é ver que após os shows, a plateia, teoricamente entusiasta e simpatizante da ideia, foi incapaz de juntar o próprio lixo, destoando às completas de qualquer iniciativa voltada para uma proposta de inspiração ambiental.

Lamentável.

 

agrosmart

Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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O mercado nacional de certificação de energia renovável cresceu significativamente desde o seu lançamento, em 2014. Em 2017, de janeiro até o agosto, o número transacionado de Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs Brazil, superou as expectativas, totalizando 126.905, avanço de 18% sobre todo o ano anterior.

Quando começou, há três anos, foram negociados 350 REcs. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. Com o crescente interesse voluntário das empresas por uso de energia renovável, a oferta do insumo também está se expandindo.

Há no País 19 parques de energia renovável capazes de gerar RECs, informa o Instituto Totum, responsável pelo gerencialmente do Programa de Certificação de Energia Renovável brasileiro, junto com as várias entidades do setor.

Desses 19 parques, 15 já possuem o registro na plataforma internacional IREC, reconhecida mundialmente. O ritmo de crescimento e a demanda por compra de energia renovável tem surpreendido o Instituto Totum.

“Toda semana recebemos pelo menos um contato de empresa interessada em registrar suas usinas renováveis na plataforma mundial, inclusive em breve teremos a primeira usina de biomassaregistrada”, afirma Fernando Lopes, diretor do Instituto.

A aquisição de RECs sinaliza ao mercado que as empresas preferem consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético.

 

O que é a certificação de energia renovável?

 

A possibilidade de registro dos empreendimentos de energia renovável brasileiros na plataforma mundial IREC contribuiu para o crescimento desse mercado. “Com a implantação do IREC no Brasil, no ano passado, conseguimos atender a demanda de empresas multinacionais que possuem políticas internas que exigiam a compra de certificados reconhecidos mundialmente. Porém, mesmo no País, a procura de empresas por RECs vem aumentando muito”, afirma Fernando Giachini Lopes, diretor do Instituto Totum.

A certificação I-REC é o método mais prático e confiável para um consumidor escolher a origem de sua energia. “O certificado traz transparência e opções para aqueles que apoiam o desenvolvimento de energia renovável”, diz Hans Vander Velpen,  analista ambiental  da Voltalia, empresa com foco em pequenas e médias unidades de geração de energia, com sede na França, e que recentemente certificou um parque na plataforma internacional I-REC, aumentando ainda mais a oferta de RECs no Brasil.

 

Entenda como funciona esse mercado

 

Nem todas as empresas têm condições de investir em uma usina para gerar sua própria energia renovável. A saída então é receber a energia da forma tradicional e adquirir o volume de energia equivalente ao consumo por meio de Certificados de Energia Renovável.

Ao comprar RECs as empresas são abastecidas com a energia da rede local, que geralmente é um “mix” de fontes renováveis (hídrica, eólica, solar) e não renováveis (térmicas à óleo, gás ou nucleares). Em troca, elas estão investindo na geração da mesma quantidade consumida em energia limpa, ou seja, elas se apropriam somente da parte limpa que é colocada no sistema.

Com os RECs as empresas podem garantir 100% de energia renovável para seu uso sem ter de investir, elas próprias, em geração

O passo a passo para certificar um empreendimento no Brasil

 

No caso do registro IREC, os passos são os seguintes:

* Assinar contrato, tornando-se um registrante;

* Escolher o empreendimento a ser registrado;

* Pagar a taxa relativa ao empreendimento;

* Enviar a documentação que demonstra o atendimento aos requisitos do IREC e aguardar a auditoria documental pelo Instituto Totum.

Prazo aproximado de 10 dias para conclusão.

 

Com a documentação OK, empreendimento é registrado na plataforma mundial do I-REC e empresa recebe login e senha para acesso, que possibilita a emissão imediata dos RECs.

No caso do IREC com chancela de sustentabilidade REC Brazil, além dos passos acima, é necessário:

* Assinar contrato do REC Brazil

* Contratar auditoria in loco para verificação dos requisitos adicionais de sustentabilidade;

* Aguardar deliberação final do processo e Comissão de Certificação

Prazo aproximado de 30 dias para conclusão

Para conhecer as taxas relativas ao processo de registro e certificação, entre no site: http://www.recbrazil.com.br

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Caso nada seja feito para melhorar as políticas de gestão da água, algumas regiões do mundo poderão ver as suas taxas de crescimento cair até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas por um país – até 2050.

Esse alerta está em um relatório do Banco Mundial, intitulado High and Dry: Climate Change, Water and the Economy. Nele, o banco escreve que as alterações climáticas terão impacto, em primeiro lugar, no ciclo da água, com consequências na alimentação, energia, sistemas urbanos e ambientais.

O crescimento das populações, com maiores rendimentos e em cidades cada vez maiores, irá resultar num aumento exponencial das necessidades de água, mas a água disponível será mais errática e incerta, antecipa o relatório.

A redução da água doce disponível e a competição por parte de setores como a energia ou a agricultura poderão deixar as cidades em 2050 com até menos dois terços da água que tinham em 2015.

Segundo o Banco Mundial, se as políticas de gestão da água se mantiverem como estão e se os modelos climáticos se confirmarem, a escassez de água irá se estender a regiões onde atualmente não existe, como a África central e a Ásia oriental – e piorar gravemente onde já é uma realidade, como o Oriente Médio e o Sahel, na África.

Crescimento ameaçado

Estas regiões, prevê o relatório agora divulgado, poderão ver as suas taxas de crescimento econômico cairem em até 6% do Produto Interno Bruto até 2050, devido aos efeitos da escassez de água na agricultura, na saúde e nos rendimentos.

A boa notícia, revela o Banco Mundial, é que embora as más políticas possam exacerbar o impacto econômico negativo das alterações climáticas, as boas políticas podem ajudar a neutralizá-lo.

Algumas regiões poderão ver as suas taxas de crescimento aumentar até 6% com melhores práticas de gestão dos recursos aquáticos. Os autores do relatório recordam que os impactos da má gestão da água são particularmente sentidos pelos mais pobres, que têm maior probabilidade de depender da agricultura alimentada pela chuva e de viver em zonas mais suscetíveis a inundações, estando também mais vulneráveis ao risco de águas contaminadas e saneamento desadequado.

As mudanças na disponibilidade da água podem também induzir as migrações e incendiar conflitos civis, devido ao impacto que têm nos preços dos alimentos e no crescimento econômico, diz o estudo.

“É por isso que a gestão da água será crucial para o mundo alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as aspirações a uma redução da pobreza e a uma maior prosperidade partilhada”, ressalta o relatório.

“A água é a moeda comum que liga quase todos os ODS”, acrescenta o documento, numa referência aos objetivos definidos em 2015 pela comunidade internacional.

Otimizar a utilização da água através de melhor planejamento e incentivos, expandir a quantidade e disponibilidade de água, sempre que possível e reduzir o impacto dos extremos, da variabilidade e incerteza são as propostas do Banco Mundial para melhor gerir a água no futuro.

fonte: Agência Brasil

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Unindo sustentabilidade e tecnologia, BH recebe sua primeira árvore fotovoltaica. Funcionando a partir de energia solar, o dispositivo inovador é capaz de recarregar até seis celulares simultaneamente. A árvore, que fica no bairro Buritis, também disponibiliza sinal de Wi-Fi gratuito para os belo-horizontinos.

O projeto investe na utilização de energia renovável na capital. Construída com a tecnologia inovadora de filmes fotovoltaicos orgânicos da empresa mineira Sunew, a árvore, que possui um formato de palmeira, funciona com energia solar captada por um painel que não depende do ângulo de incidência do sol. Por isso, funciona com potência total por mais tempo.

Considerada uma tecnologia mais democrática e sustentável, a árvore fotovoltaica poderá ser utilizada pela população do Buritis para a recarga de celulares e como um ponto de acesso gratuito de Wi-Fi.

Quem quiser conhecer a árvore, pode passar pela sede da MRV (Av. Mário Werneck, 621 – Buritis) e conferir a novidade.

A ação é uma entre a MRV Engenharia e a Alsol.