Colheita-Agrofotovoltaico

Até agora, a área cultivada era designada para fotovoltaica ou fotossíntese, ou seja, para gerar eletricidade ou cultivar. Um projeto piloto agrofotovoltaico (APV) perto do Lago de Constança, no entanto, demonstrou que ambos os usos são compatíveis. O uso duplo da terra é eficiente em termos de recursos, reduz a concorrência pela terra e, adicionalmente, abre uma nova fonte de renda para os agricultores. Por um ano, o maior sistema APV na Alemanha está sendo testado na cooperativa agrícola Demeter Heggelbach.

No projeto de demonstração “Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos” (APV-Resola) “liderado pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE, os módulos solares para produção de eletricidade estão instalados diretamente acima de culturas que cobrem uma área de um terceiro hectare. Agora, a primeira colheita solar de energia e produção foi coletada em ambos os níveis.

O trigo de inverno, as batatas, o celeríaco e o trevo foram as primeiras culturas a serem testadas. A orientação sudoeste e a distância extra entre as linhas de cinco metros de altura dos módulos fotovoltaicos de vidro vidro bifacial garantiram que as culturas estavam expostas à radiação solar uniforme.

O sombreamento do módulo solar reduz o rendimento das culturas, mas o saldo total é positivo

Os resultados da primeira colheita foram, na sua maioria, promissores. “O rendimento de capim do capim do trevo na plataforma fotovoltaica foi apenas 5,3 % menos do que o plano de referência”, informa o Prof. Petera Högy, especialista em agricultura da Universidade de Hohenheim. As perdas de rendimento para batatas, trigo e celíacos são entre 18 a 19% e, portanto, um pouco maior “.

“Do ponto de vista da ciência agrícola, a agrofotovoltaica é uma solução promissora para aumentar a eficiência do uso da terra e a parcela de energia renovável fornecida pelo setor agrícola”, ressalta a Prof. Iris Lewandowski, Chefe do Departamento de Produtos Biobased e Culturas Energéticas, Universidade de Hohenheim.

Os especialistas concordam que, no entanto, é importante reunir mais experiência nos próximos anos e analisar outras culturas antes de chegar a conclusões finais.

 

Arranjo solar tem produção acima da média

 

Os módulos solares bifaciais 720 produzem eletricidade solar não apenas na parte da frente, mas também na parte de trás dos módulos fotovoltaicos com radiação solar refletida pelos arredores. Sob condições ambientais favoráveis, por exemplo, cobertura de neve, um rendimento de eletricidade adicional de vinte e cinco por cento pode ser alcançado. Do ponto de vista energético, o princípio da dupla utilização da agrofotovoltaica é muito mais eficiente do que apenas plantar culturas energéticas, contabilizando, afinal, 18 por cento do uso da terra agrícola na Alemanha.

Veja também:   Tesla anuncia primeiro projeto de armazenamento de energia solar e eólica do mundo

Com uma potência instalada de 194 quilowatts, a matriz fotovoltaica pode fornecer 62 casas de quatro pessoas com eletricidade. Nos primeiros doze meses, a matriz produziu eletricidade de 1266 quilowatts-hora por quilowatt instalado, um terço do que o valor médio de 950 kWh / kW na Alemanha.

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A produção de energia do campo experimental corresponde bem à carga de fazenda diária. Cerca de 40% da eletricidade produzida na fazenda foi usada diretamente para carregar os veículos elétricos e processar as colheitas colhidas.

No verão, a demanda de carga poderia ser quase completamente atendida pelo sistema fotovoltaico. Thomas Schmid e os outros agricultores de Demeter pretendem aumentar o seu autoconsumo até 70 por cento, otimizando o comportamento de consumo e instalando um sistema de armazenamento de eletricidade.

A eletricidade PV excedente é alimentada na Elektrizitätswerke Schönau, uma empresa de serviços elétricos com base em energia 100% renovável e parceira no projeto.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

Projeto Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos (APV Resola)

Uma vez que a ideia da agrofotovoltaica foi iniciada pela primeira vez pelo Prof. Adolf Goetzberger, que fundou o Fraunhofer ISE em 1981, várias grandes instalações APV foram instaladas em todo o mundo. Por outro lado, apenas algumas dessas plantas APV são designadas como sites de pesquisa.

No projeto “APV Resola”, os pesquisadores estão investigando os aspectos econômicos, técnicos, societários e ecológicos da tecnologia em uma planta piloto em condições reais pela primeira vez. O projeto de pesquisa é apoiado por fundos do Ministério Federal Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF) e da Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (FONA).

O objetivo do projeto é desenvolver a tecnologia do sistema APV em um produto pronto para o mercado. “Para fornecer a prova de conceito necessária antes da entrada no mercado, precisamos comparar outras aplicações técnico-econômicas da APV, demonstrar a transferibilidade para outras áreas regionais e também realizar sistemas maiores”, explica Stephan Schindele.

Por exemplo, diferentes aplicações possíveis devem ser exploradas em combinação com frutas, frutos do mar, lúpulo e lavouras e com as várias tecnologias, tais como armazenamento de energia, filmes especiais com células solares orgânicas e sistemas de tratamento de água solar fotovoltaica.

“Além do investimento da indústria e da política de pesquisa, as medidas políticas apropriadas que apoiam a tecnologia são de vital importância para uma entrada bem sucedida no mercado”, acrescenta Stephan Schindele. Já em 2014, Fraunhofer ISE e Wuppertal Institute.

 

*Com informações do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar

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Podemos chegar a 2030 com uma matriz energética 100% renovável. Esta é a opinião de 71% dos especialistas ouvidos em uma pesquisa realizada pela organização REN 21. Os dados são parte do Renewables Global Futures Report e foram assunto do debate do dia 10 na Conferência do Clima da ONU (COP 23), em Bonn, na Alemanha, em uma conversa promovida pela Itaipu Binacional.

A empresa reuniu diferentes atores do setor de geração energética para discutir ações implementadas rumos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) 6 e 7. As metas tratam de água e energia e são parte da lista de 17 objetivos ratificados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na lista de tarefas estão missões ambiciosas de eficiência energética, cooperação internacional e universalização do acesso a ambos os recursos.

O diretor executivo da Itaipu, Helio Amaral, destacou que, ocupando o posto de maior hidrelétrica do mundo, é natural que a organização coloque no cerne de seus negócios a manutenção de sua principal matéria-prima: a água. O diretor explicou que a empresa desenvolve ações customizadas no Cultivando Água Boa, um amplo programa de cuidados com as microbacias da região. “Fazemos tudo com a participação da comunidade local e promovendo o desenvolvimento regional. Consideramos a segurança da água como parte dos nossos negócios”, disse.

As ações envolvem recuperação de nascentes, capacitação de agricultores, reflorestamento e também a diversificação da matriz energética. A empresa investe em geração de biogás a partir de dejetos dos animais e em breve deve colocar em funcionamento placas de geração de energia solar, porém, ainda em sistema piloto e sem objetivos de comercialização.

Para Cristine Lins, secretária-executiva da REN 21, o caminho é correto. “A energia hidroelétrica tem sido uma pilastra no avanço das renováveis, mas é preciso desenvolver as demais energias para chegarmos em uma matriz equilibrada e 100% renovável”, comentou. Ela destacou que os investidores tem apostado mais em outras fontes, como a solar. “A China, em 2016 ampliou em 34,5 GW capacidade instalada de geração de energia solar, aumentando em 45% seu potencial”, ressaltou.

Este equilíbrio entre as fontes é também o caminho para que investidores abracem de vez o setor. James Close, diretor de mudanças climáticas do World Bank Group, explica que a diversificação pode trazer mais segurança em um cenário de imprevisibilidade da disponibilidade de água. “Os padrões erráticos das chuvas e as secas e enchentes mais frequentes tem impactos severos quando falamos da falta de água. Para financiar projetos precisamos garantir todos estes aspectos. Assim os investidores podem entender os problemas e os riscos também”, comentou.

Richard Taylor, diretor executivo da International Hydropower Association, corroborou com a abordagem. “Não existe uma tecnologia única que seja a solução para a energia limpa. Precisamos de uma sinfonia de renováveis para o futuro”, enfatizou.

Ele destacou ainda o exemplo da Costa Rica, que tem em seu território a maior hidrelétrica da América Central e comercializa seu excedente energético com outros seis países, por meio do Central American Electricity Interconnection System (SIEPAC). “A eletricidade lá é cotidianamente comercializada. Quando existe mais energia o mercado se beneficia disso. Esse sistema fez o custo da energia descer e diminui a necessidade do uso de fontes não renováveis”, explica.

Lembrando os ODS’s, Taylor destaca o valor de parcerias deste tipo. “Não chegaremos a esses objetivos sem uma abordagem sistêmica, sem parcerias. Se você tiver uma interconexão ou uma rede mais ampla que combina várias fontes, você compartilha e compensa reservas Precisamos acelerar e pensar em um futuro com as energias renováveis”.

Para Cristine Lins, este é o futuro que precisa ser desenhado, mas para o processo é ainda lento. “Temos progresso, mas até agora não o suficiente para atingir as metas de Paris (estabelecidas na COP 21). Para chegar ao cenário de 100% de renováveis precisamos de políticas adequadas e não se pode negligenciar o tempo. 2050 parece estar muito longe, mas são só 33 anos e as decisões tomadas hoje é que vão influir neste resultado”, enfatizou, concluindo ainda que “16% da população global vive sem eletricidade. São 1.9 bilhão de pessoas. Isso é inaceitável no século 21. Somos a primeira geração que tem nas mãos a tecnologia para mudar isso e precisamos fazê-lo”.

Closeup shot of a man pouring a glass of fresh water from a kitchen faucet

Ao longo de dez meses a Orb Media realizou uma investigação sobre o plástico em água de torneiras em diversos lugares do mundo. Os resultados foram surpreendentes pois 83 por cento das amostras coletadas continham fibras de plástico, também chamadas de microplásticos. Segundo os autores do estudo, estamos vivendo na ‘Era Plástica’ e a contaminação provavelmente não está limitada somente à nossa água.

Segundo a Orb Media este foi o primeiro estudo científico público do tipo e contou com a parceria de um pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos EUA. Os autores da pesquisa testaram a água da torneira nos Estados Unidos, Europa, Indonésia, Índia, Líbano, Uganda, Equador e Brasil.

Segundo os pesquisadores, os microplásticos que contaminam nossas águas vêm de uma variedade de fontes, entre elas estão as roupas sintéticas, as poeiras de pneus e até mesmo plásticos encontrados em produtos de higiene e beleza, como pastas de dente e cosméticos. “Foram produzidos mais plástico nos últimos dez anos do que em todo o século passado”, alerta o relatório.

Microplástico presente em produtos esfoliantes | Foto: iStock by Getty Images

No estudo os Estados Unidos foram os recordistas com 94% de amostras com plástico na água da torneira. Os pesquisadores detectaram as fibras plásticas até mesmo na sede da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, edifícios do Congresso e na Trump Tower em Nova York. Já o Líbano e a Índia apresentaram as maiores quantidades de contaminação. A Europa tinha o mínimo, porém, os plásticos foram encontrados em 72% das amostras lá.

No Brasil

Em parceria com a Orbi Media, o jornal à Folha também participou do estudo enviando 10 amostras de água da cidades de São Paulo. Segundo matéria publicada no site do jornal, 9 entre 10 amostras continham fragmentos de plástico com números semelhantes aos encontrados ao redor do mundo.

O texto enfatiza que apesar dos brasileiros não possuírem o hábito de beber água diretamente da torneira, ainda a utilizamos para cozinhar. Além disso, os pesquisadores alertam que os plásticos provavelmente já estão presentes em nossa comida.

unilever

A sustentabilidade somente será efetiva se estiver associada ao processo de inovação das empresas. Algumas grandes companhias no mundo já começaram a perceber essa oportunidade e cada vez mais inserem os princípios de sustentabilidade como direcionadores dos seus investimentos de inovação.

Essa abordagem não é uniforme e nem tem a liderança das empresas de tecnologia, como se viu na maior conferência mundial de inovação e sustentabilidade aplicada aos negócios, a Sustainable Brands Detroit, realizada entre 22 e 25 de maio, na cidade que já foi o berço da indústria norte-americana e hoje vive uma busca por reinvenção.

Ainda temos a maior parte das grandes companhias focadas na redução dos impactos negativos da sua atividade. Nesse grupo, não estão apenas aquelas reconhecidas por utilizarem intensamente recursos naturais, como mineração, óleo & gás, agricultura, entre outras. É curioso ver também marcas high tech como Google e Apple começando a apresentar suas iniciativas de gestão socioambiental. Nesse terreno, elas se parecem como todo e qualquer gigante industrial.

A consultoria internacional GlobeScan pesquisa há 20 anos quais são as empresas líderes em sustentabilidade na percepção dos especialistas de todo o mundo. O resultado do Sustainability Leaders 2017, que teve a participação de 1035 especialistas de 79 países foi apresentado em Detroit.

A Unilever segue líder em percepção de sustentabilidade, posição que mantém desde 2011. Em segundo, está a Patagonia, com metade da pontuação da Unilever, mas com o dobro do reconhecimento da terceira colocada, a Interface, que é a única presente entre os líderes desde o início da consulta. Aparecem a seguir empresas como Ikea, Tesla, Natura, Marks & Spencer e Nestlé. Aliás, há apenas uma região no mundo em que a Unilever não lidera, a América Latina, território de dominação da Natura.

O traço comum entre essas empresas, de trajetórias, segmentos e geografias variadas, é que todas inserem os elementos de sustentabilidade como foi condutor dos seus modelos de negócio ou da evolução deles.

Há dez anos, as companhias apontadas pelos especialistas eram Interface, GE, Toyota, BP, Walmart e Novo Nordisk. Foram reconhecidas por inserir o entendimento de sustentabilidade daquela época à gestão, criando mensuração do impacto negativo, programas de mitigação, mas ainda numa visão muito distante da estratégia do negócio.

O tempo mudou e a abordagem dos líderes atuais também. Por que a Interface, lendária empresa de carpetes criada por Ray Anderson, consegue resistir ao tempo? Porque colocou para si uma meta extremamente ambiciosa: não gerar impacto negativo por meio de sua atividade produtiva até 2020 (estratégia Mission Zero).

Isso exige mudança de modelo mental e, sobretudo, muito investimento em novas tecnologias. Afinal, serão elas que transformarão os impactantes processos produtivos atuais. Novamente a pergunta: por que fazer isso? A Interface declaradamente quer revolucionar a indústria. Dar o exemplo de que é possível recolocar a indústria em um patamar de genuína contribuição para o futuro que queremos.

Assim como a Interface, todas essas empresas hoje percebidas como líderes desafiam-se a ter um propósito que provoque transformação positiva no mundo por meio de sua própria atividade produtiva. Não é um processo pronto, é imperfeito e está em evolução. Portanto, vamos encontrar em todas contradições a serem resolvidas ou superadas. Mas é assim que os líderes agem: assumindo riscos e entendendo que devem puxa a fila pelo exemplo.

Na próxima semana, vamos explorar o que faz da Unilever o grande fenômeno de protagonismo em sustentabilidade em todo o planeta

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No mundo em que vivemos, com tantos danos ambientais e sociais, já é ultrapassado pensar na prática da sustentabilidade por si só. O conceito diz que é preciso preservar o que temos hoje com a finalidade de garantir as gerações futuras, porém é preciso ir além: dentro de sua esfera de contribuição, empresas e comunidades – e não somente o poder público – devem desenvolver iniciativas para recuperar o planeta.

 

Para as organizações privadas, é importante que a relação entre a economia, o social e o ambiental esteja afinada. Ou seja, as companhias não podem mais atuar pensando só em gerar lucro e, por meio do uso sustentável de recursos e do desenvolvimento humano, devem estar adequadas a toda cadeia de valor, à preservação da água e à biodiversidade. Em busca de reforçar a importância do envolvimento de todos os setores com a sustentabilidade, a Organização das Nações Unidas implementou, em 2015, 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), cuja finalidade é aplicar universalmente, até 2030, ações que contribuam com o fim da pobreza, da desigualdade e que combatam as alterações climáticas.

 

Em 2016, a ONU reconheceu dez líderes empresariais (Local SDG Pioneers) de todo o mundo para atuarem como agentes fomentadores desses 17 objetivos, com a finalidade de defender a sustentabilidade por meio de seus negócios. Neste seletíssimo time, estão dois brasileiros: Sonia Favaretto, diretora de Imprensa e Sustentabilidade da BM&FBOVESPA, e Ulisses Sabará, presidente do Grupo Sabará e reconhecido por seus esforços alinhados à Vida Terrestre.

 

O tema Vida Terrestre foi definido como o ODS de número 15 e reconheceu um líder empresarial como exemplo mundial do trabalho que as organizações precisam desenvolver para proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade. À frente do Grupo Sabará, sobretudo da unidade de negócios Beraca, Ulisses Sabará põe em prática uma gestão alinhada ao serviço de transformação, reunindo o desenvolvimento econômico e a inclusão social de milhares de famílias para garantir a integridade ambiental das regiões em que a empresa atua.

 

Essa transformação não ocorre apenas junto às comunidades que trabalham em parceria com a empresa, mas também com pessoas que precisam de melhores condições no que diz respeito ao saneamento básico. O Grupo Sabará é responsável também pelo projeto “Piauí – Água, Cidadania e Ensino” (Pace), na região de Curimatá, no Piauí. Por conta da seca que aflige a vida das famílias locais, a iniciativa promove o fácil acesso à água potável, visa a restauração de escolas e estimula a geração de renda local.

 

Os benefícios que já impactaram a comunidade são a construção de quatro poços e estações de tratamento, a captação e o tratamento de 11 milhões de litros de água para uso tanto no cultivo como em atividades cotidianas, a renovação de quatro escolas, a construção de um centro comunitário para a realização de atividades culturais e educacionais, e a implementação de um sistema de permacultura. Além disso, em função do cultivo, alguns moradores começaram a vender suas hortaliças em feiras locais e até mesmo em outras cidades.

 

Esses são apenas exemplos de iniciativas que instituições privadas podem colocar em prática na busca por um mundo melhor. Lutar em defesa das questões ambientais e sociais é fundamental para que as companhias sobrevivam, mesmo diante do mercado competitivo em que vivemos

 

*Wellington Rodgério é diretor financeiro do Grupo Sabará, empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias, soluções e matérias-primas de alta performance, voltadas aos mercados de tratamento de águas, cosméticos, nutrição e saúde animal e à indústria de alimentos e bebidas.

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Todo ano, o Greenpeace libera um relatório sobre as empresas de tecnologia que adotam políticas favoráveis ao meio ambiente, contribuindo para a redução do aquecimento global e outros problemas ambientais. Pela terceira vez, a Apple ficou no topo da lista, com nota A e pontuação de 83% no índice de energia limpa. Google e Facebook também tiveram boas notas, enquanto Netflix e Amazon não se saíram tão bem.No relatório, disponível em PDF, o Greenpeace enfatiza a importância da preocupação com o meio ambiente no meio tecnológico, principalmente na manutenção de datacenters e produção de eletrônicos. A avaliação leva em conta tanto as políticas de uso de energia renovável já implementadas quanto o comprometimento e transparência das empresas em disponibilizar informações sobre o assunto.

Muitas companhias conhecidas não tiveram exatamente uma boa nota no relatório. Destaques negativos ficaram para empresas de cloud computing e streaming de vídeo, com o último tipo sendo responsável por 63% do tráfego global da internet em 2015. Nomes como HBO, Netflix e Vimeo receberam nota F no relatório, como mostra a imagem abaixo.

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A Netflix pontuou 17% no índice de energia limpa, com nota mínima (F) nas seções de transparência e comprometimento com políticas renováveis. Me surpreendeu o fato de a empresa ter 26% de energia nuclear em sua matriz energética, criticada pelo Greenpeace, por oferecer “risco inaceitável ao meio ambiente e à saúde humana”.

Ela também recebeu nota F no setor de advocacia por energia renovável, enquanto Apple e Google foram elogiadas no relatório. Segundo o Greenpeace, ambas as companhias utilizam a sua influência para pressionar governos e outros setores de TI a se importarem com energia renovável em suas operações.

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No entanto, o Greenpeace expressou preocupação na presença cada vez maior da computação na nuvem em prol da local, por conta da demanda por datacenters cada vez mais gastões para armazenar e transferir grandes quantidades de dados. A organização enfatizou no relatório que o comprometimento com políticas renováveis é muito importante porque a transição para a nuvem também significa um aumento no consumo de carvão e outros combustíveis fósseis.

Uma das empresas mais criticadas, além da Netflix, é a Amazon Web Services (AWS), por continuar investindo em datacenters com energia não renovável apesar de ter se comprometido a adotar políticas de energia renovável. Não é à toa que o índice de energia limpa da empresa caiu em relação ao ano passado, pontuando em 17% no relatório, também com uso de 26% de energia nuclear.

Por fim, o Greenpeace ressalta no relatório que o setor de TI é responsável por 7% do uso de toda a energia elétrica global, com expectativa de continuar crescendo. A organização completa que, felizmente, a adoção de energia renovável vem sendo priorizada por grandes empresas do setor.

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A biologia sintética, a geoengenharia e o reconhecimento dos saberes ancestrais são os temas mais debatidos na 13ª Conferência das Partes (COP 13) do Convênio sobre Diversidade Biológica (CDB), que terminará no dia 17, neste balneário. O desenlace desses assuntos ocorrerá esta semana, na reta final da reuniõ que desde o dia 2 recebe a COP 13, e outros encontros e fóruns internacionais vinculados à riqueza natural do planeta.

Para os países do sul em desenvolvimento, esses temas são vitais, devido aos capitais biológico e cultural que concentram em seus territórios e que podem ser desprezados se forem permitidos dentro da estrutura do CDB. “Em uma escala de um a dez, diríamos que estamos em quatro. As negociações estão lentas. Necessitamos que sejam agilizadas e sigam em favor da população”, apontou à IPS o venezuelano Santiago Obispo, dirigente da não governamental Rede de Cooperação Amazônica.

Quanto à biologia sintética (synbio, em inglês), governos, representantes acadêmicos, da sociedade civil e de indígenas temem seu impacto devastador em ecossistemas e meios de vida das comunidades locais. Essa disciplina consiste em engenharia biológica assistida por computadores para desenhar e construir formas sintéticas de vida, partes vivas, artefatos e sistemas que não existem na natureza.

Atualmente, há pesquisa sobre a criação de sabor sintético de baunilha, cuja produção industrial ameaça o bem-estar de camponeses de países como Comores, China, Madagascar, México, Reunión e Uganda. Também há pesquisas semelhantes sobre o vetiver, um fragrância utilizada em produtos cosméticos e cuja versão biossintética golpeará produtores no Brasil, China, Haiti, Indonésia, Japão, Índia e Reunión.

Além disso, aparecem, dentro dessa tecnologia de laboratório, os chamados impulsionadores genéticos, aqueles capazes de alterar permanentemente espécies mediante o impulso de um “caráter” específico dentro do processo reprodutivo dos organismos. Isso possibilita que sejam esses genes alterados os herdados por toda a descendência. O temor de seus críticos é que sejam eliminadas espécies ou ecossistemas com sequelas imprevisíveis.

Em Cancún, onde se reúnem mais de 6.500 delegados oficiais e representantes sociais de mais de 160 organizações não governamentais, acadêmicas e de povos indígenas, foi pedida uma moratória sobre experimentos que envolvam biologia sintética, como a desses impulsionadores genéticos. Nos debates da COP 13, os blocos africano e caribenho, secundados por El Salvador, Bolívia e Venezuela, se pronunciaram a favor dessa moratória, mas Austrália, Brasil e Canadá lideram a pressão pela aceitação da synbio dentro do CDB.

Um tema que obteve unanimidade entre os Estados parte é a rejeição às sequências genéticas digitais, estruturas moleculares criadas com programas de computador. Na Declaração de Cancún que é negociada não se inclui a palavra “moratória” à bioengenharia e aos impulsionadores genéticos, mas se faz um convite aos Estados para adiarem esse tipo de pesquisa.

Os delegados dos 196 Estados parte do Convênio sobre a Diversidade Biológica apertam o passo para alcançar acordos sobre a preservação e o aproveitamento da biodiversidade do planeta, na reunião de cúpula que terminará no dia 17, em Cancún, no México. Foto: Emilio Godoy/IPS

Em COPs anteriores, que acontecem a cada dois anos, o CDB adotou uma aproximação cautelosa sobre os efeitos positivos e negativos da synbio e pediu às partes avaliações científicas em torno dela. Para Barbara Unmüssig, uma das presidentes da Fundação Heinrich Böll, vinculada ao Partido Verde alemão, a cúpula de Cancún será um sucesso se o CDB adotar enfoques cautelosos sobre a engenharia biológica e a geoengenharia.

“A COP 13 deve sair com uma forte postura para dizer às empresas globais em busca da biologia sintética e da geoengenharia que devem adotar passos para avaliá-las e estabelecer moratórias. Se essas moratórias forem confirmadas, mostrará que é uma convenção com determinação e que não está a favor de certas tecnologias”, opinou à IPS a ativista alemã.

A geoengenharia representa a manipulação intencional, em grande escala, dos sistemas do planeta para combater a mudança climática, mediante técnicas de manejo da radiação solar, remoção de gases-estufa e modificação climática. Durante a COP 9, realizada na cidade alemã de Bonn, em 2008, o CDB adotou uma moratória para a fertilização oceânica, uma técnica de geoengenharia, e outra dois anos depois, na reunião de Nagoya, no Japão, uma posição que não mudará em Cancún.

No entanto, os representantes dos povos originários realizam uma grande atividade nesse encontro, em defesa de seus direitos em seus territórios e como guardiões de sua biodiversidade. A Bolívia propôs a criação de um órgão ad hoc responsável pelos temas indígenas, depois que os grupos ancestrais já conseguiram o reconhecimento do CDB do conceito “povos indígenas e comunidades locais” como atores de direitos, em uma demanda que conta com apoio de suas organizações em todo o mundo.

Porém, mesmo com esse reconhecimento, há problemas para que os povos originários possam dar seu consentimento às políticas de proteção e aproveitamento da biodiversidade em seus territórios. O termo “livre”, dentro do proposto consentimento prévio, livre e informado, bloqueia as negociações pela rejeição liderada pelos Estados asiáticos e africanos.

“Queremos que haja um equilíbrio de visões, que haja um balanço sério e responsável para fortalecer a participação de povos indígenas”, ressaltou à IPS o chefe da delegação da Bolívia na COP 13, Diego Pacheco, vice-ministro de Planejamento e Desenvolvimento. A Conferência de Cancún acontece quando é cumprida a primeira metade da Década das Nações Unidas sobre Biodiversidade 2011-2020.

Vários estudos divulgados por ocasião da cúpula evidenciam que o mundo continua destruindo os ecossistemas, apesar dos esforços conservacionistas. A esse respeito, o mundo descumprirá 60% das Metas de Aichi, como são conhecidos os 20 pontos do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica 2011-2020, adotado em 2010 pelos Estados partes do CDB e que se referem ao cuidado da riqueza natural, à participação dos povos indígenas e ao aproveitamento sustentável, entre outros.

“É uma negociação que afetará a biodiversidade na Terra. Não podemos permitir que o CDB tente mercantilizar a biodiversidade, que se coloque um preço”, insistiu Obispo. Umüssig recomendou enfrentar as causas da perda da riqueza biológica. “Temos que deter os principais fatores de destruição da biodiversidade. Se realmente estamos interessados em manter os ecossistemas, temos que pensar em medidas adequadas contra a superexploração da pesca e contra o cultivo de transgênicos”. E denunciou que isso ocorre porque “a agroindústria procura se apoderar de terras para destiná-las à monocultura em todo o mundo”.

Para Pacheco, o CDB não deve impor “um modelo homogêneo, pois tem que ouvir as alternativas, mas há forte influência dos países desenvolvidos”. Temas como o reconhecimento dos polinizadores naturais e a designação de áreas marinhas avançam sem maiores contratempos. No primeiro caso, valorizou-se a importância da agroecologia, da manutenção de seus habitat e “evitar ou reduzir” o uso das substâncias tóxicas usadas na agricultura, os agrotóxicos. No segundo caso, destacou-se a transcendência do planejamento marinho. Em Cancún, decidiu-se que o Egito será a sede da COP 14, em 2018. Envolverde/IPS

 

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Santo Domingo, República Dominicana e Londres, Grã-Bretanha, 23/11/2016 – Agora que passou a Habitat III, vemos com maior clareza como transformar nossas cidades em ambientes inclusivos, seguros e mais produtivos, e contamos com um mapa do caminho concreto para conseguir isso.

A Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III) foi realizada em Quito, capital do Equador, entre os dias 17 e 20 de outubro.

A Nova Agenda Urbana surgiu em um momento oportuno. A urbanização está acelerada, em particular nas nações em desenvolvimento, onde espera-se que a população urbana duplique até 2050.

Somente na Ásia meridional, esta aumentou em 130 milhões de pessoas entre 2001 e 2011, segundo o último estudo do Banco Mundial. Além disso, projeta-se outro aumento de 250 milhões de pessoas até 2030.

Os habitantes das cidades necessitam de acesso mais equitativo a serviços básicos como água, saneamento, moradia, além de atenção médica próxima e bairros mais verdes e seguros.

Uma mulher utiliza um lavadouro público em um assentamento precário de Bangalore, capital do Estado indiano de Karnataka. Foto: Malini Shankar/IPS

Uma mulher utiliza um lavadouro público em um assentamento precário de Bangalore, capital do Estado indiano de Karnataka. Foto: Malini Shankar/IPS

Não podemos reduzir a pobreza sem investir no melhoramento dos assentamentos tanto formais quanto informais. Na Ásia meridional há 130 milhões de pessoas vivendo em favelas, e provavelmente sejam mais com o ritmo atual da urbanização.

Mas, para impulsionar uma mudança duradoura e a prosperidade para todos, os investimentos nas cidades devem seguir juntos com uma grande transformação das zonas rurais para que estejam parelhas, ou até mesmo mais atraentes do que as cidades.

O crescimento exponencial das cidades se deve em grande parte ao resultado da crescente brecha entre as realidades urbana e rural, onde a falta endêmica de serviços básicos e oportunidades de emprego expulsam a população rural para os centros urbanos. No apuro para enfrentar os desafios da urbanização, não podemos perder de vista o meio rural.

As comunidades rurais já não estão isoladas do resto do mundo. Os setores mais jovens têm telefones celulares inteligentes e conexão com a internet, e sabem que há lugares onde existem serviços melhores, empregos melhores e uma vida melhor do que a que podem ter onde vivem.

Os homens e as mulheres partem das zonas rurais em grande quantidade, deixando as comunidades que deveriam fortalecer e estruturar, e abandonam seus amigos, suas famílias e sua cultura.

Emigram para as grandes cidades em busca de trabalho e de um futuro melhor, mas, sem educação formal nem qualificação, muitos ficam à margem da sociedade a que aspiram pertencer.

Estima-se que no assentamento precário de Kisenyi, na capital de Uganda, vivem muitos dos quase 12 mil imigrantes somalianos que há neste país. Foto: Amy Fallon/IPS

Estima-se que no assentamento precário de Kisenyi, na capital de Uganda, vivem muitos dos quase 12 mil imigrantes somalianos que há neste país. Foto: Amy Fallon/IPS

O êxodo dos jovens põe em risco o tecido social das comunidades rurais e exacerba os problemas que a Nova Agenda Urbana busca atender: moradia precária e insalubre, falta de trabalho, insegurança e excesso de pessoas.

As pessoas emigram quando as opções em sua localidade são limitadas. Mas se houver investimento em sua capacitação, no desenvolvimento de negócios rurais, em assistência técnica, e tiverem apoio econômico, conectividade, boas estradas, serviços de saúde, eletricidade, haverá ampliação de suas opções e redução da pressão sobre os centros urbanos.

Vimos que isso acontece em países onde a criação de uma rede de universidades descentralizadas eleva o número de jovens formados e capacitados nas comunidades rurais, e como contribuem para transformar centros rurais abandonados em lugares animados.

Também observamos como em comunidades onde a realização de pequenos investimentos para o desenvolvimento de negócios e o acesso a serviços financeiros permitiram que alguns empresários rurais começassem atividades econômicas viáveis e gerassem renda para suas famílias, emprego para os vizinhos e serviços para suas comunidades.

Há outra razão pela qual as áreas rurais prósperas são fundamentais para a prosperidade dos centros urbanos.

Os pequenos agricultores e pescadores são os principais produtores de alimentos na maioria dos países em desenvolvimento. Na Ásia, África e Caribe, produzem até 90% do que as populações locais comem diariamente.

Com o crescimento da população mundial, será necessário aumentar a quantidade e a qualidade dos alimentos produzidos pelas comunidades rurais.

Crianças caminham em um assentamento precário no Peru. Foto: Cortesia do jornal La República/IPS

Crianças caminham em um assentamento precário no Peru. Foto: Cortesia do jornal La República/IPS

Os alimentos frescos terão que chegar mais rápido aos mercados e em melhores condições, e os agricultores terão que receber preços mais justos para poderem investir para melhorar seus produtos, preservar o ambiente e construir resiliência para enfrentar a variabilidade do clima.

As comunidades rurais e urbanas têm uma grande interdependência para conseguir um crescimento sustentável. Vivemos em um mundo interligado, mas onde as desigualdades entre pessoas, regiões e países expulsam um número crescente de pessoas de suas comunidades de origem com destino às cidades em busca de uma vida melhor.

Ao melhorar as condições de vida das populações rurais pobres e dar-lhes oportunidade de crescimento, podemos reduzir a pressão sobre as grandes metrópoles e criar sociedades mais equilibradas e prósperas. Envolverde/IPS

*Josefina Stubbs é candidata a presidir o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), onde foi vice-presidente adjunta para Estratégia e Conhecimento, entre 2014 e 2016. David Lewis é professor de desenvolvimento e políticas sociais na Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres.

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Reduzir a emissão dos  dos GEEs (gases de efeito estufa) em 37% em 2025 e em 43% em 2030, , números estimados em relação a 2005, segundo definido no Acordo de Paris ratificado recentemente,   exigirá uma série de ações, mas também de novas escolhas. Isso significa que, não só em Marrakech, durante a realização da COP 22, mas pelos próximos anos, o Brasil deverá buscar as melhores soluções para cumprir com a meta prevista na sua NDC.

O sistema energético  brasileiro é atendido fundamentalmente pela geração hidrelétrica, complementado por usinas térmicas e fontes renováveis, como a energia eólica, a energia solar, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e também por meio da da biomassa, principalmente o obtido do bagaço de cana. De toda maneira, ainda se aposta na- hidroeletricidade como a matriz energética com maior  probabilidade para atender o crescimento econômico esperado para os próximos anos, em termos de custo (competitividade econômica), viabilidade ambiental, índice de emissões de gases do efeito estufa e confiabilidade no suprimento.

Sendo o quarto maior potencial hidrelétrico do mundo, atualmente a participação da geração hidrelétrica na produção de energia elétrica  consumida no país é de aproximadamente 80%. Informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia indicam que qualquer substituição desta forma de energia refletiria em aumento substancial da parcela de geração na conta de luz dos consumidores, uma vez que, os custos de geração da energia hidrelétrica são inferiores aos preços de outras fontes.

Em relação à emissão de poluentes, segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a cada MWh (megawatt hora) gerado, o fator de emissão de CO2 emitido pelas hidrelétricas corresponde a 0.02, o que a colocaria como a menos poluidora, enquanto que o valor referente a termelétrica a gás natural é de 0.45, a óleo é de 0.9 e a carvão 1.10, maior poluidora entre as quatro.

No entanto, apesar das facilidades apontadas pelo Ministério, este ainda encontra uma dificuldade: harmonizar a preservação ambiental com a exploração dos potenciais de energia hidráulica, principalmente na Amazônia, região do país com maior potencial a ser explorado. Esta dificuldade põe em cheque os benefícios da matriz energética, pois, para a instalação da infraestrutura necessária, gera-se alto impacto ambiental, entre eles, podem-se destacar os impactos na fauna e na flora, a inundação de áreas pela criação de reservatórios, a realocação de moradores nas áreas do projeto e as perdas de acervos patrimoniais e culturais.

Referente aos danos que a construção da infraestrutura acarreta, fonte do Ministério de Minas e Energia afirma: “Nos estudos e nos projetos do setor elétrico, são obrigatórias na legislação ações preventivas para mitigar esses impactos e preservar a qualidade ambiental dessas áreas, contemplando saúde pública, educação, saneamento, segurança, habitação e a preservação da biodiversidade, entre outras”.

Dentre os benefícios da instalação de hidrelétricas, informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia enumeram: o desenvolvimento econômico e social da região; o aumento da demanda por serviços, que geraria oferta de empregos para toda a população; aumento da renda e melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade; o crescimento da arrecadação de impostos, que proporcionaria aumento da capacidade de investimentos para as áreas de saúde, educação, segurança e bem estar da comunidade. Após a estabilização da área do empreendimento, especificamente do reservatório, criam-se novas oportunidades de atividades comercias, como turismo, irrigação, pesca e navegação.

Ainda de acordo com a fonte do Ministério de Minas e Energia, desconsiderar esse potencial energético é abrir mão de uma energia renovável, limpa e inesgotável. A energia das hidrelétricas proporcionaria uma vantagem econômica aos brasileiros, pois o país tem a expertise de toda a sua cadeia produtiva, não dependendo de tecnologias de outros países. Além do mais, é considerada uma energia barata que favorece os produtos brasileiros numa competição com outras nações.

Se por um lado ela pode ser vista por um espectro positivo, há quem defenda o investimento em outra fonte energética, uma vez que, acredita no impacto negativo social e ambiental. Alice Amorim, colaboradora do grupo Gestão de Interesse Público, acredita que há várias fontes energéticas ainda não exploradas no Brasil, com externalidades negativas muitos menores quando comparadas com a energia de hidrelétricas. Entre estas fontes, Amorim aponta a solar e a eólica.

O argumento da promoção de benefícios tanto para a comunidade local, como para o país, é refutado por Amorim: “O argumento outrora de geração de emprego, da promoção de “desenvolvimento” não se verifica na prática. Com um modelo de distribuição de demanda tão concentrado nas grandes cidades do sudeste, não faz sentido criar um sistema que não contribui para uma maior autonomia e descentralização de geração de energia”. O custo mais barato do KWH de hidrelétricas não justificaria e compensaria o preço da biodiversidade perdida. O custo mais elevado de energias como a eólica e solar, poderiam vir não só do dinheiro público, mas da iniciativa privada também, afirma Amorim.

Paulo Adario, estrategista Sênior de Florestas do Greenpeace, compartilha da opinião de que a hidrelétrica como principal matriz energética não é a solução para o Brasil. Para ele, o país não precisa expandir as fontes de energia hidráulica. “As hidrelétricas são caríssimas, têm profundo impacto ambiental. Se nós alagamos as áreas permanentes, se mudarmos o fluxo do rio, provocaremos um impacto gigantesco na diversidade de animais. Com a discussão do clima, não estamos só salvando a nossa espécie e tentando parar com este desastre climático. Estamos salvando todas as espécies que estão sendo ameaçadas pela nossa existência e expansão do homem sobre a terra”.

A geração do emprego durante o processo de construção da hidrelétrica é tido como um efeito colateral para Paulo, uma vez que, as pessoas que chegam a cidade geram desmatamento para se instalarem, como na cidade de Altamira, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e posteriormente deixam a cidade. Adario reforçou a importância de uma autoridade brasileira, como o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ter afirmado durante a COP 22 que as hidrelétricas não são uma solução para a Amazônia.

O  potencial brasileiro em relação a energia solar, a bioenergia, a biomassa e a energia eólica são opções apontadas como energias a serem priorizadas para se ter uma energia limpa. Para que no quadro energético brasileiro prevaleça as energias renováveis, o país precisa fazer mudanças:“ A energia solar ainda tem custos altos, mas que estão desabando muito rapidamente. A China tem produzido placas solares cada vez mais baratas, mas o Brasil precisa começar a produzir suas próprias placas solares e diminuir os impostos. Por ser uma energia renovável, não é justo que pagamos mesmo impostos quando comparada com energias sujas”.

O Brasil indica que buscará alternativas limpas, tendendo a reduzir as energias mais poluentes. O veto do presidente Michel Temer referente ao artigo inserido na Medida Provisória 735, que propunha a criação de um programa de modernização do parque termelétrico brasileiro movido a carvão mineral nacional para implantar novas usinas que entrassem em operação a partir de 2023 e até 2027, surge como uma ação com intuito de cumprir com a redução de poluentes assumida na ratificação do Acordo de Paris.