size_960_16_9_natura-germano-luders-casa-natura-treinamento-ok

São Paulo – A Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, divulgou neste mês sua tradicional lista The Global 100, que contempla as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.

O levantamento foi criado em 2005 e é anunciado, anualmente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A publicação seleciona empresas de todos os setores com base indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos, capacidade de inovação, pagamentos de impostos, a relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO, planos de previdência corporativos e o percentual de mulheres na gestão.

Nesta nova edição, pesos diferentes foram dados para os indicadores dependendo da área de atuação da empresa. Por exemplo, o indicador energia teve um peso maior na avaliação de uma empresa do setor energético, de forma a mensurar o impacto da companhia na sua área de atuação.

Outro ponto novo que passou a ser considerado na análise é o percentual de novos investimentos que as empresas estão alocando em projetos sustentáveis, como investimento em fontes menos poluentes e o desenvolvimento de produtos mais verdes.

Cinco companhias brasileiras integram a nova edição do ranking, um aumento em relação ao ano passado quando apenas duas figuravam no levantamento: a Natura, que ocupa a 14ª posição, a Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (em 18º); Banco do Brasil (49º); Engie Brasil Energia (52º) e Banco Santander Brasil (76º).

A publicação observa com entusiasmo o progresso das empresas na seara ambiental. “O ritmo das mudanças está acelerando a favor de um futuro com baixo teor de carbono”, avalia.

Líderes de  2018

A Dassault Systèmes, empresa francesa de software é a líder do ranking, vindo da 11ª posição no ano passado. Segundo a publicação, suas tecnologias digitais têm ajudado as empresas e os governos na adoção de energias renováveis, novas formas de mobilidade sustentável e na criação de cidades mais inteligentes.

Seguindo de perto, a empresa Neste Oil da Finlândia, especializada em refinação e comercialização de petróleo, começou a direcionar mais de 90% de seus novos investimentos em materiais renováveis e biocombustíveis. A publicação destaca que quase um quarto das receitas da empresa atualmente é derivado da “receita verde”.

Em terceiro lugar, outra francesa, a fabricante de peças automotivas Valeo está determinada em ajudar as montadoras a reduzir as emissões de carbono. Confira abaixo o ranking completo das 100 empresas mais sustentáveis segundo a Corporate Knights.

Ranking Empresa País Área/Indústria Desempenho
1 Dassault Systemes França Software 86,10%
2 Neste Finlândia Petróleo, Gás e Combustíveis 85,20%
3 Valeo França Componentes e sistemas automotivos 83,60%
4 Ucb Bélgica Farmacêutica 79,50%
5 Oututec Finlândia Construção e Engenharia 78,30%
6 Amundi França Mercado de Capitais 77,80%
7 Cisco Systems Estados Unidos Equipamentos de comunicação 77,00%
8 Autodesk Estados Unidos Software 76,90%
9 Siemens Alemanha Conglomerados industriais 76,70%
10 Samsung SDI Coreia do Sul Equipamentos eletrônicos 75,80%
11 Aereal Bank Alemanha Hipotecas e poupança 75,40%
12 Enbridge Canada Petróleo, Gás e Combustíveis 74,90%
13 Merck Estados Unidos Farmacêutica 74,30%
14 Natura Brasil Produtos de uso pessoal 74,10%
15 Pearson Reino Unido Mídia 73,90%
16 Amadeus IT Group Espanha Serviços de TI 73,20%
17 Bayerische Motoren Werke Alemanha Automóveis 73,20%
18 Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG Brasil Utilidades Elétricas 73,00%
19 Koninklijke Philips Holanda Conglomerados industriais 72,50%
20 Allergan Estados Unidos Farmacêutica 72,20%
21 Honda Motor CO Japão Automóveis 71,90%
22 Sanofi AS França Farmacêutica 71,90%
23 McCormick Estados Unidos Produtos alimentícios 71,50%
24 Commonwealth Bank of Australia Austrália Bancos 71,50%
25 Vivendi França Mídia 71,10%
26 Intel Estados Unidos Equipamentos e semicondutores 71,10%
27 Itron Estados Unidos Equipamentos elétricos e componentes 71,10%
28 Telefonaktiebolaget LM Ericsson Suécia Equipamentos de comunicação 70,80%
29 Halma Reino Unido Equipamentos, instrumentos e componentes 70,70%
30 Deutsche Borse Alemanha Mercado de Capitais 70,60%
31 Kesko Finlândia Varejo de alimento 70,20%
32 Television Francaise 1 França Mídia 69,90%
33 bioMerieux França Equipamentos de saúde 69,80%
34 AstraZeneca Reino Unido Farmacêutica 69,70%
35 Nokia Finlândia Equipamentos de comunicação 69,60%
36 BNP Paribas França Bancos 69,40%
37 Eli Lily Estados Unidos Farmacêutica 69,30%
38 Storebrand Noruega Seguros 68,80%
39 ABB Suíça Equipamentos elétricos 68,10%
40 Svenska Cellulosa Aktiebolaget * Suécia Produtos de uso doméstico 68,00%
41 Intesa Sanpaolo Itália Bancos 68,00%
42 Analog Devices Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,60%
43 Applied Materials Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,40%
44 Takeda Farmacêutica Japão Farmacêutica 67,40%
45 Schneider Electric França Equipamentos elétricos 67,00%
46 Shinhan Financial Group Coreia do Sul Bancos 67%
47 Kering França Têxtil e luxo 66,80%
48 Ingersoll-Rand Estados Unidos Maquinaria 66,70%
49 Banco do Brasil Brasil Bancos 66,60%
50 Nestle Suíça Produtos alimentícios 66,60%
51 Legrand França Equipamentos elétricos 66,50%
52 Engie Brasil Energia Brasil Produção de energia 66,40%
53 GlaxoSmithKline Reino Unido Farmacêutica 66,30%
54 ING Groep Holanda Bancos 65,90%
55 Sekisui Chemical Japão Bens de consumo domésticos 65,60%
56 Acciona Espanha Utilidades Elétricas 65,60%
57 H & M Hennes & Mauritz Suécia Varejo especial 65,10%
58 Aberdeen Asset Management Reino Unido Mercado de Capitais 64,50%
59 NVIDIA Estados Unidos Equipamentos semicondutores 64,40%
60 Daimler Alemanha Automóveis 64,20%
61 Diageo Reino Unido Bebidas 64,20%
62 BT Group Reino Unido Serviços de Telecomunicações 64,00%
63 Singapore Telecommunications Limited Singapura Serviços de Telecomunicações 61,70%
64 Novartis Suíça Farmacêutica 63,70%
65 Sandvik Suécia Maquinaria 63,40%
66 Chr. Hansen Dinamarca Química 63,30%
67 Coca-Cola European Partners Reino Unido Bebidas 63,20%
68 Nissan Motor Co Japão Automóveis 63,10%
69 Texas Instruments Estados Unidos Equipamentos semicondutores 63,00%
70 Orsted Dinamarca Utilidades Elétricas 63,00%
71 Allianz Alemanha Seguros 62,70%
72 Lenovo Group China Tecnologia 62,60%
73 Telus Canadá Serviços de Telecomunicações 62,50%
74 Taiwan Semiconductor Manufacturing Taiwan Equipamentos semicondutores 62,30%
75 MetLife Estados Unidos Seguros 62,00%
76 Banco Santander Brasil Brasil Bancos 61,90%
77 HP Estados Unidos Tecnologia 61,80%
78 Sun Life Financial Canadá Seguros 61,50%
79 Hewlett Packard Enterprise Estados Unidos Tecnologia 61,50%
80 National Australia Bank Australia Bancos 61,30%
81 General Electric Estados Unidos Conglomerados industriais 60,90%
82 Verbund Austria Utilidades Elétricas 60,90%
83 Akzo Nobel Holanda Química 60,70%
84 L´Óreal França Produtos de uso pessoal 60,70%
85 AXA França Seguros 60,60%
86 Nordea Bank Suécia Bancos 60,50%
87 Orkla Noruega Produtos alimentícios 60,40%
88 Wartsila Finlândia Maquinaria 60,10%
89 Canadian Imperial Bank of Commerce Canadá Bancos 60,00%
90 Renault França Automóveis 59,70%
91 Syngenta Suíça Química 59,70%
92 Johnson & Johnson Estados Unidos Farmacêutica 59,60%
93 Posco Coreia do Sul Metais e Mineração 59,50%
94 Suez França Multiutilidades 59,30%
95 Umicore Bélgica Química 59,20%
96 Vestas Wind Systems Bélgica Equipamentos elétricos 58,30%
97 SSE Reino Unido Utilidades Elétricas 56,80%
98 Capital Land Singapura Gestão Imobiliária e Incorporação 55,10%
99 Derwent London Reino Unido Sociedades de Investimento Imobiliário 54,30%
100 City Developments Singapura

* A Svenska Cellulosa Aktiebolaget foi dividida em duas novas empresas em 15 de junho de 2017, denominadas SCA e Essity.

images

Compostos químicos altamente poluentes ou com microplásticos, excesso de embalagens, matéria-prima extraída de maneira irresponsável ou através de trabalho escravo. Esse é o lado ‘feio’ da indústria cosmética, contraditório ao seu propósito de oferecer beleza e bem-estar aos consumidores. Uma das indústrias mais poderosas do mundo, que cresceu cerca de 5% em 2016, segundo o Euromonitor International, enfrenta desafios grandes na migração para um modo de ser e produzir de maneira mais sustentável.

A boa notícia é que o crescimento de marcas verdes nesse segmento mostra a tendência forte de mudança. Além do menor impacto ambiental, consumidores buscam produtos mais saudáveis para a pele e cabelos. A preferência por ingredientes naturais, vegetais e embalagens de refil são algumas oportunidades na indústria, segundo Keyvan Macedo, gerente de Sustentabilidade da Natura. Internacionalmente reconhecida por seu modelo de negócios, inclusive no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, a empresa enxerga nichos de soluções que se complementam e ajudam nessa construção.

Os fatores chave, segundo Macedo, são os esforços em tornar processos mais verdes, com menos emissão de gases do efeito estufa, geração de resíduo, redução e reutilização de água. Alguns exemplos são, por exemplo, trabalhar a reformulação de produtos pós-banho. Um creme de pentear que tem uma ação mais rápida, com menor tempo de aplicação, pode ajudar a reduzir o consumo de água no chuveiro. Trocar máquinas e caldeiras por modelos mais eficientes, a fabricação de processos a frio, fórmulas com menos ingredientes e uso de plástico, plástico verde e vidro reciclado para embalagens. Diversas linhas também trabalham com o refil, o que diminui a necessidade de fabricação de novas embalagens.

Há também o desafio de engajar a parcela de consumidores que ainda não tem tanto contato com o universo verde. “Sabemos que ele anda é muito focado em preço, mas quando você entrega um pacote de soluções de produtos eficientes e com diferencial de sustentabilidade, a proposta de valor acaba sendo bem aceita”, pontua.

Coloração para cabelo à base de plantas

Nesse mercado, não há espaço apenas para grandes marcas. Um exemplo disso é Laces and Hair, salão de beleza de São Paulo. Após cinco anos de investimento, o empreendimento lançou o primeiro produto de coloração de cabelo 100% natural no país. O produto é fruto de uma combinação de ervas, caules, raízes e flores da Índia, que são processados na França e chegam ao salão para colorir, preservar e regenerar os fios danificados. A inspiração foi a própria natureza, como relata Cris Dios, proprietária da empresa. Observando a coloração natural das flores, ela perguntou-se se era possível usar parte dessas propriedades no cabelo.

“A coloração tradicional pode até ter um componente natural, mas em uma porcentagem bem pequena, geralmente é feita com pigmentos sintéticos, amônia ou algum outro dilatador químico que faz a reação de oxidação do cabelo para transformá-lo. Na coloração vegetal, apesar do resultado que a cliente busca também ser a cor, o principal foco também é devolver saúde [aos fios]”, detalha Dios. Por sua composição, o produto é biodegradável e, portanto, não polui a água – ao contrário das tintas tradicionais, que tem uma grande variedade de produtos químicos sintéticos nocivos.

O processo de coloração também é diferente. Não é necessário usar água oxigenada, o que o torna mais lento. Após a aplicação da tinta, misturada com água, o cabelo é lavado e pelas próximas 48h não é permitido lavar os cabelos. É nesse período que a pigmentação vai aparecendo e se fixando. “A reação do cabelo com o oxigênio do ar que vai revelar o pigmento escolhido: uma reação como acontece na natureza, relacionada ao tempo e ao ar. Esse tempo é a pausa necessária para o oxigênio interagir”, relata Dios. A tinta foi reconhecida como um case de sucesso e recebeu o Prêmio Eco de sustentabilidade em 2017.

Itamar Cechetto, CEO da Laces, enxerga que o produto tem relação com a filosofia do salão de beleza gradual e com conexão. E o momento é propício para isso: ele lembra que a oferta de fornecedores com matérias-primas orgânicas e mais naturais é muito maior do que há alguns anos. Ele lembra ainda que a concessão de hábito do consumidor é essencial para a transição da beleza mais verde. “Existem alternativas e soluções. O grande aliado é que recentemente virou tendência apresentar o consumo consciente no seu estilo de vida. E é o papel da marca investir nisso, aumentar recursos que trazem esse pacote de sustentabilidade”, relata. Processos alternativos, como a reutilização de aplicadores de tinta ou mesmo do reuso de água de chuva nas lavagens são outras ações que o salão busca implementar.

Atenção ao green washing

Um último alerta de Cechetto é o cuidado com o green washing – ou seja, marcas que propagam ideais de sustentabilidade, mas que vendem um produto que não cumpre o que é anunciado. “O risco em cosmético é que pode ter um rótulo que vende uma ideia e a composição não ser bem aquilo. Por mais que a Anvisa busque trabalhar arduamente para que isso não aconteça, isso ainda existe. Se alguém fala que tem uma composição verde e está oferendo a um preço extremamente baixo, desconfie”, alerta. Dios aposta que, quando mais consciência no momento de compra, a tendência é que os preços caiam e haja ainda mais acesso a esse mercado: “No futuro, temos uma propensão a cosméticos mais sérios e funcionais, alimentos para a pele e cabelo e nutrição de verdade. A pessoa vai realmente consumir algo que ela vai usar para solucionar um problema. Isso será uma mudança de paradigma de uma beleza que vai de vazia para mais conteúdo”.

Frizzo-768x512

“Desde 1960, quando se começou a falar em sustentabilidade, passamos por dois momentos de transição e agora estamos vivendo o terceiro, que é justamente a passagem de iniciativas pontuais e desarticuladas para uma visão holística e que integra todos os pilares.” A explicação de Mariana Nicolletti, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade, GVCes, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e define o momento atual, em que pequenas e médias empresas integram criatividade, trabalho autoral e a procura pela sustentabilidade em toda a cadeia de produção.
Ao mesmo tempo, é um mercado com espaço para crescer. “O trabalho artesanal e sustentável vem como um resgate cultural em contraponto à globalização. E isso tem ligação direta com o consumo consciente, pois queremos saber a origem do que compramos e como foi feito”, afirma a consultora do Sebrae Dòrli Terezinha Martins. “Hoje nós temos indicadores de que 5% dos consumidores pagam até 15% a mais pelo produto quando percebem a responsabilidade socioambiental da empresa.”
Além do óbvio pilar ambiental, em que é preciso não gerar ou reduzir impacto e ainda manter o equilíbrio dos ecossistemas, mais dois pontos integram o conceito de sustentabilidade: o social e o econômico.
O eixo social abrange desde práticas que não ferem a legislação trabalhista até o fortalecimento da produção local, apoiando comunidades. “É a responsabilidade para com todos os grupos que serão direta ou indiretamente impactados com a atividade empresarial”, diz Mariana.” O aspecto econômico passa pelo conceito de valor compartilhado.”
Joias. A designer de produto Lie Manuela Martuscello atuou na grande indústria desenhando carros, geladeiras e fogões por cinco anos. A inquietação para fazer um trabalho autoral e que também não fosse descartado a encaminhou para o universo das joias personalizadas. “Eu queria trabalhar com algum produto que não virasse lixo. Porque uma geladeira depois de dez anos vira sucata. E a joia é um produto sustentável, você nunca vai descartá-la.”
Especializada em anéis de noivado e alianças, mas também com uma coleção própria de outras peças, Lie demora, em média, 30 dias para fazer uma joia, desde a encomenda até a entrega. Com apenas mais uma pessoa na equipe e um ourives parceiro, a designer faz cerca de 20 peças ao mês.
Lie também preza pela cadeia de fornecedores e conta com a ajuda de seu ourives para encontrar as melhores matérias-primas com boa procedência. “O perfil do meu cliente tem essa consciência e valoriza a produção autoral e local.”
Chocolate. Um casal de agrônomos decidiu aliar o conhecimento a um “ideal de vida”, como define Cesar Frizzo, criador da marca Raros Fazedores de Chocolate. Há três anos, Frizzo e a mulher, Vanessa Rizzi, aliaram o conhecimento adquirido pelo mestrado dele em agricultura orgânica e o doutorado dela em diversidade genética e se dedicam a fazer chocolate artesanal e sustentável, composto apenas por cacau e açúcar orgânico.
“Conhecemos todos os nossos fornecedores pessoalmente. Por sermos agrônomos, temos facilidade de acessar os produtores. E não tem cabimento pensar em um cacau bom, sem agrotóxico, mas que carrega um lado social péssimo. Nosso cliente exige isso. Das perguntas que recebemos no SAC, 20% são relacionadas à questão ambiental e 80% sobre às condições de trabalho do fornecedor de cacau”, conta Frizzo.
A Raros produz cerca de 25 a 30 quilos de chocolate por semana, com aumento significativo em datas especiais como Páscoa, Dia dos Namorados e Natal. Da torra da amêndoa de cacau até a barra de chocolate são em torno de três dias e meio de trabalho. Muitas barras não são vendidas em seguida, passando por um processo de maturação que pode levar dias ou meses.
“Aceitamos a sazonalidade do cacau e as mudanças impostas pela natureza. Ficamos por um ano sem chocolate da Bahia, porque o Estado passou por uma seca muito severa. Entendemos que desastres naturais acontecem”, diz Frizzo.
Os criadores da marca ainda prezam pela cadeia curta de transporte na hora da venda, tendo o e-commerce e as feiras de produtores como as principais formas de vender.

Márcia. ‘Os sabonetes são embalados em celofane biodegradável e papel reciclável’. Foto: Amanda Perobelli / Estadão

Beleza. Em 2016, Marcia Sonohara Tomasini fundou a Manacá Natural, empresa de cosméticos naturais, que utiliza como matéria-prima óleos e extratos de plantas. Antes de fundar a empresa, Marcia trabalhava como designer gráfica no segmento de encadernação e papelaria.
“Existem fornecedores de confiança dentro do universo dos cosméticos naturais. Eu me preocupo com a embalagem também. Os sabonetes são embalados em celofane biodegradável e papel reciclável. Os xampus e condicionadores em barra facilitam a não se usar plástico como embalagem. Como produzo de forma artesanal, não consigo comprar embalagens sustentáveis de determinados fornecedores, que vendem em grande escala.”
As propriedades dos extratos naturais são o que conferem funções hidratantes ou mesmo produtos que combatem a oleosidade de cabelos, por exemplo.

As feiras temáticas que reúnem pequenos empresários são grandes aliadas no fomento e na disseminação do consumo consciente. Em um mesmo espaço, produtores e clientes trocam experiências e tiram dúvidas, explicando e conhecendo todas as etapas do processo, fornecedores e demais envolvidos na cadeia de produção.
Inicialmente como uma iniciativa para reunir atrações culturais gratuitas em espaços abertos na capital paulista, o projeto Jardim Secreto adicionou o “fair” ao nome em 2014 e hoje é uma das feiras mais movimentadas da cidade. Criada pela designer gráfico Claudia Kievel e pela estilista Gladys Tchoport, a Jardim Secreto Fair reúne de seis a oito mil pessoas em um único dia, dependendo do espaço em que é realizada. O mesmo ocorre com o número de expositores, que chega a 200.
“Crescemos muito rápido. Começamos com 15 expositores em um quintal e hoje estamos na praça Dom Orione, no Bexiga. Agora também fazemos a Feira Orgânica junto à Jardim Secreto”, conta Claudia.
O Mercado Manual também faz parte das opções de feiras de São Paulo. Geralmente realizada no Museu da Casa Brasileira, a primeira edição ocorreu no fim de 2015. Mas também já foi realizada em outros espaços, como o Shopping Morumbi.
“Isso foi importante, porque atingimos um público diferente e tiramos a temática de um nicho, expandindo os conceitos de consumo consciente e explicando sobre a cadeia produtiva e sobre o ciclo de vida do produto”, diz Patricia Toledo, uma das organizadoras da feira.
Ricardo Barini, fundou a Barini Design há quatro anos. Formado em design de interiores, cria luminárias, cabideiros e outros tipos de mobiliários a partir da coleta que faz nos arredores do sítio da família, onde fica seu ateliê. “O formato do que eu coleto é o que me diz o que aquilo vai se tornar. É um garimpo.”
A principal plataforma de venda de Ricardo são as feiras. “O trabalho é bem mais visto pessoalmente, porque ele tem um impacto na mão, o toque é essencial quando falamos de madeira”, afirma. O designer ainda ressalta que “é o consumidor que nos diz o que funciona e o que não funciona e aceitação de preço, por exemplo”.

In loco. Ex-modelo visita comunidades que produzem peças, como os índias da etnia wai wai. Crédito: Campos Photografy / Ecoera

Plataforma. O portal ECOERA surgiu do movimento e prêmio de mesmo nome criado pela ex-modelo Chiara Gadaleta. Ele acredita que a moda pode ser um “retrato fiel do tempo”. Com 25 aos de atuação no mercado, a inquietação da modelo teve início em 2008. “Comecei a questionar a mão de obra, o uso de material, o descarte têxtil. Pensei: minha plataforma não me representa mais”, conta.
Para criar uma nova maneira de se conectar com o mercado da moda, Chiara estudou e foi a campo. Passou dois anos visitando pequenas comunidades que produziam peças e artesanato. O resultado é o portal ECOERA, lançado em novembro do ano passado e que reúne marcas de produtos e serviços especificados de acordo com nove selos: orgânico, produção local, projeto social, artesanal, empresa consciente, reúso, vegano, reciclado e verde, relacionado diretamente ao impacto ambiental.
“Somos um hub de consumo consciente e não um market place”, ressalta Chiara. O ECOERA recebe comissão de 20% sobre as vendas e atualmente tem 185 empresas cadastradas.

imagem_materia

Aguarda votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o projeto de lei do Senado (PLS) que obriga as pessoas jurídicas de direito privado a prestarem contas à sociedade sobre planos e medidas concretas em prol do meio ambiente e de adaptação às mudanças climáticas.

De autoria do ex-senador Marcelo Crivella, atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, o PLS 94/2008 dispõe que essa prestação de contas se dará por meio da elaboração e publicação de protocolos de intenções “sobre a adoção de medidas, no respectivo âmbito de atuação, para preservação e recuperação do meio ambiente, mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas”.

De acordo com o Código Civil, as pessoas jurídicas de direito privado são as associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada. Elas terão prazo de 12 meses após a publicação da lei para adaptação e cumprimento efetivo da norma.

O descumprimento dessa obrigação será considerado infração administrativa, conforme a Lei 9.605/1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Essas sanções podem ser advertência e multa simples ou diária, suspensão de venda e fabricação do produto, embargo de obra ou atividade, demolição de obra, suspensão parcial ou total de atividades e restritiva de direitos.

O autor afirma na justificação que o objetivo de seu projeto é que esteja disponível “informação de qualidade a todos os brasileiros sobre o que será feito para preservar nosso meio ambiente, bem como dar ao comando constitucional a respeito maior poder de coerção”.

“A sociedade tem o direito de fiscalizar, a fim de preservar as condições de vida no planeta” afirma Crivella na justificativa.

Ele cita como influência de sua proposta a própria Constituição, que em seu art. 225 diz que um meio ambiente ecologicamente equilibrado é um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Crivella registra ainda como inspiração o Relatório Brundtland, de 1987, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU. Esse documento, segundo o autor do projeto, reafirma “uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento”, além de ressaltar os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade dos ecossistemas.

Ou seja, resume o autor, o relatório mostra a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumo vigentes. Informa também que o Relatório Brundtland foi adotado pela Declaração do Rio de Janeiro, fruto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio92.

O texto que será votado é o do relator do projeto na CCJ, senador Jorge Viana (PT-AC), que apresentou voto favorável, mas com duas emendas. Ele retirou do texto original a obrigação também para órgãos da administração pública, por entender que a Lei de Acesso à Informação já obriga esses órgãos a fornecer qualquer tipo de informação ao cidadão, menos as sigilosas.

O PLS tem como objetivo central, segundo o relator, “assegurar o acesso dos cidadãos a informações qualificadas e atualizadas referentes à preservação, proteção e defesa do meio ambiente que lhes assegure participação efetiva no processo de tomada de decisão relacionado às atividades que possuam impacto ambiental”.

Jorge Viana acrescenta que “a recente tragédia de Mariana – maior desastre ambiental do Brasil – bem demonstra quão nefastas podem ser as consequências da inexistência de controle efetivo do estado e da sociedade sobre as atividades com repercussão no meio ambiente”.

Após passar pela CCJ, o PLS 94/2008 será votado em decisão terminativa pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

image

O empreendedor mineiro tem agora mais um motivo para apostar em um novo projeto. Foi sancionada pelo governador Fernando Pimentel a Lei 22.862, de 2018, que contém a Política de Incentivo ao Empreendedorismo e ao Desenvolvimento Industrial no Estado.

A nova norma, além propiciar o desenvolvimento, abre espaço para a qualificação de jovens empreendedores e prevê o incentivo à industrialização de forma sustentável, com o uso da energia solar, por exemplo.

Outra lei sancionada e publicada no Diário Oficial Minas Gerais, nesta terça-feira (9), diz respeito ao uso dessa forma de energia limpa. É a lei 22.866, de 2018, que altera a legislação do Fundo de Fomento e Desenvolvimento Socioeconômico do Estado de Minas Gerais (Fundese) para permitir que ele financie a implantação de sistemas de microgeração e minigeração distribuída de energia solar em cooperativas e empresas de pequeno porte.

Esses sistemas consistem na produção de energia elétrica por consumidores a partir de pequenas centrais, por meio de fontes renováveis de energia elétrica, como painéis fotovoltaicos e microturbinas eólicas. A proposta busca estimular também a implantação, em Minas, de indústrias de equipamentos para esses sistemas.

Datas Comemorativas

Ainda nesta terça, foi publicada no Diário Oficial Minas Gerais a lei que define critérios para a instituição de datas comemorativas no Estado. O texto estabelece que a instituição de datas comemorativas estaduais obedecerá ao critério da alta significação para os diferentes segmentos profissionais, políticos, culturais e étnicos.

Vetos 

Três projetos aprovados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) foram vetados integralmente pelo governador Fernando Pimentel. Os vetos também foram publicados no Diário Oficial Minas Gerais.

O primeiro veto é referente à proposição que trata da propaganda de bebidas alcoólicas promovida por órgão público ou entidade sob controle direto ou indireto do Estado. O texto aprovado em plenário propõe veiculação também de mensagens de prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas. O governador alegou vício de constitucionalidade, uma vez que a matéria seria de competência privativa do Poder Executivo.

Outro veto total é quanto à norma que trata do atendimento bancário. A proposta torna obrigatória a instalação de bebedouros e sanitários nos locais de atendimento ao público em estabelecimentos bancários. Também prevê assentos individuais adaptados às necessidades da pessoa com deficiência. O governador justificou, porém, que a matéria já está devidamente regulamentada pela Lei Federal 10.098, de 2000, e pela Lei 11.666, de 1994.

O último veto integral é referente à lei que permiter ao aposentado da Polícia Civil exercer, em caráter eventual, a função de auxiliar ou membro de banca examinadora do Detran-MG, com percepção de honorários. Para o chefe do Executivo, em que pese a qualificação e a experiência adquiridas pelo policial aposentado, durante o período de atividade, há restrições na legislação ao pagamento de honorários, enquanto modalidade de vantagem pecuniária.

O governador cita entendimento da Advocacia-Geral do Estado (AGE) de que honorários são vantagens outorgadas aos servidores públicos, mediante lei.

Após serem recebidos pelo Plenário da ALMG, os vetos serão distribuídos a comissões especiais, que terão 20 dias para emitirem parecer. O Plenário tem um prazo total de 30 dias para apreciar cada veto, contados da data do recebimento da comunicação.

Fonte: ALMG

foto-1-dohler

Sustentabilidade e preservação ambiental são temas cada vez mais discutidos no dia a dia. Mais e mais pessoas estão percebendo que, ainda que individualmente, mudar hábitos e ações com o intuito de reduzir o impacto ambiental e preservar recursos naturais é uma reação necessária. Mas quando a pauta sustentável chega à mesa de líderes de empresas e indústrias, os impactos podem tomar proporções ainda maiores e fazer a diferença tanto local quanto globalmente.

Para garantir que tenhamos acesso a todos os tipos de bens de consumo, as indústrias e empresas precisam usar recursos que são potencialmente poluentes. A instalação de uma fábrica em um espaço que antes era apenas campo, por exemplo, traz resultados contrastantes: ao mesmo tempo em que causa impactos ambientais, também gera empregos e contribui para o desenvolvimento econômico. Esse efeito é necessário para que possamos continuar usufruindo de todos os produtos que fazem parte do nosso dia a dia: dos alimentos, à água até eletrônicos e roupas, praticamente tudo passa por um processo de industrialização.

Mas se por um lado as grandes empresas utilizam recursos naturais em grande escala para garantir o funcionamento de cada etapa da produção, por outro, quando elas decidem ajustar seus processos industriais visando à sustentabilidade o resultado também é em proporções maiores. Medidas tomadas no dia a dia da indústria a tornam mais sustentável. E cada vez mais empresas estão percebendo isso e implementando ações que diminuem seu impacto ambiental.

Consciência ambiental na indústria é possível

Empresas ambientalmente conscientes são as que se preocupam com o efeito que causam no meio em que estão instaladas e que tentam reverter alguns cenários por meio de melhoria de processos industriais. E a sustentabilidade pode, sim, ser empregada em diversos pontos da rotina de qualquer indústria – desde que haja interesse em fazer o bem e devolver à natureza o que se tira dela.

Um exemplo de que esse comportamento é possível está na Döhler, empresa têxtil catarinense instalada em Joinville que encontrou formas de se tornar mais sustentável e diminuir sua pegada ambiental. As medidas, além de compensarem o potencial poluidor da empresa, também ajudam a diminuir custos.

– A nossa atividade necessita intensivamente de capital, mão de obra e energia. É uma atividade potencialmente poluidora, então sem sustentabilidade não é possível mantê-la – afirma o presidente da Dohler, José Mário Gomes Ribeiro.

Reconhecer os impactos ambientais da indústria é o primeiro passo para descobrir formas de revertê-los ou amenizá-los. A Döhler possui sua própria estação de efluentes, o que minimiza os riscos de poluição já que os despejos passam pelo tratamento correto. A água usada nos processos da fábrica passa por um mecanismo moderno de tratamento de efluentes antes de voltar limpa à natureza.

– Eu reutilizo 30% de toda água que capto em procedimentos internos. Depois, trato todo o efluente antes de despejá-lo nas valas de drenagem que passam perto da empresa. Os efluentes, depois de tratados, atendem toda a legislação pertinente – comenta José Mário.

Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )

Tratamento de água na sede da empresa (Foto: Acervo Döhler )

Além do tratamento correto da água e dos resíduos, outros procedimentos da fábrica recebem o destino correto. O algodão recebido pela fábrica é inteiramente tratado e as impurezas – restos de fios que a empresa não utiliza nas suas linhas de produção – servem de matéria prima para outras indústrias, para as quais são vendidas.

A matriz energética da Döhler também é sustentável: 75% dela é composta por gás natural que é um insumo considerado limpo. Os outros 25% ficam por conta da energia térmica proveniente da biomassa e de resíduos gerados na empresa, como limpeza da tecelagem e fiação.

A sustentabilidade está no DNA da Döhler e seus esforços se refletem nos diversos prêmios e reconhecimentos que a empresa já recebeu.

– A sustentabilidade é uma prática necessária em nossa atividade, somente assim viabilizamos aquilo que produzimos. Praticamos a sustentabilidade a mais de trinta anos e cada vez mais – finaliza José Mario.

em-movimento-sustentabilidade

Até 2030, a estimativa é que 10% da energia produzida no Brasil seja solar, aquela produzida através de placas fotovoltaicas. E a construção civil será fundamental nesse processo. Grande parte da energia limpa virá do alto de edifícios, dos telhados de casas, de prédios comerciais, de indústrias, shoppings e estacionamentos. Essas construções funcionarão como edificações-usinas, uma prática pra lá de sustentável.

De Norte a Sul do país, cada vez mais o compromisso com o meio ambiente ganha espaço na hora de começar uma obra. É o que se costuma chamar de projeto inteligente. Não necessariamente precisa ser algo sofisticado. Pode ser uma janela bem posicionada, que garanta maior entrada de luz e ventilação. É o edifício híbrido, com apartamentos residenciais e salas de coworking, reduzindo deslocamentos dos moradores. Ou até mesmo a reutilização de pneus no recobrimento asfáltico.

São muitas as soluções, ações, atitudes que hoje podem ser classificadas como sustentáveis em um canteiro de obras. A indústria da construção vem investido em tecnologia para oferecer às empreiteiras materiais com longa vida útil, menos poluentes e gerando menos resíduos. Por sua vez, durante a obra, arquitetos e engenheiros põem de pé boas práticas como telhados verdes, inclusão de energias renováveis e uso de isolantes térmicos. Posturas que fazem bem ao meio ambiente e trazem conforto aos clientes, cada vez mais exigentes e comprometidos com um futuro sustentável.

Edificações-geradoras

A expansão da geração fotovoltaica, por exemplo, vai fazer com que as edificações deixem de ser simplesmente consumidoras de energia. A ideia é que elas se transformem em geradoras de eletricidade. O aprimoramento das tecnologias e a queda nos custos nos próximos anos devem fazer com o que o Brasil consiga expandir o uso. A demanda é crescente no país, tem avançado em média 300% ao ano desde 2015, conforme estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

A energia solar térmica, utilizada em sistemas de aquecimento de água, também é perfeitamente viável e tem alta adesão sempre que o balanço de disponibilidade de áreas para captação da energia (local para a instalação das placas) se equilibra com a demanda por água quente e a disponibilidade de insolação.

Na opinião de Clarice Degani, engenheira e consultora de projetos para a área de Sustentabilidade do Secovi-SP e do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, o tema deixou de ser visto como simplesmente a adoção de medidas ecológicas ou de mitigação de impactos ambientais. Hoje, o termo sustentabilidade deve ser visto de uma forma mais ampla, porém associado a desempenho e inovação tecnológica.

Nesse campo, tem muita coisa boa que veio para ficar. Segundo Clarice, o desenvolvimento de projetos pelo processo BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção) e a realização de simulações de desempenho para conforto e eficiência energética já são realidade.

Prédios cada vez mais inteligentes

Mas nem só de novidades e alta tecnologia se alimenta o setor da construção civil. Boas práticas como o uso de brises para trazer conforto térmico aos moradores, como existe no edifício Copan, em São Paulo, projetado na década de 50, continuam atuais. “Os brises são soluções para evitar a incidência solar direta e diminuir o uso de ar-condicionado”, detalha Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP. “A própria iluminação natural, o posicionamento correto da edificação contribui da mesma forma”, complementa.

Países ricos como a Inglaterra, destaca Borges, já estão caminhando para um prédio considerado de energia zero. Toda energia consumida será produzida por ele. Além das opções tradicionais como cobertura de painel solar, os elevadores da edificação também serão geradores. “O atrito do sobe e desce do elevador vai gerar energia para alimentar os próprios elevadores”, revela.

É preciso mudar os hábitos, diminuir o impacto para garantir um futuro melhor para todos, afinal de contas, a população do planeta já ultrapassou os 7,5 bilhões de pessoas. Essa é a opinião de Olavo Kucker Arantes, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) – entidade que se movimenta entre a academia, a indústria e os órgãos de governo como Ministério do Meio Ambiente e o de Minas e Energia.

Através do conselho, Arantes ajudou a desenvolver a ferramenta que desde 2011 auxilia as empresas a selecionar fornecedores seguindo critérios de responsabilidade social e ambiental. É um check list em seis passos que verifica a idoneidade do negócio, desde a licença ambiental até a existência de propaganda enganosa. “Ser sustentável não é só montar um projeto bacana, diminuir os resíduos na obra. Passa também pela escolha dos fornecedores”, destaca Arantes, engenheiro de produção civil.

Bons ventos partem das universidades

Na academia, há um número grande de pessoas que vão para fora, se especializam e depois voltam. Prova disso é que o Brasil está na quarta posição em volume de projetos no ranking mundial de construções sustentáveis, que reúne 165 países.

De acordo com o Green Building Council Brasil, um projeto sustentável médio poderá reduzir em 40% o uso de água, 35% em CO2 e 65% em desperdício. A tecnologia e a sustentabilidade devem caminhar de mãos dadas porque os prédios que estão sendo erguidos hoje terão que ser adaptáveis às novidades no setor daqui a 50 anos. “A sustentabilidade não pode ser só para bonitinho, cada vez mais tem que ter impacto no bolso, no sentido de pagar um valor menor de condomínio porque parte da energia será gerada no local, assim como a água, que pode ser de reuso”, exemplifica José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Ele também chama atenção para a presença de carregadores de carros elétricos nos prédios. “Hoje isso só acontece em construções de alto padrão, mas será uma realidade, uma necessidade daqui a 50 anos”, projeta.

pegada-ecologica-impacto-do-homem-no-meio-ambiente-1339771074053_615x300

Com que frequência você lava suas calças jeans? Quando viaja de avião, são viagens longas? Prefere comprar tomates embalados, avulsos ou em conserva? Quantas vezes por semana você come carne?

As perguntas soam, a princípio, muito específicas. Mas são essenciais para entender o rastro que seus hábitos de consumo e escolhas individuais deixam no planeta.

Foi em uma conversa com o marido, no sofá de casa, que a designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn percebeu que, apesar de ser especialista na cadeia produtiva de produtos industrializados, não entendia exatamente qual era o impacto do seu estilo de vida no planeta.

“Ele me contou que os 16 maiores navios porta-contêineres do mundo juntos emitem a mesma quantidade de enxofre que todos os carros que circulam no mundo! E que perdemos cerca de 27 milhões de árvores por dia por causa do desmatamento”, disse à BBC Brasil.

“Isso mudou minha maneira de ver nosso impacto ambiental, porque eu achava que estávamos fazendo um ótimo trabalho, pelo menos aqui na Holanda”.

Ao pesquisar sobre o tema, Porcelijn percebeu que pelo menos em países ricos como Holanda e Estados Unidos mais de um quarto da “pegada ecológica” de cada ser humano é perceptível no dia a dia.

Gráfico

O resto está embutido no ciclo de vida de produtos e serviços – da extração de matérias-primas, passando pelo transporte, até o descarte.

Conseguimos refletir, por exemplo, sobre a energia elétrica gasta para carregar nossos celulares, laptops e outros aparelhos eletrônicos.

Mas falamos pouco sobre as consequências da mineração dos metais necessários para produzi-los ou a quantidade de água utilizada nesse processo.

A principal revelação da pesquisa, conta Porcelijn, é que “o maior impacto ambiental não é causado exatamente pelos carros que dirigimos ou pelo ar-condicionado das casas e, sim, por produtos que consumimos – livros, eletrônicos, roupas, alimentos”. Pelo menos na Holanda e nos Estados Unidos.

O resultado do estudo foi compilado no livro Hidden Impact (“Impacto oculto”, em tradução livre), no qual a autora também dá dicas de como reduzir, de forma prática, o impacto provocado pelas escolhas cotidianas. E sem que seja preciso, necessariamente, mudar radicalmente de hábitos da noite para o dia.

Desde então, a holandesa se dedica em tempo integral a projetos de consultoria e análises de impacto ambiental. Ela esteve em São Paulo para participar do evento What Design Can Do (“O que o design pode fazer”, em tradução livre).

Como calcular?

O que Porcelijn considera como impacto é composto de elementos como uso da água e da terra, desmatamento, mineração e processamento de matérias-primas, esgotamento de recursos naturais, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, lixo e uso de combustíveis fósseis.

“O que eu quero fazer é monitorar todo o sistema e incluir todo tipo de impacto. Não só no clima, mas também na natureza, na biodiversidade, todo tipo de poluição”, explica.

“Eu não conseguia encontrar esses dados em lugar nenhum, o que achei muito esquisito. É esse o tipo de coisa que queremos e precisamos saber. Eu tive que ir muito fundo na pesquisa e contratei empresas especializadas para me ajudar.”

Para calcular o impacto da carne, por exemplo, é preciso levar em conta a produção de alimento para o gado e o desmatamento causado para criar o pasto.

Para saber o real impacto de um carro, é necessário incluir a poluição causada pela mineração dos metais utilizados.

No caso de uma calça jeans, deve-se considerar a água utilizada na produção de algodão e também na lavagem do tecido.

Grafico

A tarefa parece impossível e, de fato, a escritora holandesa reconhece que ainda há muito a ser calculado.

“Quando eu procurei especialistas, eles me disseram que nenhum método científico atual inclui todos os tipos de impacto. Mas como podemos superar o maior desafio dos nossos tempos se não conseguimos investigá-lo de verdade?”, questiona.

“Resolvi seguir em frente assim mesmo.”

Por isso, ela explica, os cálculos utilizados em seu método são aproximados.

Para efeito de comparação, a designer fez os mesmos cálculos para a Holanda e para os Estados Unidos, quando conseguiu obter as informações.

“É meio chocante, porque lá tudo é o dobro”, diz.

Ela conta que está, no momento, procurando empresas que a ajudem a fazer as mesmas estimativas para o Brasil.

A pedido da BBC Brasil, ela adaptou alguns gráficos produzidos durante a sua pesquisa e converteu os dados para as unidades de medida brasileiras.

Babette Porcelijn
Image captionBabette Porcelijn diz que não é preciso ser radical para reduzir pegada ecológica individual | Crédito: Johannes Abeling Photography

Consequências ‘surpresa’

Ao escolher estudos de caso para exemplificar o impacto oculto do nosso consumo, Porcelijn diz ter se surpreendido com dados que desafiavam o senso comum a respeito do tema.

No exemplo da calça jeans, ela descobriu que o maior prejuízo ao meio ambiente está escondido no cultivo de algodão. Mas o uso de máquinas de lavar e de secar, que costuma não ser considerado, emite cerca de 12,5 kg de CO2 por lavagem, além do gasto de ao menos 50 litros de água.

No caso dos alimentos, a pesquisa revelou que frutas e legumes em conserva ou transformados em molhos, como o tomate, podem ter menos impacto ambiental do que os frescos.

A autora explica: normalmente, o impacto da produção de vegetais no ecossistema é pequeno, incluindo eventuais embalagens plásticas. O problema se encontra, no entanto, no desperdício que acontece do momento da colheita até a chegada ao prato do consumidor.

“Perder um tomate tem um impacto muito mais negativo do que comprar tomates embalados. A embalagem na verdade, se não for excessiva, pode ser boa, se considerarmos que ela impede a perda”, diz.

Mais de um terço da comida produzida nunca chega ao seu prato. No caso das frutas, legumes e verduras, a perda chega a 50% das colheitas. Por isso, as conservas – que são feitas com vegetais frescos logo após serem colhidos e têm perda menor – acabam sendo mais vantajosas para o meio ambiente.

Parte desse não aproveitamento acontece em casa, com a comida que estraga na geladeira ou é deixada no prato. Porcelijn calculou também esse impacto: se não desperdiçássemos nenhum alimento, nossa pegada ecológica diminuiria cerca de 15% para comida em geral e até 17% considerando só os vegetais.

Uma das dicas da designer industrial é fazer um calendário com as frutas, legumes e verduras de cada estação e procurar comprá-los de produtores locais – localizados a até 2 mil quilômetros de distância, para diminuir o impacto do transporte. Se quiser algum que esteja fora de época, cujo impacto para produzir é maior, prefira a conserva.

Outra boa ideia, segundo Porcelijn, é comprar produtos que estejam perto do vencimento e consumi-los rapidamente, para evitar que o supermercado jogue no lixo. E vale a pena ficar de olho em embalagens excessivas.

Grafico

Os meios de transporte também foram computados no cálculo de Porcelijn, com mais uma revelação surpreendente: caso a intenção seja diminuir realmente o seu impacto negativo no mundo, vale reduzir as viagens longas de avião.

Apesar de, no total, carros poluírem mais por quilômetro rodado que aviões, os especialistas consultados pela designer ressaltam que a possibilidade de viajar de avião aumentou as distâncias que percorremos.

Por isso, eles fizeram uma comparação entre diferentes meios de transporte para uma viagem de 6,5 horas. O resultado: aviões poluem mais, pelo menos em viagens mais longas. Para outro estado pode valer a pena. Mas férias em Dubai? Pense no impacto, sugere Babette Porcelijn.

Caso você realmente não queira abrir mão das férias em outro continente, vale calcular o plantio de árvores necessário para compensar as emissões pela duração do voo, ou apoiar alguma organização que faça esse trabalho.

Gráfico

Por onde começar?

A designer holandesa também se especializou em dar dicas para tentar mitigar a pegada ecológica de cada um, sem que isso tenha que significar adotar uma vida “ecoréxica”, segundo ela.

“Para mim, é importante começar pelas coisas grandes, que causam mais impacto. Mudá-las é mais eficiente”, afirma.

Desde que se debruçou sobre o tema, Porcelijn inseriu algumas dessas mudanças na rotina de sua família.

“Só compro o que realmente preciso e, se eu puder, de segunda mão, especialmente roupas; parei de comer carne e também não tenho mais carro e não pego aviões, a não ser que isso seja para fazer mais bem do que mal. Estou indo de avião para São Paulo porque acho que alcançar pessoas aí e eventualmente ajudá-las a mudar suas vidas faz mais bem do que mal”, afirma.

“Nas férias, viajamos muito de bicicleta. É uma aventura incrível e nossos filhos também adoram. A família ficou mais próxima.”

A designer acredita que deixar de comer carne – o alimento mais poluente – pode ser mais prioritário para o meio ambiente do que deixar de ter um carro.

“Na Holanda certamente esse é o caso, e pelo que ouço do Brasil, também”, diz.

Gráfico

O primeiro passo, segundo ela, é tornar-se sustentável e reduzir o impacto relativo aos seus hábitos pessoais.

De acordo a ONU, a população da Terra será de cerca de 10 bilhões de pessoas em 2050, caso o ritmo de crescimento se mantenha.

Já a economia global em 2050 será 2,7 vezes maior do que hoje, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. E, de acordo com a ONG Global Footprint Network, a população atual vive como se tivesse os recursos de 1,6 planeta Terra.

De acordo com o cálculo de Porcelijn, usando as duas estatísticas, chegaríamos a 2050 precisando de 4,3 Terras para sustentar nosso estilo de vida.

“Se vivermos de acordo com os limites do nosso planeta, já seremos sustentáveis”, afirma.

No caso do Brasil, cuja população vive como se tivesse 1,8 planeta Terra, viver no limite seria reduzir o impacto médio total para cerca de metade do que ele é atualmente.

Para quem pretende ir mais além, ser “econeutro” envolve fazer compostagem, plantar árvores, investir em energia renovável e apoiar financeiramente organizações ambientais, por exemplo.

O nível três, “ecopositivo”, significa trabalhar para que sua influência na mudança de hábitos das pessoas ao seu redor – em casa, no trabalho e em outros grupos – seja maior do que seu impacto no mundo como consumidor.

Menos é mais

O impacto negativo está, inevitavelmente, em todos os produtos que consumimos e atividades que praticamos. A holandesa ressalta, no entanto, que a mudança não deve assustar.

“O truque é: mesmo que você ainda faça tudo o que normalmente faz, faça menos. Por exemplo, pode comer a metade de uma porção de carne, e não essas enormes. Ou não comer todo dia, mas só uma vez por semana”, diz.

“Depois de começar a adotar essas reduções, pode escolher opções que tenham menos impacto. No caso da carne, por exemplo, a bovina tem o maior impacto. Frango já seria melhor.”

Para Porcelijn, também é preciso combater o mito de que “tudo o que é orgânico é melhor” na hora de mudar o estilo de vida.

“A carne orgânica, por exemplo, nem sempre é a melhor escolha. Os dados que recolhi mostram que os animais vivem mais, mas geralmente têm um rendimento menor e necessitam de mais espaço e mais alimento, que é o fator mais poluente”, explica.

Grafico

“Ainda precisamos fazer com que a produção de orgânicos seja algo muito mais eficiente do que é. E também melhorar a agricultura e pecuária intensivas. Acho que os dois processos deveriam ser combinados e teríamos um bom resultado. Até lá, tenha cuidado.”

A escolha do material das roupas também é importante.

“Eu achava que roupas sintéticas seriam melhores, porque a produção delas é menos poluente do que as de algodão, lã ou seda. Mas o problema é que, quando você lava, os tecidos sintéticos liberam microplásticos na água”, explica.

“Se você sabe que determinado tecido é produzido de maneira menos poluente, ótimo. Mas é melhor comprar menos roupas, do que simplesmente mudar para roupas orgânicas.”

Críticos afirmam que a ideia de abrir mão de tantos produtos e atividades ainda é elitista – já que, em sua maioria, produtos orgânicos ou sustentáveis costumam ser mais caros.

A autora diz, no entanto, que são as pessoas com maior renda que devem, de fato, se preocupar mais com seus hábitos.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais impacto pode comprar. Então os ricos devem estar mais atentos a isso do que os pobres. E, de modo geral, percebo que minha vida é bem mais barata com o novo estilo que adotei.”

“Tento dizer quais mudanças seriam as mais eficientes. Mas não julgo o comportamento das pessoas. Só acho que não temos tempo a perder.”

Colheita-Agrofotovoltaico

Até agora, a área cultivada era designada para fotovoltaica ou fotossíntese, ou seja, para gerar eletricidade ou cultivar. Um projeto piloto agrofotovoltaico (APV) perto do Lago de Constança, no entanto, demonstrou que ambos os usos são compatíveis. O uso duplo da terra é eficiente em termos de recursos, reduz a concorrência pela terra e, adicionalmente, abre uma nova fonte de renda para os agricultores. Por um ano, o maior sistema APV na Alemanha está sendo testado na cooperativa agrícola Demeter Heggelbach.

No projeto de demonstração “Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos” (APV-Resola) “liderado pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE, os módulos solares para produção de eletricidade estão instalados diretamente acima de culturas que cobrem uma área de um terceiro hectare. Agora, a primeira colheita solar de energia e produção foi coletada em ambos os níveis.

O trigo de inverno, as batatas, o celeríaco e o trevo foram as primeiras culturas a serem testadas. A orientação sudoeste e a distância extra entre as linhas de cinco metros de altura dos módulos fotovoltaicos de vidro vidro bifacial garantiram que as culturas estavam expostas à radiação solar uniforme.

O sombreamento do módulo solar reduz o rendimento das culturas, mas o saldo total é positivo

Os resultados da primeira colheita foram, na sua maioria, promissores. “O rendimento de capim do capim do trevo na plataforma fotovoltaica foi apenas 5,3 % menos do que o plano de referência”, informa o Prof. Petera Högy, especialista em agricultura da Universidade de Hohenheim. As perdas de rendimento para batatas, trigo e celíacos são entre 18 a 19% e, portanto, um pouco maior “.

“Do ponto de vista da ciência agrícola, a agrofotovoltaica é uma solução promissora para aumentar a eficiência do uso da terra e a parcela de energia renovável fornecida pelo setor agrícola”, ressalta a Prof. Iris Lewandowski, Chefe do Departamento de Produtos Biobased e Culturas Energéticas, Universidade de Hohenheim.

Os especialistas concordam que, no entanto, é importante reunir mais experiência nos próximos anos e analisar outras culturas antes de chegar a conclusões finais.

 

Arranjo solar tem produção acima da média

 

Os módulos solares bifaciais 720 produzem eletricidade solar não apenas na parte da frente, mas também na parte de trás dos módulos fotovoltaicos com radiação solar refletida pelos arredores. Sob condições ambientais favoráveis, por exemplo, cobertura de neve, um rendimento de eletricidade adicional de vinte e cinco por cento pode ser alcançado. Do ponto de vista energético, o princípio da dupla utilização da agrofotovoltaica é muito mais eficiente do que apenas plantar culturas energéticas, contabilizando, afinal, 18 por cento do uso da terra agrícola na Alemanha.

Veja também:   Tesla anuncia primeiro projeto de armazenamento de energia solar e eólica do mundo

Com uma potência instalada de 194 quilowatts, a matriz fotovoltaica pode fornecer 62 casas de quatro pessoas com eletricidade. Nos primeiros doze meses, a matriz produziu eletricidade de 1266 quilowatts-hora por quilowatt instalado, um terço do que o valor médio de 950 kWh / kW na Alemanha.

paineis-solares-com-agricultura-agrovoltaica

A produção de energia do campo experimental corresponde bem à carga de fazenda diária. Cerca de 40% da eletricidade produzida na fazenda foi usada diretamente para carregar os veículos elétricos e processar as colheitas colhidas.

No verão, a demanda de carga poderia ser quase completamente atendida pelo sistema fotovoltaico. Thomas Schmid e os outros agricultores de Demeter pretendem aumentar o seu autoconsumo até 70 por cento, otimizando o comportamento de consumo e instalando um sistema de armazenamento de eletricidade.

A eletricidade PV excedente é alimentada na Elektrizitätswerke Schönau, uma empresa de serviços elétricos com base em energia 100% renovável e parceira no projeto.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

Projeto Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos (APV Resola)

Uma vez que a ideia da agrofotovoltaica foi iniciada pela primeira vez pelo Prof. Adolf Goetzberger, que fundou o Fraunhofer ISE em 1981, várias grandes instalações APV foram instaladas em todo o mundo. Por outro lado, apenas algumas dessas plantas APV são designadas como sites de pesquisa.

No projeto “APV Resola”, os pesquisadores estão investigando os aspectos econômicos, técnicos, societários e ecológicos da tecnologia em uma planta piloto em condições reais pela primeira vez. O projeto de pesquisa é apoiado por fundos do Ministério Federal Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF) e da Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (FONA).

O objetivo do projeto é desenvolver a tecnologia do sistema APV em um produto pronto para o mercado. “Para fornecer a prova de conceito necessária antes da entrada no mercado, precisamos comparar outras aplicações técnico-econômicas da APV, demonstrar a transferibilidade para outras áreas regionais e também realizar sistemas maiores”, explica Stephan Schindele.

Por exemplo, diferentes aplicações possíveis devem ser exploradas em combinação com frutas, frutos do mar, lúpulo e lavouras e com as várias tecnologias, tais como armazenamento de energia, filmes especiais com células solares orgânicas e sistemas de tratamento de água solar fotovoltaica.

“Além do investimento da indústria e da política de pesquisa, as medidas políticas apropriadas que apoiam a tecnologia são de vital importância para uma entrada bem sucedida no mercado”, acrescenta Stephan Schindele. Já em 2014, Fraunhofer ISE e Wuppertal Institute.

 

*Com informações do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar

20171130005257570084e

Nem os questionamentos ambientais e denúncias na área trabalhista tiram o interesse por títulos verdes da dívida, os chamados “green bonds”, emitidos por empresas e instituições financeiras brasileiras. O país lançou até hoje US$ 3,67 bilhões, em um total de nove emissões – a primeira delas feita em 2015 – feitas em um período de baixa atividade econômica e recomendações pouco otimistas por parte das agências de avaliação de risco em relação ao Brasil. Pelo apetite dos investidores estrangeiros, o volume poderia ser ainda maior.

No mundo, esse mercado já chega a US$ 221 bilhões, diz segundo relatório feito pela ONG Climate Bonds Initiative, divulgado recentemente. A estimativa é que, em 2020, o segmento movimente cerca de US$ 1 trilhão, cinco vezes mais do que o valor previsto para este ano.

Os “green bonds” são títulos da dívida emitidos por empresas ou bancos para viabilizar projetos que tenham impacto ambiental positivo. O único objetivo é financiar projetos sustentáveis. É feito um processo de verificação por uma consultoria especial, que avalia se os recursos obtidos com a emissão serão investidos em ações climáticas ou ambientais. No caso brasileiro, eles são direcionados especialmente ao financiamento de projetos de energia renovável.

Para as empresas e instituições financeiras, há uma série de vantagens na emissão de títulos verdes, como o aumento da visibilidade de seus projetos sustentáveis junto ao mercado de capitais, o reforço da estratégia de negócio em direção à pauta ecossustentável e a possibilidade de captar recursos em condições mais favoráveis do que em uma emissão tradicional de títulos da dívida. Na relação de brasileiras que optaram pelos “green bonds” estão BNDES, BRF, Fibria, Suzano, CPFL Energias Renováveis, Rio Energy, Omega Energia e Klabin.

Gustavo Pimentel, diretor da Sitawi Finanças do Bem, diz que os títulos verdes são uma boa opção para as empresas que procuram diminuir seus impactos negativos (na sociedade ou no meio ambiente) e, consequentemente, aumentar os impactos positivos. “Para isso, podem atrair investidores mais atentos a essas questões”, explica.

É o caso do BNDES, que em maio passado captou no exterior US$ 1 bilhão em títulos verdes. A procura foi cinco vezes maior que a oferta de títulos, conta André Carvalhal, chefe do Departamento de Captação de Mercado do banco. “Encontramos uma diversidade grande de perfis entre esses investidores, a maioria ‘verdes’, o que é muito bom, porque atrai o olhar para o banco de um público diferente. Ganha-se um benefício adicional ao abrir as portas do banco para outras possibilidades”, diz. Além dessa vantagem, o executivo conta que foi possível obter com a operação o menor custo adicional (spread) em relação ao tesouro dos últimos 10 anos.

Cerca de 70% do valor captado com os “green bonds” do BNDES já estão empregados em oito projetos de energia eólica no Nordeste. Até o início do ano o banco vai anunciar quais são as empresas contempladas com os recursos. Apesar da primeira operação com os títulos verdes ter sido recente, Carvalhal não descarta a possibilidade de voltar ao mercado ainda no primeiro semestre de 2018. “Existe uma demanda forte do mercado por esses títulos brasileiros. Os ‘green bonds’ sempre estarão no nosso radar para novas emissões”, afirma.

‘No DNA’ 

A Fibria passou um ano estudando como fazer a emissão de títulos verdes. Foram, ao todo, cerca de 300 pessoas envolvidas na operação, de diferentes áreas da companhia. O lançamento – US$ 700 milhões – foi feito em janeiro deste ano e 40% dos investidores eram focados em práticas de sustentabilidade. “Percebemos que havia um crescimento forte e consistente por esse tipo de papel e que fazia todo sentido seguir esse caminho, já que somos uma empresa que tem a sustentabilidade no DNA”, diz David Alegre, responsável pela tesouraria da companhia. O dinheiro captado já começou a ser investido na restauração de florestas nativas, em projetos de uso eficiente da água e de energia renovável.

Assim como no caso do BNDES, a procura foi muito maior que a oferta de títulos da Fibria – cinco vezes maior, segundo o executivo. “Para a empresa também foi uma grande oportunidade de divulgar nossos trabalhos de sustentabilidade e chamar a atenção desses investidores para nosso negócio”, diz.

Outra empresa do setor de papel e celulose que percebeu uma oportunidade nos “green bonds” foi a Suzano Papel e Celulose. Marcelo Bacci, diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores, conta que antes da emissão de R$ 1 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no mercado local, realizada em novembro do ano passado, a Suzano já havia sido pioneira na América Latina na emissão de ‘green bonds’ em dólares, com uma operação de US$ 500 milhões realizada em julho do ano passado. “O resultado das duas operações reforça a nossa percepção de que haverá um número crescente de investidores destinando recursos para esse tipo de títulos”, diz o executivo. “Por isso, temos certeza de que esse caminho será seguido por outras empresas.”