carlosnobre-ecod

“As mudanças climáticas não têm solução em curto prazo”. A opinião é de Carlos Afonso Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e um dos cientistas agraciados com o Prêmio Nobel da Paz (2007), por ter colaborado na produção do relatório do IPCC (Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas) que alertava o mundo, de forma mais contundente, os riscos provocados pelo aquecimento global.

Nobre foi uma das principais atrações do Congresso Internacional de Sustentabilidade para Pequenos Negócios (Ciclos), cuja abertura foi realizada na quinta-feira, 6 de julho, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.

Para o cientista, o planeta já entrou em uma nova era geológica, o Antropoceno, graças à interferência humana na Terra. “Nós estamos modificando profundamente a composição da atmosfera lançando os gases de efeito estufa com uma velocidade sem precedentes”, observou. O pesquisador lembra que, a partir da década de 1950, houve aumento do número da população vivendo em cidades, o que contribuiu para esse cenário.

“Não há dúvida de que o planeta está aquecendo. Só para se ter ideia, a temperatura média no Brasil aumentou mais de 1,5ºC entre 1901 e 2012. As emissões de gases do efeito estufa seguem trajetórias de aumento entre 3,2ºC e 5,4ºC acima dos valores da época pré-industrial. É preciso mitigação intensa e contínua para não ultrapassar o limite de 2ºC”, defendeu Nobre.

Semideserto
De acordo com o pesquisador, se o mundo deixar de conter o aquecimento global, o ciclo hidrológico no Brasil se agravará muito mais. “Nos últimos 6 anos tivemos chuvas abaixo da média. O Nordeste, em especial a região do semiárido, pode vir a se tornar praticamente um semideserto. Principalmente devido ao aquecimento global, os desastres naturais no Brasil estão cada vez mais recorrentes”, alertou.

Nobre citou que a América do Sul é o continente com maior risco de extinção de espécies (23%) atribuível às mudanças climáticas. “Isso em um cenário de aumento médio de 4ºC na temperatura global. A biodiversidade dos biomas estaria extremamente ameaçada”.

Acordo de Paris
Uma das formas de evitar que o pior aconteça, na visão do cientista, é pôr em prática as diretrizes do Acordo de Paris, tratado estabelecido em dezembro de 2015, na capital francesa, durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21). Na ocasião, líderes de mais de 190 países concordaram em reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o que evitaria, segundo estudos do IPCC (Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas), que a temperatura média do planeta subisse mais de 2ºC nas próximas décadas, o que traria graves consequências, como escassez de água, alimentos e migrações forçadas.

“Nós não temos opção, a não ser o Acordo de Paris, que tem metas muito ambiciosas de não deixar o planeta aquecer ainda mais. Temos que reduzir drasticamente as emissões. O desafio é gigantesco, mas não podemos nos furtar a cumpri-lo”, enfatizou Nobre.

Imprevisível Trump
O cientista tirou risos do público presente, cerca de 400 pessoas, quando recordou do filme “De Volta Para o Futuro (1989)” e do desenho animado “Os Simpsons”, que “previram” a eleição do presidente dos EUA, Donald Trump, a quem definiu como “muito imprevisível”.

Recentemente, o polêmico chefe da Casa Branca anunciou que os Estados Unidos deixariam o Acordo de Paris. O governo Obama havia se comprometido com redução de emissões entre 25 e 28% até 2025. Mas sou otimista. Acredito que não vão querer perder a corrida pelas tecnologias limpas para a China. A irresponsável cegueira do presidente Trump na questão climática poderá ter um impacto grande para o planeta”, criticou.

Caminhos 
Ao comentar sobre o que o Brasil pode fazer a respeito das mudanças climáticas, o cientista observou que o país estava indo bem na redução do desmatamento da Amazônia e do Cerrado até os últimos três anos, mas agora ocorre o contrário”.

Ele sugeriu três caminhos para a sustentabilidade no Brasil:

  1. reduzir o desmatamento da Amazônia;
  2. promover uma agricultura livre da emissão de carbono;
  3. mais investimentos em energia limpa.

“Não estamos dando a atenção devida à adaptação às mudanças climáticas. Há grandes oportunidades para os micro e pequenos empresários em adaptação, até mais do que em inovação, pois é uma área que recebe pouca atenção. A chave está nas soluções locais. Nós aqui fomos muito mais na direção da mitigação. Países desenvolvidos têm inúmeros esforços em adaptação. O Porto de Roterdã (Holanda) é um exemplo, pois se planejou há cerca de 20 anos para um possível cenário de elevação de nível do mar. Aqui no Brasil construímos rodovias que serão alagadas nas próximas décadas, com um tipo de asfalto que não vai resistir”, projetou Nobre.

Energia limpa
De acordo com o cientista, o Brasil não está avançando na velocidade desejada em eficiência energética, “que deverá ser 100% limpa e renovável até 2050”, a fim de evitar um aumento de 1,5ºC na temperatura”.

“A tendência para energias renováveis (principalmente eólica e solar) está na microgeração, capitaneada pelas pequenas empresas. China e Índia são um bom exemplo disso”, concluiu Carlos Nobre.

deforestation-351474-1920

A humanidade terá consumido nesta quarta-feira, dia 2 de agosto, o total dos recursos que o planeta pode renovar em um ano, e viverá de crédito até 31 de dezembro, calcula a Global Footprint Network.

A ONG destaca que esse momento chega cada vez mais cedo todos os anos.

Esta quarta-feira é o “Dia de Sobrecarga da Terra” (“overshoot day”, em inglês): “A partir dessa data, a humanidade terá consumido o conjunto dos recursos que o planeta pode renovar em um ano”, escreveram a Global Footprint e o WWF (World Wildlife Fund) em um comunicado conjunto.

Para seus cálculos, a Global Footprint leva em conta em particular a pegada de carbono, os recursos consumidos pela pesca, a pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água.

Em 2016, o “Dia de Sobrecarga da Terra” ocorreu em 3 de agosto. Embora o ritmo de progressão tenha reduzido um pouco nos últimos seis anos, esta data simbólica “continua avançando de maneira inexorável: este dia passou do final de setembro em 1997 a 2 de agosto neste ano”, destacam as ONGs.

“Para satisfazer nossas necessidades, hoje deveríamos contar com o equivalente a 1,7 planeta”, detalham.

“O custo deste consumo excessivo já é visível: escassez de água, desertificação, erosão dos solos, queda da produtividade agrícola e das reservas de peixes, desmatamento, desaparecimento de espécies. Viver de crédito só pode ser algo provisório porque a natureza não conta com uma jazida para nos prover indefinidamente”, ressaltam o WWF e a Global Footprint.

As emissões de gases de efeito estufa “representam apenas 60% da nossa pegada ecológica mundial”, lembram.

Segundo as duas organizações, “sinais animadores” indicam, no entanto, que “é possível inverter esta tendência”.

Apesar do crescimento da economia mundial, “as emissões de CO2 vinculadas à energia não aumentaram em 2016, pelo terceiro ano consecutivo”, ressaltam. “Isto pode ser explicado pelo grande desenvolvimento das energias renováveis para produzir eletricidade”.

A comunidade internacional se comprometeu na Conferência de Paris sobre o clima (COP21), em dezembro de 2015, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de limitar o aquecimento global.

Levando em conta os dados científicos mais recentes, a Global Footprint recalcula a cada ano a data do “Dia de Sobrecarga” para os anos passados, desde que este “déficit ecológico” começou a se aprofundar, no início dos anos 1970.

fazenda-de-energia-solar-300x199

 

A região Noroeste do Estado de Minas Gerais ganhou a sua primeira fazenda de energia solar por assinatura. Idealizada pela Empresa Brasileira de Energia Solar (Ebes), o diferencial do empreendimento é a comercialização de cotas, como se fosse uma assinatura, para o consumidor comercial.

A fazenda funciona como se o consumidor comercial alugasse uma parte da usina. A energia é conduzida normalmente pela distribuidora, que no caso é a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), e entregue aos contratantes do modelo.
A primeira usina de 1 megawatt (MW) já foi finalizada e aguarda autorização da Cemig, o que deve acontecer no próximo mês. Ela ocupa uma área de 2,5 hectares e tem capacidade para produzir 2.100 megawatts/hora (MWh) de energia por ano, atendendo de cem a 150 clientes comerciais, de pequeno e médio portes.O investimento feito pelos acionistas foi de R$ 5,5 milhões.

A Ebes tem como objetivo viabilizar cem usinas de 5 MW, num prazo de três anos, com investimentos de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. Como serão usinas maiores, a previsão é de que elas possam atender de 500 a 750 comerciantes.

 

cidades-sustentaveis-no-brasil-7

Instalado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o Fórum tem por objetivo avaliar, passados dois anos, o avanço dos países em seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O foco principal é o objetivo número 1, erradicação da pobreza. Quarenta e quatro países, entre os quais o Brasil, apresentarão relatórios sobre o andamento desses objetivos.

Na reunião deste domingo na Missão Brasileira da ONU, entre o governo e a sociedade civil, houve críticas ao relatório do país. O documento foi feito unilateralmente pelo governo, sem a participação da sociedade civil.

Ao apresentar o relatório do governo brasileiro, na segunda-feira, o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho destacou a relação entre o Plano Plurianual (PPA) e os ODSs. Segundo ele, o relatório também contém ações da sociedade civil e empresas, “já que a agenda é responsabilidade de muitos atores”. E citou nominalmente o Programa Cidades Sustentáveis como importante plataforma para a incorporação da Agenda 2030 nos municípios.


Jorge Abrahão

Jorge Abrahão, coordenador geral do Programa Cidades Sustentáveis, está em Nova Iorque acompanhando todo o Fórum. Em sua opinião, o documento do governo brasileiro é bastante genérico e deixa evidente a falta do que dizer sobre as efetivas ações realizadas nestes dois últimos anos. “O Brasil está atrasado dois anos na agenda. O único avanço que podemos destacar é o lançamento, no último dia 29 de junho, da Comissão Nacional do Desenvolvimento Sustentável, responsável pela governança da Agenda 2030 no Brasil, e apresentou o relatório nacional sobre o avanço dos ODS no País”, avaliou.

Abrahão criticou o fato de a elaboração do relatório nacional não ter contado com a participação da sociedade civil. Também destacou que as reais ações do governo brasileiro vão no sentido contrário do compromisso com os ODS, como a PEC do teto de gastos e a Reforma Trabalhista.

O coordenador geral do Programa Cidades Sustentáveis relatou, ainda, que algumas propostas foram apresentadas durante o Fórum, como uma reunião com a delegação brasileira no sentido de construir caminhos para ampliar a participação. Além disso, contou que o Ministro-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, Antônio Imbassahy, e o Itamaraty se comprometeram a defender que as políticas públicas no país estejam condicionadas aos ODS. “É importante ressaltar que é uma agenda de Estado, de longo prazo, e não de governos”, concluiu Abrahão, destacando que “o reconhecimento do Programa Cidades Sustentáveis nos coloca como interlocutores de uma agenda de vanguarda”.

braztoaSustentabilidade_logo

O Ministério do Turismo, em parceria com a Associação Brasileira de Operadoras de Turismo, abre as inscrições para o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade. O objetivo é reconhecer as práticas ecologicamente corretas na atividade turística. O prazo vai até 1º de setembro.

Quem quiser se inscrever vai precisar apresentar propostas que tornem a atividade turística mais responsável, preocupada com os aspectos sociais, econômicos e ambientais. Desde 2012, o prêmio, que mobiliza instituições em todo o País, já reuniu mais de 200 iniciativas, sendo 56 delas premiadas.

Na categoria Agências de Viagem, disputam o prêmio as empresas que comercializam produtos e serviços turísticos diretamente para o cliente final. Os meios de hospedagem podem concorrer em duas categorias: Hotéis, Pousadas e demais serviços de Hospedagem; e Resorts, que terão avaliação exclusiva nesta edição.

Também podem se candidatar ao prêmio grupos parceiros do turismo, como operadoras de turismo que não são associadas à Braztoa, companhias aéreas, locadoras de veículos, fundações, associações, organizações governamentais e do terceiro setor. Entram ainda na disputa, na categoria Projetos Inovadores, as iniciativas submetidas por grupos de alunos do ensino técnico e superior.

O vencedor

A premiação de cada categoria inclui ampla divulgação, troféu e inserção no Mapa de Iniciativas Sustentáveis. Além disso, a proposta que, entre todas as categorias, for a mais pontuada receberá o troféu Prêmio Top Sustentabilidade e uma pós-graduação a distância.

Os vencedores são escolhidos por um júri especializado formado pelas principais instituições relacionadas ao turismo sustentável, como Organização Mundial do Turismo (OMT), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e Ministério do Turismo.

Confira o Mapa do Turismo Sustentável, com todas as iniciativas premiadas.

de_compras_por_ondas_de_ruido

Empresas devem desenvolver boas práticas ambientais. Mas cabe ao consumidor cobrar isso delas. Não é simples. O peso da vigilância ecológica não é o mesmo para consumidores mais ricos e mais pobres. A preocupação ambiental também varia de acordo com a situação econômica do país e o desafio de cada um para ajustar as finanças da família. É o que explica Claudio Felisoni, coordenador-geral do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

ÉPOCA – Com as mudanças climáticas é necessária a adoção de padrões de produção e consumo sustentável. O que isso significa no cenário mundial para países desenvolvidos e subdesenvolvidos?
Claudio Felisoni – Cobrar dos menos favorecidos um comportamento semelhante àquele que os mais abastados têm condições de ter é incoerente. As coisas não são assim. Infelizmente, não só a economia brasileira, como a mundial têm uma distribuição muito desigual com relação aos benefícios do desenvolvimento econômico. Para que se possa colocar essas questões ambientais em patamar de importância em que efetivamente merecem estar, presentes no cenário global, é preciso ter uma sociedade com distribuição mais justa de riquezas. Até porque nós todos habitamos o mesmo planeta. Isso significa que países mais desenvolvidos e regiões do Brasil mais ricas precisam suportar o ônus, custo gerado nesse processo de ajuste, maior. Desse modo, é possível integrar os menos favorecidos num esforço conjunto de preservação.

ÉPOCA – O senhor acredita que a crise econômica deve acentuar a crise ecológica?
Felisoni – Embora a preocupação com sustentabilidade seja algo plural, ela tem uma incidência expressivamente maior em regiões com renda familiar mais alta do que nas regiões menos abastadas. Acredito que tenha uma razão justificada, porque, onde falta o pão, todos se preocupam em saciar as necessidades básicas da humanidade, como comer, morar, e pouco se evolui além disso. Como nós estamos numa sociedade com um padrão de renda altamente desigual, desigual é também a preocupação com o meio ambiente. Ela é evidentemente algo essencial e importante. Mas essas preocupações são preteridas relativamente a outras associadas à sobrevivência.

ÉPOCA – Em sua opinião, já existe no Brasil uma consciência de sustentabilidade na hora de comprar, consumir e descartar produtos?
Felisoni – Não, acho que não. Aqui no Programa de Administração de Varejo [Provar] da Fundação Instituto de Administração [FIA], nós fizemos um trabalho que não é exclusivamente relacionado à questão de consumo verde, mas tem a ver com comportamento de compra dos indivíduos, particularmente no que diz respeito às opções de compra de produtos piratas. Embora tenha uma dimensão específica, nos remete a um pensamento mais global no que diz respeito às escolhas de compra dos indivíduos. No levantamento, 44% dos que responderam à pesquisa costumam comprar em comércios alternativos, camelôs, pirataria, entre outros. Além disso, 91,7% dos entrevistados responderam que o motivo que os levava à escolha por comprar nesse tipo de comércio era o preço mais baixo. Claro que existem também questões culturais, mas há aspectos relacionados às condições de vida dos consumidores. Em países com renda baixa, obviamente a questão de preço tem um peso maior.

ÉPOCA – Podemos constatar que o consumidor prefere marcas e empresas que investem em responsabilidade socioambiental?
Felisoni – O papa João XXIII costumava dizer que para evangelizar era preciso que primeiro a necessidade básica de alimentação tivesse sido atendida. É preciso que se tenha pão. Sem pão não adianta falar de outras coisas mais elevadas, porque não vai ser relevante para os indivíduos. Então, à medida que se vai evoluindo na pirâmide social, os objetivos e as preocupações vão se tornando um pouco mais transcendentes, mais amplos. Nos níveis mais básicos dessa pirâmide, a sociedade também é mais básica na forma de pensar.

ÉPOCA – O senhor acha que a consciência socioambiental dos consumidores tem algum impacto no comportamento das empresas?
Felisoni – Sem dúvida. Existe um trabalho de Michael Porter que discute o desenvolvimento dos países e a vantagem competitiva das nações. Um dos fatores que influenciam essa vantagem é o nível de qualificação da população. Quanto mais qualificada for a demanda, mais atentas estarão as empresas em dar respostas. O nível de qualificação da demanda impõe para as empresas um padrão de exigência maior. Por exemplo, no Brasil nós não ligamos em comprar bananas com manchinhas pretas. Em outros lugares, a mesma banana pode ser rejeitada. E o que é preciso para produzir uma banana que não tenha pintinhas pretas na casca? É preciso certos cuidados e procedimentos que não são tomados onde a banana com pintinhas é aceita. Então, à medida que se tem uma demanda menos exigente, com preocupações menos intempestivas, as respostas também serão menos orientadas para questões importantes. Além disso, o ranking das prioridades dos indivíduos também é diferente em países mais ou menos desenvolvidos.

ÉPOCA – Quais são os temas de maior preocupação dos consumidores ao escolher os produtos que serão comprados?
Felisoni – De modo geral, eu diria que hoje há uma preocupação muito maior com relação às questões ambientais do que 15 anos atrás. Mas, ao relacionar essas inquietações num ranking, certamente a maior relevância para o consumidor é o custo-benefício dos produtos, principalmente o preço.

ÊPOCA – O engajamento socioambiental das empresas gera valor ao olhar do consumidor?
Felisoni – Sem dúvida. Mas, em contrapartida, empresas que investem pesado em imagem verde já constataram que o emprego dos recursos não era proporcional aos resultados na receita. Isso não significa que devam parar de fazer, pois as empresas são construídas para o futuro. Investimentos são feitos a longo prazo e a curto prazo. Acredito que hoje consumidores que estão economicamente confortáveis observam sim a procedência dos produtos, como a responsabilidade socioambiental, mas de uma forma geral isso não acontece. Ainda mais em tempos de crise.

ÉPOCA – Em sua opinião, qual a importância do Prêmio ÉPOCA Empresa Verde?
Felisoni – Podemos dizer que existem dois mundos, o empírico, da nossa experiência direta, e o dos símbolos. Uma coisa é aquilo que se pensa, e para transmitir aquilo que se pensa são necessários os símbolos, o português que falo para responder a esta entrevista, por exemplo. Os símbolos são agentes motores de comportamento, são bastante significativos para o indivíduo que vive em comunidade, são como os mitos para sociedades antigas. Então prêmios, cursos, programas de televisão são absolutamente fundamentais para que a consciência ambiental não só esteja presente, mas também se amplie.

ÉPOCA – Como os consumidores podem avaliar quais empresas são mais atuantes nas questões de responsabilidade socioambiental?
Felisoni – A empresa precisa dizer isso. Algumas delas são mais competentes nesse aspecto. Outras, por sua vez, não são tão bem-sucedidas nessas ações. O marketing tem um papel absolutamente essencial. Por outro lado, vejo que também existe muita coisa falsa, empresas que vendem uma imagem que não corresponde àquilo que acontece de verdade. Acredito que esses investimentos são importantes, que valorizam a marca, mas não entregam resultados imediatos. Acho muito bonito falar que a empresa tem programas ambientais, que precisa se preocupar com o hábitat comum, mas é fundamental que nós tenhamos uma consciência pragmática daquilo que é possível ser feito.

ÉPOCA – As empresas estão realmente preocupadas em desenvolver boas ações ambientais ou só as desenvolvem para melhorar a imagem junto aos consumidores?
Felisoni – Empresas existem para gerar lucro, e para isso desenvolvem um conjunto de ações para produzir resultados. Quando um empresário abre uma padaria, o objetivo dele é ganhar dinheiro. Para isso ele precisa oferecer um pão quentinho, uma manteiga deliciosa, oferecer leite fresquinho entre outros itens na prateleira. Não podemos confundir os meios com os fins. Quando uma instituição faz uma ação de benevolência, no fundo ela quer valorizar a própria imagem. Isso é positivo, não é ruim. Não se pode esperar da empresa a ação da benemerência pela benemerência. A empresa é feita e age na busca por resultados. Precisamos entender que essa é a função fundamental das empresas e criar incentivos e controle para que a direção de suas ações estratégicas sigam ao encontro dos objetivos da sociedade.

salao-ecod

A evolução da clientela tem feito muitos empreendedores repensar e mudar o modo de oferecer os serviços. Um dos mais importantes princípios buscados atualmente pelo consumidor consciente é a sustentabilidade: além da análise custo-benefício de um produto ou serviço, é cada vez mais relevante a preocupação com o processo produtivo, a responsabilidade social e ambiental da empresa, entre muitos outros fatores.

Seguindo a tendência da sustentabilidade aplicada aos negócios, uma nova modalidade de salões de beleza começa a tomar forma e ganhar espaço no mercado: são os salões sustentáveis ou “salões verdes”. É o que destaca o relatório de Sustentabilidade do Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae, que aborda esse novo conceito, assim como outros pontos que envolvem o cuidado estético e a sustentabilidade, orientando o micro e pequeno empreendedor para as oportunidades no setor.

Sete mil salões de beleza são abertos por mês no Brasil – a maioria está enquadrada em microempreendedores individuais (MEI). Para buscar uma diferenciação em meio à grande concorrência, confira algumas práticas adotadas pelos “salões verdes” e verifique a viabilidade de aplicá-las em seu empreendimento:

· Trabalhe apenas com produtos ecológicos, que permitam ser reciclados ao final e opte por marcas que ofereçam a opção de refil, para não descartar a embalagem quando acabar;
· Utilize produtos que não são testados em animais;
· Procure aproveitar a iluminação natural e lâmpadas de baixo consumo energético; outra possibilidade é a utilização de painéis solares para captação de energia.
· Utilize tintas de cabelo orgânicas, sem presença de amônia e outros aditivos químicos em sua composição;
· Incentive os clientes a devolver/trazer frascos usados de cosméticos para o salão, e implemente a coleta seletiva desses rejeitos, agregando valor ambiental e renda a associação de catadores locais;

Um exemplo de sustentabilidade vem de Natal (RN): Fabiana Gondim é proprietária do salão de beleza Chic Coiffeur e criou um método inovador, chamado HairSIZE, que mede a quantidade de produto a ser utilizado nos cabelos de clientes, analisando o comprimentos dos fios. O método evita excessos de produto no cabelo e diminui o desperdício. Em um mês já é possível reduzir de 60% a 70% o consumo de produtos e água – uma medida econômica e ecologicamente correta.

Se você se interessou por esta tendência e quer implementá-la em seu negócio, confira as dicas do Sebrae:

· Para alcançar o status de sustentável é necessário conscientizar todos os colaboradores para a adoção das práticas propostas, portanto, invista em treinamentos para conscientização
· Acompanhe informações e tendências de sustentabilidade no Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), referência nacional no Sistema Sebrae. O CSS possui uma cartilha com dicas sustentáveis para salões de beleza, confira e pratique!
· O Sebrae pode ajudar a implementar essas iniciativas. Agende seu atendimento pelo telefone 0800 570 0800 ou procure a unidade mais próxima clicando aqui.

19466720_1733578919989073_4530908057960699028_o

Na última quinta-feira (29) foi inaugurado na Bird Street, em Londres, um novo espaço de compras ao ar livre, que utiliza algumas das novas tecnologias mais inovadoras em sustentabilidade, como a micro geração de energia.

A rua, que antes era aberta para carros, foi fechada apenas para pedestres e funciona como um combinado de showroom com tecnologias sustentáveis e lojas e cafés voltados para o público engajado, que gosta de se alimentar de forma saudável e busca boas práticas de consumo. A mudança no hábito de compras do consumidor foi o que estimulou este novo tipo de comércio de rua, chamado de High Street, que já é tendência no Reino Unido.

Calçada do futuro

A tecnologia que ocupa dez metros quadrados da calçada da Bird Street foi desenvolvida pela empresa Pavegen. O caminho é equipado com uma tecnologia que gera energia quando os pedestres caminham sobre ele. À medida que os pedestres caminham pela calçada, a pressão faz com que os geradores no piso se desloquem verticalmente. A indução eletromagnética cria energia cinética que pode ser usada para alimentar dispositivos. No caso da Bird Street o sistema irá alimentar a iluminação das luminárias em forma de pássaros que decoram as árvores da rua e também alimenta o equipamento de som, que emite sons de pássaros cantando conforme a pessoa caminha.

O sistema tem também outro objetivo além de gerar energia. Cada módulo de piso do sistema é equipado com um transmissor de dados Bluetooth, que captura informações a partir de cada passo. Ao caminhar, o pedestre pode se conectar a um aplicativo móvel da empresa onde cada passo coletado é convertido em moeda digital que pode tanto ser usada como recompensas em programas de fidelidade, como doadas para instituições de caridade.

O sistema também monitora continuamente o fluxo de pessoas,  dando a capacidade de prever horários de pico e locais privilegiados de uma rua ou centro comercial, por exemplo. Ela também monitora o fluxo direcional para fornecer uma análise abrangente dos padrões de movimento. O sistema gera um mapa de calor, mostrando o comportamento do consumidor através da medição da intensidade, do ritmo e do número de pessoas que caminham dentro de uma área designada.

Outras inovações que a rua implementou foi a instalação de bancos fabricados pela ClearAir da Airlabs, que limpam o ar do dióxido de nitrogênio e ainda apresentam um painel com a medição imediata sobre a qualidade do ar do local. As superfícies das lojas em forma de origamis que abrigam cafés e lojas, também foram cobertas com a tinta Airlite, que purifica o ar de gases NOx e bactérias.

images

O Brasil se desenvolveu com uma visão predatória com relação ao Meio Ambiente. Quando os portugueses chegaram ao continente americano, há cinco séculos, seu propósito era edificar uma colônia que abastecesse seus navios mercantes e assegurasse luxo e riqueza para sua família imperial. Pouco se lhes importava se havia aqui uma civilização milenar, assim como no resto do continente. Esse era o pensamento imperialista da época.

Todo o processo de exploração da “Terra Brasilis” visava, tão somente, enriquecer o reino português na Europa. Porém, tudo mudou quando Dom João VI teve que fugir às pressas, com sua família e seu séquito de nobres, da ira de Napoleão Bonaparte.

Nesse momento, a Colônia se transformou em Império e muito se investiu na capital de então, o Rio de Janeiro, para fazê-la parecer uma cidade Europeia: bancos, escolas, museus… a capital carioca viveu seus momentos de glória e luxúria! E para tornar o Brasil atraente para a nobreza, o Rei distribuiu terras, como soía acontecer entre os privilegiados das cortes. Pela primeira vez, o Brasil foi loteado, dando início a uma prática que se prolonga até os dias atuais. Em essência, somos uma colônia agrícola!

Muita água rolou por debaixo das pontes dessa amável colônia até que os portugueses voltaram para sua terrinha, aqui deixando seu filho, Dom Pedro, com o propósito de assegurar a fidelidade da já não tão nova terra ao Reino Imperial Português.

Mal sabia seu pai que o bom filho à casa não tornaria… e ainda por cima, declararia a independência, sublevando-se contra Portugal. Por certo, fidelidade era um conceito efêmero para os antigos… e assim continua a ser!

E assim foram se sucedendo as traições e os malfeitos até que a República se instaurou, derrubando o herdeiro do jovem Império, depois de fazer um mártir e acabar com a escravidão. Mas… e os indígenas, os silvícolas, as populações originárias dessa terra “abençoada por Deus”?

Aqueles morreram aos milhões, em um dos mais cruéis genocídios da história do homem sobre a Terra, mas poucos se importaram, e menos ainda notaram sua ausência! Os povos indígenas foram quase dizimados, sem que houvesse protestos ou lamentações. Simplesmente, deixaram de existir na maior parte do país.

Enquanto isso, o Brasil passava por ditaduras e populismos que marcaram a história com o viés político de oligarquias dominantes, cujo único propósito era o poder, a riqueza fácil e a perpetuação de seus escusos interesses.

#AgroÉpop!

O Brasil nunca teve vocação para o protagonismo no contexto mundial. E desde o Império alimentou o sonho de ser o “celeiro do mundo”, abdicando do direito de se tornar um líder entre as nações mais desenvolvidas. Seu propósito era “alimentar o resto do mundo”! Certamente, um objetivo falso, modesto e perigoso, considerando-se para isso que teria que sacrificar sua maior riqueza: a fantástica biodiversidade que herdou, preservada pelos povos indígenas.

Aos poucos, as florestas deram lugar a imensas áreas devastadas pelo agronegócio que se tornava a opção de desenvolvimento econômico, em detrimento da igualdade e justiça social. Hoje, pouco resta da Mata Atlântica e do Cerrado, e a Amazônia segue pelo mesmo caminho, para a destruição e a morte do maior bioma do planeta. Pouco resta para preservar como legado às próximas gerações.

A influência do latifúndio na cultura nacional é tão grande que uma nova moda surgiu nos anos 80 e tomou conta da juventude: a música brega dos novos cowboys, com sua vestimenta igualmente ridícula e seu gosto duvidoso (para ser discreto na avaliação).

O agro se tornou pop, para tristeza de uma geração de guerreiros que sepultou uma ditadura e construiu uma das mais belas páginas das artes e da música popular brasileira! Essa perda de identidade do povo brasileiro reflete as escolhas equivocadas dessa nova geração. O problema é que o mundo não gira para trás e tudo que se perdeu não tem recuperação… somos responsáveis por nossas escolhas e pelas suas consequências, que, certamente, serão trágicas.

#AgroÉtech

A agricultura familiar e social não faz uso intensivo do solo, nem necessita de altas tecnologias para seu desenvolvimento. A beleza do trabalho no campo está, justamente, no contato com o solo, com as sementes, no acompanhamento da evolução das lavouras e da criação de animais, no uso parcimonioso de fertilizantes e agrotóxicos (preferencialmente sem eles). A agricultura tradicional não danifica a terra, não acaba com as fontes de água, nem devasta as florestas. É, por assim dizer, uma troca permanente entre os recursos naturais e a produção.

O agronegócio, pelo contrário, é fundamentado na destruição da Natureza e em sua substituição por terrenos empobrecidos pelo uso excessivo de agrotóxicos, com o único propósito de estimular a superprodução de gigantescas monoculturas e criação extensiva de gado. Hoje temos quase 250 milhões de cabeças de gado…

A mão de obra foi substituída por máquinas e veículos sem Alma! O Ser Humano deixou de ter importância nesses meganegócios de latifundiários, que privilegia a poucos. Só o que importa é o lucro desmesurado, mesmo que às custas da miséria para muitos. Agronegócio pode ser tech, mas não tem valor para a Humanidade…

#AgroÉtudo

Nesses descaminhos, o Ser Humano se perdeu… esqueceu o valor da amizade, da ética, da justiça e do bem comum. Agro pode ser tudo para uns poucos, mas é nada para a grande maioria das pessoas, que trabalham honestamente e lutam por sobreviver, para criar seus filhos, para ter uma vida digna e correta, e para deixar seu legado do bem e da paz.

Para a Humanidade, AGRO NÃO É NADA!

 

45dd403c-7bb4-441b-9743-e3e98f56a6e5

Investimento da Alemanha destinará 10 milhões de euros para projetos de adaptação à mudança do clima e conservação da biodiversidade no Brasil. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e o diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, Karsten Sach, anunciaram, nesta terça-feira (27), o complemento à parceria já existente.

Além dos recursos, há também ações em andamento voltadas para temas como gestão da biodiversidade marinha e costeira. O ministro Sarney Filho destacou a importância da cooperação entre os governos brasileiro e alemão, que ocorre há mais de 45 anos. “A Alemanha é o país que tem a maior parceria histórica na área socioambiental com o Brasil e vamos intensificá-la”, declarou.

Para o diretor-geral do Ministério de Meio Ambiente alemão, a parceria trouxe avanços importantes para a conservação ambiental e deve ser continuada. “Temos bastante orgulho desta exitosa cooperação com o Brasil”, afirmou Karsten Sach, que ainda ressaltou a intenção de fortalecer a parceria: “Reconhecemos que os impactos da mudança do clima estão aumentando e, por isso, é necessário agir”.

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) registra a assinatura recente de um total de 26 ajustes complementares vinculados ao acordo básico de cooperação entre Brasil e Alemanha. “Isso demonstra o enorme esforço conjunto dos dois países no sentido de aprimorar as nossas relações bilaterais, que já são excelentes”, afirmou o diretor da ABC, embaixador João Almino.

Apoio

O projeto de Apoio ao Brasil na Implementação da Agenda Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que receberá 5 milhões de euros, contribuirá para aumentar a resiliência no Brasil em um prazo de cinco anos a partir de 2017.

O valor destinado ao projeto de Consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC LifeWeb) também será de 5 milhões de euros, com execução prevista até 2020. A ação tem o objetivo de administrar as áreas protegidas brasileiras em prol da preservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.