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São Paulo – A Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, divulgou neste mês sua tradicional lista The Global 100, que contempla as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.

O levantamento foi criado em 2005 e é anunciado, anualmente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A publicação seleciona empresas de todos os setores com base indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos, capacidade de inovação, pagamentos de impostos, a relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO, planos de previdência corporativos e o percentual de mulheres na gestão.

Nesta nova edição, pesos diferentes foram dados para os indicadores dependendo da área de atuação da empresa. Por exemplo, o indicador energia teve um peso maior na avaliação de uma empresa do setor energético, de forma a mensurar o impacto da companhia na sua área de atuação.

Outro ponto novo que passou a ser considerado na análise é o percentual de novos investimentos que as empresas estão alocando em projetos sustentáveis, como investimento em fontes menos poluentes e o desenvolvimento de produtos mais verdes.

Cinco companhias brasileiras integram a nova edição do ranking, um aumento em relação ao ano passado quando apenas duas figuravam no levantamento: a Natura, que ocupa a 14ª posição, a Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (em 18º); Banco do Brasil (49º); Engie Brasil Energia (52º) e Banco Santander Brasil (76º).

A publicação observa com entusiasmo o progresso das empresas na seara ambiental. “O ritmo das mudanças está acelerando a favor de um futuro com baixo teor de carbono”, avalia.

Líderes de  2018

A Dassault Systèmes, empresa francesa de software é a líder do ranking, vindo da 11ª posição no ano passado. Segundo a publicação, suas tecnologias digitais têm ajudado as empresas e os governos na adoção de energias renováveis, novas formas de mobilidade sustentável e na criação de cidades mais inteligentes.

Seguindo de perto, a empresa Neste Oil da Finlândia, especializada em refinação e comercialização de petróleo, começou a direcionar mais de 90% de seus novos investimentos em materiais renováveis e biocombustíveis. A publicação destaca que quase um quarto das receitas da empresa atualmente é derivado da “receita verde”.

Em terceiro lugar, outra francesa, a fabricante de peças automotivas Valeo está determinada em ajudar as montadoras a reduzir as emissões de carbono. Confira abaixo o ranking completo das 100 empresas mais sustentáveis segundo a Corporate Knights.

Ranking Empresa País Área/Indústria Desempenho
1 Dassault Systemes França Software 86,10%
2 Neste Finlândia Petróleo, Gás e Combustíveis 85,20%
3 Valeo França Componentes e sistemas automotivos 83,60%
4 Ucb Bélgica Farmacêutica 79,50%
5 Oututec Finlândia Construção e Engenharia 78,30%
6 Amundi França Mercado de Capitais 77,80%
7 Cisco Systems Estados Unidos Equipamentos de comunicação 77,00%
8 Autodesk Estados Unidos Software 76,90%
9 Siemens Alemanha Conglomerados industriais 76,70%
10 Samsung SDI Coreia do Sul Equipamentos eletrônicos 75,80%
11 Aereal Bank Alemanha Hipotecas e poupança 75,40%
12 Enbridge Canada Petróleo, Gás e Combustíveis 74,90%
13 Merck Estados Unidos Farmacêutica 74,30%
14 Natura Brasil Produtos de uso pessoal 74,10%
15 Pearson Reino Unido Mídia 73,90%
16 Amadeus IT Group Espanha Serviços de TI 73,20%
17 Bayerische Motoren Werke Alemanha Automóveis 73,20%
18 Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG Brasil Utilidades Elétricas 73,00%
19 Koninklijke Philips Holanda Conglomerados industriais 72,50%
20 Allergan Estados Unidos Farmacêutica 72,20%
21 Honda Motor CO Japão Automóveis 71,90%
22 Sanofi AS França Farmacêutica 71,90%
23 McCormick Estados Unidos Produtos alimentícios 71,50%
24 Commonwealth Bank of Australia Austrália Bancos 71,50%
25 Vivendi França Mídia 71,10%
26 Intel Estados Unidos Equipamentos e semicondutores 71,10%
27 Itron Estados Unidos Equipamentos elétricos e componentes 71,10%
28 Telefonaktiebolaget LM Ericsson Suécia Equipamentos de comunicação 70,80%
29 Halma Reino Unido Equipamentos, instrumentos e componentes 70,70%
30 Deutsche Borse Alemanha Mercado de Capitais 70,60%
31 Kesko Finlândia Varejo de alimento 70,20%
32 Television Francaise 1 França Mídia 69,90%
33 bioMerieux França Equipamentos de saúde 69,80%
34 AstraZeneca Reino Unido Farmacêutica 69,70%
35 Nokia Finlândia Equipamentos de comunicação 69,60%
36 BNP Paribas França Bancos 69,40%
37 Eli Lily Estados Unidos Farmacêutica 69,30%
38 Storebrand Noruega Seguros 68,80%
39 ABB Suíça Equipamentos elétricos 68,10%
40 Svenska Cellulosa Aktiebolaget * Suécia Produtos de uso doméstico 68,00%
41 Intesa Sanpaolo Itália Bancos 68,00%
42 Analog Devices Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,60%
43 Applied Materials Estados Unidos Equipamentos semicondutores 67,40%
44 Takeda Farmacêutica Japão Farmacêutica 67,40%
45 Schneider Electric França Equipamentos elétricos 67,00%
46 Shinhan Financial Group Coreia do Sul Bancos 67%
47 Kering França Têxtil e luxo 66,80%
48 Ingersoll-Rand Estados Unidos Maquinaria 66,70%
49 Banco do Brasil Brasil Bancos 66,60%
50 Nestle Suíça Produtos alimentícios 66,60%
51 Legrand França Equipamentos elétricos 66,50%
52 Engie Brasil Energia Brasil Produção de energia 66,40%
53 GlaxoSmithKline Reino Unido Farmacêutica 66,30%
54 ING Groep Holanda Bancos 65,90%
55 Sekisui Chemical Japão Bens de consumo domésticos 65,60%
56 Acciona Espanha Utilidades Elétricas 65,60%
57 H & M Hennes & Mauritz Suécia Varejo especial 65,10%
58 Aberdeen Asset Management Reino Unido Mercado de Capitais 64,50%
59 NVIDIA Estados Unidos Equipamentos semicondutores 64,40%
60 Daimler Alemanha Automóveis 64,20%
61 Diageo Reino Unido Bebidas 64,20%
62 BT Group Reino Unido Serviços de Telecomunicações 64,00%
63 Singapore Telecommunications Limited Singapura Serviços de Telecomunicações 61,70%
64 Novartis Suíça Farmacêutica 63,70%
65 Sandvik Suécia Maquinaria 63,40%
66 Chr. Hansen Dinamarca Química 63,30%
67 Coca-Cola European Partners Reino Unido Bebidas 63,20%
68 Nissan Motor Co Japão Automóveis 63,10%
69 Texas Instruments Estados Unidos Equipamentos semicondutores 63,00%
70 Orsted Dinamarca Utilidades Elétricas 63,00%
71 Allianz Alemanha Seguros 62,70%
72 Lenovo Group China Tecnologia 62,60%
73 Telus Canadá Serviços de Telecomunicações 62,50%
74 Taiwan Semiconductor Manufacturing Taiwan Equipamentos semicondutores 62,30%
75 MetLife Estados Unidos Seguros 62,00%
76 Banco Santander Brasil Brasil Bancos 61,90%
77 HP Estados Unidos Tecnologia 61,80%
78 Sun Life Financial Canadá Seguros 61,50%
79 Hewlett Packard Enterprise Estados Unidos Tecnologia 61,50%
80 National Australia Bank Australia Bancos 61,30%
81 General Electric Estados Unidos Conglomerados industriais 60,90%
82 Verbund Austria Utilidades Elétricas 60,90%
83 Akzo Nobel Holanda Química 60,70%
84 L´Óreal França Produtos de uso pessoal 60,70%
85 AXA França Seguros 60,60%
86 Nordea Bank Suécia Bancos 60,50%
87 Orkla Noruega Produtos alimentícios 60,40%
88 Wartsila Finlândia Maquinaria 60,10%
89 Canadian Imperial Bank of Commerce Canadá Bancos 60,00%
90 Renault França Automóveis 59,70%
91 Syngenta Suíça Química 59,70%
92 Johnson & Johnson Estados Unidos Farmacêutica 59,60%
93 Posco Coreia do Sul Metais e Mineração 59,50%
94 Suez França Multiutilidades 59,30%
95 Umicore Bélgica Química 59,20%
96 Vestas Wind Systems Bélgica Equipamentos elétricos 58,30%
97 SSE Reino Unido Utilidades Elétricas 56,80%
98 Capital Land Singapura Gestão Imobiliária e Incorporação 55,10%
99 Derwent London Reino Unido Sociedades de Investimento Imobiliário 54,30%
100 City Developments Singapura

* A Svenska Cellulosa Aktiebolaget foi dividida em duas novas empresas em 15 de junho de 2017, denominadas SCA e Essity.

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Compostos químicos altamente poluentes ou com microplásticos, excesso de embalagens, matéria-prima extraída de maneira irresponsável ou através de trabalho escravo. Esse é o lado ‘feio’ da indústria cosmética, contraditório ao seu propósito de oferecer beleza e bem-estar aos consumidores. Uma das indústrias mais poderosas do mundo, que cresceu cerca de 5% em 2016, segundo o Euromonitor International, enfrenta desafios grandes na migração para um modo de ser e produzir de maneira mais sustentável.

A boa notícia é que o crescimento de marcas verdes nesse segmento mostra a tendência forte de mudança. Além do menor impacto ambiental, consumidores buscam produtos mais saudáveis para a pele e cabelos. A preferência por ingredientes naturais, vegetais e embalagens de refil são algumas oportunidades na indústria, segundo Keyvan Macedo, gerente de Sustentabilidade da Natura. Internacionalmente reconhecida por seu modelo de negócios, inclusive no Índice Dow Jones de Sustentabilidade, a empresa enxerga nichos de soluções que se complementam e ajudam nessa construção.

Os fatores chave, segundo Macedo, são os esforços em tornar processos mais verdes, com menos emissão de gases do efeito estufa, geração de resíduo, redução e reutilização de água. Alguns exemplos são, por exemplo, trabalhar a reformulação de produtos pós-banho. Um creme de pentear que tem uma ação mais rápida, com menor tempo de aplicação, pode ajudar a reduzir o consumo de água no chuveiro. Trocar máquinas e caldeiras por modelos mais eficientes, a fabricação de processos a frio, fórmulas com menos ingredientes e uso de plástico, plástico verde e vidro reciclado para embalagens. Diversas linhas também trabalham com o refil, o que diminui a necessidade de fabricação de novas embalagens.

Há também o desafio de engajar a parcela de consumidores que ainda não tem tanto contato com o universo verde. “Sabemos que ele anda é muito focado em preço, mas quando você entrega um pacote de soluções de produtos eficientes e com diferencial de sustentabilidade, a proposta de valor acaba sendo bem aceita”, pontua.

Coloração para cabelo à base de plantas

Nesse mercado, não há espaço apenas para grandes marcas. Um exemplo disso é Laces and Hair, salão de beleza de São Paulo. Após cinco anos de investimento, o empreendimento lançou o primeiro produto de coloração de cabelo 100% natural no país. O produto é fruto de uma combinação de ervas, caules, raízes e flores da Índia, que são processados na França e chegam ao salão para colorir, preservar e regenerar os fios danificados. A inspiração foi a própria natureza, como relata Cris Dios, proprietária da empresa. Observando a coloração natural das flores, ela perguntou-se se era possível usar parte dessas propriedades no cabelo.

“A coloração tradicional pode até ter um componente natural, mas em uma porcentagem bem pequena, geralmente é feita com pigmentos sintéticos, amônia ou algum outro dilatador químico que faz a reação de oxidação do cabelo para transformá-lo. Na coloração vegetal, apesar do resultado que a cliente busca também ser a cor, o principal foco também é devolver saúde [aos fios]”, detalha Dios. Por sua composição, o produto é biodegradável e, portanto, não polui a água – ao contrário das tintas tradicionais, que tem uma grande variedade de produtos químicos sintéticos nocivos.

O processo de coloração também é diferente. Não é necessário usar água oxigenada, o que o torna mais lento. Após a aplicação da tinta, misturada com água, o cabelo é lavado e pelas próximas 48h não é permitido lavar os cabelos. É nesse período que a pigmentação vai aparecendo e se fixando. “A reação do cabelo com o oxigênio do ar que vai revelar o pigmento escolhido: uma reação como acontece na natureza, relacionada ao tempo e ao ar. Esse tempo é a pausa necessária para o oxigênio interagir”, relata Dios. A tinta foi reconhecida como um case de sucesso e recebeu o Prêmio Eco de sustentabilidade em 2017.

Itamar Cechetto, CEO da Laces, enxerga que o produto tem relação com a filosofia do salão de beleza gradual e com conexão. E o momento é propício para isso: ele lembra que a oferta de fornecedores com matérias-primas orgânicas e mais naturais é muito maior do que há alguns anos. Ele lembra ainda que a concessão de hábito do consumidor é essencial para a transição da beleza mais verde. “Existem alternativas e soluções. O grande aliado é que recentemente virou tendência apresentar o consumo consciente no seu estilo de vida. E é o papel da marca investir nisso, aumentar recursos que trazem esse pacote de sustentabilidade”, relata. Processos alternativos, como a reutilização de aplicadores de tinta ou mesmo do reuso de água de chuva nas lavagens são outras ações que o salão busca implementar.

Atenção ao green washing

Um último alerta de Cechetto é o cuidado com o green washing – ou seja, marcas que propagam ideais de sustentabilidade, mas que vendem um produto que não cumpre o que é anunciado. “O risco em cosmético é que pode ter um rótulo que vende uma ideia e a composição não ser bem aquilo. Por mais que a Anvisa busque trabalhar arduamente para que isso não aconteça, isso ainda existe. Se alguém fala que tem uma composição verde e está oferendo a um preço extremamente baixo, desconfie”, alerta. Dios aposta que, quando mais consciência no momento de compra, a tendência é que os preços caiam e haja ainda mais acesso a esse mercado: “No futuro, temos uma propensão a cosméticos mais sérios e funcionais, alimentos para a pele e cabelo e nutrição de verdade. A pessoa vai realmente consumir algo que ela vai usar para solucionar um problema. Isso será uma mudança de paradigma de uma beleza que vai de vazia para mais conteúdo”.

novozyme

Copenhagen, Dinamarca – Uma empresa de biotecnologia dinamarquesa está tentando combater as mudanças climáticas a cada lavagem de roupas. Sua arma secreta: cogumelos de uma floresta adormecida perto de Copenhagen.

Na busca por um sabão mais ecológico, dois cientistas da empresa Novozymes atravessam regulamente a lama, buscando cogumelos-ostras que aparecem em troncos caídos e fungos que se alimentam das fibras resistentes de plantas. Eles estão estudando as enzimas desses cogumelos, que aceleram reações químicas ou processos naturais como o apodrecimento.

“Aqui acontece muita coisa, se você souber o que procurar”, explica Mikako Sasa, um dos cientistas da Novozymes.

Seu trabalho está ajudando a companhia a desenvolver enzimas para lavar roupas e detergentes de máquinas de lavar-louças que usam menos água ou que sejam efetivos também em temperaturas mais baixas. A economia de energia pode ser significativa. As máquinas de lavar, por exemplo, representam mais de seis por cento do uso de eletricidade doméstica na União Europeia.

Encontrar enzimas que combatam a sujeira não é uma estratégia nova. Por milhares de anos, os cogumelos e seus primos fungos se desenvolveram como mestres da nutrição em árvores moribundas, galhos caídos e outros. Eles digerem esses materiais difíceis secretando enzimas em seus hospedeiros. Mesmo antes que qualquer um soubesse o que eram as enzimas, elas foram usadas na fabricação de cervejas e de queijos, entre outras atividades.

Em 1833, cientistas franceses isolaram uma enzima pela primeira vez. Conhecida como diástase, transformava amido em açúcares. No início do século XX, um químico alemão comercializou a tecnologia, vendendo um sabão que incluía enzimas extraídas de tripas de vacas.

Ao longo dos anos, a Novozymes e seus rivais desenvolveram um catálogo de enzimas, fornecendo-as a produtores gigantes de bens de consumo, como a Unilever e a Procter & Gamble.

Na pequena sede estilo anos 1960 da empresa, cientistas em aventais de laboratório brancos usam máquinas de lavar em miniatura para testar novas combinações de enzimas em roupas de bonecas. Para avaliar o poder de combater as manchas de um produto, eles importam amostras de sujeira de todo o mundo, como colarinhos engordurados e escurecidos e manchas amareladas na região das axilas.

Detergentes modernos contêm até oito enzimas diferentes. Em 2016, a Novozymes gerou cerca de US$2,2 bilhões de receita e forneceu enzimas para sabões como Tide, Ariel e Seventh Generation.

A quantidade de enzimas necessárias em um sabão é relativamente pequena se comparada com as alternativas químicas, uma qualidade que atrai clientes que procuram ingredientes mais naturais. Um décimo de colher de chá de enzimas em uma carga de máquina típica na Europa corta pela metade a quantidade de sabão feito com substâncias químicas do petróleo ou de óleo de palma.

As enzimas também ajudam a diminuir o consumo de energia. Como são encontradas com frequência em ambientes relativamente frios, como florestas e oceanos, não precisam do calor e da pressão usados em geral em máquinas e outros processos para lavar roupas.

Desse modo, os consumidores podem reduzir a temperatura de suas máquinas de lavar e, ao mesmo tempo, garantir que suas camisas ficarão bem brancas. Diminuir a temperatura do ciclo de lavagem da máquina de 40 graus Celsius para água fria corta o consumo de energia pelo menos pela metade, segundo a Associação Internacional de Sabões, Detergentes e Produtos de Manutenção, um grupo da indústria.

“Acreditamos que existe uma grande variedade de processos naturais que são extremamente eficientes em recursos. Na natureza, praticamente não há desperdício. Todos os materiais são reutilizados”, afirma Gerard Bos, diretor de negócios globais e do programa de biodiversidade da União Internacional para a Conservação da Natureza da Suíça.

Em 2009, cientistas da Novozymes se juntaram aos da Procter & Gamble para desenvolver uma enzima que poderia ser usada em sabões líquidos para lavagens em água fria. Os pesquisadores começaram com uma enzima de bactérias do solo da Turquia e a modificaram por meio de engenharia genética para fazer com que se parecesse mais com uma substância encontrada em algas de mares frios. Quando descobriram a fórmula certa, deram o nome de enzima Everest, uma referência à escala da tarefa realizada.

“Sabíamos que isso seria algo que os consumidores iriam querer. Acho que é uma maneira muito tangível e prática de as pessoas fazerem a diferença em suas vidas diárias”, afirma Phil Souter, diretor associado da unidade de pesquisa e desenvolvimento da Procter & Gamble em Newcastle, na Inglaterra.

Em seguida, eles descobriram uma maneira de produzir a enzima em massa. A Novozymes implantou o DNA do novo produto desenvolvido em um lote de hospedeiros microbianos usados para cultivar volumes grandes de enzimas rapidamente e com custos baixos. As enzimas foram produzidas em grandes tanques controlados.

O resultado: um ingrediente crucial em sabões como o Tide Cold Water.

“Isso é biotecnologia em uma escala muito grande”, explica Jes Bo Tobiassen, gerente de uma fábrica da Novozymes em Kalundborg, pequena cidade na costa da Dinamarca.

Ao pesquisar novas enzimas, a Novozymes está tentando alcançar consumidores em economias que estão crescendo rapidamente, como a China.

Em boa parte do mundo desenvolvido, os hábitos de lavanderia estão bastante enraizados. Os europeus tendem a usar máquinas de carregamento frontal, muito mais eficientes no uso de água e energia do que as de carregamento superior preferidas nos Estados Unidos.

Mas na China, membros da crescente classe média, como Shen Hang, estão comprando máquinas novas e sabões mais caros e de maior qualidade. Os consumidores chineses estão entre os mais frequentes e exigentes do mundo, segundo os pesquisadores da Novozymes, mas ainda estão ajustando seus caminhos na hora de lavar roupas.

Recentemente, Shen comprou uma lavadora-secadora de carregamento frontal. Mas tem encontrado dificuldades para descobrir um sabão que possa limpar suas camisas manchadas de suor.

“Estou cansado”, diz ele sobre as afirmações exageradas dos fabricantes.

Shen usa dois tipos de alvejantes, um para roupas brancas e outro para as coloridas. Se não funcionam, esfrega as manchas com as mãos. Ele repete esse ciclo três vezes por semana.

Percebendo a oportunidade, as equipes comerciais da Novozymes pediram aos cientistas da empresa que criassem enzimas que apresentassem um desempenho melhor nas lavagens cheias de alvejantes dos chineses.

A companhia fez alguns progressos. Uma enzima recém-desenvolvida, chamada Progress Uno, está sendo adicionada aos sabões produzidos pela fabricante chinesa Liby.

Hoje, a maioria dos clientes chineses lava roupas em baixas temperaturas. Mas Peder Holk Nielsen, executivo-chefe da Novozymes, preocupa-se com o fato de que isso possa mudar à medida que a riqueza aumenta na China. Os consumidores fizeram a mesma coisa no Ocidente nas décadas posteriores à Segunda Guerra, diz ele.

Se, no entanto, graças ao desenvolvimento das enzimas, essa transição puder ser evitada, ele afirma que isso seria uma história fenomenal de sustentabilidade. “Vai economizar muita água e energia.”

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Até 2030, a estimativa é que 10% da energia produzida no Brasil seja solar, aquela produzida através de placas fotovoltaicas. E a construção civil será fundamental nesse processo. Grande parte da energia limpa virá do alto de edifícios, dos telhados de casas, de prédios comerciais, de indústrias, shoppings e estacionamentos. Essas construções funcionarão como edificações-usinas, uma prática pra lá de sustentável.

De Norte a Sul do país, cada vez mais o compromisso com o meio ambiente ganha espaço na hora de começar uma obra. É o que se costuma chamar de projeto inteligente. Não necessariamente precisa ser algo sofisticado. Pode ser uma janela bem posicionada, que garanta maior entrada de luz e ventilação. É o edifício híbrido, com apartamentos residenciais e salas de coworking, reduzindo deslocamentos dos moradores. Ou até mesmo a reutilização de pneus no recobrimento asfáltico.

São muitas as soluções, ações, atitudes que hoje podem ser classificadas como sustentáveis em um canteiro de obras. A indústria da construção vem investido em tecnologia para oferecer às empreiteiras materiais com longa vida útil, menos poluentes e gerando menos resíduos. Por sua vez, durante a obra, arquitetos e engenheiros põem de pé boas práticas como telhados verdes, inclusão de energias renováveis e uso de isolantes térmicos. Posturas que fazem bem ao meio ambiente e trazem conforto aos clientes, cada vez mais exigentes e comprometidos com um futuro sustentável.

Edificações-geradoras

A expansão da geração fotovoltaica, por exemplo, vai fazer com que as edificações deixem de ser simplesmente consumidoras de energia. A ideia é que elas se transformem em geradoras de eletricidade. O aprimoramento das tecnologias e a queda nos custos nos próximos anos devem fazer com o que o Brasil consiga expandir o uso. A demanda é crescente no país, tem avançado em média 300% ao ano desde 2015, conforme estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

A energia solar térmica, utilizada em sistemas de aquecimento de água, também é perfeitamente viável e tem alta adesão sempre que o balanço de disponibilidade de áreas para captação da energia (local para a instalação das placas) se equilibra com a demanda por água quente e a disponibilidade de insolação.

Na opinião de Clarice Degani, engenheira e consultora de projetos para a área de Sustentabilidade do Secovi-SP e do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, o tema deixou de ser visto como simplesmente a adoção de medidas ecológicas ou de mitigação de impactos ambientais. Hoje, o termo sustentabilidade deve ser visto de uma forma mais ampla, porém associado a desempenho e inovação tecnológica.

Nesse campo, tem muita coisa boa que veio para ficar. Segundo Clarice, o desenvolvimento de projetos pelo processo BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção) e a realização de simulações de desempenho para conforto e eficiência energética já são realidade.

Prédios cada vez mais inteligentes

Mas nem só de novidades e alta tecnologia se alimenta o setor da construção civil. Boas práticas como o uso de brises para trazer conforto térmico aos moradores, como existe no edifício Copan, em São Paulo, projetado na década de 50, continuam atuais. “Os brises são soluções para evitar a incidência solar direta e diminuir o uso de ar-condicionado”, detalha Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP. “A própria iluminação natural, o posicionamento correto da edificação contribui da mesma forma”, complementa.

Países ricos como a Inglaterra, destaca Borges, já estão caminhando para um prédio considerado de energia zero. Toda energia consumida será produzida por ele. Além das opções tradicionais como cobertura de painel solar, os elevadores da edificação também serão geradores. “O atrito do sobe e desce do elevador vai gerar energia para alimentar os próprios elevadores”, revela.

É preciso mudar os hábitos, diminuir o impacto para garantir um futuro melhor para todos, afinal de contas, a população do planeta já ultrapassou os 7,5 bilhões de pessoas. Essa é a opinião de Olavo Kucker Arantes, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) – entidade que se movimenta entre a academia, a indústria e os órgãos de governo como Ministério do Meio Ambiente e o de Minas e Energia.

Através do conselho, Arantes ajudou a desenvolver a ferramenta que desde 2011 auxilia as empresas a selecionar fornecedores seguindo critérios de responsabilidade social e ambiental. É um check list em seis passos que verifica a idoneidade do negócio, desde a licença ambiental até a existência de propaganda enganosa. “Ser sustentável não é só montar um projeto bacana, diminuir os resíduos na obra. Passa também pela escolha dos fornecedores”, destaca Arantes, engenheiro de produção civil.

Bons ventos partem das universidades

Na academia, há um número grande de pessoas que vão para fora, se especializam e depois voltam. Prova disso é que o Brasil está na quarta posição em volume de projetos no ranking mundial de construções sustentáveis, que reúne 165 países.

De acordo com o Green Building Council Brasil, um projeto sustentável médio poderá reduzir em 40% o uso de água, 35% em CO2 e 65% em desperdício. A tecnologia e a sustentabilidade devem caminhar de mãos dadas porque os prédios que estão sendo erguidos hoje terão que ser adaptáveis às novidades no setor daqui a 50 anos. “A sustentabilidade não pode ser só para bonitinho, cada vez mais tem que ter impacto no bolso, no sentido de pagar um valor menor de condomínio porque parte da energia será gerada no local, assim como a água, que pode ser de reuso”, exemplifica José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Ele também chama atenção para a presença de carregadores de carros elétricos nos prédios. “Hoje isso só acontece em construções de alto padrão, mas será uma realidade, uma necessidade daqui a 50 anos”, projeta.

Colheita-Agrofotovoltaico

Até agora, a área cultivada era designada para fotovoltaica ou fotossíntese, ou seja, para gerar eletricidade ou cultivar. Um projeto piloto agrofotovoltaico (APV) perto do Lago de Constança, no entanto, demonstrou que ambos os usos são compatíveis. O uso duplo da terra é eficiente em termos de recursos, reduz a concorrência pela terra e, adicionalmente, abre uma nova fonte de renda para os agricultores. Por um ano, o maior sistema APV na Alemanha está sendo testado na cooperativa agrícola Demeter Heggelbach.

No projeto de demonstração “Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos” (APV-Resola) “liderado pelo Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar ISE, os módulos solares para produção de eletricidade estão instalados diretamente acima de culturas que cobrem uma área de um terceiro hectare. Agora, a primeira colheita solar de energia e produção foi coletada em ambos os níveis.

O trigo de inverno, as batatas, o celeríaco e o trevo foram as primeiras culturas a serem testadas. A orientação sudoeste e a distância extra entre as linhas de cinco metros de altura dos módulos fotovoltaicos de vidro vidro bifacial garantiram que as culturas estavam expostas à radiação solar uniforme.

O sombreamento do módulo solar reduz o rendimento das culturas, mas o saldo total é positivo

Os resultados da primeira colheita foram, na sua maioria, promissores. “O rendimento de capim do capim do trevo na plataforma fotovoltaica foi apenas 5,3 % menos do que o plano de referência”, informa o Prof. Petera Högy, especialista em agricultura da Universidade de Hohenheim. As perdas de rendimento para batatas, trigo e celíacos são entre 18 a 19% e, portanto, um pouco maior “.

“Do ponto de vista da ciência agrícola, a agrofotovoltaica é uma solução promissora para aumentar a eficiência do uso da terra e a parcela de energia renovável fornecida pelo setor agrícola”, ressalta a Prof. Iris Lewandowski, Chefe do Departamento de Produtos Biobased e Culturas Energéticas, Universidade de Hohenheim.

Os especialistas concordam que, no entanto, é importante reunir mais experiência nos próximos anos e analisar outras culturas antes de chegar a conclusões finais.

 

Arranjo solar tem produção acima da média

 

Os módulos solares bifaciais 720 produzem eletricidade solar não apenas na parte da frente, mas também na parte de trás dos módulos fotovoltaicos com radiação solar refletida pelos arredores. Sob condições ambientais favoráveis, por exemplo, cobertura de neve, um rendimento de eletricidade adicional de vinte e cinco por cento pode ser alcançado. Do ponto de vista energético, o princípio da dupla utilização da agrofotovoltaica é muito mais eficiente do que apenas plantar culturas energéticas, contabilizando, afinal, 18 por cento do uso da terra agrícola na Alemanha.

Veja também:   Tesla anuncia primeiro projeto de armazenamento de energia solar e eólica do mundo

Com uma potência instalada de 194 quilowatts, a matriz fotovoltaica pode fornecer 62 casas de quatro pessoas com eletricidade. Nos primeiros doze meses, a matriz produziu eletricidade de 1266 quilowatts-hora por quilowatt instalado, um terço do que o valor médio de 950 kWh / kW na Alemanha.

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A produção de energia do campo experimental corresponde bem à carga de fazenda diária. Cerca de 40% da eletricidade produzida na fazenda foi usada diretamente para carregar os veículos elétricos e processar as colheitas colhidas.

No verão, a demanda de carga poderia ser quase completamente atendida pelo sistema fotovoltaico. Thomas Schmid e os outros agricultores de Demeter pretendem aumentar o seu autoconsumo até 70 por cento, otimizando o comportamento de consumo e instalando um sistema de armazenamento de eletricidade.

A eletricidade PV excedente é alimentada na Elektrizitätswerke Schönau, uma empresa de serviços elétricos com base em energia 100% renovável e parceira no projeto.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

A eletricidade produzida pela planta Agrofotovoltaico é tanto auto-consumida quanto alimentada na rede.

Projeto Agrofotovoltaico – Uso de Terra Eficiente de Recursos (APV Resola)

Uma vez que a ideia da agrofotovoltaica foi iniciada pela primeira vez pelo Prof. Adolf Goetzberger, que fundou o Fraunhofer ISE em 1981, várias grandes instalações APV foram instaladas em todo o mundo. Por outro lado, apenas algumas dessas plantas APV são designadas como sites de pesquisa.

No projeto “APV Resola”, os pesquisadores estão investigando os aspectos econômicos, técnicos, societários e ecológicos da tecnologia em uma planta piloto em condições reais pela primeira vez. O projeto de pesquisa é apoiado por fundos do Ministério Federal Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF) e da Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável (FONA).

O objetivo do projeto é desenvolver a tecnologia do sistema APV em um produto pronto para o mercado. “Para fornecer a prova de conceito necessária antes da entrada no mercado, precisamos comparar outras aplicações técnico-econômicas da APV, demonstrar a transferibilidade para outras áreas regionais e também realizar sistemas maiores”, explica Stephan Schindele.

Por exemplo, diferentes aplicações possíveis devem ser exploradas em combinação com frutas, frutos do mar, lúpulo e lavouras e com as várias tecnologias, tais como armazenamento de energia, filmes especiais com células solares orgânicas e sistemas de tratamento de água solar fotovoltaica.

“Além do investimento da indústria e da política de pesquisa, as medidas políticas apropriadas que apoiam a tecnologia são de vital importância para uma entrada bem sucedida no mercado”, acrescenta Stephan Schindele. Já em 2014, Fraunhofer ISE e Wuppertal Institute.

 

*Com informações do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar

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Podemos chegar a 2030 com uma matriz energética 100% renovável. Esta é a opinião de 71% dos especialistas ouvidos em uma pesquisa realizada pela organização REN 21. Os dados são parte do Renewables Global Futures Report e foram assunto do debate do dia 10 na Conferência do Clima da ONU (COP 23), em Bonn, na Alemanha, em uma conversa promovida pela Itaipu Binacional.

A empresa reuniu diferentes atores do setor de geração energética para discutir ações implementadas rumos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) 6 e 7. As metas tratam de água e energia e são parte da lista de 17 objetivos ratificados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na lista de tarefas estão missões ambiciosas de eficiência energética, cooperação internacional e universalização do acesso a ambos os recursos.

O diretor executivo da Itaipu, Helio Amaral, destacou que, ocupando o posto de maior hidrelétrica do mundo, é natural que a organização coloque no cerne de seus negócios a manutenção de sua principal matéria-prima: a água. O diretor explicou que a empresa desenvolve ações customizadas no Cultivando Água Boa, um amplo programa de cuidados com as microbacias da região. “Fazemos tudo com a participação da comunidade local e promovendo o desenvolvimento regional. Consideramos a segurança da água como parte dos nossos negócios”, disse.

As ações envolvem recuperação de nascentes, capacitação de agricultores, reflorestamento e também a diversificação da matriz energética. A empresa investe em geração de biogás a partir de dejetos dos animais e em breve deve colocar em funcionamento placas de geração de energia solar, porém, ainda em sistema piloto e sem objetivos de comercialização.

Para Cristine Lins, secretária-executiva da REN 21, o caminho é correto. “A energia hidroelétrica tem sido uma pilastra no avanço das renováveis, mas é preciso desenvolver as demais energias para chegarmos em uma matriz equilibrada e 100% renovável”, comentou. Ela destacou que os investidores tem apostado mais em outras fontes, como a solar. “A China, em 2016 ampliou em 34,5 GW capacidade instalada de geração de energia solar, aumentando em 45% seu potencial”, ressaltou.

Este equilíbrio entre as fontes é também o caminho para que investidores abracem de vez o setor. James Close, diretor de mudanças climáticas do World Bank Group, explica que a diversificação pode trazer mais segurança em um cenário de imprevisibilidade da disponibilidade de água. “Os padrões erráticos das chuvas e as secas e enchentes mais frequentes tem impactos severos quando falamos da falta de água. Para financiar projetos precisamos garantir todos estes aspectos. Assim os investidores podem entender os problemas e os riscos também”, comentou.

Richard Taylor, diretor executivo da International Hydropower Association, corroborou com a abordagem. “Não existe uma tecnologia única que seja a solução para a energia limpa. Precisamos de uma sinfonia de renováveis para o futuro”, enfatizou.

Ele destacou ainda o exemplo da Costa Rica, que tem em seu território a maior hidrelétrica da América Central e comercializa seu excedente energético com outros seis países, por meio do Central American Electricity Interconnection System (SIEPAC). “A eletricidade lá é cotidianamente comercializada. Quando existe mais energia o mercado se beneficia disso. Esse sistema fez o custo da energia descer e diminui a necessidade do uso de fontes não renováveis”, explica.

Lembrando os ODS’s, Taylor destaca o valor de parcerias deste tipo. “Não chegaremos a esses objetivos sem uma abordagem sistêmica, sem parcerias. Se você tiver uma interconexão ou uma rede mais ampla que combina várias fontes, você compartilha e compensa reservas Precisamos acelerar e pensar em um futuro com as energias renováveis”.

Para Cristine Lins, este é o futuro que precisa ser desenhado, mas para o processo é ainda lento. “Temos progresso, mas até agora não o suficiente para atingir as metas de Paris (estabelecidas na COP 21). Para chegar ao cenário de 100% de renováveis precisamos de políticas adequadas e não se pode negligenciar o tempo. 2050 parece estar muito longe, mas são só 33 anos e as decisões tomadas hoje é que vão influir neste resultado”, enfatizou, concluindo ainda que “16% da população global vive sem eletricidade. São 1.9 bilhão de pessoas. Isso é inaceitável no século 21. Somos a primeira geração que tem nas mãos a tecnologia para mudar isso e precisamos fazê-lo”.

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Morador do Rio de Janeiro, o consultor de empresas e economista Simon Salama sofre bastante com as altas temperaturas, que chegam a superar os 40ºC no verão. Até pouco tempo atrás, ele chegava a gastar entre R$ 800 e R$ 1 mil por mês na conta de luz, principalmente em razão do uso dos aparelhos de ar-condicionado.

Essa realidade começou a mudar quando ele decidiu investir em um sistema de energia solar fotovoltaica em sua casa. “Hoje estou pagando a metade da conta. A outra metade o sistema fotovoltaico está proporcionando. Precisamos aprender a pensar em longo prazo”, afirma.

Desde abril de 2012, quando entrou a vigor a Resolução Normativa Aneel nº 482/2012, os brasileiros têm a possibilidade de deixar de ser apenas consumidores de energia, passando também ao status de produtores. A chamada geração distribuída viabiliza, por exemplo, a instalação de placas solares em residências, o que gera economia na conta de luz e benefícios ambientais, pois o sol é uma fonte inesgotável e não poluente.

Em entrevista ao CORREIO Sustentabilidade, Colaferro listou um passo-a-passo sobre o que é preciso para instalar um sistema solar fotovoltaico em casa:

1) Fornecer os dados básicos descritos na conta de luz (endereço, consumo médio, etc) à empresa que vai instalar o sistema. “É na conta de luz que estão as principais informações, como o volume de energia consumido nos últimos meses; o tipo de cliente que ele é; o endereço, que nos ajuda a saber a disponibilidade de sol na região e a análise do telhado via Google Maps”, explica o especialista.

2) Visita técnica da empresa que vai instalar o sistema (quando necessário).

3) Investimento a partir de R$ 12 mil. O sistema mais completo e potente custa cerca de R$ 25 mil (valor estimado para um casal que consome cerca de 5 mil watts por ano, cerca de R$ 430 mensais). “O consumidor decidirá o tipo de financiamento que vai adotar, a forma de pagamento, etc”.

4) Uma vez comprado o sistema, o consumidor procura a concessionária de energia local e preenche um formulário com alguns dados. Algumas empresas instaladoras realizam esse serviço para o cliente.

5) Depois de instalado o sistema é preciso trocar o relógio de consumo. O novo aparelho, instalado pela Coelba (no caso da Bahia) não traz custo adicional para consumidores residenciais e será bidirecional – ele registrará a energia que entra e a que sai. “Você passa a receber créditos energéticos pela energia que gera a mais e paga apenas a diferença em relação ao que consumiu. Caso consiga produzir 100% da energia consumida, pagará somente um custo de disponibilidade, uma taxa em torno de R$ 40”, esclarece o especialista.

Investimento

Segundo Colaferro, embora o consumidor médio de energia no Brasil gaste bem menos, o cliente que costuma aderir à energia solar costuma ter um consumo mais alto, a partir de R$ 400 mensais.

“O sistema que custa cerca de R$ 25 mil atende melhor a esse público, porque é composto por mais placas e gera, proporcionalmente, o dobro de energia em relação ao de R$ 12 mil, o que possibilita uma economia de até 95% na conta”, ressalta Colaferro. A vida útil da tecnologia é de 30 anos.

O especialista defende mais financiamento para que a energia solar possa se popularizar no Brasil. “As instituições financeiras ainda não entenderam que este é um produto que deveria ser financiado a taxas muito mais baixas porque a inadimplência é pequena e ele realmente entrega o que promete, o que confere segurança”, argumenta.

O retorno do investimento em um estado como a Bahia, com alta incidência de sol e tarifa relativamente alta, vem entre quatro e seis anos, estima ele.

Entre os bancos que oferecem financiamento voltado à energia solar estão Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Santander. Todavia, a maioria das linhas são destinadas a empresas, e não a pessoas físicas.

Portaria

Uma medida que pode ajudar a tornar a energia solar mais acessível foi anunciada em agosto deste ano pelo Ministério das Cidades. A pasta prevê a criação de uma portaria que prevê a instalação dessa fonte alternativa nos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o ministro Bruno Araújo, o projeto vai “impulsionar a indústria nacional, reduzir custos, viabilizar a redução da conta de energia das famílias de baixa renda e ajudar a tirar uma carga dos demais sistemas tradicionais de geração de energia”.

Bahia

A energia solar registra crescimento em solo baiano. Em junho deste ano, o CORREIO informou a entrada em operação do parque solar Lapa, considerado o maior do Brasil, localizado em Bom Jesus da Lapa, no Oeste baiano. O empreendimento é composto por duas usinas, com capacidade instalada total de 158 megawatts. A operação do parque é da Enel Green Power, subsidiária brasileira do grupo italiano Enel.

O Brasil deve chegar até o final de 2017 com cerca de 14 mil consumidores com micro ou minigeração distribuída, segundo a Aneel. A geração de energia solar fotovoltaica responde por 80,7% do total de instalações. O restante é dividido por sistemas de energia eólica, biogás, biomassa, hídrica e cogeração qualificada.

“É pouco, levando-se em conta que o País tem mais de 80 milhões de consumidores. A Alemanha conta com milhões de conexões já instaladas”, compara Colaferro.

A Bahia tem atualmente cerca de 230 sistemas em operação e ocupa a décima colocação no ranking nacional, que é liderado por Minas Gerais (2.263 instalações).

agrosmart

Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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O mercado nacional de certificação de energia renovável cresceu significativamente desde o seu lançamento, em 2014. Em 2017, de janeiro até o agosto, o número transacionado de Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs Brazil, superou as expectativas, totalizando 126.905, avanço de 18% sobre todo o ano anterior.

Quando começou, há três anos, foram negociados 350 REcs. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. Com o crescente interesse voluntário das empresas por uso de energia renovável, a oferta do insumo também está se expandindo.

Há no País 19 parques de energia renovável capazes de gerar RECs, informa o Instituto Totum, responsável pelo gerencialmente do Programa de Certificação de Energia Renovável brasileiro, junto com as várias entidades do setor.

Desses 19 parques, 15 já possuem o registro na plataforma internacional IREC, reconhecida mundialmente. O ritmo de crescimento e a demanda por compra de energia renovável tem surpreendido o Instituto Totum.

“Toda semana recebemos pelo menos um contato de empresa interessada em registrar suas usinas renováveis na plataforma mundial, inclusive em breve teremos a primeira usina de biomassaregistrada”, afirma Fernando Lopes, diretor do Instituto.

A aquisição de RECs sinaliza ao mercado que as empresas preferem consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético.

 

O que é a certificação de energia renovável?

 

A possibilidade de registro dos empreendimentos de energia renovável brasileiros na plataforma mundial IREC contribuiu para o crescimento desse mercado. “Com a implantação do IREC no Brasil, no ano passado, conseguimos atender a demanda de empresas multinacionais que possuem políticas internas que exigiam a compra de certificados reconhecidos mundialmente. Porém, mesmo no País, a procura de empresas por RECs vem aumentando muito”, afirma Fernando Giachini Lopes, diretor do Instituto Totum.

A certificação I-REC é o método mais prático e confiável para um consumidor escolher a origem de sua energia. “O certificado traz transparência e opções para aqueles que apoiam o desenvolvimento de energia renovável”, diz Hans Vander Velpen,  analista ambiental  da Voltalia, empresa com foco em pequenas e médias unidades de geração de energia, com sede na França, e que recentemente certificou um parque na plataforma internacional I-REC, aumentando ainda mais a oferta de RECs no Brasil.

 

Entenda como funciona esse mercado

 

Nem todas as empresas têm condições de investir em uma usina para gerar sua própria energia renovável. A saída então é receber a energia da forma tradicional e adquirir o volume de energia equivalente ao consumo por meio de Certificados de Energia Renovável.

Ao comprar RECs as empresas são abastecidas com a energia da rede local, que geralmente é um “mix” de fontes renováveis (hídrica, eólica, solar) e não renováveis (térmicas à óleo, gás ou nucleares). Em troca, elas estão investindo na geração da mesma quantidade consumida em energia limpa, ou seja, elas se apropriam somente da parte limpa que é colocada no sistema.

Com os RECs as empresas podem garantir 100% de energia renovável para seu uso sem ter de investir, elas próprias, em geração

O passo a passo para certificar um empreendimento no Brasil

 

No caso do registro IREC, os passos são os seguintes:

* Assinar contrato, tornando-se um registrante;

* Escolher o empreendimento a ser registrado;

* Pagar a taxa relativa ao empreendimento;

* Enviar a documentação que demonstra o atendimento aos requisitos do IREC e aguardar a auditoria documental pelo Instituto Totum.

Prazo aproximado de 10 dias para conclusão.

 

Com a documentação OK, empreendimento é registrado na plataforma mundial do I-REC e empresa recebe login e senha para acesso, que possibilita a emissão imediata dos RECs.

No caso do IREC com chancela de sustentabilidade REC Brazil, além dos passos acima, é necessário:

* Assinar contrato do REC Brazil

* Contratar auditoria in loco para verificação dos requisitos adicionais de sustentabilidade;

* Aguardar deliberação final do processo e Comissão de Certificação

Prazo aproximado de 30 dias para conclusão

Para conhecer as taxas relativas ao processo de registro e certificação, entre no site: http://www.recbrazil.com.br

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Unindo sustentabilidade e tecnologia, BH recebe sua primeira árvore fotovoltaica. Funcionando a partir de energia solar, o dispositivo inovador é capaz de recarregar até seis celulares simultaneamente. A árvore, que fica no bairro Buritis, também disponibiliza sinal de Wi-Fi gratuito para os belo-horizontinos.

O projeto investe na utilização de energia renovável na capital. Construída com a tecnologia inovadora de filmes fotovoltaicos orgânicos da empresa mineira Sunew, a árvore, que possui um formato de palmeira, funciona com energia solar captada por um painel que não depende do ângulo de incidência do sol. Por isso, funciona com potência total por mais tempo.

Considerada uma tecnologia mais democrática e sustentável, a árvore fotovoltaica poderá ser utilizada pela população do Buritis para a recarga de celulares e como um ponto de acesso gratuito de Wi-Fi.

Quem quiser conhecer a árvore, pode passar pela sede da MRV (Av. Mário Werneck, 621 – Buritis) e conferir a novidade.

A ação é uma entre a MRV Engenharia e a Alsol.