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Morador do Rio de Janeiro, o consultor de empresas e economista Simon Salama sofre bastante com as altas temperaturas, que chegam a superar os 40ºC no verão. Até pouco tempo atrás, ele chegava a gastar entre R$ 800 e R$ 1 mil por mês na conta de luz, principalmente em razão do uso dos aparelhos de ar-condicionado.

Essa realidade começou a mudar quando ele decidiu investir em um sistema de energia solar fotovoltaica em sua casa. “Hoje estou pagando a metade da conta. A outra metade o sistema fotovoltaico está proporcionando. Precisamos aprender a pensar em longo prazo”, afirma.

Desde abril de 2012, quando entrou a vigor a Resolução Normativa Aneel nº 482/2012, os brasileiros têm a possibilidade de deixar de ser apenas consumidores de energia, passando também ao status de produtores. A chamada geração distribuída viabiliza, por exemplo, a instalação de placas solares em residências, o que gera economia na conta de luz e benefícios ambientais, pois o sol é uma fonte inesgotável e não poluente.

Em entrevista ao CORREIO Sustentabilidade, Colaferro listou um passo-a-passo sobre o que é preciso para instalar um sistema solar fotovoltaico em casa:

1) Fornecer os dados básicos descritos na conta de luz (endereço, consumo médio, etc) à empresa que vai instalar o sistema. “É na conta de luz que estão as principais informações, como o volume de energia consumido nos últimos meses; o tipo de cliente que ele é; o endereço, que nos ajuda a saber a disponibilidade de sol na região e a análise do telhado via Google Maps”, explica o especialista.

2) Visita técnica da empresa que vai instalar o sistema (quando necessário).

3) Investimento a partir de R$ 12 mil. O sistema mais completo e potente custa cerca de R$ 25 mil (valor estimado para um casal que consome cerca de 5 mil watts por ano, cerca de R$ 430 mensais). “O consumidor decidirá o tipo de financiamento que vai adotar, a forma de pagamento, etc”.

4) Uma vez comprado o sistema, o consumidor procura a concessionária de energia local e preenche um formulário com alguns dados. Algumas empresas instaladoras realizam esse serviço para o cliente.

5) Depois de instalado o sistema é preciso trocar o relógio de consumo. O novo aparelho, instalado pela Coelba (no caso da Bahia) não traz custo adicional para consumidores residenciais e será bidirecional – ele registrará a energia que entra e a que sai. “Você passa a receber créditos energéticos pela energia que gera a mais e paga apenas a diferença em relação ao que consumiu. Caso consiga produzir 100% da energia consumida, pagará somente um custo de disponibilidade, uma taxa em torno de R$ 40”, esclarece o especialista.

Investimento

Segundo Colaferro, embora o consumidor médio de energia no Brasil gaste bem menos, o cliente que costuma aderir à energia solar costuma ter um consumo mais alto, a partir de R$ 400 mensais.

“O sistema que custa cerca de R$ 25 mil atende melhor a esse público, porque é composto por mais placas e gera, proporcionalmente, o dobro de energia em relação ao de R$ 12 mil, o que possibilita uma economia de até 95% na conta”, ressalta Colaferro. A vida útil da tecnologia é de 30 anos.

O especialista defende mais financiamento para que a energia solar possa se popularizar no Brasil. “As instituições financeiras ainda não entenderam que este é um produto que deveria ser financiado a taxas muito mais baixas porque a inadimplência é pequena e ele realmente entrega o que promete, o que confere segurança”, argumenta.

O retorno do investimento em um estado como a Bahia, com alta incidência de sol e tarifa relativamente alta, vem entre quatro e seis anos, estima ele.

Entre os bancos que oferecem financiamento voltado à energia solar estão Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Santander. Todavia, a maioria das linhas são destinadas a empresas, e não a pessoas físicas.

Portaria

Uma medida que pode ajudar a tornar a energia solar mais acessível foi anunciada em agosto deste ano pelo Ministério das Cidades. A pasta prevê a criação de uma portaria que prevê a instalação dessa fonte alternativa nos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o ministro Bruno Araújo, o projeto vai “impulsionar a indústria nacional, reduzir custos, viabilizar a redução da conta de energia das famílias de baixa renda e ajudar a tirar uma carga dos demais sistemas tradicionais de geração de energia”.

Bahia

A energia solar registra crescimento em solo baiano. Em junho deste ano, o CORREIO informou a entrada em operação do parque solar Lapa, considerado o maior do Brasil, localizado em Bom Jesus da Lapa, no Oeste baiano. O empreendimento é composto por duas usinas, com capacidade instalada total de 158 megawatts. A operação do parque é da Enel Green Power, subsidiária brasileira do grupo italiano Enel.

O Brasil deve chegar até o final de 2017 com cerca de 14 mil consumidores com micro ou minigeração distribuída, segundo a Aneel. A geração de energia solar fotovoltaica responde por 80,7% do total de instalações. O restante é dividido por sistemas de energia eólica, biogás, biomassa, hídrica e cogeração qualificada.

“É pouco, levando-se em conta que o País tem mais de 80 milhões de consumidores. A Alemanha conta com milhões de conexões já instaladas”, compara Colaferro.

A Bahia tem atualmente cerca de 230 sistemas em operação e ocupa a décima colocação no ranking nacional, que é liderado por Minas Gerais (2.263 instalações).

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Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano.

Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas agritechs, ou agtechs.

Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos.

Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras.

Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. “Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar”, explica o sócio Raphael Pizzi. “Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone.”

A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos – testados na lavoura do pai de Mariana.

A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA.

No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.”Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina”, diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) – além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.”Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio… o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar”, afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos. De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos – e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. “Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio – muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários”, observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. “Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura.”

Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. “O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais – e essas empresas estão entregando.”

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O mercado nacional de certificação de energia renovável cresceu significativamente desde o seu lançamento, em 2014. Em 2017, de janeiro até o agosto, o número transacionado de Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs Brazil, superou as expectativas, totalizando 126.905, avanço de 18% sobre todo o ano anterior.

Quando começou, há três anos, foram negociados 350 REcs. Cada certificado equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. Com o crescente interesse voluntário das empresas por uso de energia renovável, a oferta do insumo também está se expandindo.

Há no País 19 parques de energia renovável capazes de gerar RECs, informa o Instituto Totum, responsável pelo gerencialmente do Programa de Certificação de Energia Renovável brasileiro, junto com as várias entidades do setor.

Desses 19 parques, 15 já possuem o registro na plataforma internacional IREC, reconhecida mundialmente. O ritmo de crescimento e a demanda por compra de energia renovável tem surpreendido o Instituto Totum.

“Toda semana recebemos pelo menos um contato de empresa interessada em registrar suas usinas renováveis na plataforma mundial, inclusive em breve teremos a primeira usina de biomassaregistrada”, afirma Fernando Lopes, diretor do Instituto.

A aquisição de RECs sinaliza ao mercado que as empresas preferem consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético.

 

O que é a certificação de energia renovável?

 

A possibilidade de registro dos empreendimentos de energia renovável brasileiros na plataforma mundial IREC contribuiu para o crescimento desse mercado. “Com a implantação do IREC no Brasil, no ano passado, conseguimos atender a demanda de empresas multinacionais que possuem políticas internas que exigiam a compra de certificados reconhecidos mundialmente. Porém, mesmo no País, a procura de empresas por RECs vem aumentando muito”, afirma Fernando Giachini Lopes, diretor do Instituto Totum.

A certificação I-REC é o método mais prático e confiável para um consumidor escolher a origem de sua energia. “O certificado traz transparência e opções para aqueles que apoiam o desenvolvimento de energia renovável”, diz Hans Vander Velpen,  analista ambiental  da Voltalia, empresa com foco em pequenas e médias unidades de geração de energia, com sede na França, e que recentemente certificou um parque na plataforma internacional I-REC, aumentando ainda mais a oferta de RECs no Brasil.

 

Entenda como funciona esse mercado

 

Nem todas as empresas têm condições de investir em uma usina para gerar sua própria energia renovável. A saída então é receber a energia da forma tradicional e adquirir o volume de energia equivalente ao consumo por meio de Certificados de Energia Renovável.

Ao comprar RECs as empresas são abastecidas com a energia da rede local, que geralmente é um “mix” de fontes renováveis (hídrica, eólica, solar) e não renováveis (térmicas à óleo, gás ou nucleares). Em troca, elas estão investindo na geração da mesma quantidade consumida em energia limpa, ou seja, elas se apropriam somente da parte limpa que é colocada no sistema.

Com os RECs as empresas podem garantir 100% de energia renovável para seu uso sem ter de investir, elas próprias, em geração

O passo a passo para certificar um empreendimento no Brasil

 

No caso do registro IREC, os passos são os seguintes:

* Assinar contrato, tornando-se um registrante;

* Escolher o empreendimento a ser registrado;

* Pagar a taxa relativa ao empreendimento;

* Enviar a documentação que demonstra o atendimento aos requisitos do IREC e aguardar a auditoria documental pelo Instituto Totum.

Prazo aproximado de 10 dias para conclusão.

 

Com a documentação OK, empreendimento é registrado na plataforma mundial do I-REC e empresa recebe login e senha para acesso, que possibilita a emissão imediata dos RECs.

No caso do IREC com chancela de sustentabilidade REC Brazil, além dos passos acima, é necessário:

* Assinar contrato do REC Brazil

* Contratar auditoria in loco para verificação dos requisitos adicionais de sustentabilidade;

* Aguardar deliberação final do processo e Comissão de Certificação

Prazo aproximado de 30 dias para conclusão

Para conhecer as taxas relativas ao processo de registro e certificação, entre no site: http://www.recbrazil.com.br

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Unindo sustentabilidade e tecnologia, BH recebe sua primeira árvore fotovoltaica. Funcionando a partir de energia solar, o dispositivo inovador é capaz de recarregar até seis celulares simultaneamente. A árvore, que fica no bairro Buritis, também disponibiliza sinal de Wi-Fi gratuito para os belo-horizontinos.

O projeto investe na utilização de energia renovável na capital. Construída com a tecnologia inovadora de filmes fotovoltaicos orgânicos da empresa mineira Sunew, a árvore, que possui um formato de palmeira, funciona com energia solar captada por um painel que não depende do ângulo de incidência do sol. Por isso, funciona com potência total por mais tempo.

Considerada uma tecnologia mais democrática e sustentável, a árvore fotovoltaica poderá ser utilizada pela população do Buritis para a recarga de celulares e como um ponto de acesso gratuito de Wi-Fi.

Quem quiser conhecer a árvore, pode passar pela sede da MRV (Av. Mário Werneck, 621 – Buritis) e conferir a novidade.

A ação é uma entre a MRV Engenharia e a Alsol.

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A humanidade terá consumido nesta quarta-feira, dia 2 de agosto, o total dos recursos que o planeta pode renovar em um ano, e viverá de crédito até 31 de dezembro, calcula a Global Footprint Network.

A ONG destaca que esse momento chega cada vez mais cedo todos os anos.

Esta quarta-feira é o “Dia de Sobrecarga da Terra” (“overshoot day”, em inglês): “A partir dessa data, a humanidade terá consumido o conjunto dos recursos que o planeta pode renovar em um ano”, escreveram a Global Footprint e o WWF (World Wildlife Fund) em um comunicado conjunto.

Para seus cálculos, a Global Footprint leva em conta em particular a pegada de carbono, os recursos consumidos pela pesca, a pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água.

Em 2016, o “Dia de Sobrecarga da Terra” ocorreu em 3 de agosto. Embora o ritmo de progressão tenha reduzido um pouco nos últimos seis anos, esta data simbólica “continua avançando de maneira inexorável: este dia passou do final de setembro em 1997 a 2 de agosto neste ano”, destacam as ONGs.

“Para satisfazer nossas necessidades, hoje deveríamos contar com o equivalente a 1,7 planeta”, detalham.

“O custo deste consumo excessivo já é visível: escassez de água, desertificação, erosão dos solos, queda da produtividade agrícola e das reservas de peixes, desmatamento, desaparecimento de espécies. Viver de crédito só pode ser algo provisório porque a natureza não conta com uma jazida para nos prover indefinidamente”, ressaltam o WWF e a Global Footprint.

As emissões de gases de efeito estufa “representam apenas 60% da nossa pegada ecológica mundial”, lembram.

Segundo as duas organizações, “sinais animadores” indicam, no entanto, que “é possível inverter esta tendência”.

Apesar do crescimento da economia mundial, “as emissões de CO2 vinculadas à energia não aumentaram em 2016, pelo terceiro ano consecutivo”, ressaltam. “Isto pode ser explicado pelo grande desenvolvimento das energias renováveis para produzir eletricidade”.

A comunidade internacional se comprometeu na Conferência de Paris sobre o clima (COP21), em dezembro de 2015, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de limitar o aquecimento global.

Levando em conta os dados científicos mais recentes, a Global Footprint recalcula a cada ano a data do “Dia de Sobrecarga” para os anos passados, desde que este “déficit ecológico” começou a se aprofundar, no início dos anos 1970.

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A região Noroeste do Estado de Minas Gerais ganhou a sua primeira fazenda de energia solar por assinatura. Idealizada pela Empresa Brasileira de Energia Solar (Ebes), o diferencial do empreendimento é a comercialização de cotas, como se fosse uma assinatura, para o consumidor comercial.

A fazenda funciona como se o consumidor comercial alugasse uma parte da usina. A energia é conduzida normalmente pela distribuidora, que no caso é a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), e entregue aos contratantes do modelo.
A primeira usina de 1 megawatt (MW) já foi finalizada e aguarda autorização da Cemig, o que deve acontecer no próximo mês. Ela ocupa uma área de 2,5 hectares e tem capacidade para produzir 2.100 megawatts/hora (MWh) de energia por ano, atendendo de cem a 150 clientes comerciais, de pequeno e médio portes.O investimento feito pelos acionistas foi de R$ 5,5 milhões.

A Ebes tem como objetivo viabilizar cem usinas de 5 MW, num prazo de três anos, com investimentos de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. Como serão usinas maiores, a previsão é de que elas possam atender de 500 a 750 comerciantes.

 

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Instalado pelo secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o Fórum tem por objetivo avaliar, passados dois anos, o avanço dos países em seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O foco principal é o objetivo número 1, erradicação da pobreza. Quarenta e quatro países, entre os quais o Brasil, apresentarão relatórios sobre o andamento desses objetivos.

Na reunião deste domingo na Missão Brasileira da ONU, entre o governo e a sociedade civil, houve críticas ao relatório do país. O documento foi feito unilateralmente pelo governo, sem a participação da sociedade civil.

Ao apresentar o relatório do governo brasileiro, na segunda-feira, o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho destacou a relação entre o Plano Plurianual (PPA) e os ODSs. Segundo ele, o relatório também contém ações da sociedade civil e empresas, “já que a agenda é responsabilidade de muitos atores”. E citou nominalmente o Programa Cidades Sustentáveis como importante plataforma para a incorporação da Agenda 2030 nos municípios.


Jorge Abrahão

Jorge Abrahão, coordenador geral do Programa Cidades Sustentáveis, está em Nova Iorque acompanhando todo o Fórum. Em sua opinião, o documento do governo brasileiro é bastante genérico e deixa evidente a falta do que dizer sobre as efetivas ações realizadas nestes dois últimos anos. “O Brasil está atrasado dois anos na agenda. O único avanço que podemos destacar é o lançamento, no último dia 29 de junho, da Comissão Nacional do Desenvolvimento Sustentável, responsável pela governança da Agenda 2030 no Brasil, e apresentou o relatório nacional sobre o avanço dos ODS no País”, avaliou.

Abrahão criticou o fato de a elaboração do relatório nacional não ter contado com a participação da sociedade civil. Também destacou que as reais ações do governo brasileiro vão no sentido contrário do compromisso com os ODS, como a PEC do teto de gastos e a Reforma Trabalhista.

O coordenador geral do Programa Cidades Sustentáveis relatou, ainda, que algumas propostas foram apresentadas durante o Fórum, como uma reunião com a delegação brasileira no sentido de construir caminhos para ampliar a participação. Além disso, contou que o Ministro-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, Antônio Imbassahy, e o Itamaraty se comprometeram a defender que as políticas públicas no país estejam condicionadas aos ODS. “É importante ressaltar que é uma agenda de Estado, de longo prazo, e não de governos”, concluiu Abrahão, destacando que “o reconhecimento do Programa Cidades Sustentáveis nos coloca como interlocutores de uma agenda de vanguarda”.

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Muita gente ainda tem dificuldades na hora de separar materiais para reciclagem, sem saber se um material pode ou não ser reutilizado e como fazer isso. Para ajudar nessas questões, a AMP Robotics desenvolveu o Clarke, um robô capaz de reconhecer e classificar materiais diversos, que funciona como um braço robótico que separa o lixo em alta velocidade. Ele usa uma câmera para reconhecer, em seu sistema, materiais como caixas de papelão, plástico, papel e itens que não podem ser reciclados.

Como conta o Digital Trends, Clarke é capaz de reconhecer, com precisão de 90%, 60 itens por minuto, mais rápido do que um humano faria, o que significa uma redução de 50% nos custos. “A plataforma principal que criamos foi um sistema para classificar praticamente tudo o que está em um centro de reciclagem hoje em dia”, conta Mantaya Horowitz, que trabalhou no projeto. Como acontece com os sistemas de inteligência artificial, quanto mais trabalha, mais inteligente o robô fica.

Veja como funciona:

A ideia da AMP é ampliar as habilidades de classificação de Clarke. “No momento, ele consegue dizer ‘esse é um plástico de número 1’, mas queremos que ele diga coisas como ‘essa é uma garrafa de Pepsi’, ‘essa é uma garrafa de Gatorade’, oferecendo às empresas de reciclagem mais informações sobre o que passa por elas”, afirma Horowitz.

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o Google, através de sua nova plataforma Google Earth, lançou 11 histórias interativas, que trazem uma experiência detalhada, contemplando desafios e ameaças ao ecossistema da Amazônia. Algumas delas foram produzidas por Fernando Meirelles, um dos maiores diretores de cinema do Brasil.

“O Google Earth é uma ferramenta que permite que você explore, aprenda e descubra histórias e informações e adquira conhecimento sobre nosso precioso planeta e sobre todos os que vivem nele”, disse ao CicloVivo a diretora do Google Earth, Rebecca Moore, durante o evento de abertura. “Vivemos em um momento no mundo onde as pessoas estão cada vez mais polarizadas. Precisamos encontrar maneiras de construir pontes de comunicações entre pessoas de diferentes crenças, com histórias que toquem seus corações”, acrescentou Rebecca.

Como tudo começou

O interesse do Google em contar as histórias dos povos da Amazônia surgiu há dez anos atrás, quando o Chefe Almir Suruí, pertencente a tribo Paiter Suruí, bateu à porta do escritório Google Brasil, em São Paulo, vestindo seu cocar, e pedindo para ser atendido. Chefe Almir pediu ajuda para frear o desmatamento na Amazônia.

O líder indígena se incomodava bastante ao olhar o mapa da Amazônia no Google e não ver nada por lá, como se fosse uma página em branco, como se eles não existissem. A realidade é que 25 milhões de pessoas de uma vasta diversidade cultural vivem ali, e estas pessoas também querem ser vistas. Assim, depois de muita conversa e do envolvimento de diversos outros parceiros os resultados começaram a surgir. Eles mapearam toda a reserva e diversas referencias, tanto de localização como culturais, foram inseridas no mapa.

Após este feito, a tribo conseguiu documentar e certificar suas terras para a venda de crédito de carbono, que acabou gerando uma renda extra e sustentável para a tribo. Com o sucesso do Chefe Almir, outras tribos e comunidades o procuraram se interessando pelo modelo, que se espalhou por toda a Amazônia e resultou na demarcação via Google Earth de quase todos os territórios indígenas e quilombolas da Amazônia.

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Google Earth: Eu Sou Amazônia

Cada história do projeto Eu sou Amazônia captura a complexidade da floresta que produz 20% do oxigênio do planeta e abriga uma em cada 10 espécies de animais. É possível conhecer a cadeia de produção de iguarias da floresta, como a castanha-do-pará e o açaí, ou descobrir como comunidades, que antes dependiam da extração ilegal, agora se reestruturaram com esforços sustentáveis.

A nova experiência mostra o cotidiano dos Quilombolas, conta como a educação e a cultura reergueram diferentes povos e o papel da tecnologia na Amazônia, ampliando essas vozes para o mundo todo e abrindo a possibilidade para que qualquer pessoa, de qualquer lugar, possa se informar e aprender mais sobre a maior floresta tropical.

Na seção Viajante, os povos da Amazônia compartilham suas vivências em um formato rico e interativo. É uma jornada profunda contada por meio de vídeos, mapas, áudios e realidade virtual em 360°.

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Na última quinta-feira (29) foi inaugurado na Bird Street, em Londres, um novo espaço de compras ao ar livre, que utiliza algumas das novas tecnologias mais inovadoras em sustentabilidade, como a micro geração de energia.

A rua, que antes era aberta para carros, foi fechada apenas para pedestres e funciona como um combinado de showroom com tecnologias sustentáveis e lojas e cafés voltados para o público engajado, que gosta de se alimentar de forma saudável e busca boas práticas de consumo. A mudança no hábito de compras do consumidor foi o que estimulou este novo tipo de comércio de rua, chamado de High Street, que já é tendência no Reino Unido.

Calçada do futuro

A tecnologia que ocupa dez metros quadrados da calçada da Bird Street foi desenvolvida pela empresa Pavegen. O caminho é equipado com uma tecnologia que gera energia quando os pedestres caminham sobre ele. À medida que os pedestres caminham pela calçada, a pressão faz com que os geradores no piso se desloquem verticalmente. A indução eletromagnética cria energia cinética que pode ser usada para alimentar dispositivos. No caso da Bird Street o sistema irá alimentar a iluminação das luminárias em forma de pássaros que decoram as árvores da rua e também alimenta o equipamento de som, que emite sons de pássaros cantando conforme a pessoa caminha.

O sistema tem também outro objetivo além de gerar energia. Cada módulo de piso do sistema é equipado com um transmissor de dados Bluetooth, que captura informações a partir de cada passo. Ao caminhar, o pedestre pode se conectar a um aplicativo móvel da empresa onde cada passo coletado é convertido em moeda digital que pode tanto ser usada como recompensas em programas de fidelidade, como doadas para instituições de caridade.

O sistema também monitora continuamente o fluxo de pessoas,  dando a capacidade de prever horários de pico e locais privilegiados de uma rua ou centro comercial, por exemplo. Ela também monitora o fluxo direcional para fornecer uma análise abrangente dos padrões de movimento. O sistema gera um mapa de calor, mostrando o comportamento do consumidor através da medição da intensidade, do ritmo e do número de pessoas que caminham dentro de uma área designada.

Outras inovações que a rua implementou foi a instalação de bancos fabricados pela ClearAir da Airlabs, que limpam o ar do dióxido de nitrogênio e ainda apresentam um painel com a medição imediata sobre a qualidade do ar do local. As superfícies das lojas em forma de origamis que abrigam cafés e lojas, também foram cobertas com a tinta Airlite, que purifica o ar de gases NOx e bactérias.